Sabe aquela sensação de que estamos virando uma página importante no ciclismo? Pois é exatamente isso que está acontecendo agora que entramos em 2026. Com o Natal já no retrovisor e o Tour Down Under batendo na porta, pode parecer que é só mais uma temporada começando. Mas olha, te garanto que este ano vai ser bem diferente do que estamos acostumados.
Já parou pra pensar como é fácil a gente esquecer que mudou de ano? Especialmente naquele período estranho entre o Ano Novo e o início efetivo das corridas. As novas camisas ainda parecem estranhas nos corpos dos ciclistas, as transferências levam um tempo pra digerir, e de repente você se pega procurando aquele corredor no time errado durante uma transmissão.
Mas 2026 não vai ser apenas sobre uniformes novos e caras diferentes nos mesmos lugares de sempre. Estamos falando de mudanças estruturais que vão mexer com a forma como o esporte funciona, como assistimos às corridas e até mesmo quem está no pelotão fazendo barulho. Então pega um café (ou uma bebida isotônica, vai que você está no intervalo do treino) e vem comigo nessa análise do que está por vir.
1. O Carrossel do WorldTour: Novos Times, Novo Ciclo e Uma Polêmica que Nunca Acaba
Você já deve ter ouvido falar tanto sobre promoção e rebaixamento no ciclismo que talvez ache que é assunto batido. Mas espera aí, porque 2026 marca o início de um novo ciclo de três anos, e isso significa que o jogo recomeça do zero.
No masculino, temos três equipes tecnicamente “novas” subindo para o WorldTour. Digo tecnicamente porque, convenhamos, a Lotto e a NSN Cycling já foram times WorldTour em vidas passadas. A verdadeira novidade mesmo é a Uno-X Mobility, aquela simpática equipe norueguesa que finalmente conseguiu dar o salto.
Mas aqui está o pulo do gato: essas equipes já vinham operando praticamente no nível WorldTour há anos. Então na superfície, não parece uma mudança tão dramática, certo? Errado. Porque agora temos um novo grupo de times caçando pontos UCI como se não houvesse amanhã. EF Education, Uno-X e Decathlon CMA CGM vão começar 2026 já pensando em 2029, porque é assim que funciona esse ciclo cruel de três anos.
E no feminino? Bem, a situação é mais complicada. Por uma combinação bizarra de rebaixamentos, critérios de promoção não atendidos, times fechando as portas e problemas financeiros, vamos ter apenas 14 equipes WorldTour no pelotão feminino este ano. Isso é preocupante? Talvez. Significa pelotões menores em algumas corridas? Com certeza. Mas também cria uma briga interessante, porque a UCI já sinalizou que quer dar mais uma licença no final de 2026 para voltar ao número de 15 equipes.
Ah, e tem outra coisa: a partir de agora, apenas times WorldTour e ProTeams podem participar de corridas WorldTour femininas. Nada de times continentais quebrando o galho. Isso vai fazer diferença? Veremos.
Uma mudança que passou meio batida mas que pode ter impacto no futuro: pontos de outras disciplinas agora contam para o ranking UCI de estrada. Será que isso vai empurrar os times a incentivarem seus corredores a participarem de ciclocross ou mountain bike? Seria interessante ver mais versatilidade no pelotão, não acha?
2. Finalmente! O Calendário Feminino Ganha Juízo
Olha, se tem uma coisa que todo mundo que acompanha ciclismo feminino vinha pedindo há anos era isso: que o Giro d’Italia Women parasse de acontecer ao mesmo tempo que o Tour de France masculino. E finalmente, finalmente isso vai acontecer em 2026.
Sério, era frustrante demais. Você tinha uma das três Grandes Voltas femininas rolando, com etapas incríveis e histórias emocionantes, mas ninguém prestava atenção porque todo mundo estava vidrado no Tour masculino. Foi tipo ter o seu aniversário no mesmo dia do casamento do seu irmão mais velho – tecnicamente você é importante, mas ninguém está realmente focado em você.
Agora o Giro feminino vai acontecer na semana seguinte ao Giro masculino, o que faz todo o sentido do mundo. Cria uma sequência natural, as transmissoras podem dar atenção adequada, e – aqui está a grande sacada – os fãs que curtiram o Giro masculino vão estar com aquele gostinho de “quero mais” e podem descobrir o quanto o feminino é emocionante.
O Tour de France Femmes também se mexeu, pulando uma semana para a frente para não ter overlap com o final da corrida masculina. E sabe o que isso significa? Pela primeira vez em muito tempo, uma corredora pode realisticamente tentar fazer tanto o Giro quanto o Tour. Antes, com apenas duas semanas entre as corridas, era missão impossível para quem levava os dois a sério.
Imagina ver Demi Vollering ou Kasia Niewiadoma indo para o Giro com tudo, algo que elas nunca puderam fazer de verdade porque estavam poupando para o Tour. Isso pode mudar completamente a dinâmica das Grandes Voltas femininas.
E tem mais: com o Tour of Britain Women agora programado para o final de agosto, temos uma sequência mais forte de corridas no segundo semestre. Isso é crucial porque o ciclismo feminino sempre sofreu com aquele vazio pós-Tour, onde parecia que a temporada simplesmente morria sem Canadá, sem Vuelta, sem Lombardia feminina. Agora pelo menos tem alguma coisa para manter o momento.
3. Hora de Atualizar Seus Bookmarks: Corridas Mudando de Nome Feito Adolescente em Crise de Identidade
Se você já estava acostumado com os nomes das corridas, prepare-se para ficar confuso por alguns meses. É como quando aquela marca que você sempre comprou mudou o nome e a embalagem, e agora você fica perdido no supermercado procurando o produto.
A mais emblemática: o Critérium du Dauphiné agora é Tour Auvergne-Rhône-Alpes. Sim, aquela corrida clássica de preparação para o Tour de France, que existe desde 1947, resolveu virar a página. Vai levar um tempo até a gente se acostumar com isso, não é mesmo?
A Gent-Wevelgem, uma das clássicas mais tradicionais da Flandres, agora atende pelo nome de In Flanders Fields. E a Brugge-De Panne virou Ronde van Brugge. Olha, eu entendo que mudanças de patrocinador e questões de marketing existem, mas vai ser estranho ouvir os comentaristas chamando essas corridas pelos novos nomes.
No fim das contas, isso vai fazer alguma diferença na corrida em si? Claro que não. Os percursos continuam os mesmos, os ventos traiçoeiros da Flandres não vão mudar, e os corredores vão continuar sofrendo do mesmo jeito. Mas para nós, meros mortais que acompanhamos de casa, vai ser um exercício de adaptação.
E convenhamos, em alguns meses ninguém mais vai nem lembrar dos nomes antigos. É assim que funciona. Você reclama, resiste, mas eventualmente aceita. Tipo quando o Facebook virou Meta – a gente ainda chama de Facebook mesmo, mas já sabe que tecnicamente mudou.
4. O Pelotão Vai Sentir Falta de Suas Vozes Mais Fortes
Todo ano alguns corredores se aposentam, isso é natural. Mas 2026 parece marcar o fim de uma era de uma forma mais significativa. É como se vários dos porta-vozes naturais do pelotão tivessem decidido pendurar as bikes ao mesmo tempo.
Geraint Thomas, que sempre foi daqueles caras que falam o que pensam sem papas na língua. Lizzie Deignan, uma das maiores defensoras do ciclismo feminino e que sempre lutou por condições melhores. Alexander Kristoff, o veterano norueguês que viu de tudo um pouco. Ellen van Dijk, lenda do contra-relógio e uma das corredoras mais respeitadas do pelotão. E Simon Yates, que acabou de anunciar sua aposentadoria surpresa (veja mais detalhes aqui). Chris Froome também pode estar no fim da linha.
Esses não eram apenas corredores talentosos. Eram pessoas que frequentemente davam entrevistas honestas, que não tinham medo de criticar o sistema quando necessário, que defendiam seus colegas de pelotão. Quando tinha alguma polêmica ou decisão questionável da UCI, você podia contar que um deles ia dar uma declaração sincera, não apenas aquelas respostas prontas de relações públicas.
Agora, quem vai preencher esse vácuo? Quais serão as novas vozes que vão emergir para falar em nome do pelotão? É uma pergunta importante porque o esporte precisa desses personagens, dessas pessoas que não são apenas atletas rápidos mas também pensadores críticos que ajudam a moldar o futuro do ciclismo.
Talvez vejamos corredores como Tadej Pogačar, que já mostrou ter opiniões fortes, ou Jonas Vingegaard, assumindo mais esse papel. No feminino, Demi Vollering e Elisa Longo Borghini parecem candidatas naturais. Mas vai demorar um pouco até que essas novas vozes ganhem o mesmo peso e respeito que as antigas tinham.
5. Prepare Seu Cartão de Crédito: Ver Ciclismo Está Cada Vez Mais Caro
Ah, essa doeu. Se você mora no Reino Unido e estava acostumado a assistir o Tour de France de graça na TV aberta, prepare-se para uma notícia ruim: isso acabou. A partir de 2026, o Tour está atrás de paywall para os britânicos.
E olha, essa é uma tendência que está se espalhando como fogo. Na Europa continental, que sempre foi o bastião da transmissão gratuita de ciclismo, cada vez mais corridas estão migrando para serviços de streaming pagos. Até na Bélgica, onde ciclismo é praticamente uma religião, você precisa pagar para ver algumas corridas importantes.
Por um lado, eu entendo o lado comercial da coisa. As organizadoras de corrida e os detentores de direitos precisam de receita para manter o esporte funcionando. Os valores que os serviços de streaming pagam são significativamente maiores do que o que as TVs abertas ofereciam tradicionalmente.
Mas por outro lado? Cara, isso vai afastar novos fãs. Pensa comigo: como é que um garoto de 12 anos vai descobrir a magia de uma escalada nos Alpes se ele não pode simplesmente ligar a TV e topar com uma etapa por acaso? Como vamos crescer a base de fãs se colocamos barreiras financeiras na frente de pessoas que poderiam se apaixonar pelo esporte?
Futebol já passou por isso, e olha o resultado: você precisa de múltiplas assinaturas diferentes para acompanhar uma única liga. No ciclismo, ainda não chegamos nesse ponto, mas estamos caminhando nessa direção. E para patrocinadores, que investem milhões nas equipes esperando visibilidade, menos pessoas assistindo significa menos retorno sobre investimento.
É uma faca de dois gumes, e honestamente não sei qual é a solução perfeita. Talvez um modelo híbrido, onde você tem algumas corridas gratuitas para atrair novos fãs e outras premium para quem já está investido? Enfim, 2026 vai ser o ano onde essa questão vai ficar ainda mais evidente, e o esporte vai precisar lidar com as consequências.
6. Contratos? Que Contratos? A Nova Era da Livre Negociação
Lembra quando um contrato era um contrato? Quando você assinava por três anos e ficava lá pelos três anos? Pois é, bem-vindo ao passado, porque essas coisas não existem mais no ciclismo moderno.
2024 e 2025 foram anos loucos em termos de quebra de contratos. Teve Remco Evenepoel saindo da Soudal Quick-Step antes do tempo. Juan Ayuso e Derek Gee-West também pularam de time no meio de contratos. Charlotte Kool, Cian Uijtdebroeks… a lista continua.
E sabe qual foi a reação do mundo do ciclismo? Praticamente um grande “meh”. Porque todo mundo já entendeu: estamos migrando para um sistema tipo futebol, onde times negociam entre si, pagam cláusulas de rescisão, e contratos são mais sugestões do que compromissos absolutos.
A UCI até facilitou o processo, criando um sistema onde essas transferências precisam ser aprovadas pelos dois times e pela própria UCI. É tipo oficializar aquilo que já estava acontecendo mesmo nos bastidores.
Mas aqui está o problema: sem regulamentação adequada sobre os valores envolvidos, você pode ter situações onde times pequenos são explorados. Imagina desenvolver um corredor jovem por anos, só para ver um time rico chegar e levá-lo pagando uma ninharia. Como você protege os times menores sem criar um sistema tão engessado que impede completamente a movimentação de atletas?
Em 2026, podemos esperar ver isso acontecendo com ainda mais frequência. Já tem rumores de movimentações que podem rolar no meio da temporada. E olha, não vou mentir: como fã, tem um certo entretenimento nisso. É tipo janela de transferências o ano inteiro. Mas para os times tentando planejar suas temporadas? Deve ser um pesadelo logístico.
7. A América Finalmente Está Levando o Ciclismo a Sério (De Novo)
Se você acompanha ciclismo há algumas décadas, lembra quando o esporte era grande nos Estados Unidos. A era Lance Armstrong (antes de tudo desmoronar) fez o ciclismo explodir por lá. Depois veio o declínio, e por anos o ciclismo norte-americano ficou meio esquecido no cenário mundial.
Mas 2026 pode marcar uma reviravolta. Primeiro, temos a estreia da Modern Adventure Pro Cycling, uma equipe ProTeam americana que está colocando corredores dos EUA como prioridade absoluta. O objetivo declarado? Chegar ao Tour de France em cinco anos ou menos. É ambicioso, mas pelo menos alguém está tentando criar um caminho sustentável para ciclistas americanos chegarem ao topo.
Segundo, o calendário norte-americano está ficando robusto de novo. Além do tradicional Maryland Classic e das corridas canadenses, Montreal vai receber o Campeonato Mundial de Estrada em setembro. Isso é enorme, pessoal. Campeonatos Mundiais deixam legados, inspiram uma geração inteira, colocam o ciclismo nos noticiários gerais.
Nos EUA, o Philadelphia Cycling Classic está voltando ao calendário ProSeries da UCI. São pequenos passos, mas que juntos podem significar algo maior. Porque olha, ter corridas em casa é fundamental. É o que inspira crianças a começarem no esporte, é o que mantém a chama acesa na comunidade local.
E vamos ser honestos: o ciclismo precisa da América. É um mercado gigantesco, com potencial enorme tanto em termos de patrocinadores quanto de fãs. Se o esporte conseguir realmente decolar por lá de novo, todo mundo se beneficia.
Claro, estamos falando de uma reconstrução que vai levar anos. Não vai ser da noite pro dia que voltamos aos números de audiência da era Armstrong. Mas pelo menos agora tem gente investindo de verdade, tem eventos importantes acontecendo, tem uma tentativa genuína de fazer o ciclismo crescer na América do Norte. E isso é animador.
8. OneCycling Morreu, Mas a Ideia Por Trás Dela Não
Você lembra do OneCycling? Aquela proposta ousada de criar uma liga tipo Fórmula 1 para o ciclismo, que ia revolucionar tudo e deixar a UCI comendo poeira? Pois é, ela desapareceu mais rápido que um corredor do pelotão em uma subida íngreme.
Começou como uma ideia revolucionária: uma liga separada da UCI, com estrutura própria, calendário próprio, sistema de franquias, receita compartilhada de verdade entre times e organizadores. Depois virou uma proposta de parceria com a UCI. E então… nada. Simplesmente evaporou.
Mas aqui está a questão: só porque o OneCycling falhou não significa que os problemas que ele tentava resolver sumiram. O ciclismo ainda tem distribuição de receita horrorosa, onde os organizadores de corrida ganham a maior parte e os times (que são quem patrocinadores investem) ficam com migalhas. Ainda temos times lutando para sobreviver financeiramente enquanto corridas como o Tour de France nadam em dinheiro.
A AIGCP (associação de times), a CPA (associação de corredores masculinos) e a The Cyclists’ Alliance (associação de corredoras) todas querem mudanças. Eles veem que o sistema atual é insustentável a longo prazo.
Então o que acontece em 2026? Provavelmente mais do mesmo, honestamente. A UCI dificilmente vai abrir mão de controle voluntariamente. Mas a pressão está crescendo. E em algum momento, alguma coisa vai ter que ceder.
Talvez apareça outro projeto com dinheiro do Oriente Médio (porque vamos ser honestos, é de lá que está vindo o dinheiro pesado do esporte mundial ultimamente). Talvez os próprios times se organizem melhor e forcem mudanças de dentro do sistema. Ou talvez vejamos pequenas melhorias incrementais que, ao longo de anos, somem algo significativo.
O que é certo é que a conversa sobre reformar a estrutura do ciclismo profissional não vai embora. E 2026, mesmo sem o OneCycling, vai continuar sendo palco dessa discussão fundamental sobre o futuro do nosso esporte.
Então, o Que Tudo Isso Significa?
Olha, eu sei que foram muitas informações. Oito pontos de mudanças significativas, cada um com suas próprias implicações e desdobramentos. Mas sabe o que isso mostra? Que o ciclismo está vivo e se movendo, literalmente e figurativamente.
Algumas dessas mudanças são claramente positivas. Um calendário feminino mais inteligente? Fantástico. Ciclismo norte-americano ganhando força? Ótimo. Outras são preocupantes, como a migração para paywalls e a incerteza em torno dos contratos. E algumas são só… diferentes, nem boas nem ruins, apenas parte da evolução natural do esporte.
O importante é que, quando ligarmos a TV (ou o streaming, ou o computador, ou seja lá como você assiste) em 16 de janeiro para o Tour Down Under, vamos estar vendo o começo de algo novo. Não dramaticamente diferente a ponto de não reconhecermos, mas diferente o suficiente para que 2026 tenha sua própria identidade.
Vamos ver Pogačar defendendo sua dominância, Vingegaard tentando reconquistar o trono, Evenepoel em sua nova casa na Red Bull-Bora-Hansgrohe. Vamos ver o Giro feminino finalmente receber a atenção que merece. Vamos ver novos talentos emergindo, velhas estrelas se despedindo, e todo o drama glorioso que faz a gente se apaixonar por esse esporte bizarro onde pessoas sofrem por horas em uma bike só para cruzar uma linha pintada no asfalto alguns segundos antes dos outros.
E no final? No final, ainda vai ser ciclismo. Ainda vai ter aquele friozinho na barriga quando começa uma etapa de montanha. Ainda vai ter discussões acaloradas sobre táticas. Ainda vai ter aqueles momentos que te fazem pular do sofá gritando. Só que agora, com um contexto ligeiramente diferente ao redor.
Então aqui estamos, no limiar de 2026, com todas essas mudanças fervilhando ao nosso redor. Vai ser um ano interessante, isso é garantido. E eu, por um, mal posso esperar para ver como tudo isso se desenrola nas estradas da Austrália, Europa, América e além.
Porque no fim das contas, não importa quantas coisas mudem – o ciclismo sempre será sobre pessoas empurrando seus limites em duas rodas. E isso, meus amigos, nunca vai mudar.
Perguntas Frequentes Sobre as Mudanças no Ciclismo em 2026
Por que o Giro d’Italia feminino mudou de data?
O Giro d’Italia Women foi movido para não mais coincidir com o Tour de France masculino, uma mudança que os fãs pediam há anos. Acontecer ao mesmo tempo que o Tour significava que a corrida feminina recebia muito pouca atenção midiática. Agora, programado para a semana após o Giro masculino, a corrida feminina terá muito mais visibilidade e cobertura. Isso também permite que corredoras tentem fazer tanto o Giro quanto o Tour de France Femmes, algo impossível anteriormente devido ao calendário apertado.
Como funcionam as novas regras de promoção e rebaixamento do WorldTour?
O sistema de promoção e rebaixamento opera em ciclos de três anos baseados em pontos UCI acumulados. Em 2026, começa um novo ciclo, com Lotto Intermarché, NSN Cycling e Uno-X Mobility subindo para o WorldTour masculino. As equipes precisam acumular pontos suficientes ao longo dos três anos para manterem suas licenças WorldTour ou conquistarem promoção. Uma novidade em 2026 é que pontos de outras disciplinas (como ciclocross e mountain bike) também contarão para o ranking de estrada, potencialmente incentivando times a serem mais multidisciplinares.
Por que assistir ciclismo está ficando mais caro?
Cada vez mais corridas de ciclismo estão migrando de transmissões gratuitas na TV aberta para serviços de streaming pagos. Em 2026, até o Tour de France deixará de ser gratuito no Reino Unido. Essa tendência acontece porque os serviços de streaming pagam valores significativamente maiores pelos direitos de transmissão do que as TVs abertas. Embora isso gere mais receita para organizadores de corrida, levanta preocupações sobre acessibilidade do esporte para novos fãs e retorno sobre investimento para patrocinadores, já que menos pessoas podem assistir às corridas.
Quebrar contratos se tornou normal no ciclismo profissional?
Sim, quebras de contrato estão se tornando cada vez mais comuns, com 2024 e 2025 vendo múltiplos casos de alto perfil incluindo Remco Evenepoel, Juan Ayuso, Derek Gee-West e Charlotte Kool mudando de equipe antes do término de seus contratos. O ciclismo está evoluindo para um sistema mais parecido com o futebol, onde transferências no meio do contrato são negociadas entre equipes com pagamento de cláusulas de rescisão. A UCI já facilitou esse processo criando procedimentos oficiais de aprovação, embora ainda falte regulamentação adequada sobre valores para proteger equipes menores de serem exploradas por times mais ricos.
O que aconteceu com o projeto OneCycling?
O OneCycling, que pretendia criar uma liga revolucionária tipo Fórmula 1 para o ciclismo, fracassou completamente e não existe mais. O projeto começou como proposta de liga independente da UCI, depois tentou parceria com a própria UCI, e finalmente desapareceu. Porém, os problemas que o OneCycling tentava resolver – distribuição injusta de receita entre organizadores e equipes, instabilidade financeira dos times, e estrutura de governança do esporte – permanecem sem solução. Espera-se que novas iniciativas de reforma eventualmente surjam, possivelmente com financiamento do Oriente Médio ou através de pressão organizada das associações de equipes e corredores.

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