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Carreiras mais curtas no ciclismo? Jai Hindley alerta sobre a intensidade brutal do esporte moderno e prevê que ciclistas não aguentarão 15 anos no pelotão profissional

Jai Hindley, campeão do Giro 2022, alerta que a intensidade brutal do ciclismo moderno pode reduzir carreiras profissionais para apenas 8-9 anos.

Carreiras mais curtas no ciclismo? Jai Hindley alerta sobre a intensidade brutal do esporte

O ciclismo profissional está mais rápido do que nunca. E quando digo mais rápido, não estou exagerando nem um pouco. A temporada 2025 quebrou todos os recordes de velocidade, com o Tour de France mais veloz da história e uma média de temporada do WorldTour que chegou aos impressionantes 42,9 km/h. São números que fazem você parar e pensar: até onde conseguimos ir?

Quem traz essa reflexão é alguém que sabe muito bem do que está falando. Jai Hindley, o campeão do Giro d’Italia de 2022, não tem papas na língua quando o assunto é a brutalidade do ciclismo moderno. Em entrevista recente durante o media day da Red Bull-Bora-Hansgrohe, o australiano de 29 anos fez uma previsão que pode chocar muita gente: “Não espero que os caras consigam viver nessa intensidade por 10 a 15 anos como era no passado”.

A nova realidade do pelotão: adapte-se ou desapareça

Hindley entrou no WorldTour em 2018 com a equipe Sunweb, e desde então testemunhou uma transformação radical no esporte. Ele viveu na pele essa mudança de patamar, conquistou uma camisa rosa pelo caminho, e agora luta diariamente para se manter no topo de um pelotão que não perdoa nem um segundo de distração.

“É adapte ou morra, basicamente”, resume o australiano com aquela franqueza que o caracteriza. E olha, não dá pra discordar dele. Quando você vê Tadej Pogačar dominando absolutamente tudo que aparece pela frente, fica claro que não tem espaço pra meias medidas. Ou você está no seu melhor absoluto, ou simplesmente não está na briga.

Para contextualizar essa aceleração do esporte, vale lembrar de uma frase clássica do lendário Greg LeMond, tricampeão do Tour: “Nunca fica mais fácil, você apenas vai mais rápido”. Hindley adora citar LeMond, e com razão – a frase nunca foi tão verdadeira quanto hoje.

Não é só nas Grand Tours – tudo está mais brutal

O interessante – e talvez o mais preocupante – é que essa escalada de intensidade não se limita às grandes voltas. Hindley deixa isso bem claro: “Não são apenas as Grand Tours que estão mais brutais, é tudo. Cada corrida está mais difícil que a anterior”.

Pense nisso por um momento. Estamos falando de um esporte onde até as corridas menores estão sendo disputadas como se fossem finais de campeonato mundial. A pressão é constante, a velocidade não dá trégua, e o nível de profissionalismo exigido começa cada vez mais cedo na carreira dos atletas.

O australiano é direto ao explicar o que é necessário para se manter competitivo: “Todo mundo está fazendo tudo no limite absoluto e, cara, é um esporte bem brutal. Mas honestamente, se você quer competir e estar na briga, precisa estar no seu melhor absoluto – nem 1% a menos, senão você não vai estar lá”.

O quarto lugar que mudou tudo para Hindley

A última Vuelta a España foi um divisor de águas na carreira de Hindley. Seu quarto lugar geral pode não parecer extraordinário à primeira vista, mas representou muito mais do que apenas uma posição no pódio. Foi sua melhor colocação em uma Grand Tour desde 2022, e chegou em um momento crucial de sua trajetória profissional.

“Se eu for totalmente honesto, eu realmente precisava de um bom resultado em uma Grand Tour novamente”, admite. “Fazia um tempo que eu não conseguia fazer algo relevante – talvez desde 2023. O Tour em 2024 foi difícil, e obviamente saí por causa de uma queda no Giro de 2025. Pessoalmente, eu realmente precisava disso”.

O resultado chegou por apenas 30 segundos de diferença para Tom Pidcock, que ficou com o bronze. Mas para Hindley, aqueles 30 segundos não diminuem em nada a importância do resultado. Pelo contrário – mostrou que ele ainda tem muito a oferecer em um pelotão profissional que segue evoluindo a cada temporada.

A previsão sombria: carreiras mais curtas são inevitáveis

E aqui chegamos ao ponto mais polêmico das declarações de Hindley. Quando perguntado sobre como é possível se manter nesse ritmo alucinante, sua resposta foi direta e um tanto sombria: “Acho que as carreiras também não serão tão longas, provavelmente oito a nove anos. Não espero que os caras consigam correr ou viver nessa intensidade por 10 a 15 anos como era no passado”.

Pense no que isso significa. Estamos falando de uma geração de ciclistas que pode ter suas carreiras profissionais drasticamente encurtadas não por falta de talento ou dedicação, mas simplesmente porque o corpo humano tem limites. A máquina pode ser perfeita, mas ela precisa durar.

Hindley continua: “Todo mundo está fazendo tudo no limite absoluto, e é um esporte muito brutal. Você realmente tem que ser completamente focado nos momentos-chave, ou vai ficar pra trás na poeira”.

O impacto da pandemia: um acelerador inesperado

Segundo Hindley, a COVID-19 funcionou como um catalisador para essa evolução acelerada do esporte. “Acho que poderia ter sido o mesmo nível, talvez até melhor. O nível está ficando maluco. Você provavelmente também viu desde a COVID – a evolução do esporte provavelmente já estava indo nessa direção, mas acho que a pandemia foi um verdadeiro acelerador”.

É uma observação interessante. O período de parada forçada permitiu que os atletas se dedicassem ainda mais ao treinamento especializado, refinassem suas metodologias e voltassem às competições em um nível completamente diferente. O resultado? Um pelotão mais rápido, mais forte e mais implacável do que nunca.

A chegada de Remco Evenepoel e a hierarquia da equipe

A Red Bull-Bora-Hansgrohe fez um investimento pesado ao contratar Remco Evenepoel para 2026. Para muitos, isso poderia significar menos oportunidades para Hindley dentro da equipe. Mas o australiano prefere ver pelo lado otimista – e realista.

“No final, você pode estar no pior time do mundo onde pode ter todas as oportunidades que quiser, mas aí depende de onde você encontra o equilíbrio”, explica. “Estar em uma das melhores equipes do mundo – ou em uma equipe que está tentando ser a melhor do mundo – também te dá muito como corredor”.

Hindley até dividiu quarto com Evenepoel durante o training camp em dezembro, e garante estar empolgado com a chegada do belga. “Se você é pessimista, pode pensar ‘Ah, caramba, tem todos esses caras aqui agora, não vou ter minha chance’. Ou você pode pensar: ‘Ok, todos esses caras estão a bordo, agora eu realmente preciso melhorar meu jogo e ser o mais consistente possível’. Então sou bem otimista”.

Voltando ao Giro: uma chance de redenção

Para a temporada 2026, Hindley vai retornar à corrida onde conquistou seu maior triunfo: o Giro d’Italia. Dessa vez, ele será co-líder ao lado de Giulio Pellizzarri, com quem já demonstrou ter uma excelente sintonia na Vuelta.

A estratégia faz sentido. Pellizzarri também terminou no top 6 da classificação geral da Vuelta, e a dupla provou que consegue trabalhar bem junta. É exatamente o tipo de parceria que pode fazer a diferença em uma Grand Tour tão imprevisível quanto o Giro.

Para Hindley, voltar à Corsa Rosa não é apenas mais uma corrida – é a chance de provar que seu nível de 2022 não foi apenas um lampejo isolado. É a oportunidade de mostrar que, mesmo nesse novo cenário de intensidade brutal, ele ainda consegue estar no topo.

A paixão que sustenta o sacrifício

Com todo esse papo sobre intensidade, brutalidade e carreiras encurtadas, você pode se perguntar: por que alguém escolheria esse caminho? A resposta de Hindley é simples e bonita ao mesmo tempo.

“Todo mundo tem seus contratempos, e você só tem que lidar com eles. Faz parte de ser atleta e ciclista profissional. No final, nem tudo vai ser sol e arco-íris”, diz ele. “Você realmente tem que amar isso, eu diria, e realmente tem que se motivar e ter fome por isso mais do que qualquer coisa – porque se você não tem essa fome e não tem o impulso, simplesmente não vai acontecer”.

E então vem aquela frase que resume tudo, dita com o timing perfeito de quem sabe exatamente o que está dizendo: “Seu pior dia absoluto na bike ainda é melhor que seu melhor dia no escritório, 100%”.

Não dá pra argumentar contra isso, não é? É essa paixão genuína pelo esporte que faz com que atletas como Hindley continuem empurrando seus limites, mesmo sabendo dos custos físicos e mentais envolvidos. É o que separa os profissionais dos amadores – não apenas o talento, mas a vontade inabalável de acordar todos os dias e fazer o que é necessário.

O que isso significa para o futuro do ciclismo

As palavras de Hindley levantam questões importantes sobre o futuro do nosso esporte. Se as carreiras realmente estão ficando mais curtas, o que isso significa para a dinâmica do pelotão? Como ficam os corredores veteranos que sempre trouxeram experiência e liderança para as equipes?

E mais: será sustentável continuar nesse ritmo de aceleração constante? Em algum momento, vamos ter que discutir seriamente sobre bem-estar dos atletas, recuperação adequada e a saúde a longo prazo desses profissionais que colocam seus corpos em situações extremas.

O que está claro é que não dá mais para comparar o ciclismo profissional de hoje com o de dez ou quinze anos atrás. São mundos completamente diferentes. A preparação é outra, a tecnologia mudou tudo, e o nível de competitividade está em um patamar nunca visto antes.

Hindley está certo quando diz que estamos em uma era especial do ciclismo. Estamos testemunhando performances que desafiam os limites do que achávamos possível. Mas também estamos vendo o preço que isso cobra dos atletas – e talvez precisemos começar a pensar mais seriamente sobre isso.

Por enquanto, o australiano continua focado em seu próprio caminho. Com um ano de contrato pela frente na Red Bull-Bora-Hansgrohe, ele sabe que 2026 é crucial para seu futuro. O Giro d’Italia em maio será o grande teste.

E se tem uma coisa que aprendemos com Jai Hindley ao longo dos anos, é que ele nunca desiste facilmente. Afinal, esse é o cara que conseguiu conquistar a camisa rosa em 2022 depois de ter ficado em segundo lugar dois anos antes. Ele conhece o gosto amargo da derrota e o sabor doce da vitória – e isso faz toda a diferença.

O futuro pode ser incerto, as carreiras podem estar ficando mais curtas, mas uma coisa é certa: enquanto houver gente apaixonada como Hindley disposta a dar tudo de si sobre a bike, o ciclismo profissional continuará nos proporcionando momentos inesquecíveis. E no fim das contas, não é isso que importa?


Perguntas Frequentes

Por que o ciclismo profissional está mais rápido do que nunca?

O aumento da velocidade no ciclismo profissional é resultado de múltiplos fatores que se combinaram nos últimos anos. Primeiro, temos uma evolução tecnológica significativa nas bicicletas, equipamentos e aerodinâmica. Segundo, os métodos de treinamento se tornaram muito mais sofisticados, com uso de dados científicos, medidores de potência e análises detalhadas. Terceiro, a nutrição esportiva evoluiu dramaticamente, permitindo que os atletas mantenham performance por períodos mais longos. E por último, mas não menos importante, a profissionalização começou muito mais cedo na vida dos atletas – jovens de 18-20 anos já chegam ao WorldTour com preparo físico e mental que antes só se via em corredores mais experientes. A COVID-19 também funcionou como catalisador, dando aos atletas tempo para refinarem ainda mais suas preparações.

Qual foi o resultado mais importante de Jai Hindley na carreira?

Sem dúvida, a vitória no Giro d’Italia de 2022 representa o maior triunfo da carreira de Hindley. O australiano conquistou a prestigiada camisa rosa ao vencer a classificação geral da Corsa Rosa, tornando-se o segundo australiano da história a ganhar o Giro (depois de Cadel Evans em 2010). Curiosamente, Hindley já havia ficado em segundo lugar no mesmo Giro em 2020, perdendo para Tao Geoghegan Hart por apenas 39 segundos. Essa experiência prévia foi fundamental para seu retorno vitorioso dois anos depois. Mais recentemente, seu quarto lugar na Vuelta a España 2025 também foi extremamente significativo, pois representou seu retorno ao topo após quedas e lesões que haviam comprometido suas temporadas anteriores.

Como a intensidade atual afeta a longevidade das carreiras no ciclismo?

Segundo Hindley, a intensidade extrema do ciclismo moderno inevitavelmente encurtará as carreiras profissionais. Ele prevê que ciclistas da nova geração terão carreiras de 8 a 9 anos no WorldTour, comparado aos 10 a 15 anos que eram comuns no passado. Isso acontece porque todo corredor está operando no limite absoluto – não existe mais espaço para “poupar” energia ou ter temporadas mais leves. O desgaste físico e mental é constante e brutal. A pressão para manter performance de altíssimo nível em todas as corridas, não apenas nas Grand Tours, significa que os corpos dos atletas são submetidos a estresse extremo por períodos prolongados. Recuperação adequada se torna cada vez mais difícil quando o calendário é implacável e a competição nunca dá trégua. O resultado? Atletas podem atingir seu pico mais cedo, mas também podem “queimar” mais rapidamente.

O que Jai Hindley quis dizer com “adapte ou morra”?

Quando Hindley usa a expressão “adapte ou morra”, ele está sendo completamente direto sobre a realidade brutal do ciclismo profissional atual. Não existe meio-termo: ou você se adapta aos novos padrões de velocidade, intensidade e profissionalismo, ou você simplesmente não consegue competir. Isso significa estar no seu melhor absoluto – nem 1% a menos. Significa fazer tudo perfeitamente: treino, recuperação, nutrição, sono, preparação mental. Significa que um dia ruim pode te custar posições valiosas ou até sua vaga na equipe. No contexto da presença de super-campeões como Tadej Pogačar dominando o esporte, Hindley reconhece que não há espaço para complacência. Você precisa evoluir constantemente, aprender com cada experiência e estar sempre buscando aquele percentual extra que pode fazer a diferença entre estar no pódio ou assistir de fora.

Como a chegada de Remco Evenepoel afeta a posição de Hindley na Red Bull-Bora-Hansgrohe?

A contratação de Remco Evenepoel pela Red Bull-Bora-Hansgrohe poderia ser vista como uma ameaça à posição de Hindley, mas o australiano escolheu encarar a situação de forma otimista. Ele reconhece que estar em uma equipe de alto nível com múltiplos líderes pode na verdade ser benéfico para sua própria evolução. Como ele mesmo explica, você pode estar no pior time do mundo com todas as oportunidades, mas isso não garante sucesso – estar em uma equipe de ponta te força a elevar seu próprio nível constantemente. Para 2026, Hindley será co-líder da equipe no Giro d’Italia ao lado de Giulio Pellizzarri, enquanto Evenepoel provavelmente focará no Tour de France. Essa divisão de objetivos permite que Hindley mantenha papel de protagonismo em uma Grand Tour importante, enquanto a presença de Evenepoel na equipe eleva o nível geral do grupo nos treinos e nas corridas.

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