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Bikejoring: O que é e como começar neste esporte emergente de mountain bike onde seu cachorro puxa você pelas trilhas

Descubra o bikejoring, o esporte emergente onde seu cachorro puxa você nas trilhas de mountain bike. Guia com equipamentos, técnicas de treinamento, segurança e como começar nesta modalidade.

Bikejoring: O que é e como começar neste esporte emergente de mountain bike onde seu cachorro puxa você pelas trilhas

Sabe aquela história de que cachorro é o melhor amigo do homem? Pois bem, se você é ciclista e tem um peludo em casa, talvez esteja perdendo a chance de transformar essa amizade em algo ainda mais especial. Estou falando do bikejoring, um esporte que está ganhando força no Brasil e que promete revolucionar a forma como você pedala com seu companheiro de quatro patas.

Já pensou em ter um “motor natural” puxando sua bike pelas trilhas? É exatamente isso que o bikejoring proporciona – e não, não estou brincando. Esse esporte, que tem raízes nas corridas de trenó dos países nórdicos, está conquistando cada vez mais adeptos por aqui, especialmente entre quem ama mountain bike e não abre mão da companhia canina.

Mas afinal, o que diabos é bikejoring?

Deixa eu te explicar de um jeito bem direto: imagine seu cachorro correndo na frente da sua mountain bike, conectado através de um sistema de segurança específico, literalmente te puxando pela trilha. É mais ou menos como se você tivesse uma versão “orgânica” de assistência elétrica – só que com muito mais alegria envolvida.

O nome bikejoring vem da combinação de “bike” com “skijoring” (aquele esporte onde cachorros puxam esquiadores na neve). A diferença aqui é que trocamos a neve por trilhas de terra, os esquis por uma bike, e mantemos toda a diversão. Alguns chamam também de canibike, principalmente na Europa, mas a essência é a mesma.

Diferente de simplesmente levar seu cachorro para passear enquanto pedala ao lado dele, no bikejoring o cão assume o papel de protagonista. Ele vai na frente, equipado com um peitoral especial, conectado à sua bike através de uma guia elástica, e sim – ele realmente te puxa. É um trabalho de equipe onde vocês dois precisam estar 100% sincronizados.

De onde veio essa ideia maluca?

A história do bikejoring está entrelaçada com a tradição milenar do mushing – aquele esporte onde equipes de cães Husky puxam trenós pela neve. Nos países escandinavos, onde a neve domina boa parte do ano, as pessoas criaram essas corridas de trenó como forma de transporte e, claro, competição.

Mas e quando a neve derrete? Foi aí que surgiu o conceito de “dryland mushing” (mushing de terra seca). Os mushers perceberam que seus cães precisavam treinar o ano inteiro, não apenas no inverno. Começaram a experimentar diferentes modalidades: primeiro veio o canicross (corrida a pé com o cão), depois o scootering (patinete puxado por cães) e finalmente o bikejoring.

O bikejoring especificamente começou a ganhar forma nas décadas de 1980 e 1990, quando ciclistas europeus perceberam que podiam combinar seu amor por mountain bike com o trabalho de condicionamento dos cães de corrida. O que era inicialmente um método de treinamento virou um esporte legítimo, com federações internacionais como a ICF (International Canicross Federation) e a IFSS (International Federation of Sleddog Sports) organizando campeonatos mundiais.

No Brasil, o esporte chegou mais recentemente mas tem crescido de forma consistente. A ABCAES (Associação Brasileira de Canicross e Esportes Similares) é a principal entidade que organiza eventos e promove a modalidade por aqui. Estados como São Paulo, Paraná e Minas Gerais já contam com grupos ativos de praticantes, e a tendência é só crescer.

O que você precisa para começar (e não, não é tão complicado)

Vamos ao que interessa: o que você realmente precisa ter para começar no bikejoring? A boa notícia é que, se você já tem uma bike de trilha, está no meio do caminho. Mas existem alguns equipamentos específicos que fazem toda a diferença – e principalmente, garantem a segurança tanto sua quanto do seu cachorro.

Para o seu melhor amigo de quatro patas

1. Peitoral de tração (X-Back Harness)

Esse é provavelmente o item mais importante de todos. Esqueça aquela coleira ou peitoral comum que você usa para passear no parque. O peitoral de bikejoring (também conhecido como X-Back) é projetado especificamente para distribuir a força de forma ergonômica pelo corpo do cão, sem prejudicar a respiração ou causar lesões.

O formato em X nas costas permite que o cão puxe usando o peito e os ombros, áreas mais fortes do corpo canino. A parte frontal é acolchoada para não machucar, e o design permite total liberdade de movimento das patas. Marcas como Non-stop Dogwear, Inlandsis, Howling Dog Alaska e Nansen são referências no mercado internacional, mas já existem opções nacionais de qualidade.

Como saber se o peitoral está do tamanho certo? Quando seu cão está em posição de corrida, deve haver espaço para você passar dois dedos entre o peitoral e o corpo dele. Muito folgado e o cão perde eficiência na tração; muito apertado e você arrisca lesões. Se tiver dúvidas, consulte um profissional especializado ou os grupos de bikejoring nas redes sociais – galera costuma ajudar muito nessa parte.

2. Guia elástica (Bungee Line)

A guia elástica é o que conecta o peitoral do seu cão à bike. Ela tem uma seção com elástico que funciona como amortecedor, absorvendo os puxões súbitos quando o cachorro acelera, para ou muda de direção. Isso protege tanto você quanto ele de lesões por impacto.

O comprimento ideal varia, mas geralmente fica entre 2,5 e 3 metros quando totalmente esticada. Mais curta que isso e você arrisca que o cão fique perto demais da roda; mais longa e perde controle direcional. A guia também costuma ter uma seção refletiva para segurança em condições de baixa luminosidade.

Para você e sua bike

3. Antena de bikejoring (Bike Antenna ou Bayonet)

Esse é aquele acessório que, quando você vê pela primeira vez, pensa “cara, que negócio esquisito”. Mas acredite: é absolutamente essencial. A antena é uma haste que você prende na bike, geralmente no garfo ou no guidão, que mantém a guia suspensa acima da roda dianteira.

Já tentou imaginar o que acontece quando uma guia de 2,5 metros fica frouxa e se enrola no seu garfo enquanto você está descendo uma trilha a 30 km/h? Pois é. Por isso a antena não é opcional – é segurança pura. Existem modelos articulados (que se movem com as mudanças de direção do cão) e modelos rígidos. Os articulados são mais versáteis mas também mais caros.

4. A bike em si

Aqui vai uma ótima notícia: você não precisa de uma super bike de alta tecnologia para começar. Uma hardtail básica já dá conta do recado perfeitamente. O mais importante é que ela esteja em bom estado de conservação, principalmente os freios.

Falando em freios: eles são cruciais no bikejoring. Você vai precisar de um sistema de frenagem confiável porque, dependendo do entusiasmo do seu cão, pode ser que você precise frear bastante. Freios a disco hidráulicos são ideais, mas v-brakes bem regulados também funcionam. Se você está pensando em investir em uma bike nova para a prática, confira nosso guia sobre bikes full suspension para MTB.

Pneus também merecem atenção. Opte por pneus com boa tração – afinal, seu cachorro vai estar puxando você em velocidades que talvez você não alcançasse sozinho. Um conjunto de pneus adequados para trilha faz toda a diferença na segurança.

5. Equipamento de segurança pessoal

Não tem mistério aqui: capacete é obrigatório, sempre. Luvas são altamente recomendadas (vão proteger suas mãos em caso de queda), e óculos de proteção são praticamente indispensáveis – seu cachorro vai levantar MUITA lama, poeira e pedrinhas.

Se você está começando e ainda não tem muita confiança na bike, considere usar joelheiras e cotoveleiras. Não tem nada de errado em priorizar a segurança, especialmente nas primeiras sessões quando você e seu cão ainda estão se ajustando ao novo esporte. Aliás, ter sapatilhas adequadas para mountain bike também ajuda muito no controle da bike.

Seu cachorro está pronto para isso?

Antes de sair correndo (literalmente) para a trilha mais próxima, tem alguns pontos importantes sobre o seu cão que você precisa considerar. O bikejoring é um esporte exigente fisicamente, e nem todo cachorro está apto para praticá-lo – pelo menos não sem os devidos cuidados.

Idade ideal

Essa é uma regra de ouro: seu cachorro precisa ter no mínimo 18 meses de idade para começar no bikejoring. Isso não é apenas uma recomendação – é uma questão de saúde. Antes dessa idade, as articulações do cão ainda estão em desenvolvimento, e o impacto repetitivo da corrida pode causar danos permanentes.

As placas de crescimento nos ossos longos só se fecham completamente entre 12 e 18 meses (dependendo da raça e porte), e submeter um filhote a esse tipo de esforço antes disso pode resultar em problemas como displasia, lesões articulares e outras complicações ortopédicas. Pode parecer frustrante esperar, mas é pelo bem do seu melhor amigo.

No outro extremo, não existe uma idade máxima definida. Cães mais velhos, se estiverem saudáveis e com acompanhamento veterinário, podem continuar praticando bikejoring. Só é preciso ajustar a intensidade e duração dos treinos conforme a idade avança.

Raças mais indicadas (mas não limitantes)

Vamos ser sinceros: teoricamente, qualquer cão saudável que goste de correr pode fazer bikejoring. Mas algumas raças realmente se destacam pela genética voltada para corrida e tração. No topo da lista estão:

  • Raças nórdicas: Siberian Husky, Alaskan Malamute, Samoieda – essas são as tradicionais, com histórico milenar de trabalho puxando trenós.
  • Cães de caça e pastoreio: Border Collie, Pastor Alemão, Pastor Belga Malinois, Pointer – têm energia de sobra e adoram ter uma “tarefa” para fazer.
  • Raças de corrida: Greyster (cruzamento de Greyhound com Pointer, muito popular em competições), Weimaraner, Vizsla.
  • Mix breeds: Vira-latas de porte médio a grande, especialmente aqueles com características de raças de trabalho, podem ser excelentes no bikejoring.

Mas atenção: isso não significa que seu Labrador, Boxer ou até mesmo um vira-lata de médio porte não possa praticar! O que importa mais é o temperamento e o condicionamento físico do cão, não apenas a raça pura.

Raças que exigem cuidado extra

Cães braquicefálicos (aqueles com focinho achatado como Bulldog, Pug, Boxer, Shih Tzu) não são recomendados para bikejoring. Essas raças já têm dificuldade respiratória natural devido à conformação do crânio, e a exigência aeróbica do esporte pode ser perigosa para eles. Se você tem um cão braquicefálico e ainda assim quer fazer algo junto, considere atividades de menor intensidade.

Cães com problemas articulares conhecidos (displasia coxofemoral, problemas de joelho) também não devem praticar sem liberação e acompanhamento veterinário rigoroso. O impacto repetitivo pode agravar essas condições.

Condicionamento físico

Mesmo que seu cão seja da raça “perfeita” e tenha a idade ideal, ele ainda precisa estar fisicamente preparado. Um cão sedentário não pode simplesmente sair para uma sessão de 5 km de bikejoring do nada – assim como você não sairia para uma maratona sem treino prévio.

O condicionamento precisa ser gradual. Comece com sessões curtas de 200-500 metros e vá aumentando conforme seu cão demonstra que está confortável. Observe sinais de cansaço excessivo como respiração muito ofegante, língua extremamente caída, tentativas de parar frequentemente. Se seu cão mostrar esses sinais, reduza a intensidade.

Muitos praticantes começam com canicross (corrida a pé com o cão) antes de partir para o bikejoring, o que faz todo o sentido. É mais fácil controlar o ritmo quando você está correndo, e seu cão aprende os comandos básicos em velocidades menores.

Como ensinar seu cachorro (sim, tem técnica nisso)

Ok, você tem todos os equipamentos, seu cão tem a idade certa e está animado para começar. Mas antes de conectar tudo e sair pela trilha afora, existe um processo de ensino que vai fazer toda a diferença entre uma experiência frustrante e uma parceria incrível.

Passo 1: Apresentação dos equipamentos

Primeiro, deixe seu cão se familiarizar com o peitoral. Coloque nele, deixe-o cheirar, dê petiscos. Faça isso por alguns dias antes de realmente tentar usá-lo. O mesmo vale para a bike – deixe seu cão ver, cheirar, entender que aquele objeto não é uma ameaça.

Alguns cães ficam assustados com o barulho da bike, especialmente se você estiver pedalando em terreno irregular. Ande com a bike ao lado do seu cão inicialmente, sem estar montado, para ele se acostumar com os sons.

Passo 2: Ensinando a puxar (se necessário)

Alguns cães são puxadores naturais – você sabe, aqueles que já te arrastam no passeio normal. Outros, especialmente aqueles bem treinados para andar junto, precisam reaprender que neste contexto específico, puxar é exatamente o que você quer.

Comece com caminhadas usando o peitoral e a guia. Quando seu cão puxar para frente, recompense imediatamente com um petisco e elogios entusiasmados. Use um comando específico como “puxa!” ou “vamos!” (você vai usar esse comando mais tarde). A ideia é criar uma associação positiva: puxar = coisa boa.

Passo 3: Comandos direcionais

Aqui está um dos aspectos mais legais (e importantes) do bikejoring: ensinar seu cão a responder a comandos direcionais. Não adianta ter um cão super rápido se ele vai para onde quer, não para onde você precisa.

Os comandos mais comuns são:

  • “Esquerda, esquerda” ou “Left, left” (muita gente usa em inglês por ser padrão internacional)
  • “Direita, direita” ou “Right, right”
  • “Segue”, “Em frente” ou “Straight”
  • “Woah” ou “Devagar” para reduzir velocidade
  • “Vamos”, “Hike” ou “Go” para iniciar/acelerar

No início, você vai precisar de muita paciência e consistência. Pratique em terrenos abertos onde você pode direcionar claramente. Quando chegar em uma bifurcação, dê o comando antes da curva e recompense quando o cão escolher o caminho certo. Se ele errar, não tem problema – volte e tente de novo.

Uma dica valiosa: seja muito consistente com os comandos. Se você escolher “esquerda”, use sempre essa palavra. Não mude para “left” ou “vira aqui” no meio do percurso. Cães aprendem por repetição e consistência.

Passo 4: Primeiras saídas conectadas à bike

Quando você finalmente for fazer a primeira sessão de bikejoring de verdade, escolha um lugar amplo, sem muitos obstáculos ou outros estímulos. Um campo aberto ou uma trilha larga e tranquila são ideais.

Mantenha a primeira sessão CURTA – estamos falando de 200-300 metros apenas. O objetivo não é treino físico, é fazer seu cão entender o conceito e criar uma memória positiva. Pedale devagar inicialmente para dar tempo do cão processar o que está acontecendo.

Uma técnica que funciona muito bem é ter alguém correndo na frente (ou na bike) para servir de “coelho” – o cão naturalmente vai querer perseguir e isso ensina o movimento de puxar na direção certa. Depois de algumas sessões, você pode eliminar o “coelho” e seu cão já vai ter entendido o jogo.

Importante: sempre termine a sessão com o cão ainda querendo mais. É melhor parar quando ele está animado do que continuar até ele ficar exausto e criar uma associação negativa.

Onde e como praticar bikejoring no Brasil

Uma das perguntas que mais recebo quando alguém descobre o bikejoring é: “mas onde eu vou fazer isso?”. A verdade é que o Brasil, com toda sua extensão territorial e variedade de trilhas, oferece possibilidades incríveis – você só precisa saber onde procurar.

Terrenos ideais

O terreno perfeito para bikejoring tem algumas características específicas:

  • Estradas florestais: aquelas trilhas mais largas dentro de áreas de preservação ou parques. São perfeitas porque oferecem espaço para manobras e geralmente têm menos obstáculos técnicos.
  • Trilhas de terra em propriedades rurais: se você tiver acesso a sítios ou fazendas, pode ser o cenário ideal para treinar sem preocupações com encontros inesperados.
  • Parques municipais com trilhas: alguns parques permitem a prática (sempre confira as regras locais), especialmente nos horários de menor movimento.

Evite asfalto sempre que possível. A superfície dura causa muito mais impacto nas articulações do seu cão, e em dias quentes pode queimar as almofadinhas das patas. Além disso, terrenos naturais são mais interessantes e estimulantes para o animal.

Se você está em busca de destinos específicos para explorar, vale conferir nosso guia sobre as melhores cidades para mountain bike no Brasil – muitos desses locais são perfeitos também para bikejoring.

Cuidados com o clima

Aqui no Brasil, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o calor pode ser um desafio sério. Cães não suam como nós – eles regulam a temperatura principalmente pela respiração e pelas patas. Quando fazem exercício intenso em dias quentes, o risco de hipertermia é muito real.

A regra geral é: se a temperatura estiver acima de 20°C, tenha extremo cuidado. Acima de 25°C, reduza drasticamente a intensidade ou considere não praticar. A temporada oficial de bikejoring na Europa vai de setembro a maio justamente por conta disso – no verão é quente demais.

Dicas práticas para dias mais quentes:

  • Prefira o amanhecer ou o final da tarde
  • Leve água abundante e ofereça pequenas quantidades frequentemente
  • Molhe seu cão antes, durante e depois da sessão (cabeça, pescoço e patas)
  • Escolha trilhas com sombra sempre que possível
  • Fique atento a sinais de superaquecimento: salivação excessiva, gengivas muito vermelhas, andar cambaleante

Competições e eventos no Brasil

A cena competitiva de bikejoring ainda está em desenvolvimento no Brasil, mas já existem eventos regulares. A ABCAES organiza o Campeonato Brasileiro de Canicross, Bikejoring e Scooter, que acontece geralmente em São Paulo.

Além disso, grupos regionais têm organizado encontros e provas amadoras em diversas cidades. Estados como Paraná (região de Curitiba), São Paulo (capital e interior) e Minas Gerais têm as comunidades mais ativas. As redes sociais, especialmente grupos no Facebook, são o melhor lugar para descobrir eventos próximos a você.

As provas de bikejoring normalmente seguem o formato de contra-relógio individual, com percursos entre 5 e 7 quilômetros para a categoria “longa”, e até 3 quilômetros para a categoria “sprint”. Os atletas largam em intervalos (geralmente 1-2 minutos entre cada um) para evitar que os cães interajam ou se distraiam.

Para participar de competições oficiais, seu cão precisa:

  • Ter no mínimo 18 meses de idade
  • Estar com vacinação em dia e ter atestado veterinário
  • Usar equipamento homologado (peitoral e guia dentro das especificações)

Segurança em primeiro lugar (sempre)

Não vou ser aquele cara chato que fica falando de segurança o tempo todo, mas bikejoring envolve velocidade, um animal imprevisível (por mais treinado que seja) e terrenos variados. Alguns cuidados fazem a diferença entre sessões divertidas e idas ao veterinário (ou ao hospital).

Para o seu cão

Aquecimento e resfriamento: Sim, cães também precisam de warm-up e cool-down. Antes de começar a sessão, deixe seu cão andar/trotar por 5-10 minutos. Depois da sessão, não coloque ele direto no carro – caminhe por mais 5-10 minutos até a respiração normalizar completamente.

Hidratação: Leve água para o seu cão, sempre. Ofereça pequenas quantidades durante a sessão, especialmente em dias mais quentes. Nada de deixar ele beber meio litro de uma vez – isso pode causar desconforto gástrico ou até torção de estômago em raças predispostas.

Verificação das patas: Antes e depois de cada sessão, dê uma olhada nas patas do seu cão. Procure por cortes, rachaduras nas almofadinhas, objetos presos entre os dedos. Se você vai pedalar em terrenos mais abrasivos com frequência, considere usar botinhas protetoras específicas para cães (sim, isso existe e eles se acostumam).

Sinais de alerta: Aprenda a reconhecer quando seu cão está indo além do limite. Se ele começar a mancar, reduzir significativamente a velocidade sem motivo aparente, ou se recusar a continuar, pare imediatamente. Cães são animais de matilha com instinto de não mostrar fraqueza – quando demonstram desconforto, geralmente já é sério.

Para você

Não prenda a guia em você: Essa é uma regra de ouro. A guia deve estar presa à bike, NUNCA ao seu corpo ou à mochila. Se algo der errado e você precisar se separar da bike, você precisa conseguir fazer isso sem arrastar o cachorro junto ou pior, ser arrastado por ele.

Escolha trilhas apropriadas: Especialmente no início, evite trilhas muito técnicas com descidas íngremes, curvas fechadas ou obstáculos grandes. Lembre-se que você tem menos controle sobre a direção quando o cão está puxando – uma raiz mal posicionada que você normalmente pularia pode se tornar um problema.

Comunicação com outros usuários da trilha: Quando você encontrar outros ciclistas, corredores ou caminhantes, avise com antecedência e, se necessário, pare completamente. Alguns cães podem se distrair ou ficar reativos com pessoas/animais desconhecidos, e você precisa ter controle da situação.

Manutenção da bike: Com as forças adicionais do cão puxando, alguns componentes da sua bike podem sofrer desgaste acelerado. Verifique regularmente o aperto de parafusos, o estado dos freios, e a condição dos pneus. Uma falha mecânica durante uma sessão de bikejoring pode ter consequências piores do que numa pedalada normal.

Os benefícios que ninguém te conta

Ok, até agora falamos muito sobre técnica, equipamento e segurança. Mas vamos ao que realmente importa: por que diabos você deveria considerar começar no bikejoring? Deixa eu te contar alguns benefícios que vão muito além do óbvio “fazer exercício com seu cachorro”.

Para o seu cão

Estimulação mental e física combinadas: Bikejoring não é apenas exercício físico – é também um quebra-cabeça mental constante. Seu cão precisa tomar decisões, processar comandos, navegar pelo terreno. Isso é OURO para raças inteligentes e trabalhadoras que ficam entediadas facilmente. Um Border Collie que pratica bikejoring é um Border Collie que não vai destruir seu sofá.

Canal para energia natural: Muitas raças foram desenvolvidas para trabalhar o dia inteiro. Um Husky, por exemplo, foi criado para puxar trenós por quilômetros diários. Quando esses cães vivem em apartamentos sem um outlet apropriado para essa energia, desenvolvem comportamentos destrutivos ou ansiosos. Bikejoring dá a eles um “trabalho”, uma função, e isso faz uma diferença absurda no comportamento geral.

Fortalecimento do vínculo: Existe algo especial em compartilhar uma atividade onde vocês dois são uma equipe de verdade. Não é você comandando de cima para baixo – é uma parceria onde ambos precisam confiar um no outro. Isso cria um nível de conexão difícil de alcançar só com os passeios normais.

Para você

Motivação garantida: Sabe aqueles dias que você não quer sair para pedalar? Com bikejoring, você tem um personal trainer de quatro patas que VAI te fazer sair. Seu cão não aceita desculpas de “tá frio” ou “tô cansado”. E honestamente, é exatamente a motivação que muita gente precisa.

Treino de alta qualidade: Dependendo do nível de pull do seu cão, você pode ter treinos surpreendentemente intensos. Subidas que normalmente seriam um sofrimento se tornam mais fáceis com a ajuda canina. E nas descidas? Você pode focar totalmente em técnica e pilotagem porque não precisa se preocupar tanto em ganhar velocidade.

Comunidade incrível: A galera do bikejoring/canicross é, na minha experiência, uma das mais acolhedoras do mundo do ciclismo. Talvez seja porque todo mundo que pratica genuinamente ama seus cães e quer compartilhar essa paixão. Os grupos são super ajudadores, cheios de dicas e sempre organizando encontros. Se você quer conhecer pessoas legais e fazer amizades, essa é uma porta de entrada fantástica.

Redescoberta das trilhas: Quando você está com seu cão, cada passeio vira uma aventura. Eles percebem coisas que você nunca notaria – aquele esquilo no alto da árvore, o cheiro de algum animal que passou antes, o vento mudando de direção. De certa forma, você começa a experimentar a natureza de uma maneira mais rica e sensorial. Se você tem interesse em explorar mais o ciclismo off-road, confira também nosso conteúdo sobre ciclismo gravel.

Dicas de quem já passou perrengue (para você não passar)

Depois de conversar com vários praticantes e eu mesmo ter experimentado algumas “situações”, resolvi compilar algumas dicas práticas que vão te poupar tempo, dinheiro e possivelmente alguns machucados:

1. Invista em um bom peitoral desde o início

Sei que é tentador economizar e pegar aquele peitoral mais barato, mas acredite: seu cão vai usar esse equipamento centenas de vezes. Um peitoral mal ajustado pode causar assaduras, lesões musculares e principalmente, fazer seu cão odiar a atividade. Considere o peitoral um investimento, não uma despesa.

2. Comece MUITO mais devagar do que você acha necessário

A empolgação inicial é real – você quer sair fazendo 10 km logo no primeiro dia. Não faça isso. Eu vi cães se machucarem porque os donos aumentaram a intensidade rápido demais. Siga uma progressão conservadora mesmo que pareça ridiculamente lenta. Melhor pecar pelo excesso de cautela.

3. Tenha um plano B para dias impossíveis

Vai ter dias que o clima não vai colaborar, ou o terreno vai estar impraticável, ou você simplesmente não vai ter tempo para uma sessão completa. Tenha alternativas: um passeio mais curto, uma sessão de canicross, ou até exercícios de comando em casa. Manter a consistência (mesmo que em menor intensidade) é melhor do que ficar uma semana sem fazer nada.

4. Documente a evolução

Tire fotos, faça vídeos, anote as distâncias e tempos. Além de ser legal para acompanhar o progresso, essas informações podem ser valiosas se você precisar ajustar o treino ou identificar algum problema. E convenhamos, é muito satisfatório olhar para trás e ver o quanto vocês evoluíram como equipe.

5. Não compare seu cão com outros

Você vai ver vídeos de Greysters fazendo 30 km/h puxando seus donos montanha acima. Legal, mas aquele não é seu cão. Seu Labrador de 7 anos que adora um bifinho talvez não vá ganhar nenhuma competição, mas se vocês estão se divertindo juntos e o cão está saudável, você já ganhou. Bikejoring não é só sobre performance – é sobre conexão.

O futuro do bikejoring no Brasil

Olhando para frente, o cenário do bikejoring no Brasil é promissor. O esporte está crescendo rapidamente na Europa e América do Norte, e essa onda está chegando aqui. Já vemos mais lojas especializadas importando equipamentos específicos, mais grupos sendo formados nas redes sociais, e principalmente, mais pessoas descobrindo essa forma incrível de pedalar com seus melhores amigos.

A Canicross Magazine internacional tem coberto cada vez mais eventos sul-americanos, o que traz visibilidade para nossos atletas. Quem sabe em breve não teremos brasileiros competindo em mundiais? Já temos o talento (tanto humano quanto canino), só falta estrutura e divulgação.

Uma coisa é certa: se você está lendo este artigo e ficou minimamente interessado, você está no momento perfeito para começar. A comunidade está crescendo mas ainda é pequena o suficiente para que todo iniciante seja bem recebido e ajudado. Daqui a alguns anos, você pode ser aquela pessoa que ajuda os próximos novatos a começarem.

Considerações finais (mas não menos importantes)

Bikejoring é mais do que um esporte – é uma forma completamente nova de se relacionar com seu cão e com o ciclismo. É a fusão de duas paixões em uma experiência que, quando feita corretamente, enriquece a vida de todos os envolvidos.

Claro que não é para todo mundo. Se você tem um cão sedentário que mal se anima para ir até o quintal, provavelmente bikejoring não é a atividade ideal (pelo menos não sem um longo período de condicionamento gradual). Se você mora em uma região extremamente quente sem horários viáveis para praticar, pode ser desafiador. Se seu estilo de ciclismo é puramente urbano no asfalto, talvez você precise repensar onde praticaria.

Mas se você ama mountain bike, se você tem um cão com energia para gastar, se você curte a ideia de compartilhar aventuras na natureza com seu melhor amigo de quatro patas… bem, você precisa pelo menos experimentar. Comece devagar, respeite os limites do seu cão, invista nos equipamentos certos e principalmente: divirta-se.

No final das contas, bikejoring é sobre aqueles momentos mágicos quando você está descendo uma trilha, o vento no rosto, seu cão correndo feliz na frente, vocês dois completamente sincronizados, e você pensa: “cara, isso aqui é incrível”. É sobre criar memórias que vão durar a vida toda – a sua e a dele.

E olha, tem algo especialmente recompensador em praticar um esporte onde você não é o único beneficiado. Ver a alegria pura no rosto do seu cão quando você pega o peitoral, sabendo que vocês vão para mais uma aventura juntos… isso não tem preço. É muito mais gratificante do que qualquer KOM no Strava.

Se você chegou até aqui e está pensando “será que devo tentar?”, a resposta é sim. Comece devagar, seja paciente com você e com seu cão, busque orientação da comunidade, e principalmente: aproveite cada segundo dessa jornada. O ciclismo já é incrível por si só. Adicionar um parceiro canino que genuinamente ama fazer isso com você? Isso transforma tudo.

Então pega essa bike, coloca o peitoral no seu melhor amigo, e vai descobrir o que é bikejoring na prática. Posso garantir: você não vai se arrepender. E seu cachorro? Bem, ele provavelmente já está na porta esperando você terminar de ler isso e finalmente irem para trilha.

Boas pedaladas e boas corridas! 🚴🐕


Perguntas Frequentes sobre Bikejoring

1. Qual a idade mínima que meu cachorro precisa ter para começar no bikejoring?

Seu cachorro deve ter no mínimo 18 meses de idade antes de começar a praticar bikejoring. Isso não é apenas uma recomendação – é uma questão de saúde crucial. Antes dessa idade, as placas de crescimento dos ossos ainda não se fecharam completamente e o impacto repetitivo da corrida com tração pode causar lesões permanentes nas articulações. Mesmo após os 18 meses, é fundamental construir o condicionamento físico gradualmente, começando com distâncias curtas e aumentando progressivamente ao longo de semanas ou meses. Consulte sempre um veterinário antes de iniciar qualquer atividade física intensa com seu cão, independente da idade.

2. Posso praticar bikejoring com qualquer raça de cachorro?

Tecnicamente, a maioria das raças de porte médio a grande podem praticar bikejoring, desde que sejam saudáveis e gostem de correr. No entanto, há exceções importantes: cães braquicefálicos (com focinho achatado como Bulldogs, Pugs, Boxers) não são recomendados devido às dificuldades respiratórias naturais dessas raças. Raças nórdicas (Huskies, Malamutes), cães de caça (Pointers, Weimaraners) e pastoreio (Border Collies, Pastores Alemães) tendem a se destacar naturalmente, mas o mais importante é o temperamento individual do cão e seu condicionamento físico. Um vira-lata energético e bem treinado pode ser tão bom quanto qualquer raça pura. Consulte um veterinário para avaliar se seu cão específico tem aptidão para o esporte.

3. Quanto custa para começar no bikejoring?

O investimento inicial para bikejoring é relativamente acessível se você já tem uma mountain bike. Os equipamentos essenciais incluem: peitoral de tração (R$ 200-500), guia elástica (R$ 150-300), antena de bikejoring (R$ 200-400), além do equipamento de segurança básico que você provavelmente já tem (capacete, luvas). No total, você pode começar com um investimento entre R$ 550 e R$ 1.200 em equipamentos novos específicos para o cão. Existem opções nacionais mais acessíveis e importadas mais caras – o importante é garantir que o peitoral seja de boa qualidade e bem ajustado, pois isso impacta diretamente a segurança e conforto do seu cão. Se você não tem uma bike adequada, precisará considerar também esse custo, mas qualquer hardtail básica em bom estado serve para começar.

4. É seguro praticar bikejoring sozinho ou preciso estar em grupo?

Você pode praticar bikejoring sozinho com segurança, desde que tome as precauções adequadas. Escolha trilhas que você conhece bem, avise alguém sobre sua rota e horário previsto de retorno, leve um celular carregado e um kit básico de primeiros socorros. Para iniciantes, é altamente recomendável começar com outras pessoas – seja amigos que também praticam o esporte ou grupos organizados em sua região. Isso não apenas aumenta a segurança (caso algo dê errado), mas também acelera o aprendizado, já que você pode observar técnicas e receber dicas de praticantes mais experientes. Conforme você e seu cão ganham experiência e confiança, pedalar sozinho se torna perfeitamente viável. Algumas pessoas até preferem, pois permite maior flexibilidade de horários e ritmo personalizado sem preocupação com o desempenho de outros cães.

5. Como saber se meu cachorro está gostando do bikejoring ou se está desconfortável?

Um cão que está gostando do bikejoring demonstra isso claramente: fica animado quando vê o peitoral, puxa com entusiasmo, mantém as orelhas eretas e para frente, carrega a cauda alta (ou em movimento para raças que abanam enquanto correm) e mantém um ritmo consistente. Sinais de desconforto incluem: tentar parar frequentemente, olhar para trás constantemente, andar mais devagar sem razão aparente, respiração excessivamente ofegante, língua muito caída, recusar-se a continuar, mancar ou mudar a forma de pisar. Se você notar qualquer desses sinais, pare imediatamente, ofereça água e descanse. Nunca force seu cão a continuar se ele demonstrar desconforto. Lembre-se que cães têm instinto de matilha e tendem a não demonstrar fraqueza facilmente – quando mostram sinais claros de problema, geralmente já estão realmente desconfortáveis. A construção gradual do condicionamento e atenção constante ao comportamento do seu cão são essenciais para garantir que a experiência seja positiva para ambos.

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