Existe uma coisa muito particular na Tirreno-Adriatico 2026 que a diferencia de qualquer outra prova de uma semana no calendário WorldTour: o troféu. Uma espécie de tridente dourado que parece ter saído diretamente de um filme de mitologia grega, o Sea Master Trophy é o prêmio mais cobiçado e visualmente impressionante do ciclismo de estrada. Mas claro, isso é só um detalhe — o que realmente interessa é a corrida em si, e a edição deste ano promete ser uma das mais eletrizantes dos últimos tempos.
A 61ª edição da Tirreno-Adriatico acontece entre os dias 9 e 15 de março de 2026, cruzando a Itália de costa a costa — do Mar Tirreno ao Mar Adriático — ao longo de 7 etapas que somam 1.170 km e um desnível acumulado de impressionantes 15.550 metros. Para quem é fã de ciclismo, é praticamente uma semana de festa.
Neste guia completo você vai encontrar tudo: onde assistir a Tirreno-Adriatico 2026 ao vivo (no Brasil, em Portugal e no resto do mundo), o detalhamento de todas as etapas, os favoritos à vitória final e os resultados das etapas já disputadas. Vamos nessa.
A grande surpresa da lista de largada: Van der Poel está no pelotão
Até o dia anterior ao início da prova, todo mundo já conhecia os candidatos ao título. Isaac del Toro chegava embalado por uma grande temporada de clássicas, Primož Roglič e Jai Hindley representavam a força da Red Bull-Bora-hansgrohe, e a dupla da Visma-Lease a Bike — Wout van Aert e Matteo Jorgenson — completava um cardápio já bastante generoso de nomes.
Aí, na véspera da largada, chegou a bomba: Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech) foi confirmado no pelotão e receberá o dorsal número 1. O holandês, atual campeão do mundo de ciclismo de estrada, não estava nos planos originais da corrida — e sua inclusão mudou completamente a dinâmica da prova. Van der Poel em qualquer corrida é sempre um argumento suficiente para prestar atenção em cada etapa.
A ausência mais notável, por sua vez, é a do defensor do título. Juan Ayuso, que venceu a edição de 2025 pela UAE Emirates, não comparecerá para defender o troféu — o espanhol está disputando a Paris-Nice pela sua nova equipe, a Lidl-Trek.
Lista de largada: um elenco digno de Grand Tour
Sinceramente, olhar para o grid da Tirreno-Adriatico 2026 dá uma sensação parecida com a de ler o elenco de uma final da Champions League. Tem vencedor de Giro, vencedor de Vuelta, especialistas em contrarrelógio, finalizadores de clássicas e jovens talentos de dar inveja. É muita coisa boa concentrada na mesma corrida.
Entre os principais nomes confirmados na largada em Lido di Camaiore:
- Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech) — Campeão mundial, surpresa de última hora, dorsal 01
- Wout van Aert (Visma-Lease a Bike) — Um dos mais completos do pelotão, sempre perigoso
- Isaac del Toro (UAE Team Emirates-XRG) — O jovem mexicano que cresce a olhos vistos
- Primož Roglič (Red Bull-Bora-hansgrohe) — Vencedor de múltiplas Vueltas, candidato ao GC
- Jai Hindley (Red Bull-Bora-hansgrohe) — Campeão do Giro de 2022, também no GC
- Matteo Jorgenson (Visma-Lease a Bike) — Vencedor da Paris-Nice 2025
- Filippo Ganna (INEOS Grenadiers) — Favorito absoluto no contrarrelógio inicial
- Thymen Arensman (INEOS Grenadiers) — Importante para o GC da equipe britânica
- Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) — Campeão olímpico e vencedor do Giro 2019
- Jonathan Milan (Lidl-Trek) — Um dos sprinters mais potentes da nova geração
- Julian Alaphilippe (Tudor Pro Cycling) — Sempre imprevisível e capaz de tudo
- Paul Magnier (Soudal Quick-Step) — Jovem promessa do sprint europeu
- Antonio Tiberi (Bahrain Victorious) — Talentoso escalador italiano a observar
- Egan Bernal (INEOS Grenadiers) — Ex-campeão do Tour e Giro, em busca de retorno à elite
- Ben Healy (EF Education-EasyPost) — Especialista em ataques de longa distância
Uma lista assim costuma aparecer em julho, no Tour de France — não em março. Isso diz muito sobre o prestígio que a Tirreno-Adriatico conquistou ao longo das décadas.
Tirreno-Adriatico 2026: todas as etapas em detalhes
O percurso desta edição é, para dizer o mínimo, exigente. Com 15.550 metros de desnível total — quase mil metros a mais do que a edição anterior — a organização claramente não estava com humor para facilitar. Veja a programação completa:
Etapa 1 — 9/03 | Lido di Camaiore › Lido di Camaiore (CRI – 11,5 km)
A corrida abre com um contrarrelógio individual completamente plano ao longo da orla marítima, entre Camaiore e Viareggio. O traçado, de ida e volta, tem poucas curvas e inclui apenas uma inversão em U no quilômetro 5,4, onde há tomada de tempo intermediária. A chegada é marcada por um leve “S” antes da linha final.
✅ Resultado: Filippo Ganna (INEOS Grenadiers) dominou do início ao fim e cruzou a linha com sobra, reafirmando seu status de melhor contrarrelogista da geração atual.
Etapa 2 — 10/03 | Camaiore › San Gimignano (206 km)
A segunda etapa é onde a corrida começa para valer. O percurso entra pelo interior da Toscana e ganha altitude progressivamente, com trechos de mais de 10% de inclinação nas subidas próximas a Pomarance e Cerreto. O grande diferencial está nos 5,3 km de cascalho nos arredores de San Gimignano — um trecho que mistura o perfil de uma clássica primaveril com o exigente formato de uma etapa de GC. A rampa final, em pleno centro histórico da cidade, tem 15% de inclinação.
✅ Resultado: Em uma das etapas mais emocionantes da temporada até agora, Mathieu van der Poel atacou no trecho de cascalho e não olhou para trás. Isaac del Toro e Giulio Pellizzari conseguiram seguir, mas no sprint final o campeão mundial mostrou porque está em outro nível. Uma exibição de força bruta e inteligência tática.
Etapa 3 — 11/03 | Cortona › Magliano de’ Marsi (225 km)
Com 225 km, esta é a etapa mais longa da edição. O percurso ondulado passa por Todi e pela região de Marmore, sem grandes dificuldades até o final — onde uma subida gradual nos últimos 15 km, com inclinação média em torno de 3%, deixa a porta aberta para um sprint reduzido. Uma boa oportunidade para os velocistas resistentes.
Etapa 4 — 12/03 | Tagliacozzo › Martinsicuro (210 km)
A quarta jornada começa com dois clássicos dos Apeninos logo de saída: Ovindoli e o Valico delle Capannelle. Depois de uma longa descida até Teramo, a corrida não dá descanso: surge a subida de Castellalto (com trechos de 12%), seguida de Mosciano Sant’Angelo. O grande susto vem a 12 km do fim, com a subida de Tortoreto via Badetta e seu trecho final de assustadores 20% de inclinação. Depois disso, ~8 km planos até Martinsicuro — que podem favorecer um finalizador rápido que tenha sobrevivido às dificuldades anteriores.
Etapa 5 — 13/03 | Marotta/Mondolfo › Mombaroccio (186 km)
Uma etapa verdadeiramente complicada. Após a largada em Marotta, o percurso enfrenta subidas como Villa del Monte e Monterolo, além da escalada do Monte delle Cesane (com inclinações de até 15% nos quilômetros iniciais). A cereja do bolo é um circuito final de 21,6 km percorrido duas vezes, que inclui a subida até o Santuário do Beato Santo — com o último cume a apenas 1,5 km da linha de chegada. Etapa feita para quem tem pernas e coragem.
Etapa 6 — 14/03 | San Severino Marche › Camerino (189 km)
Considerada por muitos a etapa rainha desta edição. O percurso inclui o Sassotetto aproximadamente na metade da prova, seguido de um circuito final de 18,6 km disputado duas vezes em Camerino. Os últimos 3 km concentram o pior do pior: o Muro della Madonna delle Carceri, com rampas que chegam a 18%. Quem sobrar aqui com força nos pulmões provavelmente vai reivindicar a vitória na classificação geral.
Etapa 7 — 15/03 | Civitanova Marche › San Benedetto del Tronto (143 km)
O encerramento clássico à beira mar. Após cruzar o interior com passagem por Montefiore dell’Aso e Ripatransone, os ciclistas entram em um circuito final de aproximadamente 15 km percorrido 5 vezes ao longo da costa adriática. A chegada em San Benedetto del Tronto tem tudo para ser decidida num sprint em massa — o tradicional encerramento festivo da “Corrida dos Dois Mares”.
Onde assistir a Tirreno-Adriatico 2026 ao vivo
Vamos à parte prática — provavelmente a mais consultada por quem chegou aqui. As opções variam bastante dependendo de onde você está no mundo.
🇧🇷 No Brasil
Infelizmente, a realidade do ciclismo brasileiro ainda é bastante limitada nesse quesito. Nenhum canal ou plataforma de streaming confirmou transmissão da Tirreno-Adriatico 2026 para o Brasil. Nem aberto, nem fechado, nem streaming pago. É uma lacuna frustrante para os fãs brasileiros da modalidade, que dependem de transmissões não-oficiais ou de VPNs para acessar os feeds internacionais.
Para quem quiser tentar acompanhar via serviços de outros países, uma opção é usar uma VPN confiável para acessar o SBS da Austrália (gratuito, com comentários em inglês) ou o RAI Play (gratuito, em italiano). Ambos transmitem ao vivo sem custo para quem estiver dentro do território dos respectivos países.
🇵🇹 Em Portugal
Os portugueses estão bem servidos. A Tirreno-Adriatico 2026 pode ser acompanhada ao vivo pelo Eurosport 2 e pela plataforma de streaming HBO Max. As transmissões iniciam às 12h05 (horário de Lisboa), com previsão de encerramento por volta das 14h45.
🇬🇧 No Reino Unido
No Reino Unido, as transmissões são feitas pelo TNT Sports 1 (via TV) e pelo serviço de streaming Discovery+. O pacote com acesso ao TNT Sports custa £30,99 por mês — um preço que subiu bastante desde a reformulação dos canais Eurosport no país.
🇺🇸 Nos Estados Unidos e Canadá
Para os americanos, a cobertura fica por conta do Max (HBO Max). O plano que inclui esportes ao vivo custa US$ 18,49 por mês (ou US$ 184,99 anuais). Quem já tem conta no Amazon Prime também pode contratar o Max diretamente por lá, nas mesmas condições.
No Canadá, a plataforma responsável pelas transmissões é o FloBikes, com assinaturas a partir de CA$ 39,99 por mês ou CA$ 203,88 por ano.
🌍 Países com transmissão gratuita
Vários países têm a sorte de contar com transmissão completamente gratuita da Tirreno-Adriatico:
- 🇮🇹 Itália: RAI Play (transmissão nacional, gratuita)
- 🇦🇺 Austrália: SBS On Demand (streaming gratuito, em inglês)
- 🇫🇷 França: FranceTV (canal público, gratuito)
- 🇧🇪 Bélgica: Sporza (flamengo) e Auvio/RTBF (francófono)
- 🇪🇸 Espanha: RTVE Play (transmissão pública, gratuita)
É importante lembrar que todos esses serviços têm restrição geográfica. Se você estiver fora do país de origem, precisará de uma VPN para acessá-los. Serviços como o NordVPN são amplamente usados para esse fim e funcionam bem com a maioria das plataformas de streaming.
Resultados das etapas disputadas
Aproveitando que a corrida já está em andamento no momento deste texto, aqui vai um resumo das etapas que já aconteceram:
Etapa 1 (09/03) — Ganna domina o cronômetro
Filippo Ganna foi exatamente o que todo mundo esperava: irresistível. O italiano da INEOS Grenadiers despachou o contrarrelógio inicial com uma performance de texto, confirmando sua condição de melhor especialista da modalidade no pelotão atual. O troféu azul de líder foi para seus ombros sem qualquer contestação.
Etapa 2 (10/03) — Van der Poel estreia com gala no cascalho
Esse foi o show que ninguém esperava (mas que, no fundo, todo mundo esperava de Van der Poel). No trecho de cascalho nos arredores de San Gimignano, o campeão mundial acelerou de um jeito que só ele sabe fazer — aquele sprint longo, de longe, que vai subindo de intensidade até o ponto em que ninguém mais consegue acompanhar. Isaac del Toro e Giulio Pellizzari foram os únicos a chegar perto, mas não chegaram a tanto. Van der Poel venceu e assumiu a liderança geral com autoridade.
Depois da etapa, o holandês confessou que o esforço foi no limite: “Ir tão fundo assim é difícil de simular no treino”, disse Van der Poel, demonstrando que mesmo para ele, aquele nível de esforço é excepcional.
Favoritos ao título geral da Tirreno-Adriatico 2026
Com dois terços da corrida ainda por acontecer, a briga pelo título geral da Tirreno-Adriatico 2026 está longe de definida. Veja quem tem mais chances de erguer o Sea Master Trophy no domingo em San Benedetto del Tronto:
- Isaac del Toro (UAE Team Emirates-XRG): O jovem mexicano de 20 anos é talvez o nome mais quente da corrida. Chegou embalado por uma excelente Strade Bianche e mostrou que tem pernas para acompanhar os melhores mesmo em terreno seletivo. É o candidato mais natural ao GC se os especialistas em clássicas — como Van der Poel — focarem em etapas e não na classificação geral.
- Primož Roglič (Red Bull-Bora-hansgrohe): Roglič é Roglič. Mesmo nos dias em que parece estar “só” pedalando, ele acumula tempo sobre os rivais. As etapas 5 e 6 foram feitas para ele.
- Matteo Jorgenson (Visma-Lease a Bike): O americano está em excelente forma desde o ano passado. Vencedor da Paris-Nice 2025 e crescendo temporada após temporada, é um candidato sério que costuma ser subestimado.
- Egan Bernal (INEOS Grenadiers): Quando está bem — e parece estar — Bernal é capaz de surpreender qualquer um. As etapas de alta montanha servem como luvas para seu perfil de escalador.
- Antonio Tiberi (Bahrain Victorious): O jovem talento italiano tem tudo para se destacar em casa. Nome a monitorar nas etapas mais duras.
Por que a Tirreno-Adriatico é uma das corridas mais especiais do calendário
Quem segue o calendário UCI WorldTour com atenção sabe que março é um mês absolutamente feroz no ciclismo de estrada. A Tirreno-Adriatico acontece exatamente na mesma semana que a Paris-Nice — as duas corridas dividem o pelotão e forçam equipes e atletas a escolher. E o fato de que, mesmo assim, a Tirreno-Adriatico 2026 conseguiu reunir um elenco desse calibre diz muito sobre o fascínio que essa prova exerce.
Criada em 1966, a “Corrida dos Dois Mares” tem uma narrativa própria: ela cruza a Itália de ponta a ponta, passando por paisagens que variam do litoral toscano às colinas dos Apeninos, chegando finalmente ao Adriático. É quase uma metáfora de jornada — e as etapas duras no meio garantem que a história seja sempre bem contada. Mais informações sobre o histório da prova podem ser encontradas no site oficial da Tirreno-Adriatico.
FAQ — Perguntas frequentes sobre a Tirreno-Adriatico 2026
1. Onde assistir a Tirreno-Adriatico 2026 no Brasil?
Infelizmente, nenhum canal ou serviço de streaming confirmou a transmissão da Tirreno-Adriatico 2026 no Brasil. A opção mais viável para os fãs brasileiros é utilizar uma VPN para acessar transmissões gratuitas de outros países, como o SBS da Austrália ou o RAI Play da Itália, observando sempre os termos de uso de cada plataforma.
2. Quais são as datas da Tirreno-Adriatico 2026?
A Tirreno-Adriatico 2026 acontece de 9 a 15 de março de 2026, ao longo de 7 etapas que cruzam a Itália do Mar Tirreno ao Mar Adriático, totalizando 1.170 km de percurso.
3. Quem são os favoritos ao título na Tirreno-Adriatico 2026?
Os principais candidatos ao título geral são Isaac del Toro (UAE Team Emirates-XRG), Primož Roglič (Red Bull-Bora-hansgrohe), Matteo Jorgenson (Visma-Lease a Bike) e Egan Bernal (INEOS Grenadiers). Para etapas, Mathieu van der Poel e Jonathan Milan são nomes a acompanhar de perto.
4. Mathieu van der Poel está na Tirreno-Adriatico 2026?
Sim! Mathieu van der Poel foi confirmado de última hora no pelotão da Tirreno-Adriatico 2026, recebendo o dorsal número 1 como campeão mundial. Ele já venceu a etapa 2, com chegada em San Gimignano após o trecho de cascalho.
5. Onde assistir a Tirreno-Adriatico 2026 em Portugal?
Em Portugal, a Tirreno-Adriatico 2026 pode ser acompanhada ao vivo pelo canal Eurosport 2 e pela plataforma de streaming HBO Max. As transmissões começam às 12h05 (horário de Lisboa), com encerramento previsto para as 14h45.


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