Você passa horas treinando na bike, mas já parou para pensar quanto tempo fica sentado durante o dia? Se a resposta for “muitas horas”, tenho uma notícia importante: seus hábitos posturais diários podem estar sabotando todo o progresso conquistado nos treinos.
A verdade é que mesmo os ciclistas mais dedicados enfrentam um desafio silencioso. Entre o trabalho no computador, o tempo no carro e os momentos de descanso no sofá, passamos muito mais tempo sentados de forma inadequada do que pedalando. E isso cobra seu preço.
O Problema Oculto que Afeta Seu Desempenho
Pense comigo: você dedica energia para melhorar sua nutrição esportiva, investe em equipamentos de qualidade e segue uma planilha de treinos rigorosa. Mas e aquelas 8, 10, talvez 12 horas que você passa na frente de uma tela?
Durante esse tempo, uma cascata de problemas se desenvolve silenciosamente. Seu pescoço se projeta para frente buscando a tela. Os ombros rolam internamente, criando tensão acumulada. O core desliga, deixando sua coluna sem suporte. E os glúteos? Bem, eles simplesmente “adormecem” pela falta de ativação.
O resultado? Você carrega esses padrões disfuncionais para cima da bike. Aquela dor lombar persistente, a tensão nos ombros, a fadiga precoce — muitas vezes não são problemas de treino, mas sim reflexos diretos de uma postura inadequada no dia a dia.
As Consequências Reais de Uma Má Postura
Segundo estudos da Cleveland Clinic sobre postura, os desequilíbrios musculares causados por longos períodos sentados criam um efeito dominó no corpo. Você pode desenvolver:
- Síndrome dos glúteos inativos — popularmente conhecida como “dead butt syndrome“, onde seus glúteos literalmente esquecem como trabalhar eficientemente
- Tensão crônica nos isquiotibiais — aqueles músculos posteriores da coxa que ficam encurtados e rígidos pela posição sentada prolongada
- Problemas na banda iliotibial — a famosa síndrome da banda IT que causa dor lateral no joelho
- Lesões no manguito rotador — resultado direto da rotação interna excessiva dos ombros
A ironia é cruel: você treina arduamente para melhorar no ciclismo, mas seus hábitos posturais inadequados trabalham contra você, criando limitações e aumentando o risco de lesões.
A Solução Está Mais Perto do Que Você Imagina
Aqui vai uma mudança de perspectiva fundamental: trate suas atividades diárias como parte do seu treinamento. Sim, isso mesmo. Cada momento sentado, cada pausa no trabalho, cada transição entre tarefas é uma oportunidade de reforçar padrões de movimento saudáveis.
Você não precisa de equipamentos caros ou de horas extras. Precisa apenas de consciência postural e de alguns exercícios estratégicos que podem ser feitos em qualquer lugar, a qualquer momento.
Como Sentar Corretamente (E Por Que Isso Importa)
Antes de mergulharmos nos exercícios, vamos estabelecer a base: uma postura sentada adequada. Não se trata de ficar rígido como uma tábua — isso seria tão prejudicial quanto relaxar completamente. O segredo está no alinhamento neutro da coluna.
Aqui está o checklist postural ideal:
- Coluna ereta mas não tensa — imagine um fio invisível puxando o topo da sua cabeça suavemente para cima
- Escápulas retraídas naturalmente — como se você estivesse colocando as omoplatas nos “bolsos traseiros” das suas costas
- Orelhas alinhadas com os ombros — evite a projeção da cabeça para frente
- Ombros alinhados com os quadris — mantenha a neutralidade da pelve
- Pés apoiados no chão — distribua o peso uniformemente
Melhor ainda? Considere investir em uma estação de trabalho em pé para alternar posições ao longo do dia. Estudos recentes mostram que variar entre sentado e em pé reduz significativamente a fadiga postural e melhora a circulação.
O Poder das Pausas Ativas
Aqui está uma regra de ouro que pode transformar sua relação com o trabalho sedentário: a cada 45-60 minutos, levante-se e movimente-se por 3-5 minutos. Não precisa ser nada elaborado — até uma caminhada rápida pelo escritório já ajuda.
Mas se você quer realmente potencializar essas pausas, os próximos exercícios são perfeitos. Eles foram especificamente selecionados para contrabalançar os efeitos negativos de ficar sentado, reativando músculos adormecidos e alongando áreas tensionadas.
Parte 1: Exercícios de Ativação Muscular
Estes exercícios de ativação têm um objetivo simples mas poderoso: “acordar” os músculos que passaram horas em modo standby. Pense neles como um reset neural que restabelece a comunicação entre seu cérebro e grupos musculares específicos.
Exercício 1: Ativação do Core com Inclinação Posterior
Como fazer: Fique em pé e ative seu core puxando suavemente o umbigo em direção à coluna — não force, apenas engaje. Com o core ativo, levante os braços acima da cabeça e incline-se levemente para trás enquanto equilibra em uma perna só. O segredo é manter o controle total do movimento.
Duração: Mantenha por 5 segundos, depois troque de perna. Repita 3-5 vezes de cada lado.
Por que funciona: Este exercício combina ativação do core com equilíbrio unilateral, forçando seu corpo a estabilizar a coluna enquanto desafia seu sistema proprioceptivo. É especialmente eficaz para ciclistas, pois simula o controle necessário durante pedaladas em pé.
Exercício 2: Círculos de Quadril (O Bambolê Invisível)
Como fazer: De pé, com os pés na largura dos ombros, imagine que você está girando um bambolê ao redor da cintura. Faça círculos amplos e controlados com os quadris, mantendo os ombros relativamente estáveis.
Duração: 10-15 círculos no sentido horário, depois inverta para o sentido anti-horário.
Por que funciona: A articulação do quadril é projetada para se mover em múltiplas direções, mas ficar sentado limita drasticamente essa amplitude. Este exercício simples restaura a mobilidade do quadril e lubrifica a articulação, preparando-a para movimentos mais complexos.
Exercício 3: Ativação Unilateral dos Glúteos
Como fazer: Equilibre-se em uma perna e leve a outra perna para trás e ligeiramente para o lado, como se você estivesse chutando algo atrás de você. O movimento deve ser controlado, focando na contração consciente do glúteo.
Duração: Mantenha por 5 segundos em cada repetição. Faça 8-10 repetições por perna.
Variação alternativa: Se preferir, fique com ambos os pés no chão e alterne contraindo um glúteo de cada vez, balançando suavemente de um lado para o outro.
Por que funciona: Os glúteos são os músculos mais poderosos do corpo, mas também os primeiros a “desligar” quando ficamos sentados. Este exercício reestabelece a conexão neuromuscular, essencial para potência na pedalada e estabilidade pélvica.
Exercício 4: Postura do Corredor com Extensão de Quadril
Como fazer: Equilibre-se em uma perna e levante o joelho da outra perna até que a coxa fique paralela ao chão. Posicione os braços como se estivesse correndo. Nessa posição, contraia o glúteo da perna de apoio e leve a perna elevada para trás, como se estivesse dando uma passada. Use os braços alternadamente, simulando o movimento natural da corrida.
Duração: 8-12 repetições por perna, mantendo o controle total do movimento.
Por que funciona: Este é um exercício funcional que integra equilíbrio, ativação dos glúteos e coordenação. Ele imita padrões de movimento naturais do corpo, tornando-o especialmente valioso para transferência de habilidades para atividades esportivas.
Exercício 5: Elevação de Panturrilhas (Bilateral e Unilateral)
Como fazer: Comece com as duas pernas. Levante-se na ponta dos pés contraindo as panturrilhas, depois desça lentamente de volta ao chão. Para aumentar a dificuldade, faça o movimento de subida com ambas as pernas, mas desça apoiado em apenas uma perna.
Duração: 15-20 repetições bilaterais, ou 10-12 repetições por perna na variação unilateral.
Por que funciona: As panturrilhas são frequentemente negligenciadas, mas desempenham um papel crucial na circulação sanguínea (funcionam como uma “segunda bomba cardíaca”) e na estabilidade do tornozelo. Para ciclistas, panturrilhas fortes melhoram a eficiência da pedalada e reduzem o risco de câimbras.
Parte 2: Alongamentos Estáticos para Áreas Tensionadas
Agora que você reativou os músculos adormecidos, é hora de liberar a tensão acumulada nas áreas que ficam cronicamente encurtadas. Estes alongamentos devem ser mantidos por pelo menos 30 segundos para permitir que o tecido muscular realmente relaxe.
Exercício 6: Alongamento Peitoral na Porta ou Parede
Como fazer: Fique de pé próximo a uma porta ou parede. Para alongar o lado direito, posicione-se com o lado direito do rosto virado para a esquerda. Levante o braço direito até que fique paralelo ao chão e dobre o cotovelo cerca de 90 graus, apoiando o antebraço na parede. Use a mão esquerda para empurrar suavemente o lado esquerdo do corpo para longe da parede. Você deve sentir um alongamento profundo no peito direito.
Duração: Mantenha por 30-45 segundos de cada lado. Repita 2-3 vezes.
Por que funciona: Os músculos peitorais ficam cronicamente encurtados pela postura sentada com ombros rotacionados internamente. Alongar o peitoral é essencial para restaurar o equilíbrio entre músculos anteriores e posteriores do tronco, melhorando significativamente a postura dos ombros.
Exercício 7: Alongamento na Meia Parede (Coluna Lombar e Dorsais)
Como fazer: Posicione-se a cerca de um metro de uma parede, com os pés na largura dos ombros. Coloque as palmas das mãos contra a parede na altura dos ombros. Lentamente, afaste-se da parede deslizando as mãos para baixo até que seus braços, ombros e quadris formem uma linha paralela ao chão. Empurre as mãos ativamente contra a parede enquanto afasta os quadris para trás.
Duração: Mantenha por 30-40 segundos. Respire profundamente, permitindo que a coluna se alongue a cada expiração.
Por que funciona: Este alongamento é uma verdadeira joia para ciclistas. Ele descomprime a coluna, alonga os músculos dorsais (latíssimos) e libera tensão acumulada na região lombar — áreas que sofrem tremendamente durante longos períodos sentados.
Exercício 8: Alongamento Completo para Isquiotibiais
Como fazer: Partindo da posição do alongamento anterior (meia parede), lentamente desça as mãos da parede até o chão. Permaneça com a cintura dobrada e a cabeça relaxada, deixando a gravidade fazer parte do trabalho. Se não conseguir alcançar o chão confortavelmente, apoie as mãos em um banco ou caixa.
Progressão gradual: Se seus isquiotibiais estão muito tensos, dobre ligeiramente os joelhos. Com a prática consistente, você conseguirá progressivamente esticar mais as pernas.
Por que funciona: Os isquiotibiais encurtam dramaticamente com a posição sentada prolongada. Isquiotibiais tensos limitam a mobilidade da pelve, afetam a mecânica da pedalada e aumentam o risco de dor lombar. Este alongamento restaura o comprimento ideal desses músculos.
Exercício 9: Alongamentos de Panturrilha (Duas Variações)
Variação 1 – Panturrilha superior (gastrocnêmio): Fique de frente para uma parede, com as mãos apoiadas. Leve uma perna para trás, mantendo-a completamente estendida e o calcanhar no chão. A perna da frente fica ligeiramente flexionada. Incline-se suavemente para frente até sentir o alongamento na panturrilha da perna de trás.
Variação 2 – Panturrilha inferior (sóleo): Mesma posição, mas agora dobre ligeiramente o joelho da perna de trás, mantendo o calcanhar no chão. Isso alonga a parte mais profunda da panturrilha.
Duração: 30 segundos em cada variação, para cada perna.
Por que funciona: As panturrilhas têm dois músculos principais que precisam ser alongados separadamente. Panturrilhas encurtadas afetam a mecânica do tornozelo, limitam a amplitude de movimento na pedalada e aumentam o risco de lesões como tendinite de Aquiles e fascite plantar.
Integrando os Exercícios na Sua Rotina Diária
A beleza destes exercícios está na sua simplicidade e versatilidade. Você não precisa fazer todos de uma vez, nem precisa de equipamentos especiais. Aqui está como incorporá-los naturalmente no seu dia:
Estratégia Morning Boost: Comece o dia com os exercícios de ativação (5 minutos). Eles funcionam como um “despertar corporal” que prepara seu sistema neuromuscular para o dia inteiro.
Estratégia Office Reset: A cada intervalo de trabalho (a cada hora), faça 2-3 exercícios alternados (3 minutos). Isso quebra o ciclo de tensão acumulada antes que ela se torne problemática.
Estratégia Pre-Ride: Antes de pedalar, faça uma rodada completa dos alongamentos (10 minutos). Isso prepara seu corpo para o posicionamento ideal na bike, maximizando conforto e eficiência.
Estratégia Evening Recovery: No final do dia, dedique 15 minutos para uma sessão completa. Isso ajuda seu corpo a se recuperar das tensões acumuladas e melhora a qualidade do sono.
O Impacto Real na Sua Performance
Você pode estar se perguntando: “Vale mesmo a pena investir esse tempo em exercícios posturais?” A resposta curta é: absolutamente sim. E os benefícios vão muito além de apenas “melhorar a postura”.
Quando você corrige desequilíbrios musculares e restaura padrões de movimento saudáveis, você está essencialmente removendo limitações que estavam impedindo seu corpo de funcionar em seu potencial máximo. Isso se traduz em:
- Maior potência na pedalada — glúteos ativados geram significativamente mais força
- Melhor economia de movimento — uma cadeia cinética bem alinhada desperdiça menos energia
- Redução drástica de dores — especialmente na região lombar, pescoço e ombros
- Maior resistência — músculos trabalhando eficientemente fatigam mais devagar
- Recuperação acelerada — melhor circulação e menos tensão facilitam a recuperação
- Prevenção de lesões — padrões de movimento corretos reduzem o stress em articulações e tendões
Pense nestes exercícios como manutenção preventiva para seu corpo — assim como você cuida da sua bike, precisa cuidar da sua estrutura física que a impulsiona.
Além dos Exercícios: Otimizando Seu Ambiente
Os exercícios são fundamentais, mas criar um ambiente de trabalho ergonomicamente correto potencializa ainda mais os resultados. Considere estas otimizações:
Altura da tela: O topo do monitor deve estar na altura dos olhos ou ligeiramente abaixo. Isso previne a projeção excessiva da cabeça para frente.
Distância da tela: Mantenha o monitor a aproximadamente um braço de distância. Muito perto força você a inclinar a cabeça para frente.
Suporte lombar: Use uma almofada ou ajuste da cadeira para manter a curvatura natural da coluna lombar.
Posição do teclado: Os cotovelos devem formar um ângulo de aproximadamente 90 graus quando você digita.
Mesa ajustável: Se possível, invista em uma mesa que permita alternar entre sentado e em pé. A variação de posições é ouro para a saúde postural.
Sinais de que Você Precisa de Ajuda Profissional
Embora estes exercícios sejam seguros e eficazes para a maioria das pessoas, alguns sinais indicam que você deve procurar um fisioterapeuta especializado ou profissional de saúde:
- Dor persistente que não melhora com os exercícios
- Dormência ou formigamento nas extremidades
- Limitação severa de movimento
- Desvios posturais significativos (escoliose acentuada, hipercifose severa)
- Histórico de lesões que afetam sua mecânica corporal
- Dor que piora ao fazer os exercícios
Um profissional qualificado pode avaliar suas necessidades específicas e personalizar um programa de correção postural adequado ao seu caso.
Conclusão: Pequenas Ações, Grandes Resultados
No final das contas, melhorar sua postura não é sobre fazer mudanças radicais ou dedicar horas extras do seu dia. É sobre consciência, consistência e pequenas ações estratégicas que se acumulam ao longo do tempo.
Lembre-se: você investe tempo aperfeiçoando sua técnica na bike, cuidando da nutrição e seguindo planos de treino. Não faz sentido negligenciar a base de tudo isso — seu próprio corpo e como você o usa durante as outras 23 horas do dia quando não está pedalando.
Comece hoje. Escolha 2-3 exercícios para fazer na sua próxima pausa. Ajuste a altura da tela do computador. Levante-se e movimente-se por alguns minutos. São ações simples, mas que têm o poder de transformar não apenas sua postura, mas também seu desempenho no ciclismo e, mais importante, sua qualidade de vida geral.
Seu corpo é seu veículo mais importante — cuide bem dele, e ele te levará muito mais longe do que você imagina.
Perguntas Frequentes Sobre Correção Postural para Ciclistas
1. Quanto tempo leva para corrigir a postura com esses exercícios?
A melhora postural é um processo gradual que varia de pessoa para pessoa. Geralmente, você começará a sentir diferenças positivas — como redução de dores e maior conforto — dentro de 2 a 3 semanas de prática consistente. No entanto, mudanças estruturais significativas e a consolidação de novos padrões de movimento podem levar de 3 a 6 meses. A chave é a consistência: fazer os exercícios regularmente, mesmo que por poucos minutos diariamente, é mais eficaz do que sessões longas esporádicas.
2. Posso fazer esses exercícios todos os dias ou preciso de dias de descanso?
Sim, você pode (e deve) fazer esses exercícios diariamente. Diferentemente de treinos de força intensos, os exercícios posturais são de baixa intensidade e focam em ativação neuromuscular e mobilidade. Eles funcionam melhor com frequência alta. Pense neles como “higiene postural” — assim como você escova os dentes todos os dias, deve fazer algo pela sua postura todos os dias. O ideal é distribuí-los ao longo do dia em pequenas sessões de 3-5 minutos durante pausas no trabalho.
3. É melhor fazer os exercícios antes ou depois de pedalar?
Idealmente, em ambos os momentos, mas com propósitos diferentes. Antes de pedalar, foque nos exercícios de ativação (exercícios 1-5) para “despertar” os músculos e preparar o corpo para o posicionamento na bike — isso leva apenas 5 minutos e pode melhorar significativamente seu conforto e eficiência. Depois de pedalar, priorize os alongamentos (exercícios 6-9) para liberar tensões acumuladas e auxiliar na recuperação. Essa estratégia combinada maximiza tanto a performance quanto a recuperação.
4. Esses exercícios podem substituir um Bike Fit profissional?
Não, mas eles se complementam perfeitamente. Um Bike Fit ajusta a bicicleta ao seu corpo, enquanto esses exercícios melhoram a capacidade do seu corpo de manter a posição otimizada encontrada no Bike Fit. Na verdade, muitos profissionais de Bike Fit recomendam exercícios posturais como parte do protocolo de adaptação. Se você fez um Bike Fit mas ainda sente desconforto, a causa pode estar em limitações de mobilidade ou desequilíbrios musculares — exatamente o que estes exercícios corrigem.
5. Sinto dor nas costas quando fico muito tempo na bike. Esses exercícios ajudam?
Muito provavelmente sim. A dor lombar no ciclismo frequentemente resulta de fraqueza no core e/ou tensão nos isquiotibiais — duas condições que esses exercícios abordam diretamente. O exercício 1 (ativação do core) e os exercícios 7 e 8 (alongamentos de coluna lombar e isquiotibiais) são particularmente eficazes. No entanto, se a dor for severa, persistente ou irradiar para as pernas, consulte um profissional de saúde antes de continuar, pois pode haver questões mais complexas envolvidas.
6. Trabalho 8 horas sentado. Os 5 minutos de exercícios realmente fazem diferença?
Sim, e a ciência comprova. Estudos mostram que pausas ativas a cada hora — mesmo que breves — interrompem o ciclo de adaptação negativa que ocorre quando ficamos em posturas estáticas por longos períodos. O segredo não está em fazer uma sessão longa de exercícios, mas em quebrar repetidamente o padrão de imobilidade. Cinco minutos a cada hora (ou até 2-3 minutos) são suficientes para prevenir a “memória postural negativa” que se desenvolve e, com o tempo, se torna permanente.
7. Meus ombros sempre ficam tensos e doloridos. Qual exercício devo priorizar?
Para tensão nos ombros, priorize o exercício 6 (alongamento peitoral na porta) combinado com o exercício 7 (alongamento na meia parede). A tensão nos ombros geralmente resulta de músculos peitorais encurtados que puxam os ombros para frente e músculos dorsais tensos. Esses dois exercícios trabalham em sinergia para liberar essas áreas. Além disso, seja consciente da posição dos seus ombros ao longo do dia — lembre-se do checklist: “escápulas nos bolsos das costas”. Com o tempo, essa consciência se torna automática.
8. Já tenho escoliose. Ainda posso fazer esses exercícios ou eles podem piorar minha condição?
Esses exercícios são geralmente seguros para quem tem escoliose leve a moderada e podem até ajudar a aliviar desconfortos associados. No entanto, é fundamental consultar seu médico ou fisioterapeuta antes de iniciar qualquer programa de exercícios. Eles podem recomendar modificações específicas ou exercícios adicionais adaptados à sua curvatura particular. Para escoliose mais severa, uma abordagem supervisionada como RPG (Reeducação Postural Global) ou método Pilates terapêutico pode ser mais apropriada.
9. Não consigo alcançar o chão no exercício 8 (alongamento de isquiotibiais). Estou fazendo errado?
Não se preocupe — isso é completamente normal e comum, especialmente se você passa muito tempo sentado. A falta de flexibilidade nos isquiotibiais é uma das limitações mais prevalentes em ciclistas e trabalhadores de escritório. A solução é simples: use uma modificação. Dobre ligeiramente os joelhos até conseguir tocar o chão confortavelmente, ou apoie as mãos em um banco ou caixa. O objetivo não é tocar o chão a qualquer custo, mas sentir um alongamento confortável nos isquiotibiais. Com prática regular (2-3 meses), você verá progresso significativo.
10. Posso fazer apenas os exercícios de alongamento e pular os de ativação?
Embora seja melhor fazer apenas alongamentos do que nada, você estará perdendo metade dos benefícios. Os exercícios de ativação muscular e os alongamentos trabalham em sinergia para criar equilíbrio postural. Alongamentos liberam tensão em músculos encurtados, mas se você não ativar os músculos opostos (que estão inativos), o desequilíbrio persiste. É como soltar uma corda esticada de um lado sem fortalecer o outro lado — o problema não se resolve completamente. Para resultados ótimos, faça ambos tipos de exercícios, mesmo que alternadamente.
11. Uso mesa em pé no trabalho. Ainda preciso fazer esses exercícios?
Definitivamente sim. Embora mesas em pé sejam excelentes para reduzir os efeitos negativos de ficar sentado o dia todo, ficar parado em pé também cria seus próprios problemas. A posição estática prolongada — seja sentado ou em pé — é o verdadeiro vilão. O ideal é alternar entre sentado, em pé e movimento ao longo do dia. Os exercícios de ativação são perfeitos para fazer durante suas transições entre posições, e os alongamentos continuam sendo essenciais para contrabalançar as tensões acumuladas tanto de sentar quanto de ficar em pé.
12. Meu pescoço dói muito quando pedalo longas distâncias. Existe algum exercício específico para isso?
A dor no pescoço durante o ciclismo geralmente resulta de dois fatores: posição excessivamente aerodinâmica na bike (forçando extensão do pescoço) e/ou músculos do pescoço fracos devido à postura de “cabeça projetada para frente” no dia a dia. O exercício 1 (ativação do core com inclinação) ajuda indiretamente ao melhorar o alinhamento geral, mas você pode adicionar exercícios específicos para o pescoço: retrações cervicais (empurrar o queixo suavemente para trás criando um “queixo duplo”) e rotações lentas e controladas do pescoço. Além disso, verifique seu Bike Fit — um guidão muito baixo pode estar forçando seu pescoço excessivamente.
13. Tenho bursite no ombro. Posso fazer o exercício de alongamento peitoral sem piorar?
A bursite no ombro requer cuidado especial. O alongamento peitoral pode ser benéfico para bursite porque muitas vezes a condição é agravada por ombros rotacionados internamente (causados por peitorais tensos). No entanto, você deve fazer o alongamento de forma modificada: comece com o braço mais baixo (abaixo do nível do ombro) e com amplitude reduzida. Nunca force através da dor — se sentir dor aguda no ombro, pare imediatamente. Durante a fase aguda da bursite, foque nos outros exercícios e retorne ao alongamento de peitoral quando a inflamação diminuir. Consulte um fisioterapeuta para avaliação específica.
14. Sou iniciante no ciclismo. Devo começar os exercícios antes ou depois de começar a pedalar regularmente?
Comece imediatamente — não espere desenvolver problemas para agir. Na verdade, iniciantes se beneficiam especialmente desses exercícios porque ainda não desenvolveram compensações e desequilíbrios crônicos. Ao estabelecer esses hábitos desde o início, você está criando uma fundação sólida que prevenirá muitos dos problemas comuns que ciclistas experientes enfrentam. Pense nisso como investimento em longevidade esportiva. Além disso, os exercícios de ativação ajudarão seu corpo a se adaptar mais eficientemente à nova demanda do ciclismo.
15. Faço Yoga regularmente. Ainda preciso desses exercícios específicos?
Excelente pergunta. Yoga oferece muitos dos mesmos benefícios — mobilidade, consciência corporal e equilíbrio muscular. Se você pratica yoga consistentemente (3+ vezes por semana) com um professor qualificado, você já está endereçando muitas das questões posturais. No entanto, os exercícios de ativação muscular (exercícios 1-5) ainda podem ser valiosos para fazer durante o dia de trabalho, pois são especificamente projetados para serem feitos em roupas de trabalho, em pé, sem necessidade de tapete ou espaço especial. Eles são complementares à sua prática de yoga, não substitutos.





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