Olha, quando vi que a Eddy Merckx Bikes estava lançando novidades na linha Corsa, já fiquei curioso. Mas quando descobri que eram modelos em titânio, confesso que bateu aquela empolgação genuína de quem ama bike e entende o que isso representa. A marca belga, que desde 1980 tem o nome Corsa associado aos seus quadros de aço de altíssima qualidade, resolveu dar um passo ousado e expandir esse conceito para o universo do titânio.
E não é qualquer titânio, não. Estamos falando de Columbus Hyperion, aquela liga 3AL-2.5V que todo mundo que entende de quadro sabe que é top de linha. A relação peso-resistência é excepcional, não oxida com nada, e ainda por cima é fácil de trabalhar na hora da soldagem. Detalhes que fazem toda diferença quando você quer uma bike que vai durar décadas.
Dois modelos com propostas bem definidas
A Eddy Merckx não fez as coisas pela metade. Lançou de cara dois modelos: o Corsa Pévèle Ti e o Corsa Strasbourg Ti. Cada um com sua personalidade, mas ambos mantendo aquela geometria clássica que a marca construiu ao longo dos anos com os modelos em aço.
O que mais me chamou atenção é que esses quadros não são feitos em qualquer lugar. Continuam sendo artesanais, fabricados na Itália. E isso faz sentido quando você pensa na tradição da marca. O antigo construtor de quadros da Merckx, Johan Vranckx, que aprendeu o ofício justamente na De Rosa italiana, se aposentou recentemente. Mas o DNA italiano permanece forte na produção.
Corsa Pévèle Ti: o all-road versátil
O Pévèle Ti é aquele tipo de bike que resolve vários problemas de uma vez só. Sabe quando você quer algo que ande bem tanto no asfalto quanto nas estradas de terra? Pois é, esse é o conceito. A Eddy Merckx pensou em criar uma máquina que mistura as qualidades de uma road bike com a versatilidade de uma gravel.
A geometria traz um bottom bracket ligeiramente mais baixo que uma speed tradicional. Isso não é só um detalhe técnico jogado ali – rebaixa o centro de gravidade e na prática você sente mais estabilidade, principalmente quando está em terrenos variados. Ao mesmo tempo, o entre-eixos é mais curto que o de uma gravel pura, o que mantém aquela agilidade gostosa de uma bike de estrada.
Sobre os pneus: com transmissão 1x você consegue encaixar pneus de até 40mm, mas se preferir o sistema tradicional de dois discos, ainda rola usar pneus de 38mm. Isso é espaço de sobra para explorar diferentes tipos de terreno com conforto. E tem mais: pontos de fixação para para-lamas, o que transforma ela numa bike para o ano todo, chuva ou sol.
Um detalhe que achei bacana: os dois modelos aceitam roteamento integrado para cabo de dínamo. Pode parecer coisa de nicho, mas para quem curte autonomia em pedaladas longas, ter um sistema de iluminação independente faz toda diferença.
Corsa Strasbourg Ti: feita para aventuras sérias
Agora, se sua vibe é mais bikepacking e aventuras em terrenos mais selvagens, o Strasbourg Ti é a escolha certa. Esse modelo mantém a mesma filosofia de geometria da irmã Pévèle, com aquele centro de gravidade mais baixo para dar controle nas descidas técnicas e segurança quando o terreno complica.
A diferença grande está na folga para pneus: aceita até 50mm de borracha. É banda larga mesmo, aquela que te dá confiança para entrar em trilhas mais brabas sem medo. E quando você olha o quadro de perto, nota a quantidade de pontos de fixação tanto no quadro quanto no garfo. Isso é música para os ouvidos de quem adora planejar viagens de bike com tudo nas bags.
A Merckx claramente pensou em quem quer carregar equipamento de forma inteligente. Múltiplas opções de montagem significam que você consegue distribuir o peso de forma equilibrada, seja com bolsas de quadro, de garfo ou aquele suporte de guidão para dry bag.
Detalhes que fazem diferença no dia a dia
Ambos os modelos vêm equipados com rolamentos Ceramicspeed SLT no headset e movimento central Alpha T47. E aqui tem um detalhe que não é pouca coisa: garantia vitalícia. Isso mostra confiança no produto, né? A marca está dizendo claramente que essas peças foram feitas para durar.
Outra coisa interessante é o dropout UDH impresso em 3D. Para quem não está familiarizado, o Universal Derailleur Hanger (UDH) é um padrão criado pela SRAM que está se tornando comum nas bikes modernas. Basicamente, facilita muito quando você precisa trocar o cambio ou fazer manutenção, porque o padrão é universal.
Personalização ao seu gosto
Você pode comprar só o quadro com garfo ou montar uma bike completa através do configurador online da Eddy Merckx. As opções de grupo são bem variadas, atendendo desde quem prefere a tradição italiana da Campagnolo Super Record até quem é fã da eletrônica japonesa com Shimano Dura-Ace Di2 ou Ultegra Di2, passando pela americana SRAM Red ou Force.
Para o Pévèle Ti, você ainda escolhe se quer um setup mais voltado para estrada ou para gravel, dependendo se opta por grupos tradicionais ou pelas versões XPLR da SRAM. Já o Strasbourg Ti vem só com opções 1x, o que faz total sentido considerando a proposta mais aventureira do modelo.
E tem mais: dá para customizar as cores dos logotipos no tubo diagonal e tubo de direção, além de escolher a cor das peças pequenas da Wolf Tooth usadas na montagem. O acabamento do titânio escovado, claro, permanece como protagonista visual. Afinal, quem compra uma bike de titânio quer justamente aquela estética única e atemporal do material.
O que isso representa para o mercado
Pieter Vanheeswijk, da Eddy Merckx Bikes, resumiu bem o espírito desses lançamentos quando disse que “a linha Corsa é sobre verdadeiro artesanato”. E complementou dizendo que os modelos Ti foram “feitos para ciclistas que querem uma bike em que possam confiar para a vida toda, combinando herança, versatilidade e performance moderna”.
E faz sentido, né? Titânio é um daqueles materiais que envelhece bem, não precisa de pintura (então não descasca), e tem aquela sensação única de pilotagem. Não é tão rígido quanto carbono puro, mas também não tem aquela flexibilidade excessiva do aço. É um meio termo que muita gente considera perfeito para longas distâncias.
A tendência do mercado tem sido essa mistura mesmo: bikes que não são nem puramente de estrada, nem puramente gravel. A galera quer versatilidade, quer poder escolher o percurso sem se preocupar se a bike vai aguentar. E essas Corsa Ti parecem entregar exatamente isso.
É interessante ver uma marca com tanto histórico como a Eddy Merckx – estamos falando do nome do cara que é considerado por muitos o maior ciclista de todos os tempos – abraçando essas tendências mais modernas sem perder sua essência. A geometria ainda é aquela tradicional, o acabamento continua artesanal, mas eles não ficaram presos no passado.
Vale a pena investir?
Olha, vou ser sincero: bike de titânio artesanal feita na Itália não vai ser barata. A Eddy Merckx não divulga os valores direto no site, você precisa configurar e ver o preço final, o que já dá uma pista de que estamos falando de um produto premium.
Mas se você está naquele momento da vida em que quer investir numa bike para décadas, que não vai precisar trocar porque a moda mudou ou porque o quadro cansou, aí sim faz sentido considerar. Titânio dura gerações. Literalmente. E com garantia vitalícia em componentes-chave, a conta começa a fazer mais sentido.
Além disso, tem aquele fator emocional de ter uma bike com o nome Eddy Merckx. É uma marca que respira história do ciclismo. Não é qualquer fabricante que pode dizer que foi fundada pelo maior ciclista de todos os tempos (com todo respeito aos fãs de outros campeões, mas o Canibal realmente foi algo à parte).
Para quem está interessado, o melhor caminho é dar uma olhada no site oficial da Eddy Merckx e brincar com o configurador. Lá você consegue ver todas as opções de montagem, entender melhor as geometrias disponíveis e, claro, ter uma noção do investimento necessário.
No fim das contas, essas Corsa Ti representam uma adição bem pensada ao catálogo da marca. Não são apenas mais duas bikes no mercado – são propostas sérias para quem valoriza qualidade de construção, versatilidade e aquela sensação única que só uma bike de titânio bem feita consegue proporcionar. E convenhamos: se você vai investir numa bike para usar pelos próximos 20, 30 anos ou mais, melhor que seja algo realmente especial, né?
Perguntas Frequentes sobre as Bikes de Titânio Eddy Merckx
1. Por que escolher uma bike de titânio em vez de carbono ou aço?
O titânio oferece um equilíbrio único que nem o carbono nem o aço conseguem replicar completamente. Enquanto o carbono é extremamente rígido e leve (mas pode rachar em quedas), e o aço oferece conforto mas exige manutenção contra ferrugem, o titânio praticamente não oxida, absorve vibrações da estrada naturalmente, é super resistente a impactos e praticamente não precisa de manutenção especial. Além disso, aquele acabamento escovado do titânio envelhece de forma linda, desenvolvendo uma pátina que conta a história da bike. É o material perfeito para quem está pensando em longo prazo e quer uma companheira de pedaladas que vai durar décadas sem perder qualidade.
2. Qual a diferença prática entre o Pévèle Ti e o Strasbourg Ti no uso diário?
A diferença está principalmente no DNA de cada uma e na versatilidade de terreno. O Pévèle Ti é mais ágil e voltado para quem divide tempo entre asfalto e estradas de terra leves – pense nela como uma gravel que não perdeu totalmente a alma de road bike. Já o Strasbourg Ti é para quem leva o off-road mais a sério: com folga para pneus de até 50mm e mais pontos de fixação para bags, ela foi feita pensando em viagens longas, bikepacking pesado e trilhas mais técnicas. No dia a dia, se você pedala mais em estrada com algumas incursões no cascalho, vai o Pévèle. Se sua vibe é exploração, aventura e carregar equipamento para acampar, vai de Strasbourg sem pensar duas vezes.
3. O que é UDH e por que isso importa nessas bikes?
UDH significa Universal Derailleur Hanger, um padrão criado pela SRAM que está revolucionando a forma como lidamos com câmbios traseiros. Antes, cada modelo de bike tinha seu próprio ganchinho de câmbio, e quando você quebrava um (coisa comum), tinha que procurar aquele modelo específico – às vezes impossível de achar. Com o UDH, esse problema acabou: é um padrão universal que funciona em qualquer bike que o adote. Para bikes de longa distância e aventura como essas Corsa Ti, isso é crucial. Imagina estar no meio de uma viagem e precisar substituir o ganchinho? Com UDH, você acha em qualquer loja especializada do mundo. É mais um detalhe que mostra que a Eddy Merckx pensou em bikes para quem realmente vai usar pesado e longe.
4. Vale a pena investir numa bike artesanal de titânio considerando o preço?
Essa é a pergunta de milhões, literalmente. Vou ser direto: se você está procurando uma bike para trocar daqui 2-3 anos, provavelmente não vale. Mas se você entende o valor de ter um equipamento feito para durar gerações, que pode ser passado para filhos (não estou brincando), que não vai desvalorizar brutalmente como carbono, e que oferece uma experiência de pilotagem única, aí sim o investimento faz todo sentido. Pense assim: uma boa bike de carbono premium custa caro e em 10-15 anos vai estar defasada ou com risco de microfissuras. Uma bike de titânio artesanal estará apenas começando sua vida útil. É um investimento emocional e prático. Você não está comprando só uma bike, está comprando herança e tradição sobre duas rodas. E convenhamos, quantas coisas hoje em dia realmente duram para sempre?
5. Essas bikes são adequadas para iniciantes ou são muito especializadas?
Olha, tecnicamente qualquer pessoa pode pilotar essas bikes – a geometria é confortável e amigável. Mas vou ser honesto com você: provavelmente não faz sentido um iniciante absoluto ir direto para uma Corsa Ti. Não porque ela seja difícil de usar, mas porque você estaria investindo pesado antes de realmente saber o que você gosta no ciclismo. É como comprar um violino Stradivarius para aprender a tocar – funciona, mas você não vai aproveitar toda a sutileza. Agora, se você já pedala há um tempo, sabe que ama o esporte e está pronto para investir numa bike definitiva, aí sim essas Merckx fazem todo sentido. São bikes que crescem com você: servem tanto para aquele passeio tranquilo de domingo quanto para aquela aventura épica de bikepacking de 500km. A versatilidade delas é justamente o que as torna tão especiais para ciclistas de todos os níveis que estão sérios sobre o esporte.





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