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Quem São os Patrocinadores das Equipes WorldTour 2026: Entenda o Dinheiro Por Trás do Pelotão Profissional

Descubra quem realmente financia o ciclismo profissional em 2026. Dos seguros belgas às bebidas energéticas austríacas, passando por fundos soberanos do Golfo e supermercados alemães – a história completa por trás dos nomes estampados nos jerseys do WorldTour.

Quem São os Patrocinadores das Equipes WorldTour 2026

Olha, quando a gente assiste uma corrida do Tour de France ou do Giro d’Italia, fica até acostumado a falar “lá vai o Ineos” ou “o UAE está atacando”. Mas você já parou pra pensar quem são essas empresas que colocam milhões de euros no ciclismo profissional? Não é só estampar um logo no jersey – por trás de cada nome tem uma história fascinante de negócios, estratégia e às vezes até um pouco de controvérsia.

Desde que o ciclismo começou lá pelos anos 1960 (antes disso, pasmem, as equipes eram nacionais porque o Henri Desgrange, organizador do Tour, tinha suas ideias peculiares), os patrocinadores sempre foram a alma do esporte. E 2026 promete ser um ano especialmente interessante nesse aspecto, com mudanças importantes no pelotão.

Vamos mergulhar fundo e descobrir quem realmente movimenta o ciclismo profissional mundial.

AG Insurance-Soudal: A Dupla Belga que Aposta no Talento Jovem

A AG Insurance-Soudal pode parecer nome de equipe nova pra quem não acompanha o ciclismo feminino de perto, mas elas já estão por aí desde 2019. Começaram pequeninhas como Rogelli-Gyproc-APB, viraram NXTG Racing em 2020 e aí a Soudal-QuickStep masculina decidiu criar uma parceria em 2023, trazendo junto seus patrocinadores.

A AG Insurance é praticamente uma avó no mercado de seguros – foi fundada em 1824 na Bélgica! Hoje ela pertence em grande parte à Ageas, a maior seguradora belga, que opera em 14 países. Os donos principais? Tem gente pesada: o grupo chinês Fosun (que também é dono do Wolverhampton), o fundo soberano da Bélgica, além da Vanguard e Schroder, que são gigantes mundiais em gestão de investimentos.

Já a Soudal você provavelmente já viu na B&Q ou em qualquer loja de material de construção. São belgas também, especializados em silicone, espumas de poliuretano e adesivos desde 1966. O legal é que ainda é empresa familiar – o fundador Vic Swerts ainda está no comando. Imagina ter uma empresa há quase 60 anos e ver ela patrocinando o WorldTour!

Alpecin-Premier Tech: Quando Shampoo e Turfa se Encontram

Se você já viu uma corrida com comerciais, sabe exatamente o que a Alpecin faz. É aquele shampoo de cafeína que promete combater a queda de cabelo. E olha, a estratégia de marketing deles é brilhante – escolheram Mathieu van der Poel como garoto-propaganda, um cara que além de campeão mundial tem cabelos volumosos. Coincidência? Acho que não.

A Alpecin faz parte da Dr. Wolff Group, uma empresa alemã que tem sete marcas diferentes de cuidados com cabelo, dentes e pele. E eles levam o patrocínio a sério – já estiveram com Giant-Alpecin e Katusha-Alpecin antes.

Do outro lado, a Premier Tech tem uma história linda. Começou em 1923 no Québec vendendo musgo de turfa. Sim, você leu certo – musgo! Cem anos depois, eles viraram uma empresa gigante que trabalha com embalagens, tratamento de água e ciências da vida. O CEO Jean Bélanger comanda uma operação que já patrocinou Astana e Israel, e agora bancam tanto a equipe masculina quanto a Fenix-Premier Tech feminina.

Bahrain Victorious: O Petróleo do Golfo no Pelotão

Fundado em 2017 como Bahrain-Merida, o time já passou por McLaren até chegar no atual nome Victorious em 2021. E adivinha? Foi quando começaram a ganhar mesmo.

Quem comanda a operação é o Sheikh Nasser bin Hamad Al Khalifa, oitavo na linha de sucessão do trono do Bahrein. Nada mal, né? O dinheiro vem de empresas estatais do país: o Bahrain Economic Development Board, Bapco (a petrolífera nacional), Batelco (telecomunicações), National Bank of Bahrain, Al Salam Bank e Alba (alumínio).

É interessante notar que, diferente de outros times bancados por países do Golfo, o Bahrain não usa um fundo soberano – o financiamento vem direto das empresas estatais. Uma estratégia diferente de soft power através do esporte.

Canyon-SRAM-Zondacrypto: A Tríplice Aliança do Feminino

Essa é uma das equipes mais icônicas do ciclismo feminino. Fundada em 2016 por Ronny Lauke, ex-gerente da Velocio-SRAM, elas mantiveram a mesma dupla de patrocinadores principais até 2025, quando a Zondacrypto entrou no jogo.

A Canyon dispensa apresentações pra quem gosta de bike. É uma das maiores marcas alemãs do mundo, fabricante das populares Aeroad e Ultimate. Eles também patrocinam Alpecin-Deceuninck, Fenix-Deceuninck e Movistar – ou seja, estão presentes em vários times importantes.

A SRAM, baseada em Chicago, é um dos dois gigantes mundiais de componentes (o outro é a Shimano). Mas eles vão além: são donos da RockShox, Truvativ, Zipp, Quarq, Time e Hammerhead. Um império de peças de bicicleta.

A novidade é a Zondacrypto, uma exchange de criptomoedas polonesa fundada em 2014. Com mais de um milhão de usuários ativos, ela é uma das maiores da Europa Central e Oriental. A entrada deles no patrocínio provavelmente tem tudo a ver com a vitória de Kasia Niewiadoma no Tour de France Femmes – marketing inteligente aproveitando o momento da compatriota.

Decathlon-AG2R La Mondiale: A Gigante do Varejo Entra no Jogo

Essa equipe tem uma história linda de consistência. Começou em 1992 e a AG2R está lá desde 1997! Primeiro com Casino como co-patrocinador, depois sozinha até 2021 quando a Citroën entrou. Em 2024, a Decathlon assumiu o lugar da Citroën num contrato de cinco anos.

A Decathlon você conhece – é aquela gigante francesa de artigos esportivos com lojas em 56 países. O interessante é que eles fabricam desde bikes de entrada (BTwin, Rockrider, Triban) até equipamentos premium da Van Rysel. E adivinhe quem fornece bikes e uniformes pro time agora? Van Rysel!

A empresa é familiar, fundada por Michel Leclercq em 1976. Hoje a propriedade está dividida: 40% pra família Leclercq, 40% pra família Mulliez (primos bilionários donos da rede Auchan) e 20% pros funcionários. Uma estrutura bem interessante de participação.

A AG2R La Mondiale é um grupo de seguradoras mútuas francesas que opera no mundo todo. O nome vem de “Groupe des Assurances Mutuelles Agricoles” – foi fundada por fazendeiros em 1840! Imagina a tradição.

E tem mais: em 2025 entrou a CMA CGM como co-patrocinador. É uma empresa de logística e navegação marítima francesa com receita anual de mais de 55 bilhões de dólares! Fundada em 1978 pelo bilionário franco-libanês Jacques Saadé, eles transportam containers pelo mundo todo. A família Saadé controla 73% da empresa, com participação minoritária da turca Yildirim Holding e do banco francês Bpifrance.

EF Education-EasyPost e EF-Oatly: A Escola de Idiomas que Virou Time de Ciclismo

Jonathan Vaughters criou algo especial aqui. O time existe desde 2003 e já teve mais mudanças de nome que eu consigo contar. Começou como um time júnior 5280-Subaru, cresceu pra Slipstream Sports e passou por Garmin, Chipotle, Transitions, Cervélo, Barracuda, Sharp, Cannondale… até chegar na EF Education First em 2018.

A EF Education First é uma empresa de educação suíça (fundada na Suécia) que oferece cursos de idiomas, intercâmbios e programas acadêmicos. Em alguns países asiáticos é conhecida como English First. É uma sacada genial de marketing – expor a marca globalmente através do esporte.

A EasyPost, que entrou em 2022, é uma empresa de software de e-commerce de San Francisco. Eles ajudam lojas online a gerenciar entregas com UPS, USPS e FedEx. Tem 30 investidores, incluindo Google Ventures, Ram Shriram (bilionário que ajudou a fundar o Google), Ashton Kutcher e várias empresas de venture capital.

No feminino, a Oatly entrou como co-patrocinadora. Se você já tomou um flat white num café descolado, provavelmente foi com leite de aveia Oatly. Eles são líderes mundiais nisso. A empresa é sueca do sul da Suécia, mas tem um lado controverso – parte dela pertence ao grupo Blackstone, que já foi criticado por questões de trabalho infantil e desmatamento. O fundador da Starbucks e uma empresa estatal chinesa também têm participação.

FDJ United-Suez: A Loteria Nacional Francesa em Ação

No feminino, a FDJ patrocina desde 2017 o time que antes era Vienne Futuroscope. Em 2022, a Suez entrou como co-patrocinadora, e em 2025 mudaram pra FDJ United-Suez pra refletir a fusão com o masculino Groupama-FDJ United.

A FDJ é simplesmente a loteria nacional da França. Pense em bingo, raspadinhas, aquele joguinho de números… Em 2019 o governo francês privatizou grande parte, mas ainda é o maior acionista. E tem gente pesada investindo: BlackRock e Vanguard (as duas maiores gestoras de ativos do mundo) e o banco central norueguês Norges Bank. No início de 2025, adicionaram “United” ao nome pra refletir expansões pela Europa, incluindo Kindred, ZEtur e Premier Lotteries Ireland.

A Suez não tem nada a ver com o canal. É uma empresa francesa de utilities que trabalha com água e gestão de resíduos internacionalmente. Seu aterro sanitário local pode muito bem ser operado pela Suez. Os maiores acionistas são empresas focadas em infraestrutura: Meridiam e Global Infrastructure Partners.

Fenix-Premier Tech: Materiais de Cozinha Patrocinando Ciclismo

A Fenix-Premier Tech foi formada em 2020 pela multi-disciplinar Alpecin-Premier Tech como Ciclismo Mundial, depois Plantur-Pura, até entrar no WorldTour em 2023. As corredoras ainda competem como Alpecin-Deceuninck no ciclocross e mountain bike.

Fenix é um material desenvolvido pela fabricante italiana Arpa Industriale para pias e revestimentos de parede. Eles são especializados em laminados de alta pressão para design de interiores. Não é todo dia que você vê uma empresa de materiais de cozinha patrocinando ciclismo profissional!

Groupama-FDJ United: A Seguradora dos Fazendeiros

Marc Madiot comanda essa equipe desde 1997, e a FDJ esteve lá praticamente o tempo todo (com uma pausa breve com BigMat em 2012). A Groupama entrou em 2018 e desde então é a dupla dinâmica do ciclismo francês.

A Groupama é um grupo de seguradoras mútuas francesas com operação mundial. O nome é uma sigla: Groupe des Assurances Mutuelles Agricoles. Foi criada por fazendeiros em 1840! Eles se uniram pra ter seguro próprio e a coisa cresceu tanto que virou gigante internacional.

Human Powered Health: Ciência Esportiva no Feminino

Começaram em 2012 como Optum Pro Cycling, tiveram uns anos “powered by” Kelly Benefit Strategies, viraram Rally Cycling em 2016 e Human Powered Health em 2022, quando subiram pro WorldTour.

A Human Powered Health é uma empresa de ciência esportiva com fisiologistas que avaliam pessoas e criam recomendações personalizadas sobre treinamento físico, psicologia, nutrição, equipamentos e recuperação. É tipo um laboratório de performance humana – perfeito pra patrocinar ciclismo.

Ineos Grenadiers: O Império Químico de Jim Ratcliffe

Tem gente que ainda chama de “Team Sky”. Dave Brailsford fundou a equipe britânica em 2009 com o objetivo ousado de ter um campeão britânico do Tour em cinco anos. Bradley Wiggins entregou em três! Viraram Team Ineos em 2019 e Ineos Grenadiers desde o Tour de France 2020.

A Ineos foi criada em 1992 como Inspec por Jim Ratcliffe, ex-diretor de private equity. Ele comprou o braço químico da BP e a coisa explodiu. Hoje o grupo Ineos tem 36 negócios em 29 países: fabricam todo tipo de plásticos e químicos, extraem petróleo e gás (inclusive por fracking, o que é polêmico), têm uma empresa de higiene criada durante a Covid, a marca de roupas Belstaff e fabricam o Ineos Grenadier – um 4×4 off-road moderno inspirado no Land Rover Defender original.

Ratcliffe também investe pesado em esportes: Fórmula 1, vela, corrida e futebol. Recentemente comprou uma participação minoritária no Manchester United.

A novidade é que a TotalEnergies (petroquímica francesa) está estampada no uniforme, mas o nome do time continua Ineos Grenadiers até pelo menos 2027. É uma parceria interessante entre dois gigantes da energia.

Jayco-AlUla e Liv-Jayco-AlUla: O Team Sky da Austrália

É assim que muita gente chama essa equipe australiana que Ralph Denk fundou em 2011 como GreenEDGE Cycling. Passou por Orica, Scott Sports, Mitchelton e BikeExchange até a Jayco entrar em 2022 e AlUla subir pra co-patrocinador titular em 2023. O feminino fundiu com Liv Racing-Teqfind em 2024 pra criar Liv-Jayco-AlUla.

A Jayco é fabricante americana de trailers e motorhomes fundada em 1968 por Lloyd e Bertha Bontrager. Em 2016 foi comprada pela Thor Industries, outro gigante americano de RVs listado na bolsa de Nova York. Mas tem um detalhe: a Jayco Austrália é uma franquia separada, de propriedade de Gerry Ryan, empresário australiano que é co-dono do time Jayco-AlUla. Ryan foi presidente da Cycling Australia em 2013 e também é dono da antiga patrocinadora Mitchelton. O cara tem interesses em rugby league, futebol australiano, basquete e cavalos de corrida.

O patrocinador AlUla é o conselho de turismo da antiga cidade de Al-‘Ula na Arábia Saudita, que tem sítios históricos e arqueológicos incríveis, incluindo Hegra, que é Patrimônio Mundial da UNESCO. A Experience AlUla é administrada pela Royal Commission for Al-‘Ula, uma agência do governo saudita criada pra preservar a cidade.

A Liv Cycling é o braço feminino da Giant Bicycles, a maior fabricante de bicicletas do mundo. A Giant está listada na bolsa de Taiwan, e depois que a fundadora da Liv, Bonnie Tu, se aposentou, as maiores participações estão com os três presidentes da empresa. Tem também investimento significativo de HSBC, GIC (controlado pelo governo de Singapura), Schroders (firma londrina de 1800), Vanguard e BlackRock.

Lidl-Trek: Quando o Supermercado Encontra a Marca Americana

O time começou em 2011 como Leopard-Trek do Luxemburgo com os irmãos Schleck e vários ex-Saxo Bank. Virou RadioShack-Nissan, RadioShack-Nissan-Trek, RadioShack-Leopard até virar Trek Factory Racing e depois Trek-Segafredo de 2016. O feminino é uma das esquadras mais temidas do pelotão com Lizzie Deignan, Elisa Longo Borghini, Ellen van Dijk e Elisa Balsamo. Começaram em 2018 e se juntaram ao nome masculino em 2019. Em 30 de junho de 2024, mudaram pra Lidl-Trek. E em 2026, oficialmente viraram uma equipe alemã porque a Lidl se tornou acionista majoritária.

Você conhece o Lidl – aquela rede de supermercados alemã discount que rivaliza com Aldi e tem aquela padaria maravilhosa. Opera em todos os países da UE, além de Reino Unido, EUA, Suíça e Sérvia. O Lidl faz parte do Schwarz Group, que também é dono da menor rede Kaufland. O grupo pertence a Dieter Schwarz, filho do fundador Josef Schwarz.

A Trek é uma das maiores marcas de bike do mundo, fundada em 1975 como parte da distribuidora de eletrodomésticos Roth Corporation por Dick Burke e Bevil Hogg. Começaram fazendo bikes touring de aço e hoje fazem de tudo, incluindo as famosas Madone, Domane e Emonda. São donos da marca de componentes Bontrager, das e-bikes Electra e da empresa de viagens Trek Travel. Ainda pertence à Roth Distributing Co.

Lotto-Intermarché: A Fusão Belga de 2025

A Lotto tem sido conhecida por vários nomes nas últimas décadas: Lotto-Silence, Lotto-Belisol, Lotto-Soudal. Perderam o co-patrocinador pra 2025 e se fundiram com a equipe belga Intermarché-Wanty pra criar Lotto-Intermarché. O time é novo mas a Lotto está no esporte há quatro décadas! A Intermarché também tem história – começou no final dos anos 2000 como Willems Verandas.

Lotto é simplesmente a loteria nacional da Bélgica – bingo, sorteio, números da sorte. O fundo de jogos ainda é estatal e tem sido patrocinador do time desde 1984, quando ainda tinha ciclistas franceses vencendo classificações gerais.

Intermarché é uma rede de supermercados francesa que você conhece se já passou férias na França, Bélgica, Portugal ou Polônia. Faz parte do grupo Les Mousquetaires, que inclui lojas Bricomarché (material de construção) e Netto (supermercado discount).

Movistar: A Equipe Mais Antiga do Pelotão

A Movistar é a equipe profissional de ciclismo mais antiga em atividade! Estão correndo desde 1980, começaram como Reynolds por dez anos, depois onze como Banesto, um tempinho como iBanesto.com, três anos com Illes Balears, cinco com Caisse d’Epargne até a Movistar assumir em 2010. Grandes nomes passaram por aqui, incluindo Miguel Induráin, cinco vezes campeão do Tour. O time feminino foi criado em 2018.

Movistar é uma empresa de telecomunicações espanhola que fornece celular, telefone fixo e internet na Espanha e países de língua espanhola nas Américas. Faz parte do grupo Telefónica, que inclui Virgin Media O2, O2 Alemanha, Vivo e Telxius. A Telefónica era estatal mas agora está totalmente na bolsa. Os maiores acionistas são as empresas financeiras espanholas BBVA e CaixaBank, Vanguard, Norges Bank e Amundi (uma das maiores gestoras de ativos da Europa).

NSN Cycling Team: A Reinvenção Pós-Israel

Antigamente conhecida como Israel-Premier Tech, a equipe se reinventou na offseason e virou NSN Cycling Team.

NSN significa “Never Say Never” e é uma agência de esportes e entretenimento cofundada pelo ex-jogador do Barcelona Andrés Iniesta. Eles operam principalmente no futebol, tendo gerenciado o FC Helsingør dinamarquês, o Yokohama YSCC japonês e times da King’s League. Além de gerenciar clubes, já colaboraram com Inter Miami do Messi e ajudaram a organizar tours asiáticos do Real Madrid e Barcelona. O portfólio também inclui MotoGP, Matchroom Boxing e uma participação majoritária na Guava, fabricante de gravel bikes.

A empresa tem apoio financeiro da firma de investimentos Stoneweg, que já tinha parceria com Israel-Premier Tech desde 2023. De acordo com o site, a Stoneweg é “um grupo global de investimentos alternativos sediado em Genebra”. Fundada em 2015 com um portfólio de 11 bilhões de euros, se descrevem como “um parceiro de capital confiável e gestor de investimentos para investidores globais e locais”.

Picnic-PostNL: Delivery de Supermercado e Correio Holandês

A equipe holandesa-via-Alemanha está por aí desde 2005 como Shimano-Memory Corp, Skil Shimano, Argos-Shimano, Giant-Shimano, Giant-Alpecin, Sunweb e DSM desde 2021. Subiram pro WorldTour em 2013 como Argos-Shimano com Marcel Kittel, Tom Dumoulin, John Degenkolb e Warren Barguil novinho. O feminino existe desde 2011 sob vários nomes similares, com dois anos como Liv-Plantur e quatro como Team Sunweb antes de virar DSM e DSM-Firmenich. PostNL foi adicionado em 2024 e em 2025 viraram Picnic-PostNL.

Picnic é um supermercado online fundado em 2015. Entrega compras direto em casa na Holanda, França e Alemanha sem ter nenhuma loja física. Seus entregadores operam em 120 cidades e a empresa foi nomeada a empresa holandesa que mais cresce em 2019. Recebeu investimento da Bill and Melinda Gates Foundation Trust e do maior grupo de supermercados da Alemanha.

PostNL é empresa de delivery holandesa fundada em 1998 quando a estatal KPN comprou a australiana TNT Limited. Era conhecida como TNT NV até 2011, quando separou TNT Express e TNT NV virou PostNL. Está listada na bolsa Euronext e o maior acionista é Vesa Equity Investment com 29,5%, com investimentos importantes do magnata da mídia John de Mol Jr e das gestoras Vanguard, Norges Bank e EdenTree. A Vesa também é a maior acionista do Royal Mail e Sainsbury’s e é comandada pelo bilionário tcheco Daniel Křetínský, que é dono do maior grupo de energia da Europa Central, co-dono do Sparta Praga e acionista e diretor do West Ham.

Red Bull-Bora-Hansgrohe: O Império da Latinha de Energia

O time de Ralph Denk começou em 2010 como Team NetApp e teve passagens por Endura e Argon-18 antes de virar o WorldTour staple Bora-Hansgrohe em 2017. A Red Bull assumiu o controle em 2024 trazendo uma injeção massiva de dinheiro.

Todo mundo conhece Red Bull. É a maior marca de bebida energética do mundo e a terceira bebida não alcoólica mais valiosa do planeta. Eles investem em todo tipo de esporte e atleta. A empresa é 49% de Mark Mateschitz, filho do falecido cofundador Dietrich Mateschitz, e 51% de Chalerm Yoovidhya, filho do cofundador tailandês Chaleo Yoovidhya.

Bora é fabricante alemão de sistemas de exaustão para cozinha que elimina a necessidade de coifas, levando os vapores de volta pra dentro da bancada pra limpar ou descartar.

Hansgrohe é fabricante alemão de acessórios sanitários – chuveiros, duchas de mão e torneiras. Foi fundada em 1901 por Hans Grohe e não deve ser confundida com a concorrente Grohe, que foi fundada pelo filho dele. Imagina os natais em família…

SD Worx-Protime: A Dominação Holandesa no Feminino

A SD Worx tem sido A equipe do ciclismo feminino nos últimos anos, limpando tudo graças a Anna van der Breggen, Demi Vollering, Lotte Kopecky, Lorena Wiebes e Marlen Reusser. Com Vollering e Reusser saindo, estão enfrentando mais competição. O time holandês corre e vence desde 2010 quando eram Dolmans-Landscaping, passaram muito tempo como Boels-Dolmans até 2021.

SD Worx é empresa belga de serviços de RH operando pela Europa. A empresa-mãe é WorxInvest, criada em 2018 como braço de investimentos da SD Worx, colocando dinheiro em fundos de private equity e empresas pequenas e médias.

Protime faz parte da família de RH da SD Worx. Fundada há 30 anos, é líder de mercado em registro de ponto, controle de acesso e planejamento de força de trabalho. Não tema mais – Protime vai manter suas planilhas em ordem!

Soudal-QuickStep: Os Papas do Pelotão

Começou em 2003 das cinzas da Domo-Farm Frites e Mapei-QuickStep. A Soudal-QuickStep são os papas tradicionais do pelotão. O time belga comandado por Patrick Lefevere sempre manteve QuickStep como patrocinador, junto com Davitamon, Innergetic, Omega Pharma, Etixx, Deceuninck e agora Soudal, que veio da Lotto.

QuickStep também fica na B&Q mas num corredor diferente. Fundada em West Flanders em 1960, fabrica pisos laminados, vinílicos e de madeira pra residências. Faz parte do Grupo Unilin, que tem cinco divisões especializadas em diferentes áreas de construção: pisos (incluindo mas não limitado a QuickStep), painéis de madeira, isolamento, pesquisa e desenvolvimento e carpetes.

UAE Team ADQ: Os Investimentos de Abu Dhabi no Feminino

Existem desde 2011, começando como Mcipollini-Giordana, adicionando Giambenini por um ano antes de virar Alé-Cipollini em 2014, adicionando Galassia por um ano e mudando pra Alé-BTC Ljubljana em 2020 e 2021 quando subiram pro WorldTour. No início de 2022, o time masculino UAE Team Emirates assumiu e rebatizou o feminino com ADQ no lugar de Emirates.

UAE obviamente se refere aos Emirados Árabes Unidos, o país do Oriente Médio que assumiu o UAE Team Emirates em 2017.

ADQ é empresa de investimentos de propriedade do governo de Abu Dhabi, criada pra ajudar a diversificar a renda dos Emirados além do petróleo.

UAE Team Emirates XRG: O Império de Tadej Pogačar

O UAE Team Emirates começou lá em 1999 como Lampre até 2017 quando os Emirados assumiram. Durante a era Lampre tiveram vários co-patrocinadores: Daikin, Caffita, Fondital, NGC, Farnese Vini, ISD e Merida. Hoje são o time de Tadej Pogačar, o fenômeno esloveno.

Emirates é a companhia aérea baseada em Dubai que faz parte do Grupo Emirates, de propriedade da Investment Corporation of Dubai, o fundo soberano do governo de Dubai.

XRG foi lançado em 2024 pela ADNOC, a empresa petrolífera estatal. O novo spin-off foca em investimentos internacionais em alternativas de energia de baixo carbono e está avaliado em cerca de 80 bilhões de dólares. Dizem que a XRG está esperando aproveitar novas energias, o crescimento da IA e economias emergentes pra criar um futuro sustentável.

Uno-X Mobility: Os Postos de Gasolina Noruegueses

A Uno-X Mobility é time masculino e feminino da Noruega, lançado pros homens em 2010 e pras mulheres em 2022. O masculino é exclusivamente norueguês e dinamarquês, mas o feminino tem composição mais internacional.

Uno-X Mobility é rede de postos de combustível que opera na Noruega e Dinamarca, incluindo carregamento ultrarrápido de veículos elétricos e lava-rápido. Faz parte da Reitan Retail, que é o braço varejista do conglomerado Reitan. Outros negócios do grupo incluem uma empresa imobiliária e uma de investimentos. A Retain Retail inclui as redes 7-Eleven e Rema 1000, e Uno-X entrou no grupo em 2006 quando Reitan comprou Hydro Texaco na Noruega e Dinamarca. A Reitan ainda é comandada pela família que iniciou a empresa em 1948. Odd Reitan, filho do fundador Ole, é chairman, CEO e dono.

Visma-Lease a Bike: Software e Bicicletas Compartilhadas

A Visma-Lease a Bike é uma das equipes mais antigas do pelotão moderno. Fundada em 1984 como Kwantum-Decosol com a maioria do elenco vindo da extinta TI-Raleigh, o time multi-disciplinar e multi-esporte holandês (também tem equipe de patinação de velocidade) está no topo do esporte há décadas. Quase fecharam em 2012 mas voltaram com tudo. Por terem existido tanto tempo, passaram por muitas iterações, mas a mais famosa foi Rabobank de 1996 a 2012. O feminino foi lançado em 2021. O supermercado holandês Jumbo reduziu seu patrocínio no final de 2023 e viraram Visma-Lease a Bike.

Visma é provedora de software norueguesa, desenvolvedora de TI e consultoria fundada em 1996 depois que três negócios se fundiram. Opera pela Europa e é majoritariamente de propriedade da firma de private equity Hg, classificada em 17º no ranking de 2022 da Private Equity International das maiores firmas de PE do mundo. A Visma é um dos maiores investimentos deles.

Lease a Bike é, como o nome diz, empresa de leasing de bicicletas que aluga bikes pra empresas e seus funcionários na Alemanha, Áustria, Holanda e Bélgica. Pertence à Pon Holdings, conglomerado de transporte holandês que já tinha participação no time como donos das bikes Cervélo. O portfólio da Pon também inclui Audi, Bentley, Bugatti, Cannondale, Cupra, Focus, GT Bicycles, Lamborghini, Nimbl (fornecedor de sapatilhas do time), Porsche, Reserve Wheels, Santa Cruz, Schwinn, Seat, Škoda, Urban Arrow e Volkswagen. A Pon foi fundada em 1980 pelo ex-piloto de corrida Ben Pon Jr. e ainda pertence à família Pon.

XDS-Astana: A Fibra de Carbono Chinesa Encontra o Cazaquistão

A equipe XDS-Astana foi formada em 2007 depois que Astana inicialmente entrou pra patrocinar a antiga Liberty Seguros-Würth em 2006 após o escândalo de doping Operación Puerto. Foram brevemente co-patrocinados pela Premier Tech em 2021 mas voltaram só como Astana depois que Alexander Vinokourov voltou como gerente geral. Em 2025 houve investimento massivo da empresa chinesa XDS Carbon Tech, que também fornece as bikes do time.

XDS-Carbon Tech é fabricante de bikes e fibra de carbono baseada em Shenzhen, cidade no sudeste da China perto da fronteira com Hong Kong. Segundo o site da XDS, a empresa foi fundada em 1995 e tem receita anual de mais de 100 milhões de dólares. Eles afirmam ser o primeiro fabricante profissional de bicicletas na China continental com capacidade anual de dez milhões de unidades.

Com o nome da capital do Cazaquistão, o patrocinador real do time se chama Samruk-Kazyna, que é o fundo soberano do Cazaquistão. O portfólio da Samruk-Kazyna consiste em empresas dentro do Cazaquistão, incluindo a ferrovia nacional, serviço postal, empresa de petróleo e gás, empresa de urânio e companhia aérea.

Por Que Isso Importa?

Entender quem patrocina as equipes do WorldTour é mais do que só curiosidade. É compreender as forças econômicas que movem o ciclismo profissional. Algumas empresas veem o esporte como plataforma de marketing global (Ineos, UAE, Red Bull). Outras buscam associação com valores de saúde e sustentabilidade (Decathlon, Canyon, EF Education). E tem aquelas que simplesmente amam o esporte e querem fazer parte da história (Movistar, SD Worx, Soudal-QuickStep).

O mais interessante é perceber a diversidade: tem empresa de shampoo, fabricante de pisos, rede de supermercados, fundo soberano de país do Golfo, desenvolvedora de software, exchange de cripto… O ciclismo profissional é verdadeiramente um mosaico global de interesses comerciais.

E olha, isso também explica muita coisa sobre as estratégias dos times. Um time patrocinado por uma marca de bicicletas (Canyon, Trek) precisa mostrar as bikes. Um time patrocinado por país (UAE, Bahrain) precisa resultados em Grandes Voltas. Um time patrocinado por empresa de software (Visma) pode focar em tecnologia e dados.

O Futuro do Patrocínio no Ciclismo

2026 promete mudanças interessantes. A entrada da Lidl como acionista majoritária da Trek mostra que supermercados estão vendo valor no esporte. A chegada da Zondacrypto e outras empresas de tech indica que o setor está de olho no ciclismo. E a presença contínua de países do Golfo (UAE, Bahrain, Arábia Saudita através da AlUla) mostra que o soft power através do esporte continua relevante.

Uma coisa é certa: o ciclismo profissional depende desses patrocinadores. Sem eles, não teria WorldTour, não teria Grand Tours espetaculares, não teria o show que a gente ama assistir. Então da próxima vez que você ver uma logo no jersey, lembre que por trás tem uma história empresarial fascinante.

E quem sabe, talvez sua empresa um dia patrocine uma equipe WorldTour. Stranger things have happened!

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