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Van der Poel Arrasa em Benidorm: Ataque Devastador na Primeira Volta Define Vitória na Copa do Mundo de Cyclocross

Mathieu van der Poel conquista mais uma vitória esmagadora na Copa do Mundo de Cyclocross em Benidorm. O holandês atacou logo na primeira volta e não deu chances, chegando a 21 vitórias consecutivas.

Van der Poel Arrasa em Benidorm

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre quem manda no cyclocross mundial neste momento, a Copa do Mundo de Benidorm na Espanha acabou de jogar uma pá de cal na questão. Mathieu van der Poel simplesmente não dá chances para os adversários – e quando digo “não dá chances”, estou sendo até generoso com o resto do pelotão.

O holandês da Alpecin-Premier Tech fez no domingo o que tem feito em todas as corridas desde que voltou ao cross: atacou cedo, abriu um buraco imenso e foi embora sem olhar para trás. Resultado? Mais uma vitória avassaladora, a 21ª consecutiva na carreira, numa demonstração tão brutal de superioridade que chega a ser até constrangedora para quem estava tentando acompanhar.

Quando o Show Começou (Logo de Cara)

Sabe aquele papo de que o cyclocross é decidido nos detalhes, nos últimos metros, na última volta? Esqueça. Pelo menos quando Van der Poel está na largada. O cara literalmente destruiu qualquer possibilidade de corrida equilibrada logo na primeira volta das oito programadas.

A história começou com um pequeno erro do holandês na largada – nada grave, só o suficiente para ele ter que se reposicionar rápido. Mas aí entrou em cena seu companheiro de equipe Tibor del Grosso, que pegou o hole shot (a primeira posição) e abriu caminho. Van der Poel simplesmente colou na roda do parceiro e esperou o momento certo.

E o momento certo? Foi quando Toon Aerts, o campeão europeu, se estatelou no chão ao passar pelas barreiras ainda na primeira volta. O acidente bloqueou momentaneamente o resto do pelotão – e foi só o que Van der Poel precisava. Ele acelerou, del Grosso abriu espaço, e pronto: “valeu pelo trabalho, parceiro, mas agora é comigo”.

A Decisão de Última Hora que Mudou Tudo

O mais curioso é que Van der Poel nem tinha certeza se ia correr em Benidorm. Até o sábado ele ainda estava na dúvida, pensando se compensava mais fazer um treino de endurance na estrada ou encarar mais uma etapa da Copa do Mundo de Cyclocross.

No fim das contas, como ele mesmo disse, “a vontade de correr foi simplesmente grande demais”. E ainda bem que foi, porque o público espanhol ganhou um espetáculo – mesmo que o espetáculo tenha sido, essencialmente, ver um cara sozinho dar aula sobre como se pedala em terreno misto.

Tem um detalhe interessante nisso tudo: a última derrota de Van der Poel foi justamente em Benidorm, há exatos dois anos. Naquele dia quente e poeirento de 2024, ele teve um dia ruim e perdeu. Desde então? Vinte e uma vitórias seguidas. Vinte e uma! Se não tivesse sido aquele dia ruim específico, a sequência invicta seria de 34 corridas. É de doer nos outros.

A Batalha Pelo Segundo Lugar (Porque o Primeiro Já Tinha Dono)

Enquanto Van der Poel fazia seu passeio solitário pela frente – e olha que “passeio” aqui significa martelar em velocidade absurda -, o resto da corrida se concentrou em quem ia ficar com as migalhas do pódio.

Thibau Nys, o campeão belga, ficou inicialmente com del Grosso tentando organizar uma perseguição. Mas quando você está 30 segundos atrás de Van der Poel na segunda volta, não está perseguindo nada – está basicamente correndo sua própria corrida e torcendo para não perder mais tempo.

A corrida ganhou emoção quando Felipe Orts, o campeão espanhol correndo em casa, resolveu que não ia ficar só fazendo número. No meio da prova, aproveitou uma diminuída no ritmo do grupo perseguidor e atacou. Nys reagiu, colou nele, e os dois formaram uma dupla que garantiu as posições no pódio.

Na última volta, Nys ainda tinha força para abrir vantagem sobre Orts e garantir o segundo lugar. O espanhol cruzou em terceiro, mas fez questão de celebrar com uma wheelie antes da linha – afinal, pódio em casa é pódio em casa, e a torcida local estava em êxtase.

Como Orts definiu depois: “Estar no pódio em casa é absolutamente louco. Ataquei no momento certo, consegui trabalhar com o Thibau, e no final estava completamente no limite. Estou muito feliz com minha corrida”.

O Percurso que Deveria Ser Difícil (Mas Não Foi para Van der Poel)

Benidorm apresentou aos ciclistas um traçado bem variado: areia profunda, trechos de grama, terra seca, algumas poças d’água e aquele sol espanhol de janeiro que, convenhamos, não é brincadeira. O tipo de percurso que deveria equilibrar as coisas, dar chances para especialistas em diferentes terrenos.

Mas Van der Poel simplesmente não liga para essas sutilezas técnicas. Areia? Passa voando. Grama? Nem sente. Barreiras? Salta como se tivesse molas nas pernas. O cara é tão completo que não tem setor fraco – e isso é o pesadelo dos adversários.

Ele mesmo comentou depois da prova: “Não esperava ficar sozinho por tanto tempo. Normalmente aqui a decisão sempre vem na última volta. Pensei que esse ano seria igual. As condições estavam um pouco diferentes”.

E completou, explicando a tática: “O Tibor fez uma primeira volta muito boa, vi uma pequena brecha e decidi ir imediatamente. Empurrei forte por uma ou duas voltas e esperava que os corredores ficassem se olhando – e foi exatamente o que aconteceu”.

Os Números que Assustam

Vamos colocar em perspectiva o que Van der Poel está fazendo no cyclocross:

  • 21 vitórias consecutivas – e contando
  • Última derrota em janeiro de 2024, há dois anos
  • Dominância em todos os tipos de terreno e condições climáticas
  • Vitórias por margens que chegam a mais de um minuto sobre o segundo colocado
  • Líder isolado da Copa do Mundo UCI com folga

Para ter ideia do nível, ele está fazendo no cyclocross o que poucos atletas conseguiram em qualquer esporte: transformar competições de alto nível em demonstrações de superioridade técnica e física. É tipo ver o Usain Bolt correndo os 100 metros – você sabe quem vai ganhar, mas assiste mesmo assim porque é impressionante.

E Agora? Tem Mais Pela Frente

Van der Poel está dividindo a temporada entre cyclocross e preparação para a temporada de estrada. Ele já deixou claro que as grandes clássicas de primavera são o objetivo principal – especialmente a Paris-Roubaix e o Tour de Flandres, onde é atual campeão.

Mas enquanto estiver no cross, a sensação é que vamos continuar vendo esse show de dominação. Os adversários tentam, estudam, treinam, melhoram – e continuam apanhando do mesmo jeito. Nys, que é um baita corredor e campeão belga, admitiu depois da corrida: “Estou um pouco decepcionado por estar muito atrás na primeira volta. Tinha a sensação de que minhas pernas estavam boas e que talvez pudesse seguir o Mathieu por mais tempo”.

Traduzindo: nem o segundo melhor do mundo hoje consegue pensar em vencer – só em “seguir por mais tempo” antes de ser inevitavelmente largado para trás.

O que Benidorm nos Ensinou

Essa corrida em solo espanhol mostrou algumas coisas importantes sobre o estado atual do cyclocross de elite:

Primeiro, Van der Poel está em outro nível. Não é que os outros sejam ruins – pelo contrário, temos um pelotão muito forte. Mas ele conseguiu criar uma separação que a gente só vê uma vez por geração em cada esporte.

Segundo, o cyclocross espanhol está crescendo. Ver Orts no pódio em casa, com uma torcida empolgada e barulhenta, é ótimo para o esporte. A Espanha tradicionalmente não é uma potência no cross, mas atletas como Orts estão mudando isso.

Terceiro, a tática ainda importa – mas só quando Van der Poel não está na corrida ou tem um dia ruim (o que não acontece há dois anos). A forma como Orts atacou no momento certo e como Nys gerenciou a aproximação mostra que ainda há espaço para inteligência tática, mesmo numa prova dominada pela força bruta.

Reflexões de Quem Assiste

Tem um debate interessante rolando entre os fãs de cyclocross: será que a dominação de Van der Poel é boa ou ruim para o esporte? De um lado, ver alguém no auge absoluto da performance é fascinante – é como ter testemunhado Eddy Merckx ou Miguel Indurain nos seus melhores momentos.

Por outro lado, corridas sem suspense podem afastar espectadores. Quem vai querer assistir se já sabe o resultado antes mesmo da largada?

Mas sabe o que eu acho? Aproveitem enquanto dura. Esses momentos de dominação absoluta são raros e, quando passam, a gente sente falta. Daqui a alguns anos, quando Van der Poel se aposentar ou focar 100% na estrada, vamos olhar para trás e falar: “cara, a gente viu aquele cara fazer coisas absurdas no cross”.

É tipo quem viu Ayrton Senna dirigir, ou Roger Federer jogar tênis no auge, ou Michael Jordan jogar basquete. Você sabe que está presenciando algo especial, mesmo que pareça injusto para os outros competidores.

O Calendário Segue

A temporada de cyclocross 2025-2026 ainda tem muita lenha para queimar. A Copa do Mundo continua, com mais etapas pela frente, e logo vem o Mundial de Cyclocross, que é sempre o grande objetivo da temporada.

Van der Poel vai tentar defender o título mundial de arco-íris que conquistou no ano passado. E, considerando como ele está pedalando, seria uma grande surpresa se não conseguisse. Mas o cross é assim: um dia ruim, uma queda boba, um problema mecânico, e tudo pode mudar.

É essa imprevisibilidade que mantém a gente grudado nas transmissões, mesmo sabendo que provavelmente vamos ver mais uma exibição de Van der Poel. Porque sempre existe aquela chance mínima de que hoje seja diferente, de que alguém consiga acompanhar, de que vejamos uma corrida equilibrada de verdade.

Por enquanto, o que temos é um campeão inquestionável, fazendo o que faz de melhor: deixar todo mundo comendo poeira (ou areia, ou lama, dependendo do percurso) enquanto cruza a linha de chegada com aquele sorriso de quem sabe que é simplesmente o melhor.

Perguntas Frequentes sobre a Vitória de Van der Poel em Benidorm

Qual é a sequência invicta atual de Mathieu van der Poel no cyclocross?

Van der Poel está atualmente com 21 vitórias consecutivas no cyclocross. Sua última derrota foi justamente em Benidorm, em janeiro de 2024, há dois anos. Se não fosse por aquela derrota específica, ele estaria com uma sequência de 34 vitórias seguidas. Essa dominação absoluta mostra o nível técnico e físico excepcional do holandês, que consegue vencer em todos os tipos de terreno e condições climáticas sem dar chances reais aos adversários.

Como foi a estratégia vencedora de Van der Poel em Benidorm?

A estratégia foi simples mas extremamente eficaz: ataque precoce e implacável. Van der Poel aproveitou que seu companheiro de equipe Tibor del Grosso pegou o hole shot (primeira posição) e colou na roda dele. Quando Toon Aerts caiu nas barreiras ainda na primeira volta e bloqueou momentaneamente o pelotão, Van der Poel acelerou forte, abriu uma brecha e nunca mais foi alcançado. Ele empurrou forte por duas voltas completas enquanto os adversários se olhavam sem saber quem deveria puxar a perseguição, e quando reagiram já era tarde demais.

Por que Van der Poel quase não correu em Benidorm?

Van der Poel estava dividido entre participar da Copa do Mundo de Benidorm ou fazer um treino longo de endurance na estrada, já que está se preparando simultaneamente para a temporada de ciclismo de estrada 2026. Ele só confirmou sua participação no sábado, véspera da prova, dizendo que “a vontade de correr foi simplesmente grande demais”. Como seus grandes objetivos são as clássicas de primavera como Paris-Roubaix e Tour de Flandres, ele precisa balancear o cyclocross com a preparação de base para a estrada. Felizmente para os fãs, ele optou por correr – e dominou completamente.

Quem foram os outros destaques da corrida além de Van der Poel?

Thibau Nys, campeão belga de cyclocross, ficou em segundo lugar após uma corrida sólida em que trabalhou junto com Felipe Orts na perseguição. Nys admitiu depois que ficou decepcionado por estar muito atrás na primeira volta, pois acreditava que suas pernas estavam boas o suficiente para seguir Van der Poel por mais tempo. O grande destaque emocional foi Felipe Orts, campeão espanhol, que conquistou o terceiro lugar correndo em casa. Orts atacou no meio da prova, ajudou a formar a dupla que garantiu o pódio e celebrou com wheelie antes da linha de chegada, para delírio da torcida local espanhola.

Como estava o percurso de Benidorm e quais foram as condições da prova?

O percurso de Benidorm apresentou um mix desafiador de terrenos: areia profunda, trechos de grama, terra seca e algumas seções com água parada. As condições climáticas eram de céu ensolarado com temperatura agradável – bem diferente do frio e lama típicos do cyclocross no norte da Europa. O traçado tinha oito voltas no total e deveria, em teoria, favorecer diferentes tipos de especialistas em cada setor. Van der Poel comentou depois que esperava uma corrida mais equilibrada, típica de Benidorm onde a decisão costuma vir na última volta, mas ele mesmo mudou completamente o roteiro ao atacar logo na primeira volta e nunca mais dar chances aos adversários.

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