Tem corrida que a gente espera o ano inteiro. A Tirreno-Adriatico 2026 é uma dessas. Marcada para acontecer entre 9 e 15 de março, a 61ª edição da chamada Corsa dei Due Mari — a Corrida dos Dois Mares — promete mais uma semana intensa de ciclismo pelas estradas da Itália central. E olha, pelo que já sabemos do percurso, vai ser tudo menos monótono.
Se você acompanha o calendário do UCI WorldTour, sabe que a Tirreno-Adriatico ocupa um lugar especial no coração do pelotão. Ela acontece na mesma semana da Paris-Nice, o que sempre gera aquele debate entre fãs: qual das duas assistir? A verdade é que as duas merecem atenção, mas a Tirreno tem um charme particular — talvez por causa das paisagens toscanas, talvez pelo tridente que o vencedor ergue no pódio final, ou simplesmente porque é na Itália, e ciclismo na Itália é outra coisa.
O que é a Tirreno-Adriatico e por que ela importa tanto
Para quem está chegando agora no universo do ciclismo profissional, vale a explicação. A Tirreno-Adriatico é uma corrida por etapas que cruza a Itália de oeste a leste, partindo do litoral do Mar Tirreno e terminando nas praias do Mar Adriático. Essa travessia já rendeu o apelido poético de Corrida dos Dois Mares, e a prova vem sendo disputada desde 1966, quando o italiano Dino Zandegù levou a primeira edição.
Ao longo dos anos, a corrida ganhou prestígio enorme. Funciona como preparação ideal para a Milano-Sanremo e para as Clássicas de primavera, além de servir como termômetro de forma para os candidatos ao Giro d’Italia. Não é exagero dizer que quem brilha aqui costuma brilhar o resto da temporada.
O recorde de vitórias gerais pertence ao belga Roger De Vlaeminck, com seis triunfos consecutivos entre 1972 e 1977 — um feito que parece de outro planeta. Nos últimos anos, nomes como Tadej Pogačar, Primož Roglič, Jonas Vingegaard e Juan Ayuso ergueram o icônico tridente dourado, confirmando que a prova atrai mesmo a elite do pelotão mundial.
Tirreno-Adriatico 2026: o percurso revelado

A organização da Tirreno-Adriatico 2026, a cargo da RCS Sport, revelou o traçado em janeiro e trouxe algumas surpresas. A principal delas: não haverá grande chegada em alta montanha. Nada de Monte Carpegna, Prati di Tivo ou Sassotetto como final de etapa, ao contrário do que vimos nas edições recentes.
Mas calma — isso não quer dizer que será fácil. Muito pelo contrário. O percurso totaliza cerca de 1.170 quilômetros distribuídos em sete etapas, com impressionantes 15.550 metros de desnível acumulado. São 950 metros a mais do que na edição de 2025. No total, são 16 subidas catalogadas e pelo menos três finais em terreno acidentado que devem ser decisivos para a classificação geral.
O diretor de prova, Stefano Allocchio, explicou a filosofia por trás do traçado: “O percurso da 61ª Tirreno-Adriatico nasce do desejo de retornar à tradição desta corrida, que ao longo dos anos sempre foi extremamente seletiva, mesmo sem chegada em montanha.”
E completou: “Construímos um percurso duro, com etapas que superam 3.500 a 4.000 metros de desnível e que exigem muita consistência. A região de Marche volta a ser o elemento central da Corsa dei Due Mari, oferecendo o cenário ideal para as etapas decisivas.”
Etapa por etapa: o que esperar da Tirreno-Adriatico 2026
Vamos ao que interessa. Cada etapa tem sua personalidade, e esse é um dos grandes atrativos da Tirreno-Adriatico 2026. Há de tudo: contrarrelógio, gravel, terreno para velocistas e, claro, muita subida para os homens da classificação geral.
Etapa 1 — Lido di Camaiore (CRI), 11,5 km | 9 de março

Pelo quinto ano seguido, a corrida abre com um contrarrelógio individual completamente plano em Lido di Camaiore, à beira do Mar Tirreno. O percurso de ida e volta pela orla tem apenas uma curva em U como desafio técnico. É uma etapa feita sob medida para cronometristas de elite, e os segundos conquistados aqui podem valer ouro lá na frente. Nomes como Filippo Ganna e Remco Evenepoel dominaram essa abertura nos últimos anos — quem estará na largada em 2026 terá a chance de vestir a maglia azzurra logo no primeiro dia.
Etapa 2 — Camaiore a San Gimignano, 206 km | 10 de março

Aqui a coisa muda de figura. Depois de uma saída tranquila pela costa toscana, passando por Pisa e Livorno, a etapa entra no interior e a estrada começa a subir e descer sem parar. A grande surpresa vem no final: são 5,3 km de estrada de terra — sim, gravel — levando até San Gimignano, com uma rampa final de 15% de inclinação. É o tipo de final que pode causar estragos na classificação e que recompensa os corredores mais ousados.
Etapa 3 — Cortona a Magliano de’ Marsi, 225 km | 11 de março

A etapa mais longa da Tirreno-Adriatico 2026. Depois de uma única subida catalogada por volta dos 83 km, o percurso se abre para os velocistas. É a etapa que as equipes de sprinters vão marcar no calendário. A chegada tem uma leve inclinação, mas nada que impeça um sprint de grupo.
Etapa 4 — Tagliacozzo a Martinsicuro, 210 km | 12 de março

Daquelas etapas traiçoeiras. O pelotão entra nos Apeninos pela região de L’Aquila, escalando os passos de Ovindoli e Valico della Capannelle. Depois de uma longa descida, os últimos 60 km reservam várias subidas curtas e explosivas. A subida de Castellalto, com trechos a 12%, e o temível muro de Tortoreto — com rampas de até 20% — a apenas 12,6 km da chegada, prometem provocar separações sérias no pelotão.
Etapa 5 — Marotta-Mondolfo a Mombaroccio, 186 km | 13 de março

Se existe uma etapa rainha nesta edição, a quinta é forte candidata ao título. São quatro subidas catalogadas na segunda metade do percurso, mas a organização garante que há pelo menos dez escaladas significativas ao longo do dia. Quase não existe terreno plano do início ao fim. O Monte delle Cesane, com vários quilômetros a 15%, vai cobrar caro dos menos preparados, e a chegada passa pelo Santuario Beato Sante — cuja última ascensão fica a apenas 1,6 km da linha de meta. Um ataque tardio pode decidir tudo.
Etapa 6 — San Severino Marche a Camerino, 189 km | 14 de março

A penúltima etapa traz o Sassotetto logo cedo — 13,1 km a 7,3% de inclinação média — mas, como está posicionado no km 66,8, dificilmente será decisivo isoladamente. O prato principal vem depois: três voltas em um circuito de 29,1 km nos arredores de Camerino. O destaque é o Muro della Madonna delle Carceri, com gradientes de até 18%, onde a chegada está posicionada no topo da terceira e última passagem. É aqui que a Tirreno-Adriatico 2026 deve ser decidida.
Etapa 7 — Civitanova Marche a San Benedetto del Tronto, 143 km | 15 de março

O encerramento tradicional. Uma subida isolada no início e depois cinco voltas em um circuito plano de 15 km em San Benedetto del Tronto. É a festa dos velocistas e o cenário perfeito para a cerimônia final. Se a classificação geral não estiver decidida, vai ser um dia de nervos para as equipes — mas o mais provável é que os sprinters tenham sua grande chance de brilhar na despedida da Corsa dei Due Mari.
As classificações e camisas da Tirreno-Adriatico
Para quem está começando a acompanhar, vale entender o sistema de classificações. O líder da classificação geral — aquele com o menor tempo acumulado — veste a maglia azzurra (camisa azul), e quem a usa no final da última etapa é coroado vencedor. A classificação por pontos, voltada para os sprinters, premia o líder com a maglia ciclamino (rosa). O rei da montanha usa a maglia verde (verde), e o melhor jovem recebe a maglia bianca (branca).
Favoritos e participantes esperados
A lista provisória de participantes da Tirreno-Adriatico 2026 já começa a ganhar forma. Entre os nomes confirmados estão Primož Roglič (Red Bull-BORA-hansgrohe), Matteo Jorgenson (Visma-Lease a Bike) e Richard Carapaz (EF Education-EasyPost).

A ausência de uma grande chegada em altitude abre espaço para corredores mais versáteis — aqueles capazes de cronometrar bem, atacar nos muros e sobreviver a dias longos e ondulados. Roglič, que já venceu a prova em 2019 e 2023, é sempre perigoso nesse tipo de terreno. Jorgenson, cada vez mais maduro como líder de classificação, mostrou em 2025 que pode competir com qualquer um. E Carapaz traz a experiência de quem já venceu um Grand Tour.
Fique de olho também nos italianos — a torcida local sempre empurra, e nomes como Antonio Tiberi (Bahrain Victorious), que já mostrou boa forma no início de 2026 ao vencer etapa no UAE Tour, podem surpreender.
Vencedores recentes da Tirreno-Adriatico
O histórico recente da prova reforça o nível da competição. Veja quem ergueu o tridente nos últimos anos:
- 2025: Juan Ayuso (Espanha) — UAE Team Emirates-XRG
- 2024: Jonas Vingegaard (Dinamarca) — Visma-Lease a Bike
- 2023: Primož Roglič (Eslovênia) — LottoNL-Jumbo
- 2022: Tadej Pogačar (Eslovênia) — UAE Team Emirates
- 2021: Tadej Pogačar (Eslovênia) — UAE Team Emirates
- 2020: Simon Yates (Grã-Bretanha) — Mitchelton-Scott
- 2019: Primož Roglič (Eslovênia) — Team Jumbo-Visma
- 2018: Michał Kwiatkowski (Polônia) — Team Sky
- 2017: Nairo Quintana (Colômbia) — Movistar Team
Em 2025, Juan Ayuso consolidou sua vitória com uma atuação sólida durante toda a semana, incluindo o triunfo na etapa de montanha com chegada em Frontignano. O italiano Filippo Ganna (INEOS Grenadiers) surpreendeu ao resistir nas subidas e terminar em segundo lugar, a 35 segundos, enquanto Antonio Tiberi completou o pódio a 36 segundos.
Onde assistir à Tirreno-Adriatico 2026
Para quem quer acompanhar de casa, a cobertura televisiva vai depender da região. No Reino Unido, a transmissão fica por conta da HBO Max e TNT Sports. Nos Estados Unidos, a plataforma FloBikes é a opção. Em vários países europeus, a Eurosport e a Discovery+ costumam garantir a transmissão. Para o Brasil, vale ficar atento às plataformas que adquirirem os direitos de exibição do calendário UCI WorldTour em 2026.
Por que a Tirreno-Adriatico 2026 pode ser especial
Sabe o que torna esta edição particularmente interessante? A ausência de um final de montanha tradicional redistribui as chances. Em vez de uma única etapa decidir a corrida — como acontece quando há uma grande subida no penúltimo dia — a Tirreno-Adriatico 2026 exige consistência do início ao fim. O contrarrelógio de abertura, o gravel em San Gimignano, os muros italianos com rampas absurdas e o circuito explosivo de Camerino criam múltiplos pontos de pressão. Não dá para se esconder.
É o tipo de corrida que premia o ciclista mais completo — e que, na minha opinião, depois de mais de 30 anos acompanhando o esporte, oferece o tipo de espetáculo mais honesto. Quem vencer a Tirreno-Adriatico 2026 pode ir com confiança total para qualquer objetivo que tenha na sequência da temporada, seja a Strade Bianche, a Milano-Sanremo, o Giro ou mesmo o Tour de France.
Resumo rápido — Tirreno-Adriatico 2026
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Datas | 9 a 15 de março de 2026 |
| Etapas | 7 |
| Largada | Lido di Camaiore |
| Chegada final | San Benedetto del Tronto |
| Distância total | ~1.170 km |
| Desnível acumulado | 15.550 m |
| Subidas catalogadas | 16 |
| Classificação UCI | WorldTour |
| Edição | 61ª |
| Campeão 2025 | Juan Ayuso (UAE Team Emirates-XRG) |
FAQ — Perguntas frequentes sobre a Tirreno-Adriatico 2026
Quando acontece a Tirreno-Adriatico 2026?
A Tirreno-Adriatico 2026 está programada para os dias 9 a 15 de março de 2026, com sete etapas que cruzam a Itália central do Mar Tirreno ao Mar Adriático.
Qual é o percurso da Tirreno-Adriatico 2026?
O percurso inclui um contrarrelógio individual de abertura em Lido di Camaiore, uma etapa com gravel até San Gimignano, dias de montanha nos Apeninos com muros de até 20% de inclinação e a tradicional chegada plana em San Benedetto del Tronto. São cerca de 1.170 km e 15.550 m de desnível.
Quem são os favoritos para a Tirreno-Adriatico 2026?
Entre os principais favoritos estão Primož Roglič (Red Bull-BORA-hansgrohe), Matteo Jorgenson (Visma-Lease a Bike) e Richard Carapaz (EF Education-EasyPost). Ciclistas como Antonio Tiberi também podem surpreender, especialmente em terreno italiano.
Quem venceu a Tirreno-Adriatico em 2025?
O espanhol Juan Ayuso, da equipe UAE Team Emirates-XRG, conquistou a classificação geral da Tirreno-Adriatico 2025 após uma semana consistente, com destaque para sua vitória na etapa de montanha em Frontignano. Filippo Ganna foi segundo e Antonio Tiberi terceiro.
Como assistir à Tirreno-Adriatico 2026 ao vivo?
A transmissão da Tirreno-Adriatico 2026 varia por região. No Reino Unido, HBO Max e TNT Sports detêm os direitos. Nos EUA, o FloBikes transmite ao vivo. Na Europa, Eurosport e Discovery+ são as principais opções. Para o Brasil, acompanhe os anúncios das plataformas de streaming esportivo para confirmar a cobertura.





Deixe um Comentário