Um incidente chocante na Itália trouxe à tona mais uma vez a discussão sobre a violência no trânsito contra ciclistas. Na última semana, um homem de 25 anos foi preso após disparar tiros contra ciclistas de uma equipe amadora durante um treino matinal próximo ao Lago Garda, no norte do país.
O caso aconteceu no dia 21 de dezembro, quando atletas da S.C. Padovani Polo Cherry Bank realizavam um treino de rotina na região da Val d’Adige. De acordo com testemunhas, um carro escuro se aproximou do grupo e o motorista disparou duas vezes antes de fugir em alta velocidade.
O momento do ataque
Vídeos gravados durante o incidente mostram o momento exato em que os ciclistas se abaixam assustados ao ouvir os disparos. O grupo estava sendo acompanhado por carros de apoio quando o ataque aconteceu, na rodovia SS12, próximo à cidade de Dolcè.
Dimitri Konychev, ex-ciclista profissional e atual diretor esportivo da equipe, estava presente no momento do ataque. “A zona do Lago Garda é uma das mais hospitaleiras e adequadas para treinar neste período“, disse ele em comunicado. “Planejamos cuidadosamente nossos treinos para evitar estradas principais e horários de pico. Nossos atletas usam roupas visíveis e luzes nas bikes.”
A prisão e as acusações
Após três dias de investigação, a polícia italiana conseguiu identificar e prender o suspeito. Durante a busca em sua residência e veículo, os agentes encontraram uma pistola carregada com cartuchos de festim – balas que fazem barulho mas não disparam projéteis letais.
O que mais chamou atenção das autoridades foi a motivação do crime. Segundo a RMC Sport, a polícia identificou que o motorista possui um “ódio generalizado por ciclistas” e pode ter se irritado por precisar ultrapassar o grupo na estrada.
O homem foi acusado de ameaças agravadas e posse ilegal de arma. Felizmente, nenhum ciclista ficou ferido no incidente.
Um histórico preocupante
Galdino Peruzzo, presidente da S.C. Padovani, revelou que este não foi um caso isolado. “É uma situação terrível que esperamos nunca mais se repita”, afirmou. “A estrada é o campo de treinamento dos nossos atletas e tomamos todas as medidas necessárias para que pedalem com segurança. Infelizmente, diante da loucura de certos indivíduos, não podemos fazer nada.”
Apenas três meses antes, em setembro de 2024, outro ciclista da mesma equipe, Marco Palomba, foi vítima de atropelamento e fuga. O atleta teve que jogar sua bicicleta contra o guard-rail para evitar uma colisão frontal com um carro que invadiu a contramão em uma curva.
Apoio institucional
A Federação Italiana de Ciclismo (FCI) anunciou que fornecerá suporte jurídico completo ao clube e aos ciclistas. A entidade também confirmou que participará dos processos criminais como parte civil.
Em nota, a FCI reforçou sua preocupação crescente com a agressividade de motoristas contra ciclistas nas estradas italianas e pediu por maior conscientização e respeito no trânsito.
Um problema global
Casos de violência contra ciclistas infelizmente não são exclusividade da Itália. Ao redor do mundo, episódios de “bike rage” – a raiva no trânsito direcionada especificamente contra ciclistas – têm se tornado cada vez mais comuns.
Especialistas apontam que a origem do problema está na falta de infraestrutura adequada, que força ciclistas e motoristas a compartilharem o mesmo espaço de forma conflituosa, além da ignorância sobre os direitos dos ciclistas nas vias públicas.
No caso italiano, o fato de as autoridades terem identificado um “ódio generalizado” no agressor reforça a necessidade urgente de campanhas educativas e punições mais severas para crimes de violência no trânsito.
O incidente serve como um alerta perturbador: mesmo em regiões conhecidas por serem amigáveis aos ciclistas, como a área do Lago Garda, a segurança dos atletas não pode ser dada como garantida. Resta torcer para que casos como este se tornem raros e que medidas efetivas sejam tomadas para proteger quem escolhe a bicicleta como meio de transporte ou esporte.

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