A temporada de 2026 mal começou e o mundo do ciclismo já ferve com especulações sobre um dos assuntos mais quentes: Jonas Vingegaard vai finalmente estrear no Giro d’Italia? A pergunta que não quer calar ganhou ainda mais força nos últimos dias, quando o jornal espanhol Marca soltou uma bomba afirmando que o dinamarquês já teria um acordo fechado com a RCS Sport, organizadora da Corsa Rosa.
Mas calma lá. Como tudo no ciclismo profissional, a história tem várias camadas e reviravoltas que merecem ser contadas com calma. Vamos entender o que está realmente acontecendo nos bastidores desta que pode ser uma das decisões mais importantes da carreira de um dos maiores nomes do pelotão atual.
O Que Falta Para Vingegaard Completar o Tripé?
Pra quem acompanha o ciclismo de perto, não é segredo que Vingegaard já conquistou dois dos três Grand Tours. O cara é bicampeão do Tour de France (2022 e 2023) e acabou de levantar o troféu da Vuelta a España em 2025. Agora só falta um: o lendário Giro d’Italia.
E olha, completar essa tríade não é pouca coisa. Apenas sete ciclistas na história conseguiram vencer as três principais corridas por etapas do calendário mundial. Estamos falando de uma galeria de verdadeiros monstros do pedal: Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Eddy Merckx, Bernard Hinault, Alberto Contador, Vincenzo Nibali e Chris Froome. Seria uma honra e tanto entrar nesse clube seleto, não é mesmo?
A Declaração Que Incendiou os Rumores
Durante o Critério de Saitama, no Japão, em novembro passado, Vingegaard soltou uma frase que deixou todo mundo de orelha em pé. Quando perguntado sobre qual corrida preferiria vencer se pudesse escolher apenas mais uma vitória na carreira, o dinamarquês foi direto: “Se eu pudesse ganhar apenas mais uma corrida, escolheria o Giro d’Italia”.

Em outra entrevista, ele foi ainda mais longe e disse que preferiria completar a tríplice coroa dos Grand Tours a vencer mais um Tour de France. Imagina só: um cara que já venceu duas vezes a corrida mais importante do mundo dizendo que prefere conquistar o Giro! Isso mostra o quanto essa vitória significa pra ele.
O Suposto Acordo Com a RCS Sport
Segundo a publicação do Marca, Vingegaard já teria acertado os termos com a RCS Sport para participar da edição 2026 da Corsa Rosa. A reportagem citou fontes próximas à organização afirmando que o acordo estaria praticamente fechado e que a decisão oficial seria anunciada nas próximas semanas.
A notícia faz todo sentido quando a gente olha o contexto. O Giro 2026 foi propositalmente desenhado para atrair grandes nomes, especialmente aqueles que também querem disputar o Tour de France no mesmo ano. A rota apresentada é mais equilibrada, com menos altitude acumulada que nas edições anteriores e etapas de montanha um pouco mais curtas.
Mauro Vegni, o diretor de prova que está deixando o cargo após anos à frente do Giro, deixou claro que o percurso foi pensado estrategicamente. “Se eu fosse Jonas Vingegaard, não deixaria essa chance escapar. Se ele vencer o Giro 2026, completará o conjunto dos Grand Tours”, declarou Vegni à imprensa italiana.
Mas Tem um Porém: Vingegaard Negou Tudo
Aqui é onde a coisa fica interessante. Em novembro de 2025, quando uma suposta “lenda italiana” afirmou que a participação de Vingegaard estava garantida, o próprio ciclista saiu desmentindo. Em entrevista à mídia dinamarquesa Viaplay, ele foi categórico: “Det er ikke sandt” (em dinamarquês: “Isso não é verdade”).
Vingegaard deixou claro que, embora tenha interesse real no Giro, nenhuma decisão foi tomada ainda. “Não depende apenas de mim, depende também do que a equipe quer”, explicou. E faz sentido, né? A Visma-Lease a Bike sempre teve o Tour de France como principal objetivo, e mudar essa estratégia não é algo simples.
Grischa Niermann, diretor esportivo da equipe, reforçou que o Tour continua sendo o grande objetivo e que nenhuma chamada será feita antes da apresentação completa da rota do Giro. É o famoso “vamos ver como ficam as coisas”.
Por Que o Giro 2026 Pode Ser Irresistível?
Olha, não dá pra negar que os organizadores do Giro fizeram a lição de casa direito. O percurso de 2026 traz algumas características que podem ser tentadoras demais pra Vingegaard resistir:
Menos altitude total: Com cerca de 49.150 metros de ganho de elevação, o Giro 2026 é mais “suave” que o de 2025 (52.325 metros) e está mais próximo da edição de 2024 que Tadej Pogačar venceu. Isso teoricamente facilita a recuperação pra quem também quer brilhar no Tour.
Contrarrelógio longo: Tem um crono de 40 quilômetros programado, o que pode favorecer corredores completos. Vingegaard não é especialista em contrarrelógio como Remco Evenepoel, mas se vira bem quando precisa.
Etapas de montanha mais curtas: As etapas de alta montanha não são aquelas maratonas intermináveis que destroem as pernas. São desafiadoras, mas pensadas pra não queimar o corredor antes do Tour.
Largada na Bulgária: A Grande Partenza será em território búlgaro, trazendo um charme especial e mostrando a expansão internacional do Giro.
O Fantasma de Tadej Pogačar Paira Sobre Tudo
Vamos falar do elefante na sala: Tadej Pogačar. O esloveno dominou completamente o ciclismo em 2024 e 2025, vencendo o Tour nas duas ocasiões em que Vingegaard ficou em segundo lugar. A sombra de Pogačar é tão grande que talvez seja exatamente isso que esteja empurrando o dinamarquês pra tentar outros desafios.
A boa notícia? Pogačar provavelmente não vai disputar o Giro 2026. Ele já declarou que pretende focar nas clássicas de primavera, especialmente na Paris-Roubaix, antes de ir pro Tour. Isso abre uma janela de oportunidade real pra Vingegaard brilhar na Itália sem ter que enfrentar seu maior rival.
Claro que isso não significa moleza. Outros nomes de peso também estão na mira do Giro, como Remco Evenepoel, que é campeão mundial de contrarrelógio e adora o formato da corrida italiana. A batalha seria épica de qualquer jeito.
A Vitória Traumática na Vuelta 2025
Voltando um pouco no tempo, vale lembrar que Vingegaard conquistou sua primeira Vuelta em 2025, mas não foi exatamente da forma que sonhou. A corrida foi marcada por protestos de ativistas pró-Palestina que causaram interrupções nas etapas. Na verdade, o dinamarquês nunca chegou a subir no pódio oficial da corrida.
A etapa final foi encurtada e nem teve vencedor registrado oficialmente por causa dos protestos. Foi meio amargo ganhar assim, sabe? Talvez isso também esteja alimentando o desejo de conquistar o Giro de forma mais memorável e celebrada.
E a Temporada 2026 Completa?
Se Vingegaard realmente for pro Giro, o calendário dele ficaria bem intenso. Especula-se que ele tentaria a dobradinha Giro-Tour, algo que pouquíssimos ciclistas conseguem fazer com sucesso nos tempos modernos. Pogačar fez em 2024 e foi absolutamente dominante, mas é Pogačar, né? O cara é de outro planeta.
Pra Vingegaard, seria um desafio gigante. O Giro termina no fim de maio, e o Tour começa no início de julho. São apenas algumas semanas pra recuperar e chegar forte na França. Mas se alguém pode fazer isso, é um campeão da categoria dele.
A Visma-Lease a Bike teria que planejar tudo nos mínimos detalhes: preparação física, recuperação, viagens, equipe de apoio. É quase como montar duas campanhas completamente diferentes numa única temporada.
O Que Esperar Daqui Pra Frente?
A verdade é que ainda estamos no campo das especulações. As declarações contraditórias – o suposto acordo relatado pela imprensa versus as negativas de Vingegaard – mostram que as negociações ainda estão em andamento. E isso é normal no mundo do ciclismo profissional, onde as equipes guardam suas estratégias até o último momento.
O mais provável é que a decisão seja anunciada nas próximas semanas ou meses, provavelmente durante os training camps de dezembro e janeiro. É nesses encontros de preparação que as equipes definem os calendários completos dos corredores.
Uma coisa é certa: seja qual for a decisão de Vingegaard, o Giro d’Italia 2026 promete ser emocionante. Com ou sem o dinamarquês, a corrida terá um percurso interessante e atrairá grandes nomes do pelotão internacional.
A Pressão de Entrar Para a História
Não dá pra ignorar o peso simbólico dessa decisão. Vingegaard tem 28 anos e está no auge da carreira. A janela pra completar a tríplice coroa não fica aberta pra sempre. Lesões, mudanças de forma, novos talentos surgindo… tudo isso pode complicar os planos no futuro.
Ele sabe disso. A equipe sabe disso. E o Giro sabe disso também – tanto que está fazendo de tudo pra tornar a oferta irrecusável. É uma dança estratégica onde todos têm interesses alinhados, mas cada um precisa jogar suas cartas com cuidado.
Pra nós, fãs de ciclismo, só resta aguardar e torcer pra que 2026 nos presenteie com corridas memoráveis, independente de quem esteja na linha de largada. Mas admita: ver Vingegaard de rosa nas estradas italianas seria algo especial, não seria?
Perguntas Frequentes Sobre Vingegaard e o Giro 2026
Jonas Vingegaard já confirmou que vai correr o Giro d’Italia 2026?
Não, ainda não há confirmação oficial. Embora o jornal espanhol Marca tenha reportado um suposto acordo com a RCS Sport, o próprio Vingegaard negou em novembro de 2025 que já existe um compromisso fechado. A decisão final deve ser anunciada nas próximas semanas, provavelmente após os training camps de fim de ano da Visma-Lease a Bike.
Quais Grand Tours Jonas Vingegaard já venceu?
Vingegaard é bicampeão do Tour de France, tendo conquistado a camisa amarela em 2022 e 2023. Além disso, ele venceu a Vuelta a España em 2025, derrotando João Almeida e Tom Pidcock. O Giro d’Italia é o único dos três grandes que ainda falta em seu palmarés.
Por que o Giro 2026 seria uma boa oportunidade para Vingegaard?
O percurso do Giro 2026 foi desenhado de forma mais equilibrada, com menos altitude total e etapas de montanha mais curtas, facilitando a recuperação para quem também pretende disputar o Tour de France. Além disso, Tadej Pogačar provavelmente não estará no Giro, o que abre uma real chance de vitória para o dinamarquês sem ter que enfrentar seu maior rival.
Quantos ciclistas já venceram os três Grand Tours na história?
Apenas sete ciclistas conseguiram vencer Tour de France, Giro d’Italia e Vuelta a España ao longo da carreira: Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Eddy Merckx, Bernard Hinault, Alberto Contador, Vincenzo Nibali e Chris Froome. Se Vingegaard conquistar o Giro, se tornará o oitavo membro deste clube exclusivo.
Vingegaard conseguiria fazer a dobradinha Giro-Tour em 2026?
É possível, mas extremamente desafiador. A dobradinha Giro-Tour exige uma preparação física excepcional e planejamento perfeito, já que há apenas cerca de cinco semanas entre o fim do Giro (final de maio) e o início do Tour (começo de julho). Tadej Pogačar fez isso com sucesso em 2024, mas é uma façanha rara nos tempos modernos do ciclismo. Vingegaard teria que equilibrar o desgaste do Giro com a necessidade de chegar forte para enfrentar Pogačar no Tour.

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