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A Força Bruta Não Basta: Nibali Explica Por Que Pogacar Ainda Não Venceu a Milano-Sanremo

Vincenzo Nibali revela por que a força bruta de Pogacar não é suficiente para vencer a Milano-Sanremo, enquanto Van der Poel domina com astúcia tática. Entenda a diferença entre potência e inteligência nas corridas.

Nibali Explica Por Que Pogacar Ainda Não Venceu a Milano-Sanremo

Sabe aquele papo de que no ciclismo moderno basta ter pernas fortes e subir como um foguete? Pois é, Vincenzo Nibali discorda completamente. E olha que o cara sabe do que está falando – afinal, ele é um dos poucos ciclistas da história a vencer todas as três Grand Tours. Recentemente, o Tubarão de Messina deu sua opinião sobre os estilos de corrida de Tadej Pogacar e Mathieu van der Poel, e suas palavras são uma verdadeira aula sobre o que separa um grande campeão de um fenômeno completo.

Duas Filosofias, Um Objetivo

A análise de Nibali é fascinante porque ele coloca o dedo na ferida de algo que todos nós percebemos, mas nem sempre conseguimos explicar direito. Pogacar vence corridas pela força bruta. Quando ele ataca, é porque simplesmente tem mais potência que os adversários naquele momento. É quase matemático: watts contra watts, e geralmente os dele são maiores.

Já Van der Poel? Esse é outro filme. O holandês vence com astúcia e tática. Claro que ele também é absurdamente forte – não dá pra ganhar Monumentos sendo fraco. Mas a diferença está em como ele usa essa força. É o cara que sabe exatamente quando acelerar, quando segurar, quando fazer aquele contra-ataque que pega todo mundo de surpresa.

O Pelotão Voador: Como o Ciclismo Mudou

Uma coisa que Nibali destaca e que muita gente não se liga é a evolução da velocidade média das corridas. Antigamente (e por antigamente ele fala de uns 10-15 anos atrás, não de 1950), o pelotão rolava a uma média de 42 km/h nas grandes corridas. Hoje? Chegamos facilmente aos 47 km/h de média.

Isso não é pouca coisa. São 5 km/h que fazem uma diferença brutal na dinâmica das corridas. E não é só questão de os caras estarem mais fortes no treino, não. É a combinação de treinos mais científicos, nutrição mais precisa, aerodinâmica melhorada, pneus mais rápidos, transmissões eletrônicas que não perdem nada na troca de marcha… enfim, um combo de tecnologia e preparo que transformou completamente o jogo.

O problema? Nessa velocidade toda, fica muito mais difícil fazer um ataque decisivo funcionar. Pensa comigo: se todo mundo está voando, você precisa voar ainda mais rápido pra abrir diferença. É física pura. E quanto mais rápido você vai, mais energia precisa gastar pra ganhar cada segundo de vantagem.

Milano-Sanremo 2025: O Momento Exato da Derrota

Agora vamos pro ponto central da análise de Nibali, que é simplesmente genial. Na edição de 2025 da Milano-Sanremo (que aconteceu em março deste ano), tivemos uma das corridas mais emocionantes que eu já vi. Pogacar atacou no Poggio – que é tipo o momento clássico pra tentar fazer a diferença nessa corrida.

E o esloveno não atacou de brincadeira, não. Ele meteu aquela aceleração típica dele, a que costuma deixar todo mundo comendo poeira. Só que Van der Poel conseguiu acompanhar. E não só acompanhar – o holandês ainda teve pernas pra fazer um contra-ataque logo depois!

Segundo Nibali, foi nesse momento exato que “Pogacar perdeu a Milano-Sanremo”. Não foi no sprint final (que Van der Poel venceu com autoridade, por sinal). Foi ali, no topo do Poggio, quando Tadej percebeu que mesmo depois de dar tudo que tinha na subida, o rival ainda estava fresco o suficiente pra contra-atacar.

É tipo quando você dá seu melhor soco e o cara nem balança. Psicologicamente, aquilo ali foi devastador. E taticamente? Bom, Van der Poel mostrou que tinha guardado munição exatamente pra esse momento. Enquanto Pogacar havia esvaziado o tanque tentando fazer a diferença na subida, o holandês tinha dosado seus esforços com perfeição.

O Sprint Final: Quando a Tática Vence a Potência

Ah, e tem o detalhe do sprint final também. Filippo Ganna, que tinha sido largado no Poggio, conseguiu voltar nos últimos metros e formar um trio com Pogacar e Van der Poel. Ali, num sprint a três depois de quase 300 km de corrida, Van der Poel mostrou mais uma vez que não é só questão de potência.

O holandês lançou seu sprint no momento perfeito, quando viu a placa de 300 metros. Pegou os outros dois meio de surpresa. Pogacar e Ganna provavelmente estavam esperando um sprint mais curto, mas Van der Poel já tinha calculado que tinha pernas pra sustentar uma arrancada mais longa. Resultado? Vitória com margem confortável, apesar de estar contra dois dos caras mais fortes do pelotão.

Por Que a Milano-Sanremo É Especial (e Por Que Pogacar Ainda Não a Venceu)

A Milano-Sanremo é diferente das outras Monumentos. Ela não tem aquelas subidas absurdas da Liège-Bastogne-Liège ou os paralelepípedos infernais da Paris-Roubaix. É uma corrida de 290 km que, na teoria, deveria terminar em sprint. Mas tem o Poggio ali no final, uma subida curta mas estrategicamente posicionada que transforma tudo.

O lance é que na Milano-Sanremo, timing é tudo. Você pode ser o cara mais forte da corrida (e Pogacar frequentemente é), mas se errar o momento de atacar ou a forma de atacar, já era. É uma corrida que premia a inteligência tática tanto quanto a potência nas pernas.

Pogacar já venceu praticamente tudo no ciclismo: três Tours de France, Giro d’Italia, Vuelta a España, Mundial, Liège-Bastogne-Liège, Tour de Flandres, e por aí vai. Mas a Milano-Sanremo continua escapando. E segundo Nibali, vai continuar escapando enquanto ele apostar só na força bruta.

A Lição do Tubarão

O recado de Nibali é claro: pra finalmente vencer este Monumento que ainda lhe escapa, Pogacar vai precisar de mais do que apenas pernas fortes. Vai precisar desenvolver aquela malícia que Van der Poel tem de sobra. Aquele senso de timing perfeito, aquela capacidade de ler a corrida e entender não só quando atacar, mas também quando segurar.

E olha que não é crítica gratuita, viu? Nibali conhece bem o que é ser um campeão completo. Ele próprio venceu a Milano-Sanremo em 2018, aos 33 anos, numa corrida onde demonstrou exatamente essa combinação de força e inteligência tática. Então quando ele fala, vale a pena prestar atenção.

A grande questão agora é: Pogacar vai conseguir adaptar seu estilo? Ele é jovem ainda (tem 26 anos), então tempo não falta. Mas será que dá pra ensinar esse tipo de instinto tático, ou é algo que você tem ou não tem?

O Ciclismo Moderno em Evolução

No fundo, o que essa discussão toda mostra é como o ciclismo está em constante evolução. Não basta mais ser forte. Não basta mais ter a melhor bike ou o melhor treinamento. Você precisa do pacote completo: força, tática, timing, preparo psicológico, equipamento de ponta, equipe competente…

Van der Poel representa essa nova geração de ciclista completo. Ele vence no ciclocross, no mountain bike e no ciclismo de estrada. É rápido no sprint, forte nas subidas, técnico nas descidas. E, como Nibali destacou, tem aquela inteligência tática que faz toda a diferença nos momentos decisivos.

Pogacar também é incrível, óbvio. Mas talvez esse buraco no seu currículo – essa Milano-Sanremo que continua escapando – seja exatamente o que ele precisa pra evoluir e se tornar um ciclista ainda mais completo. Às vezes, as derrotas ensinam mais que as vitórias.

E quem ganha com isso tudo somos nós, apaixonados por ciclismo, que podemos assistir a essa batalha épica entre dois dos melhores ciclistas da atualidade, cada um com seu estilo, cada um tentando provar que seu jeito de correr é o mais eficaz. Pra 2026, a expectativa já está enorme!


Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é a principal diferença entre o estilo de Pogacar e Van der Poel segundo Nibali?

Pogacar vence corridas principalmente pela força bruta e potência pura, atacando porque é mais forte que os adversários. Já Van der Poel combina força física com astúcia tática superior, sabendo exatamente quando atacar, contra-atacar ou poupar energia. É a diferença entre um martelo (Pogacar) e um bisturi (Van der Poel) – ambos eficazes, mas de formas muito diferentes.

Por que o pelotão profissional está mais rápido hoje em dia?

A velocidade média do pelotão aumentou de 42 km/h para cerca de 47 km/h devido a uma combinação de fatores: treinamento mais científico e preciso, nutrição esportiva otimizada, avanços na aerodinâmica das bikes e equipamentos, pneus com menor resistência ao rolamento, e transmissões eletrônicas mais eficientes. Essa evolução torna os ataques decisivos mais difíceis de sustentar, já que todo o pelotão está rodando em velocidade muito alta.

Em que momento exato Pogacar perdeu a Milano-Sanremo 2025?

Segundo Vincenzo Nibali, Pogacar perdeu a corrida no momento em que atacou no Poggio e Van der Poel não só conseguiu acompanhá-lo, como ainda teve forças para fazer um contra-ataque logo em seguida. Foi nesse instante que ficou claro que o holandês tinha dosado melhor seus esforços e guardado energia suficiente para o momento decisivo, enquanto Pogacar havia esvaziado seu tanque tentando abrir vantagem na subida.

Por que a Milano-Sanremo é tão difícil de vencer para Pogacar?

A Milano-Sanremo é uma corrida única que exige muito mais do que força bruta. Com 290 km de extensão e apenas uma subida decisiva no final (o Poggio), ela premia o timing perfeito, o posicionamento estratégico e a capacidade de ler a corrida. Diferente de outras Monumentos onde Pogacar pode usar sua potência superior nas longas subidas, a Sanremo exige aquela malícia tática para atacar no momento exato e com a intensidade certa – qualidades que Van der Poel domina com perfeição.

Pogacar pode aprender a correr de forma mais tática?

Sim, definitivamente. Pogacar é jovem (26 anos) e está em constante evolução como ciclista. Muitos corredores desenvolvem refinamento tático com a experiência e a maturidade. O próprio Nibali só venceu sua primeira Milano-Sanremo aos 33 anos, depois de anos aprendendo as nuances da corrida. A questão é se Pogacar vai conseguir adaptar seu estilo naturalmente agressivo para incorporar mais paciência e timing estratégico, ou se continuará apostando na sua força avassaladora – que já lhe trouxe tantas vitórias em outras provas.

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