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Orçamentos do WorldTour 2026 Alcançam €663 Milhões: A Realidade Financeira Por Trás do Ciclismo de Elite

Descubra os bastidores financeiros do ciclismo profissional: orçamentos de €663 milhões no WorldTour 2026, salários medianos de €350 mil, a realidade das super equipes e a crescente desigualdade no pelotão mundial.

Orçamentos do WorldTour 2026 Alcançam €663 Milhões

O mundo do ciclismo profissional está passando por uma transformação financeira sem precedentes. Os números revelados recentemente pela UCI sobre a temporada 2026 mostram uma realidade que muitos suspeitavam, mas poucos conheciam em detalhes: o esporte está mais caro – e mais desigual – do que nunca.

Segundo dados exclusivos divulgados pelo jornal italiano La Gazzetta dello Sport e confirmados pelo Cyclingnews, o orçamento total das equipes do WorldTour masculino para 2026 chegou a impressionantes €663 milhões. Esse montante representa um aumento de 4,5% em relação a 2025, quando o total era de €634 milhões.

A Elite Financeira do Pelotão Mundial

Mas o que esses números realmente significam para o esporte? Bom, a primeira coisa que salta aos olhos é que o orçamento médio por equipe agora atinge €33,1 milhões – valor que seria impensável há uma década. Porém, essa média esconde uma realidade bem mais complexa.

A UCI revelou que a mediana dos orçamentos é de apenas €28 milhões, o que nos diz algo importante: existem algumas equipes com orçamentos estratosféricos que puxam a média para cima, enquanto outras lutam para manter as contas em dia.

De um lado, temos verdadeiros gigantes financeiros. A UAE Team Emirates-XRG, atual campeã do WorldTour e casa de Tadej Pogačar, opera com um orçamento estimado entre €50 e €60 milhões. A Visma-Lease a Bike e a Red Bull-Bora-Hansgrohe também se movimentam na mesma faixa financeira.

Do outro lado do espectro, equipes como a Lotto-Intermarché trabalham com aproximadamente €14 milhões – menos de um terço do que as super equipes dispõem. Essa disparidade brutal está criando dois pelotões dentro do próprio WorldTour.

Salários em Ascensão: A Nova Realidade dos Ciclistas Profissionais

E os ciclistas? Como estão sendo remunerados nessa nova era do ciclismo profissional? Os dados da UCI trazem revelações importantes sobre essa questão.

O salário mediano para um ciclista autônomo no WorldTour masculino agora é de €350.000 por ano – um aumento de 5,6% em relação a 2025. Mas atenção: estamos falando de mediana, não média. Existe uma diferença crucial aqui.

A média salarial dos ciclistas autônomos dispara para €654.000 anuais, justamente porque alguns poucos atletas ganham valores astronômicos. Tadej Pogačar, por exemplo, embolsa €8 milhões por ano apenas de salário da UAE Team Emirates, valor que pode ultrapassar €10 milhões quando incluímos os bônus por vitórias.

Isso coloca o esloveno como o ciclista mais bem pago do planeta, muito à frente do segundo colocado, Remco Evenepoel, que recebe cerca de €5 milhões anuais da Soudal Quick-Step.

A Diferença Entre Empregados e Autônomos

Uma particularidade interessante do ciclismo profissional é a distinção entre ciclistas “empregados” e “autônomos” (ou prestadores de serviço). Essa diferença não é apenas burocrática – ela impacta diretamente nos salários.

Atualmente, 43% dos ciclistas do WorldTour são empregados formais das equipes, principalmente devido às leis trabalhistas da França e Bélgica. Esses atletas têm um salário mediano de €216.000 – significativamente menor que os €350.000 dos autônomos.

Por que essa diferença? Ciclistas empregados custam mais às equipes devido a impostos e contribuições sociais mais altas. Por outro lado, muitos autônomos conseguem otimizar sua carga tributária residindo em paraísos fiscais como Mônaco e Andorra.

O Problema da Desigualdade no Pelotão

Voltando aos orçamentos das equipes, vale destacar que o cálculo da UCI para 2026 inclui agora 20 equipes, e não apenas as 18 do WorldTour. Isso porque Tudor Pro Cycling e Pinarello-Q36.5 têm convites automáticos para todas as provas WorldTour da temporada, operando com orçamentos similares às equipes de primeira divisão.

Mas o crescimento financeiro do esporte não é necessariamente motivo apenas de comemoração. Jonathan Vaughters, CEO da EF Education-EasyPost, tem alertado repetidamente sobre os perigos dessa concentração de recursos.

“As equipes menos ricas serão sempre capazes de identificar os melhores talentos, mas não de retê-los”, afirmou Vaughters em entrevista recente. Ele tem razão: um gregário da UAE Emirates provavelmente ganha mais que o líder de uma equipe menor.

Essa realidade está criando um círculo vicioso. Equipes ricas conseguem contratar os melhores ciclistas, o que gera mais vitórias, mais exposição na mídia e, consequentemente, mais interesse dos patrocinadores. Enquanto isso, equipes menores lutam para sobreviver, correndo o risco de rebaixamento ou até mesmo falência.

De Onde Vem o Dinheiro?

Uma investigação recente do Cyclingnews revelou que 87% da receita das equipes WorldTour vem diretamente de patrocinadores. Isso confirma algo que todos já sabíamos: o modelo de negócios do ciclismo profissional é extremamente precário e dependente da boa vontade de marcas comerciais.

Mas será que esse investimento vale a pena para os patrocinadores? Aparentemente, sim. Vaughters revelou que sua equipe gerou um valor de mídia de €98 milhões em 2025, depois que Ben Healy venceu uma etapa do Tour de France e vestiu a camisa amarela por dois dias.

Ou seja: uma única vitória de etapa e dois dias de liderança valeram mais de três vezes o orçamento anual da equipe. Para grandes marcas interessadas em exposição global, o ciclismo profissional ainda é um excelente negócio.

O Ciclismo Feminino em Rápido Crescimento

Enquanto o WorldTour masculino continua sua escalada financeira, o ciclismo feminino vive um momento histórico de crescimento. O orçamento total das 14 equipes do Women’s WorldTour para 2026 chegou a €80 milhões – quase o dobro dos €42 milhões registrados em 2023.

Isso representa um aumento percentual muito maior que o observado no masculino, embora os valores absolutos ainda sejam drasticamente menores. Para efeito de comparação, €80 milhões divididos por 14 equipes dá uma média de menos de €6 milhões por equipe – cerca de um quinto do orçamento médio masculino.

Ainda assim, o progresso é inegável. O salário mediano no WorldTour feminino já ultrapassou os €85.000 anuais, e o contrato histórico de Demi Vollering com a FDJ-Suez, estimado em €900.000 por ano, mostra que o teto salarial feminino está sendo constantemente elevado.

Onde as Equipes Gastam Seu Dinheiro?

Com orçamentos na casa dos milhões, para onde vai todo esse dinheiro? A maior fatia, sem dúvida, são os salários dos ciclistas. A UAE Team Emirates, por exemplo, gastou €27,3 milhões apenas em salários em 2024, e esse valor provavelmente ultrapassará €30 milhões em 2026.

Mas os custos vão muito além disso. As equipes de ponta mantêm estruturas com cerca de 65 funcionários em média – incluindo diretores esportivos, mecânicos, fisioterapeutas, nutricionistas, médicos, analistas de dados e muito mais.

Além disso, há investimentos pesados em tecnologia: túneis de vento para testes aerodinâmicos, estágios de altitude, equipamentos de última geração, veículos de suporte e até mesmo em pesquisa e desenvolvimento de novos materiais e técnicas de treinamento.

O Debate Sobre Teto Salarial

Diante dessa crescente desigualdade, a UCI tem estudado a implementação de um teto orçamentário, similar ao que existe em outros esportes como a NBA ou a Fórmula 1. A ideia seria limitar quanto cada equipe pode gastar, criando condições mais equilibradas de competição.

Mas há um problema: as próprias equipes rejeitaram a proposta. David Lappartient, presidente da UCI, admitiu em declarações recentes: “Paradoxalmente, as equipes não aceitaram”. As equipes mais ricas, obviamente, têm pouco interesse em ver seus orçamentos limitados, enquanto algumas equipes menores temem que um teto muito baixo inviabilize suas operações.

A UCI agora trabalha com consultores da PwC para desenvolver um sistema de “justiça financeira” que possa ser aceito por todos os stakeholders do esporte. Mas conseguir um consenso parece uma tarefa quase impossível.

Comparação com Outros Esportes

Apesar do impressionante crescimento financeiro, o ciclismo ainda é um “esporte pobre” quando comparado aos gigantes do entretenimento esportivo mundial. Os €8 milhões anuais de Pogačar, que parecem uma fortuna no contexto do ciclismo, são “trocados” no mundo da NBA, NFL ou futebol europeu.

Steph Curry, jogador de basquete dos Golden State Warriors, recebe US$ 45 milhões por ano. Cristiano Ronaldo ganha cifras ainda mais astronômicas. E pilotos de Fórmula 1 como Max Verstappen têm contratos que fazem os salários do ciclismo parecerem brincadeira de criança.

Mesmo assim, para os padrões do ciclismo, estamos vivendo uma era de ouro financeiro. O que acontecerá nos próximos anos dependerá de como o esporte conseguirá equilibrar crescimento sustentável com competitividade justa.

O Futuro Financeiro do Ciclismo Profissional

Olhando para o futuro, algumas tendências parecem claras. Primeiro, os orçamentos devem continuar crescendo, especialmente com a entrada de novos patrocinadores globais. A chegada da Red Bull, Lidl e Decathlon mostra que grandes marcas veem valor no ciclismo.

Segundo, a desigualdade provavelmente vai se aprofundar antes de melhorar. A menos que a UCI consiga implementar algum tipo de controle financeiro, veremos uma concentração cada vez maior de recursos em poucas equipes de elite.

Terceiro, o ciclismo feminino continuará sua trajetória ascendente. Com o Tour de France Femmes ganhando cada vez mais audiência e patrocinadores se interessando pela categoria, é questão de tempo até que vejamos salários e orçamentos muito mais robustos no feminino.

A temporada 2026 promete ser histórica não apenas pelas corridas em si, mas também como um marco na evolução econômica do esporte. Resta saber se esse crescimento financeiro se traduzirá em corridas mais emocionantes e competitivas, ou se simplesmente acentuará as diferenças entre as equipes ricas e pobres do pelotão.

Para acompanhar todas as novidades sobre o calendário WorldTour 2026 e as transferências da temporada, continue acompanhando nosso site.


Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Qual é o orçamento total do WorldTour masculino em 2026?

O orçamento total das equipes do WorldTour masculino para 2026 é de €663 milhões, divididos entre 20 equipes (18 WorldTour + 2 com convite automático). Isso representa um aumento de 4,5% em relação a 2025, quando o total era de €634 milhões. O orçamento médio por equipe é de €33,1 milhões, embora a mediana seja de €28 milhões, refletindo grande desigualdade entre equipes ricas e pobres.

2. Quanto ganha em média um ciclista profissional do WorldTour?

O salário mediano para ciclistas autônomos no WorldTour masculino é de €350.000 por ano em 2026. Já os ciclistas empregados (43% do total) têm um salário mediano menor, de €216.000 anuais. Essa diferença existe principalmente por questões tributárias e das leis trabalhistas de países como França e Bélgica. É importante lembrar que alguns poucos astros como Tadej Pogačar ganham valores muito superiores (€8 milhões/ano), o que distorce a média geral.

3. Por que existe tanta diferença entre os orçamentos das equipes?

A disparidade orçamentária reflete principalmente o poder dos patrocinadores. Equipes como UAE Emirates-XRG, Visma-Lease a Bike e Red Bull-Bora-Hansgrohe têm patrocínios de grandes corporações multinacionais (Emirados Árabes, supermercados holandeses e Red Bull), operando com orçamentos de €50-60 milhões. Já equipes menores lutam com €14-20 milhões, dependendo de patrocinadores regionais ou de menor porte. O modelo atual do ciclismo depende 87% de receitas de patrocínio, criando essa enorme desigualdade.

4. A UCI vai implementar um teto salarial no ciclismo?

Por enquanto, não. Embora a UCI esteja estudando a implementação de um teto orçamentário com ajuda de consultores da PwC, as próprias equipes rejeitaram a proposta inicial. O presidente David Lappartient admitiu que “paradoxalmente, as equipes não aceitaram” o sistema de controle financeiro. As equipes mais ricas não querem ver seus orçamentos limitados, enquanto algumas menores temem que um teto muito baixo inviabilize suas operações. A busca por um consenso continua, mas sem previsão de implementação.

5. Como está o crescimento financeiro do ciclismo feminino?

O ciclismo feminino vive um momento de crescimento acelerado. O orçamento total das 14 equipes do Women’s WorldTour para 2026 chegou a €80 milhões – quase o dobro dos €42 milhões de 2023. O salário mediano feminino está em torno de €85.000 anuais, e contratos como o de Demi Vollering (€900.000/ano) estabelecem novos patamares. Embora ainda exista grande disparidade com o masculino (o orçamento total feminino representa apenas 12% do masculino), a taxa de crescimento percentual do feminino é muito superior, sinalizando um futuro promissor para a categoria.

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