Tem corrida que não precisa de apresentação. O Tour de Flanders 2026 é uma dessas. Quem acompanha ciclismo sabe que a Ronde van Vlaanderen mexe com o coração de um país inteiro — e, convenhamos, de qualquer apaixonado por duas rodas ao redor do mundo. A edição de número 110 promete ser tão brutal e emocionante quanto as anteriores, com um detalhe que já vem gerando bastante conversa: pela primeira vez em muitos anos, a largada acontece em Antuérpia.
Marcado para o domingo, 5 de abril de 2026, o Tour de Flanders 2026 mantém seu lugar tradicional no calendário — o primeiro domingo de abril — e segue sendo o segundo dos cinco Monumentos do ciclismo na temporada, logo depois da Milan-San Remo. São 267 quilômetros entre Antuérpia e Oudenaarde, atravessando a região da Flandres com tudo aquilo que faz essa corrida ser única: paralelepípedos que chacoalham o corpo, subidas curtas que destroem as pernas e um público que transforma cada muro em um verdadeiro estádio a céu aberto.
Uma nova largada para uma corrida centenária
A mudança de Bruges para Antuérpia como cidade de partida é o tipo de novidade que, no Tour de Flanders, chama atenção. Bruges foi o ponto de saída por vários anos e se tornou quase sinônimo da corrida. Agora, com Antuérpia recebendo o pelotão, os primeiros quilômetros ganham um cenário diferente — a segunda maior cidade da Bélgica, com seu porto grandioso e uma energia urbana que contrasta com as estradas rurais que virão depois.
Na prática, essa alteração não muda muito a dinâmica da prova propriamente dita. Os mais de 100 quilômetros iniciais continuam sendo relativamente tranquilos, uma fase de aquecimento prolongada onde as equipes se organizam e os ciclistas guardam energia para o que vem pela frente. Mas a largada em Antuérpia adiciona um novo capítulo à história do Tour de Flanders 2026 e renova o interesse dos torcedores locais.
Tour de Flanders 2026: o percurso completo
Vamos ao que interessa de verdade. O percurso do Tour de Flanders 2026 traz seis setores de paralelepípedos planos e nada menos que 16 hellingen — aquelas subidas curtas, íngremes e com paralelepípedos que são a marca registrada da Ronde. Se você já assistiu a essa corrida, sabe que é justamente nesses trechos que as pernas queimam, os favoritos atacam e os sonhos se desfazem.

O primeiro contato do pelotão com os pavés vem por volta do quilômetro 102, quando os ciclistas encaram em sequência a Lippenhovestraat e a Paddestraat — dois setores planos que servem como um aviso do que está por vir. Depois disso, a corrida ainda respira por mais uns 30 quilômetros antes de chegar à primeira subida de peso: o Oude Kwaremont, praticamente na metade do percurso.

A partir do quilômetro 150, não tem mais descanso. É quando o Tour de Flanders 2026 mostra sua cara de verdade. A Holleweg empurra o pelotão direto para o Wolvenberg, seguido pela Kerkgate e a Jagerij. Em menos de 15 quilômetros, as pernas já estão em outro estado.
Depois vem o trecho que muita gente considera o coração da prova: Molenberg, Marlboroughstraat e Berendries aparecem num intervalo de apenas 10 quilômetros. São subidas com inclinações que passam dos 12% e que, nesta altura da corrida, já eliminam boa parte dos candidatos.
As 16 subidas do Tour de Flanders 2026
Para quem quer entender cada detalhe do percurso, aqui está a lista completa das subidas que compõem o Tour de Flanders 2026:
| Subida | Extensão | Inclinação Média | Inclinação Máxima | Km para o fim |
|---|---|---|---|---|
| Oude Kwaremont | 2.200m | 4% | 11,6% | 136 km |
| Eikenberg | 1.200m | 5,2% | 10% | 120,1 km |
| Wolvenberg | 645m | 7,9% | 17,3% | 116 km |
| Molenberg | 463m | 7% | 14,2% | 103,5 km |
| Marlboroughstraat | 900m | 4,8% | 7% | 99,5 km |
| Berendries | 940m | 7% | 12,3% | 95,5 km |
| Valkenberg | 540m | 8,1% | 12,8% | 86,9 km |
| Berg Ten Houte | 1.100m | 6% | 21% | 74,4 km |
| Nieuwe Kruisberg/Hotond | 2.700m | 4% | 8,5% | 64,9 km |
| Oude Kwaremont (2ª passagem) | 2.200m | 4% | 11,6% | 55,1 km |
| Paterberg | 360m | 12,9% | 20,3% | 51,6 km |
| Koppenberg | 600m | 11,6% | 22% | 45,3 km |
| Taaienberg | 530m | 6,6% | 15,8% | 36,8 km |
| Oude Kruisberg/Hotond | 2.700m | 4,1% | 9,4% | 26,5 km |
| Oude Kwaremont (3ª passagem) | 2.200m | 4% | 11,6% | 16,7 km |
| Paterberg (2ª passagem) | 360m | 12,9% | 20,3% | 13,3 km |
Repare nos números do Koppenberg: 600 metros com inclinação média de 11,6% e máxima de 22%. É o tipo de rampa que, quando chove, vira um pesadelo. E o Paterberg, com seus 12,9% de média em apenas 360 metros, é sempre onde a corrida explode. Não é à toa que esses dois muros são os mais temidos do percurso.
Os setores de paralelepípedos planos
Além das subidas, o Tour de Flanders 2026 conta com seis trechos de paralelepípedos planos que, apesar de não terem a inclinação dos hellingen, causam estragos consideráveis no pelotão:
| Setor | Extensão | Km para o fim |
|---|---|---|
| Lippenhovestraat | 1.130m | 168,6 km |
| Paddestraat | 2.300m | 167,1 km |
| Holleweg | 1.100m | 118,6 km |
| Kerkgate | 2.650m | 112,4 km |
| Jagerij | 800m | 109,4 km |
| Mariaborrestraat | 400m | 41,2 km |
A Paddestraat, com seus 2.300 metros de extensão, é um dos trechos onde quedas e furos mais acontecem. É ali que muitos ciclistas perdem posições de forma irreversível. E a Kerkgate, com 2.650 metros de pavés, é outro setor que exige concentração total — um erro de posicionamento pode custar a corrida inteira.
O circuito final: onde tudo acontece
Se tem um momento que define o vencedor do Tour de Flanders 2026, é o circuito final ao redor de Oudenaarde. Os ciclistas enfrentam o Oude Kwaremont três vezes ao longo do dia e o Paterberg duas vezes. Na volta longa, antes de entrar no circuito decisivo, o pelotão ainda passa pelo temido Koppenberg, pelo Taaienberg e pelo Oude Kruisberg/Hotond.
As últimas passagens pelo Kwaremont e Paterberg costumam ser o palco das ações decisivas. É ali que, historicamente, os mais fortes se separam dos demais. Restam apenas 13,3 quilômetros após a última passagem pelo Paterberg até a chegada — distância suficiente para quem tem pernas, mas curta demais para quem ficou para trás.
O que aconteceu em 2025: Pogačar domina
Para entender o tamanho do desafio que espera os corredores em 2026, vale olhar para o que Tadej Pogačar fez na edição de 2025. O esloveno da UAE Team Emirates-XRG conquistou sua segunda vitória na Ronde com uma exibição de força impressionante. Ele usou o Oude Kwaremont para reduzir o grupo da frente e, na terceira passagem pela famosa subida, largou todos os rivais para trás e seguiu sozinho até Oudenaarde.
Mads Pedersen (Lidl-Trek) ficou com o segundo lugar ao vencer o sprint do grupo perseguidor, à frente de Mathieu van der Poel (Alpecin-Deceuninck), que completou o pódio. Wout van Aert (Visma-Lease a Bike) cruzou a linha em quarto, seguido de perto por Jasper Stuyven (Lidl-Trek).
E em 2024, foi Van der Poel quem protagonizou o espetáculo. O holandês atacou a 45 quilômetros da chegada e não olhou para trás, garantindo sua terceira Ronde — entrando para o seleto grupo de ciclistas com três títulos, ao lado de nomes como Tom Boonen, Fabian Cancellara, Johan Museeuw e Eric Leman.
Equipes confirmadas para o Tour de Flanders 2026
A edição deste ano conta com a participação de 25 equipes, incluindo todo o pelotão WorldTour e algumas equipes convidadas que prometem animar a corrida:
- Alpecin-Premier Tech
- Bahrain Victorious
- Decathlon CMA CGM
- EF Education-EasyPost
- Groupama-FDJ United
- Ineos Grenadiers
- Jayco-AlUla
- Lidl-Trek
- Lotto-Intermarché
- Movistar
- NSN
- Picnic PostNL
- Red Bull-Bora-Hansgrohe
- Soudal-Quickstep
- UAE Team Emirates XRG
- Uno-X Mobility
- Visma-Lease a Bike
- XDS Astana
- Burgos-Burpellet BH
- Cofidis
- Pinarello-Q36.5
- Flanders-Baloise
- TotalEnergies
- Tudor
- Unibet Rose Rockets
Os favoritos para o Tour de Flanders 2026
Difícil falar do Tour de Flanders 2026 sem colocar Tadej Pogačar como o grande favorito. O esloveno vem de duas vitórias consecutivas e parece cada vez mais confortável nas clássicas de paralelepípedos. A combinação de potência em subidas curtas e resistência em provas longas faz dele um adversário quase imbatível nesse tipo de corrida.
Mas quem conhece o ciclismo sabe que nada é garantido. Mathieu van der Poel continua sendo a grande referência nas clássicas flamengas — três títulos na Ronde falam por si. O holandês, agora na Alpecin-Premier Tech, tem a capacidade de mudar qualquer corrida com um único ataque. Seu programa completo de clássicas, incluindo estreia na Omloop Het Nieuwsblad, mostra que ele quer chegar afiado em abril.
Wout van Aert é outro nome que não dá para ignorar. O belga da Visma-Lease a Bike sonha com a vitória na Ronde há anos e, apesar de uma fratura no tornozelo que ameaçou o início de temporada, está recuperado e pronto para competir. É o tipo de corredor que se alimenta de corridas como essa.
Quanto a Remco Evenepoel, a presença do belga segue sendo uma incógnita. A direção da Soudal-QuickStep já indicou que sua ausência em 2026 pode mudar no futuro, mas por enquanto parece improvável que ele esteja na linha de largada. A mídia belga chega a apontar que as chances aumentaram, mas nada foi confirmado.
Ficha técnica do Tour de Flanders 2026
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Data | 5 de abril de 2026 |
| Largada | Antuérpia, Bélgica |
| Chegada | Oudenaarde, Bélgica |
| Distância | 267 km |
| Categoria | UCI WorldTour |
| Horário de largada | 10h20 (horário da Europa Central) |
| Horário estimado de chegada | 16h30 (horário da Europa Central) |
| Subidas (hellingen) | 16 |
| Setores de paralelepípedos planos | 6 |
| Vencedor em 2025 | Tadej Pogačar (UAE Team Emirates-XRG) |
A história que a Ronde carrega
O Tour de Flanders existe desde 1919. São mais de cem anos de histórias que se misturam com a própria identidade da Flandres. Na Bélgica, a Ronde não é apenas uma corrida de bicicleta — é um evento cultural, quase um feriado nacional não oficial. As famílias se reúnem nas subidas, levam churrasqueiras e cervejas, e acompanham o pelotão como quem vai a um show de rock.
Poucos esportes oferecem essa proximidade entre atletas e público. No Tour de Flanders 2026, os torcedores vão estar ali, no Koppenberg e no Paterberg, quase ao alcance das mãos dos ciclistas, gritando, empurrando (às vezes literalmente) e fazendo parte daquele caos organizado que só o ciclismo belga consegue proporcionar.
Para quem nunca assistiu ao vivo, fica o convite: é uma experiência que vale a viagem. E para quem vai acompanhar de casa, prepare-se para uma tarde de tensão, ataques e, com alguma sorte, mais um capítulo inesquecível na história desta corrida extraordinária.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quando acontece o Tour de Flanders 2026?
O Tour de Flanders 2026 está marcado para o domingo, 5 de abril de 2026, seguindo a tradição de ser disputado no primeiro domingo de abril. A largada está prevista para as 10h20 e a chegada estimada para as 16h30, no horário da Europa Central.
Qual é o percurso do Tour de Flanders 2026?
O percurso parte de Antuérpia e termina em Oudenaarde, cobrindo 267 quilômetros. São 16 subidas (hellingen) e 6 setores de paralelepípedos planos. O circuito final inclui as icônicas subidas do Oude Kwaremont e do Paterberg, que os ciclistas enfrentam múltiplas vezes.
Quem venceu o Tour de Flanders em 2025?
Tadej Pogačar (UAE Team Emirates-XRG) venceu a edição de 2025 com uma atuação dominante, atacando no Oude Kwaremont e chegando sozinho em Oudenaarde. Mads Pedersen ficou em segundo e Mathieu van der Poel completou o pódio.
Quais são as subidas mais difíceis do Tour de Flanders?
As subidas mais temidas são o Koppenberg (inclinação máxima de 22%), o Paterberg (12,9% de inclinação média em 360m) e o Oude Kwaremont (2.200m com picos de 11,6%). O Berg Ten Houte também se destaca com trechos que chegam a 21% de inclinação.
Quem são os favoritos para o Tour de Flanders 2026?
Os principais favoritos são Tadej Pogačar, atual bicampeão, Mathieu van der Poel, tricampeão da prova e sempre perigoso nas clássicas flamengas, e Wout van Aert, que busca sua primeira vitória na Ronde. A eventual presença de Remco Evenepoel ainda é uma incógnita para esta edição.





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