Tem algo de especial no ar quando março se aproxima na Bélgica. As estradas ainda guardam resquícios do inverno, o vento sopra sem piedade pelas planícies da Flandres e os ciclistas já sentem aquele frio na barriga que só as clássicas de primavera provocam. A Kuurne-Brussel-Kuurne 2026 é o encerramento perfeito do Opening Weekend — o fim de semana que marca, oficialmente, o início da temporada de clássicas belgas.
Marcada para o dia 1º de março de 2026, a 78ª edição desta prova histórica vai levar o pelotão por 194,9 quilômetros entre Kortrijk e Kuurne, passando por algumas das subidas mais icônicas das Ardenas Flamengas. É aquele tipo de corrida que te faz sentar na ponta do sofá nas últimas horas — e quem acompanha ciclismo há décadas sabe bem disso.
O que é a Kuurne-Brussel-Kuurne e por que ela importa tanto?
Se você ainda não conhece a Kuurne-Brussel-Kuurne, precisa entender o contexto. Ela acontece sempre no dia seguinte à Omloop Het Nieuwsblad, formando juntas o chamado Opening Weekend do ciclismo belga. Enquanto a Omloop utiliza boa parte do percurso do Tour de Flandres e costuma favorecer ciclistas mais explosivos, a Kuurne-Brussel-Kuurne tem uma identidade própria: ela passa pelas famosas colinas, mas guarda um final plano de 61 quilômetros que frequentemente entrega a vitória aos sprinters.
A corrida é classificada como UCI ProSeries, o que significa que atrai equipes WorldTour e ProTeam de todo o mundo. Não se engane pelo rótulo: trata-se de uma prova com enorme prestígio no calendário internacional. Quem vence a Kuurne-Brussel-Kuurne geralmente chega às grandes clássicas de abril com a moral nas alturas.
Kuurne-Brussel-Kuurne 2026: percurso e subidas

O percurso da Kuurne-Brussel-Kuurne 2026 segue um traçado bastante semelhante ao do ano passado. São 194,9 km com partida em Kortrijk e chegada em Kuurne, enfrentando nada menos que 12 subidas ao longo do caminho. A primeira delas, o Tiegemberg, aparece logo aos 16,7 km de corrida, quando as pernas ainda estão frescas. A última escalada, o temido Kluisberg, termina faltando 59,5 km para a chegada — e é aí que começa o verdadeiro jogo de gato e rato entre escapados e sprinters.
Confira abaixo a lista completa das subidas da edição 2026:
- Tiegemberg (1,4 km a 4% de média, máx. 8%) — faltam 178,2 km
- Volkegemberg (1 km a 5,1%, máx. 8,5%) — faltam 160,6 km
- Lepelstraat (2,1 km a 3,4%, máx. 5,7%) — faltam 144,5 km
- Bossenaarstraat (1,3 km a 5,6%, máx. 9%) — faltam 128 km
- Berg ten Houte (1,1 km a 6,2%, máx. 13%) — faltam 123,6 km
- La Houppe (1,9 km a 4,8%, máx. 10%) — faltam 116,4 km
- Hameau des Papin (1,2 km a 6,6%, máx. 16,2%) — faltam 98,7 km
- Le Bourliquet (1,3 km a 6,8%, máx. 15,3%) — faltam 90,3 km
- Kruisberg (1,4 km a 5,3%, máx. 10,9%) — faltam 75,6 km
- Hotond (1,2 km a 3,1%, máx. 9%) — faltam 74 km
- Côte du Trieu (1,26 km a 7%, máx. 13%) — faltam 67 km
- Kluisberg (1,1 km a 6%, máx. 11%) — faltam 59,5 km

Olhando esses números, fica claro que as subidas mais duras estão concentradas no meio da corrida. O Hameau des Papin e o Le Bourliquet, com rampas máximas que passam de 15%, são suficientes para causar estragos no pelotão e forçar seleções importantes. Mas o final plano até Kuurne sempre permite que equipes bem organizadas consigam trazer os sprinters de volta ao grupo da frente.
Uma história que começou em 1945
A Kuurne-Brussel-Kuurne nasceu em 1945, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a Bélgica tentava se reconstruir e o ciclismo servia como uma espécie de cola social para o país. O primeiro vencedor foi Valère Olivier, e desde então a corrida se transformou em um patrimônio do esporte belga.
Os números falam por si: ao longo da história, ciclistas belgas venceram impressionantes 55 edições. O recordista de títulos é Tom Boonen, com três conquistas — em 2007, 2009 e 2014. Mark Cavendish é o único outro ciclista com duas vitórias, o que mostra como Boonen dominou essa prova como ninguém.
Uma curiosidade que vale a pena contar: em 1961, os juízes simplesmente não conseguiram definir quem havia vencido o sprint final entre Alfred De Bruyne e Leon Van Daele. Sem foto de chegada conclusiva, a solução foi declarar ambos vencedores. É o tipo de história que só o ciclismo clássico consegue produzir.
O clima de fim de inverno também é protagonista na Kuurne-Brussel-Kuurne. A corrida já precisou ser cancelada em três ocasiões por condições meteorológicas extremas: 1986, 1993 e 2013. Neve, gelo e vendavais são companhias constantes nessa época do ano nas planícies flamengas.
Jasper Philipsen: o campeão defensor em 2026
O grande nome a ser observado na Kuurne-Brussel-Kuurne 2026 é, sem dúvida, Jasper Philipsen. O belga da Alpecin-Premier Tech conquistou a edição de 2025 em um sprint convincente, superando Olav Kooij (na época na Visma-Lease a Bike) e Hugo Hofstetter (Israel-PremierTech). Foi a primeira vez em anos que a corrida terminou em um sprint massivo clássico na icônica Brugsesteenweg.

Philipsen, que recentemente ajustou seu programa de primavera mirando também a Milan-San Remo e a Paris-Roubaix, chega a esta edição como o homem a bater. Sua velocidade pura no sprint é simplesmente devastadora quando o trem da equipe funciona como deveria.
Os favoritos e a startlist da Kuurne-Brussel-Kuurne 2026
De acordo com os dados do ProCyclingStats e do FirstCycling, a lista de partida da edição 2026 traz nomes de peso. Os três principais favoritos apontados são Arnaud De Lie, Paul Magnier e Matthew Brennan, todos representantes de uma geração mais jovem que vem tomando conta das corridas de um dia.
Além de Philipsen, outros velocistas de primeira linha confirmaram presença: Biniam Girmay (NSN Cycling), que já abriu 2026 com duas vitórias, está em excelente forma. Cees Bol e Oliver Naesen representam a Decathlon CMA CGM, enquanto a EF Education-EasyPost conta com Kasper Asgreen — vencedor da edição de 2020 — e Vincenzo Albanese.
Nomes como Jasper Stuyven, Tiesj Benoot e Dylan Groenewegen — todos ex-vencedores — também estarão na linha de largada buscando acrescentar mais um troféu à coleção. A presença de Matej Mohorič (Bahrain Victorious) e Stefan Bissegger (Decathlon CMA CGM) dá à corrida um tempero extra, já que ambos podem tentar ataques de longa distância.
A ausência de Tim Merlier: um golpe no sprint
Uma baixa significativa para a Kuurne-Brussel-Kuurne 2026 é a de Tim Merlier. O sprinter da Soudal-QuickStep, que venceu 16 corridas em 2025, vem sofrendo com uma lesão no joelho desde dezembro e não conseguiu se recuperar a tempo para o fim de semana inaugural flamengo.
“A AlUla Tour está fora de questão”, confirmou Merlier durante a apresentação da equipe em Calpe. “Vou esperar até estar pronto. Se eu me sentir bem e os treinadores concordarem, vamos definir uma data para voltar.” O belga havia indicado a Kuurne-Brussel-Kuurne como possível objetivo, mas acabou confirmando que não estará no pelotão — a recuperação levou mais tempo que o esperado. Segundo seu calendário atualizado, Merlier deve retornar às competições apenas na Ronde Van Brugge, no final de março.
Sem Merlier, a Soudal-QuickStep aposta em Paul Magnier e na experiência de Stuyven para marcar presença na corrida. A equipe, que passou por uma reestruturação após a saída de Remco Evenepoel, voltou suas atenções para as clássicas de paralelepípedos.
Como a corrida costuma se desenrolar
Para quem nunca assistiu à Kuurne-Brussel-Kuurne, o roteiro habitual é mais ou menos assim: nos primeiros quilômetros, uma fuga se forma com corredores de equipes menores que buscam visibilidade e quilometragem na televisão. Essa escapada costuma ganhar vantagem de alguns minutos enquanto as equipes WorldTour controlam o ritmo na parte de trás.
Quando o pelotão atinge a sequência de subidas entre os 70 e os 100 km, a corrida começa a esquentar de verdade. É ali, no Kruisberg, no Côte du Trieu e no Kluisberg, que os pretendentes à vitória testam as pernas e tentam criar distanciamento. Se alguém forte como um Asgreen ou um Mohorič atacar nessas rampas, os trens de sprint precisam gastar muita energia para trazê-los de volta.
Mas a verdade é que, nos últimos 60 km, o terreno favorece claramente os sprinters. Equipes como a Alpecin-Premier Tech e a NSN Cycling costumam organizar seus trens e, com trabalho coletivo impecável, conseguem neutralizar as fugas e entregar a corrida para um sprint final na Brugsesteenweg, em Kuurne.
O que esperar da Kuurne-Brussel-Kuurne 2026
A edição 2026 promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos. Com Philipsen como campeão defensor, Girmay em grande forma, De Lie voltando de uma lesão no pré-temporada mas com a motivação em dia, e jovens talentos como Magnier e Brennan com fome de resultados, o sprint final pode ser antológico.
Há também a possibilidade de surpresas. A condição climática em março na Bélgica pode mudar tudo em questão de minutos — chuva, vento lateral e até granizo já fizeram parte do cardápio dessa corrida. Se as condições forem adversas, ciclistas mais resistentes e acostumados ao frio podem tirar proveito do caos.
Uma coisa é certa: a Kuurne-Brussel-Kuurne 2026 será o termômetro perfeito para medir quem realmente está pronto para o restante da campanha de primavera, que inclui gigantes como a Tour de Flandres, a Paris-Roubaix e a Gent-Wevelgem.
Ficha técnica da Kuurne-Brussel-Kuurne 2026
| Informação | Detalhes |
|---|---|
| Data | Domingo, 1º de março de 2026 |
| Partida | Kortrijk, Bélgica |
| Chegada | Kuurne, Bélgica |
| Distância | 194,9 km |
| Categoria UCI | ProSeries |
| Edição | 78ª |
| Vencedor 2025 | Jasper Philipsen (Alpecin-Deceuninck) |
| Subidas | 12 |
Vencedores recentes da Kuurne-Brussel-Kuurne
A lista de campeões recentes mostra a diversidade de perfis que conseguem vencer essa corrida — de sprinters puros a especialistas em clássicas:
- 2025 — Jasper Philipsen (Bélgica)
- 2024 — Wout van Aert (Bélgica)
- 2023 — Tiesj Benoot (Bélgica)
- 2022 — Fabio Jakobsen (Holanda)
- 2021 — Mads Pedersen (Dinamarca)
- 2020 — Kasper Asgreen (Dinamarca)
- 2019 — Bob Jungels (Luxemburgo)
- 2018 — Dylan Groenewegen (Holanda)
- 2017 — Peter Sagan (Eslováquia)
Repare como nos últimos anos os belgas retomaram o domínio, com Van Aert, Benoot e Philipsen vencendo em sequência entre 2023 e 2025. Será que um belga fará o tetracampeonato consecutivo em 2026? As chances são bastante reais.
Onde assistir à Kuurne-Brussel-Kuurne 2026
Para quem está no Brasil e quer acompanhar a Kuurne-Brussel-Kuurne 2026 ao vivo, as principais opções são o GCN (Global Cycling Network) e a plataforma Eurosport/Discovery+, que costumam transmitir as clássicas belgas com cobertura completa. A corrida deve ter início por volta das 6h (horário de Brasília) e a chegada prevista é para aproximadamente às 13h, dependendo da velocidade média do pelotão. Vale ficar de olho também nos canais oficiais no YouTube e nas redes sociais da organização da corrida em kuurne-brussel-kuurne.be.
FAQ — Perguntas Frequentes sobre a Kuurne-Brussel-Kuurne 2026
Quando acontece a Kuurne-Brussel-Kuurne 2026?
A corrida está marcada para o domingo, 1º de março de 2026. Ela acontece no dia seguinte à Omloop Het Nieuwsblad, formando o tradicional Opening Weekend do ciclismo belga.
Quem é o favorito para vencer a Kuurne-Brussel-Kuurne 2026?
Os principais favoritos são Jasper Philipsen (campeão defensor), Biniam Girmay, Arnaud De Lie e Paul Magnier. Ex-vencedores como Jasper Stuyven, Dylan Groenewegen e Kasper Asgreen também são candidatos fortes.
Qual é a distância e o percurso da Kuurne-Brussel-Kuurne 2026?
O percurso tem 194,9 km, partindo de Kortrijk e chegando em Kuurne, na Bélgica. A rota inclui 12 subidas, sendo a última o Kluisberg, que termina faltando 59,5 km para a chegada. O final plano favorece os sprinters.
Quem ganhou a última edição da Kuurne-Brussel-Kuurne?
A edição de 2025 foi vencida por Jasper Philipsen (Alpecin-Deceuninck), que superou Olav Kooij e Hugo Hofstetter num sprint na Brugsesteenweg.
Quem é o maior vencedor da história da Kuurne-Brussel-Kuurne?
Tom Boonen é o recordista, com três vitórias (2007, 2009 e 2014). A Bélgica domina amplamente a corrida, com 55 vitórias ao longo de toda a história da prova, que foi disputada pela primeira vez em 1945.





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