Tem corrida boa chegando, e quem acompanha o calendário do ciclismo profissional sabe que março é sinônimo de emoção na França. A Paris – Nice 2026 está marcada para acontecer entre os dias 8 e 15 de março, e esta 84ª edição da chamada Corrida ao Sol traz ingredientes de sobra para prender a atenção de qualquer apaixonado por duas rodas.
Depois de duas vitórias consecutivas do americano Matteo Jorgenson pela Visma | Lease a Bike, a pergunta que todo mundo faz é: alguém consegue interromper essa hegemonia? Pois bem, a resposta pode estar justamente dentro da mesma equipe — com a confirmação bombástica de que Jonas Vingegaard vai abrir sua temporada 2026 exatamente na Paris – Nice 2026.
Uma corrida com quase um século de história
Antes de mergulhar no percurso e nos favoritos, vale a pena relembrar o peso desta prova. A Paris – Nice existe desde 1933, o que a coloca entre as mais tradicionais do ciclismo mundial. Organizada pela ASO (Amaury Sport Organisation), a mesma empresa por trás do Tour de France, ela carrega um charme único: sair do frio do norte francês e pedalar rumo ao calor mediterrâneo de Nice.
A lista de vencedores lê como um compêndio da história do esporte. Nomes como Eddy Merckx, Jacques Anquetil, Miguel Indurain e o lendário Sean Kelly — que venceu impressionantes sete vezes consecutivas nos anos 80 — já ergueram o troféu desta prova. Cada edição é uma espécie de termômetro do que veremos no restante da temporada europeia, e a Paris – Nice 2026 não será diferente.
Percurso da Paris – Nice 2026: 1.245 km de Achères a Nice
O traçado da Paris – Nice 2026 foi revelado em dezembro de 2025, em evento realizado em Versalhes. São oito etapas que cobrem 1.245 quilômetros com impressionantes 16.460 metros de desnível acumulado e nada menos que 27 subidas catalogadas. A partida acontece em Achères, cidade localizada a noroeste de Paris, que se torna a 30ª localidade do departamento de Yvelines a receber a corrida.

O grande destaque técnico desta edição é, sem dúvida, o contrarrelógio por equipes (TTT) de 23,5 km na terceira etapa. Essa modalidade praticamente desapareceu do ciclismo moderno, e seu retorno em plena Paris – Nice 2026 ganha um significado estratégico enorme: o Tour de France 2026 terá uma etapa inaugural no mesmo formato, então equipes que miram a Grande Boucle vão encarar a prova francesa como um laboratório a céu aberto.
Etapa por etapa: o que esperar de cada dia de corrida
Etapa 1: Achères – Carrières-sous-Poissy (171,2 km)

A abertura já não dá moleza para ninguém. Com 1.950 metros de desnível e quatro subidas de terceira categoria concentradas na segunda metade do percurso, o pelotão vai encarar dois circuitos finais em Carrières-sous-Poissy. A Côte de Chanteloup-les-Vignes, com seus 1,1 km a 8,3% de inclinação média, aparece a 11 km da chegada — terreno perfeito para um ataque de puncheur ou especialista em clássicas. A etapa é uma homenagem à histórica Polymultipliée de Chanteloup, prova que faz parte da memória do ciclismo francês.
Etapa 2: Épône – Montargis (187 km)

Depois da tensão inicial, os velocistas finalmente terão sua chance. A segunda etapa cruza as planícies do Gâtinais em direção a Montargis, com um final plano que favorece a chegada em pelotão. Existem três subidas de terceira categoria no caminho, mas nenhuma delas fica perto da linha de chegada. Fique atento, porém: o vento nessa região pode provocar echelons e rachar o grupo bem antes do sprint.
Etapa 3: Cosne-Cours-sur-Loire – Pouilly-sur-Loire, TTT (23,5 km)

Aqui mora uma das grandes novidades da Paris – Nice 2026. O contrarrelógio por equipes entre Cosne-Cours-sur-Loire e Pouilly-sur-Loire tem apenas 23,5 km e um perfil predominantemente plano, com 240 metros de desnível distribuídos em duas pequenas ondulações. A chegada, no entanto, é ligeiramente em subida, com gradiente de 2,5%. Pode parecer pouco, mas nesse tipo de esforço coletivo, cada segundo conta — e equipes com pelotões fracos podem perder tempo precioso logo cedo na classificação geral.
Etapa 4: Bourges – Uchon (195 km)

É aqui que a corrida começa a mostrar os dentes de verdade. São 195 km com 2.520 metros de desnível, e a porrada vem nos últimos 65 km. Duas subidas de segunda categoria esperam os corredores: a Côte de la Croix de la Libération (4,6 km a 5,3%, com rampas de até 12%) e a chegada em Uchon (8 km a 4,5%, com trechos brutais de 16%). Quem sonha com a classificação geral da Paris – Nice 2026 não pode vacilar aqui.
Etapa 5: Cormoranche-sur-Saône – Colombier-le-Vieux (205,4 km)

A etapa mais longa e com mais desnível de toda a prova: 205,4 km e 3.020 metros de escalada. O pelotão entra de vez na região de Ardèche e enfrenta cinco subidas catalogadas, incluindo a primeira de primeira categoria da semana — a Côte de Saint-Jean-de-Muzols (2,2 km a 11%), posicionada a apenas 19,9 km da chegada. Depois, ainda resta a Côte de Saint-Barthélémy-le-Plain (3,2 km a 7,6%) a 9,1 km do final, e uma chegada em falso plano ascendente. Dia de carnificina garantida.
Etapa 6: Barbentane – Apt (179,3 km)

Após a transferência mais longa da corrida, o pelotão recomeça em Barbentane, já no sul da França. São 179,3 km com 2.100 metros de desnível e vários obstáculos nos quilômetros finais. A Côte de Saignon (4 km a 5%), posicionada a apenas 4,5 km da chegada em Apt, pode ser o trampolim ideal para um ataque decisivo. A paisagem da Provence é linda, mas ninguém vai ter tempo de admirar.
Etapa 7: Nice – Auron (138,7 km)

A Paris – Nice 2026 chega à sua penúltima etapa partindo da emblemática Promenade des Anglais. Com 138,7 km — a mais curta em estrada — e 2.580 metros de escalada, o prato principal é a chegada no alto de Auron, um final de montanha com 7,3 km a 7,2% de inclinação média. Antes de a subida oficial começar, a estrada já sobe por vários quilômetros, então as pernas precisam estar frescas. Em 2025, Michael Storer venceu aqui saindo da fuga, e é provável que vejamos ataques parecidos.
Etapa 8: Nice – Nice (145 km)

O gran finale. 145 km de sofrimento puro com praticamente zero metros de terreno plano. São cinco subidas catalogadas e 2.780 metros de desnível num circuito pelos morros que cercam Nice, desenhado parcialmente em formato novo por conta das eleições municipais locais. O trio final de escaladas de primeira categoria é de arrepiar: Col de la Porte (7 km a 7,2%), Côte de Châteauneuf-Villevieille (6,6 km a 6,6%) e a decisiva Côte de Linguador (3,3 km a 8,8%). Se as diferenças na geral estiverem apertadas, essa etapa vai definir tudo.
Vingegaard na Paris – Nice 2026: a grande notícia da pré-temporada
A confirmação de que Jonas Vingegaard estará na Paris – Nice 2026 causou enorme repercussão no mundo do ciclismo. O bicampeão do Tour de France vinha de um início de temporada conturbado: sofreu uma queda durante descida na Vuelta a Andalucía e, pouco depois, foi afetado por um quadro viral que o obrigou a tirar o UAE Tour dos planos.
“Estou feliz por estar de volta à linha de partida na Paris-Nice. É uma corrida prestigiosa, com uma história rica”, declarou o dinamarquês em comunicado oficial da equipe. E completou com uma motivação extra: “Como equipe, temos um título para defender aqui.” Uma referência direta aos dois triunfos consecutivos de Jorgenson, que desta vez foi deslocado para a Tirreno-Adriatico.
Para quem acompanha a preparação rumo ao Tour de France, a participação de Vingegaard na Paris – Nice 2026 funciona como um indicador importante da sua forma física e, especialmente, da capacidade da Visma | Lease a Bike de rodar um contrarrelógio por equipes competitivo.
Favoritos para a classificação geral
Além de Vingegaard, a lista de inscritos da Paris – Nice 2026 traz nomes de peso. O português João Almeida, que correrá pela UAE Team Emirates ao lado de Brandon McNulty e Pavel Sivakov, chega como um dos grandes candidatos ao pódio. Almeida mostrou evolução consistente em provas por etapas nos últimos anos e tem o perfil ideal para brilhar nas montanhas do sul da França.
O espanhol Juan Ayuso, agora na Lidl-Trek, vem embalado pela vitória recente na Volta ao Algarve 2026, onde dominou a classificação final com autoridade. Ao seu lado, Mattias Skjelmose é outro nome que pode surpreender, além do francês David Gaudu, sempre perigoso em solo caseiro.
No campo dos outsiders, vale ficar de olho em Aleksandr Vlasov e Florian Lipowitz, ambos da Red Bull-Bora-Hansgrohe. Lipowitz, aliás, terminou em segundo lugar na edição de 2025 e conhece bem o terreno. Os franceses Kévin Vauquelin e Lenny Martinez também aparecem entre os favoritos, assim como o britânico Oscar Onley, que mostrou grande forma na Volta ao Algarve, e o belga Cian Uijtdebroeks.
Para as etapas de sprint, fique atento a Tim Merlier, Mads Pedersen e Olav Kooij — velocistas de altíssimo nível que podem protagonizar chegadas espetaculares.
As equipes participantes
A Paris – Nice 2026 contará com 22 equipes na linha de partida. As 18 formações do UCI WorldTour estarão presentes por direito, acompanhadas das três melhores ProTeams no ranking UCI de 2025 — Cofidis, Pinarello-Q36.5 Pro Cycling Team e Tudor Pro Cycling Team — além da convidada TotalEnergies. Isso garante um pelotão competitivo e numeroso, com talentos de sobra para animar cada etapa.
O contrarrelógio por equipes e sua importância estratégica
É impossível falar da Paris – Nice 2026 sem reforçar o peso do TTT da terceira etapa. Numa época em que os contrarrelógios por equipes foram quase extintos do calendário, a ASO apostou nessa novidade justamente porque o Tour de France 2026 abre com uma etapa no mesmo formato. Isso transforma a corrida francesa numa espécie de ensaio geral — e equipes como UAE Team Emirates, Visma | Lease a Bike e Red Bull-Bora-Hansgrohe, que investem pesado em elencos profundos, terão uma vantagem natural.
Do outro lado, equipes menores ou com elencos menos homogêneos podem sofrer perdas significativas já no terceiro dia de prova. Essa dinâmica promete agitar a classificação geral antes mesmo das montanhas entrarem em cena.
Edição 2025: o que aconteceu e o que muda em 2026
Na última edição, Matteo Jorgenson conquistou seu segundo título seguido, consolidando o domínio da Visma | Lease a Bike na prova. Florian Lipowitz ficou em segundo e Thymen Arensman, da Ineos Grenadiers, completou o pódio. A corrida de 2025 também ficou marcada pelo abandono de Vingegaard após uma queda na penúltima etapa — ele ocupava a terceira posição na geral quando colidiu com mobiliário urbano e precisou desistir.
Esse episódio, aliás, alimenta ainda mais a expectativa para 2026. O dinamarquês volta com sede de revanche, e a Paris – Nice 2026 representa a oportunidade perfeita para mostrar que está recuperado e competitivo antes dos grandes objetivos do meio do ano.
Como assistir à Paris – Nice 2026
A corrida terá transmissão ao vivo por diversos canais ao redor do mundo. Na Europa, a Eurosport / Discovery+ é a principal emissora. Para quem acompanha de outras regiões, plataformas como o GCN+ e o serviço de streaming da FloBikes costumam oferecer cobertura completa. Fique atento aos canais locais do seu país — em muitos mercados, a ASO distribui os direitos para emissoras esportivas regionais.
Resumo das etapas da Paris – Nice 2026
Para facilitar a consulta, aqui vai o panorama completo da prova:
- Etapa 1 (8 de março): Achères – Carrières-sous-Poissy, 171,2 km
- Etapa 2 (9 de março): Épône – Montargis, 187 km
- Etapa 3 (10 de março): Cosne-Cours-sur-Loire – Pouilly-sur-Loire, TTT 23,5 km
- Etapa 4 (11 de março): Bourges – Uchon, 195 km
- Etapa 5 (12 de março): Cormoranche-sur-Saône – Colombier-le-Vieux, 205,4 km
- Etapa 6 (13 de março): Barbentane – Apt, 179,3 km
- Etapa 7 (14 de março): Nice – Auron, 138,7 km
- Etapa 8 (15 de março): Nice – Nice, 145 km
FAQ – Perguntas Frequentes sobre a Paris – Nice 2026
Quando acontece a Paris – Nice 2026?
A Paris – Nice 2026 será disputada entre os dias 8 e 15 de março de 2026, com partida em Achères (próximo a Paris) e chegada final em Nice, no sul da França.
Quem é o atual campeão da Paris – Nice?
O americano Matteo Jorgenson, da equipe Visma | Lease a Bike, é o atual bicampeão, tendo vencido as edições de 2024 e 2025. Em 2026, ele não estará na corrida, pois foi deslocado para a Tirreno-Adriatico.
Jonas Vingegaard vai correr a Paris – Nice 2026?
Sim. A Visma | Lease a Bike confirmou oficialmente que Jonas Vingegaard fará da Paris – Nice 2026 sua primeira corrida da temporada, após se recuperar de uma queda na Vuelta a Andalucía e de um quadro viral que o tirou do UAE Tour.
Qual a grande novidade do percurso da Paris – Nice 2026?
O principal destaque é o contrarrelógio por equipes de 23,5 km na terceira etapa, entre Cosne-Cours-sur-Loire e Pouilly-sur-Loire. Essa modalidade raramente aparece no calendário atual e servirá como ensaio para o Tour de France 2026, que também terá uma etapa inaugural nesse formato.
Quem são os principais favoritos da Paris – Nice 2026?
Além de Jonas Vingegaard, os principais candidatos à classificação geral incluem João Almeida (UAE Team Emirates), Juan Ayuso (Lidl-Trek), Aleksandr Vlasov e Florian Lipowitz (Red Bull-Bora-Hansgrohe), Mattias Skjelmose (Lidl-Trek), David Gaudu, Kévin Vauquelin, Oscar Onley (Ineos Grenadiers) e Cian Uijtdebroeks.





Deixe um Comentário