Sabe aquela história de que não dá pra ter tudo? Pois é, a Lazer resolveu desafiar esse ditado com o novo Sphere KinetiCore. Depois de anos vendo fabricantes brigando entre fazer capacetes super aerodinâmicos que deixam sua cabeça cozinhando ou modelos ventilados que parecem antenas parabólicas, finalmente apareceu alguém que entendeu que a gente quer as duas coisas. E não, não é milagre – é engenharia bem-feita.
Olha, vou ser sincero com você. Quando vi o anúncio desse capacete, minha primeira reação foi um certo ceticismo. Já vi muita promessa bonita no mundo do ciclismo que na prática não entregava nem metade do que prometia. Mas aí comecei a destrinchar as especificações técnicas do Sphere, conversar com quem já testou e… bom, tenho que admitir que a Lazer parece ter acertado a mão dessa vez.
Por Que Todo Mundo Fala Tanto em Capacetes “All-Rounder”?
Antes de entrar nos detalhes do Sphere, deixa eu te explicar por que esse conceito de capacete versátil é tão complicado de acertar. Pensa comigo: quando você está disputando aquele sprint final da pelada de domingo ou tentando buscar aquele KOM no Strava, você quer toda a vantagem aerodinâmica possível, certo? Só que quando a temperatura tá lá pelos trinta e poucos graus e você ainda tem 80 km pela frente, o que você mais quer é vento passando pela sua cabeça.

O problema é que esses dois objetivos historicamente se contradizem. Aerodinâmica pede formatos mais lisos e fechados, enquanto ventilação precisa de grandes aberturas. É tipo querer um carro esportivo que também seja econômico – tecnicamente possível, mas difícil pra caramba de conseguir sem fazer concessões.
E não para por aí. O capacete moderno precisa ser leve (porque ninguém merece carregar peso extra na cabeça por horas), ter sistema de proteção contra impactos rotacionais (que é aquele movimento de torção que causa os traumas mais sérios), segurar seus óculos quando você não tá usando, ter um lugar pra botar luz de segurança, ser confortável mesmo depois de 5 horas de pedal e, ah sim, não pode ser feio porque… bom, a gente é um pouco vaidoso mesmo.
O Que Torna o Sphere Diferente dos Outros?
A Lazer trabalhou com o perfil aerodinâmico fino como ponto de partida, mas ao invés de simplesmente fechar tudo e torcer pro melhor, eles calcularam estrategicamente onde e como fazer as aberturas de ventilação. O resultado são aquelas grandes entradas de ar que você vê na frente e nos lados – e não, não são só pra enfeitar.
Essas aberturas foram dimensionadas não apenas para criar fluxo de ar, mas também para fazer algo inteligente: servir como dock station pros seus óculos. Quantas vezes você já ficou com os óculos pendurados tortos no capacete ou viu eles caírem no meio do pedal? Com o Sphere, as próprias aberturas de ventilação seguram os óculos de forma segura. É daquelas soluções que parecem óbvias depois que alguém faz.
O peso do tamanho médio fica em 280 gramas, o que é bem interessante. Não é o mais leve do mercado (tem gente fazendo capacete de 200g por aí), mas também tá longe de ser pesado. E tem uma razão pra isso: peso não é tudo. Um capacete 50 gramas mais leve mas que deixa você desconfortável depois de uma hora não serve pra nada.
KinetiCore: A Tecnologia de Segurança Que Faz Diferença
Agora vamos falar da parte séria. O sistema KinetiCore da Lazer é a resposta deles pro problema dos impactos rotacionais. Você provavelmente já ouviu falar do MIPS, que é tipo o sistema mais famoso nessa categoria. O MIPS usa uma camada interna que desliza para absorver forças rotacionais.
O KinetiCore faz algo diferente: em vez de adicionar camadas, ele trabalha com “Zonas de Deformação Controlada” integradas na própria espuma do capacete. Basicamente, são áreas calculadas que se deformam de maneira específica durante um impacto, redirecionando a energia para longe da sua cabeça.
A vantagem? Primeiro, fica mais leve porque você não tem aquela camada extra. Segundo, não compromete a ventilação como alguns sistemas podem fazer. E terceiro – e isso é importante – funciona em qualquer direção de impacto, não só em certos ângulos.
Claro que a eficácia de qualquer sistema desses depende de estudos e testes rigorosos. A Bicycle Helmet Safety Institute mantém informações atualizadas sobre diferentes tecnologias de proteção, e vale a pena dar uma olhada se você é do time que gosta de mergulhar nos dados científicos.
Detalhes Que Fazem Toda a Diferença no Dia a Dia
Tem umas coisas pequenas no Sphere que mostram que alguém na Lazer realmente pedala. O sistema de ajuste Advanced TurnSys é aquela rodinha atrás que você gira pra apertar ou soltar o capacete. Parece básico, mas tem modelo por aí que você precisa de três mãos pra ajustar direito. No Sphere, é suave e preciso.
As tiras e o forro interno usam um tecido tratado com Polygiene Biostatic. Traduzindo do marketês: é um tratamento antibacteriano que mantém o capacete cheirando bem por mais tempo. Quem pedala todo dia sabe que isso não é frescura – é necessidade mesmo. Aquele cheiro de capacete velho que você sente quando tira da mochila… ninguém merece.
E tem a questão da visibilidade. O Sphere vem com uma porta integrada pra você conectar o LED Universal da Lazer. Não é obrigatório usar, mas numa cidade onde motorista parece ter imã de bike, toda visibilidade extra ajuda. E o legal é que fica integrado no design, não é aquela gambiarra de prender luz com elástico.
Tamanhos, Cores e Aquela Dúvida do Preço
O Sphere vem em três tamanhos: P, M e G. É importante você medir direitinho a circunferência da sua cabeça antes de comprar. Pega uma fita métrica, passa ela uns dois dedos acima das sobrancelhas, contorna toda a cabeça e anota o número. Não chute o tamanho – capacete mal ajustado além de desconfortável é perigoso.
Quanto às cores, são nove opções dependendo do mercado onde você tá: Preto Fosco, Preto com Vermelho, Azul Elétrico, Laranja Flash, Violeta Congelante, Verde Profundo, Cinza Harbor, Tyrian e Branco Prata. Tem opção pra quem gosta de ser discreto e pra quem quer ser visto a quilômetros de distância.
Agora vamos falar do elefante na sala: o preço. No mercado canadense (onde a matéria original foi publicada), o Sphere KinetiCore sai por 220 dólares canadenses. Nos Estados Unidos e Europa, são 150 dólares ou euros. Aqui no Brasil… bom, a gente sabe como funciona. Com impostos de importação, frete e mais um ou outro “custo Brasil”, você provavelmente vai encontrar por valores bem salgados se conseguir achar.
É caro? Depende do seu ponto de vista. Se você comparar com capacetes de entrada que custam 200 reais, sim, é bem mais caro. Mas se você comparar com outros capacetes no mesmo nível de tecnologia e acabamento, o preço tá na média do mercado. Capacetes top de linha de marcas como Giro, Specialized e POC ficam nessa faixa ou até acima.
Gravel, Estrada ou os Dois?
Uma coisa legal sobre o Sphere é que ele serve tanto pra estrada quanto pra gravel. E não é aquele “serve” meio meia-boca não – ele foi pensado pra isso mesmo. O perfil é aerodinâmico o suficiente pra você não se sentir prejudicado numa saída rápida de estrada, mas a ventilação aguenta tranquilo um pedal mais longo e variado em terra.
Isso é importante porque muita gente hoje não quer ter três capacetes diferentes – um pra treino, um pra competição, um pra gravel. A gente quer um bom capacete que funcione em várias situações. E o Sphere parece entregar isso.
Falando em gravel, se você curte esse universo de aventura sobre duas rodas, vale a pena conhecer eventos como o Unbound Gravel, uma das provas mais épicas dessa modalidade nos Estados Unidos, ou pesquisar sobre o crescente calendário de eventos de gravel aqui no Brasil mesmo.
Vale a Pena Investir?
Olha, eu não sou daqueles que fala que todo mundo precisa comprar o equipamento mais caro do mercado. Longe disso. Mas capacete é uma daquelas coisas onde economizar demais pode sair caro no futuro – literalmente.
O Sphere KinetiCore parece ser uma opção sólida pra quem tá procurando um capacete versátil e de qualidade. Ele não é perfeito (nenhum equipamento é), mas a combinação de tecnologias que ele oferece é interessante: proteção rotacional integrada, bom equilíbrio entre aerodinâmica e ventilação, peso razoável e detalhes práticos bem pensados.
Se você pedala com frequência, faz treinos mais sérios ou participa de provas, investir num capacete desse nível faz sentido. Agora, se você só dá aquele rolê de fim de semana bem tranquilo, talvez existam opções mais em conta que atendam suas necessidades perfeitamente bem.
O mais importante mesmo é usar capacete. Pode ser esse Sphere da Lazer, pode ser outro modelo, mas use. As estatísticas sobre redução de lesões graves com o uso de capacete são claríssimas. A Organização Mundial da Saúde tem dados extensos sobre isso se você quiser se aprofundar no assunto.
O Futuro dos Capacetes de Ciclismo
Lançamentos como o Sphere KinetiCore mostram uma tendência interessante no mercado de capacetes: a busca por versatilidade sem sacrificar performance. Os fabricantes finalmente entenderam que o ciclista moderno não quer (e muitas vezes não pode) ter um arsenal de capacetes pra cada situação.
Também tá rolando uma evolução grande nas tecnologias de proteção. O KinetiCore da Lazer, o MIPS, o WaveCel da Bontrager, o SPIN da POC – cada fabricante tá tentando encontrar a melhor solução pro problema dos impactos rotacionais. E isso é ótimo pra gente, consumidor, porque significa mais opções e tecnologias cada vez melhores.
Outra coisa que deve crescer é a integração de tecnologia. Já existem capacetes com sensores de queda que mandam alerta automático, com luzes integradas inteligentes, até com câmeras. O Sphere ainda é relativamente tradicional nesse aspecto (fora a porta pro LED), mas não duvido que versões futuras venham com mais recursos tecnológicos.
Perguntas Frequentes sobre o Lazer Sphere KinetiCore
O sistema KinetiCore é tão eficaz quanto o MIPS?
Ambos os sistemas foram desenvolvidos para reduzir forças rotacionais durante impactos, mas usam abordagens diferentes. O MIPS utiliza uma camada deslizante interna, enquanto o KinetiCore trabalha com zonas de deformação controlada integradas na espuma. Estudos independentes mostram que ambas as tecnologias são eficazes, cada uma com suas vantagens específicas. O KinetiCore tende a ser mais leve e não compromete a ventilação, enquanto o MIPS tem mais anos de pesquisa e dados de campo. No fim das contas, ambos são excelentes opções de proteção.
Quanto tempo dura um capacete de ciclismo?
A recomendação geral dos fabricantes é trocar seu capacete a cada 3 a 5 anos, mesmo que ele não tenha sofrido nenhum impacto visível. Isso porque os materiais se degradam com o tempo devido à exposição ao suor, raios UV e variações de temperatura. Se o capacete sofrer qualquer queda ou impacto, mesmo que pareça intacto visualmente, substitua imediatamente. A estrutura interna pode ter ficado comprometida de formas que você não consegue ver, e isso reduz drasticamente a capacidade de proteção.
O Sphere KinetiCore serve para mountain bike também?
Tecnicamente sim, mas não é o ideal. O Sphere foi projetado principalmente para ciclismo de estrada e gravel, com foco em aerodinâmica e ventilação. Para mountain bike mais técnico, especialmente enduro ou downhill, o recomendado são capacetes específicos dessa modalidade, que oferecem maior cobertura na parte de trás da cabeça e às vezes proteção adicional nas têmporas. Para trilhas leves e cross-country, o Sphere pode funcionar bem, mas se você pratica MTB mais agressivo, vale investir num capacete específico da categoria.
Como sei se o tamanho do capacete está correto?
Meça a circunferência da sua cabeça com uma fita métrica, passando uns dois dedos acima das sobrancelhas e contornando a parte de trás. Compare com a tabela de tamanhos do fabricante. Quando colocar o capacete, ele deve ficar firme mas confortável – se você balançar a cabeça com as tiras soltas, o capacete não pode se mexer. As tiras laterais devem formar um “Y” logo abaixo das orelhas, e a tira do queixo deve ficar justa mas permitindo passar dois dedos entre ela e o queixo. Se sentir pontos de pressão excessiva ou se o capacete ficar dançando na cabeça, o tamanho está errado.
Posso lavar meu capacete Lazer Sphere?
Sim, mas com cuidado. Para limpeza regular, use um pano úmido com água morna e sabão neutro para limpar a parte externa e interna do casco. Os forros e tiras geralmente podem ser removidos e lavados à mão com água fria e sabão suave – deixe secar naturalmente, nunca use secadora. Evite produtos químicos agressivos, água muito quente ou pressão excessiva durante a limpeza. Nunca coloque o capacete na máquina de lavar ou use jatos de alta pressão. O tratamento Polygiene Biostatic ajuda a manter o forro fresco entre as lavagens, mas uma limpeza regular ainda é necessária, especialmente se você pedala com frequência em dias quentes.

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