O Tour de Flanders Feminino 2026 já tem data marcada: 5 de abril, em Oudenaarde, na Bélgica. É a 10ª etapa do calendário do Women’s WorldTour nesta temporada, e como acontece todos os anos, promete ser uma daquelas corridas que deixam qualquer fã de ciclismo grudado na tela.
A Ronde van Vlaanderen — como os belgas chamam carinhosamente sua corrida mais sagrada — é muito mais do que uma prova de bicicleta. É uma celebração nacional, uma espécie de feriado não-oficial que transforma vilas inteiras da região de Flandres em arquibancadas a céu aberto. E a edição feminina, que vem ganhando cada vez mais destaque ao longo dos anos, já se consolidou como uma das provas mais emocionantes e imprevisíveis do calendário das Clássicas de Primavera.
O que sabemos sobre o Tour de Flanders Feminino 2026
A prova será disputada num circuito de 164,1 quilômetros, com largada e chegada em Oudenaarde. O horário previsto de partida é às 13h15 (horário da Europa Central), com chegada estimada por volta das 17h40. Ou seja, pouco mais de quatro horas de corrida pura, intensa e cheia de reviravoltas — como sempre acontece quando o pelotão feminino encara os paralelepípedos flamengos.
A corrida faz parte do Women’s WorldTour, a categoria máxima do ciclismo feminino profissional regulamentada pela UCI. É o tipo de evento que atrai absolutamente todas as melhores ciclistas do planeta, sem exceção.
Percurso do Tour de Flanders Feminino 2026: paralelepípedos, bergs e muita dor
Se você já acompanhou alguma edição do Tour de Flanders Feminino, sabe que a palavra-chave aqui é sofrimento. O percurso de 2026 segue a estrutura das edições anteriores, com aquele circuito clássico ao redor de Oudenaarde que mistura setores de paralelepípedos com subidas curtas e brutais — os famosos bergs belgas.
A rota deste ano retorna ao formato mais familiar utilizado em 2024, depois de uma largada ligeiramente diferente em 2025 que levou o pelotão pelo setor de paralelepípedos de Doorn. Os organizadores da Flanders Classics adicionaram quilômetros extras antes do primeiro trecho de pavé, que agora surge apenas após 29,3 km de corrida, no setor de Lange Munte.
Uma mudança importante: o número de subidas caiu de 12 (em 2025) para 9 neste ano. E os setores de paralelepípedos foram reduzidos de sete para seis. Pode parecer que a prova ficou mais fácil, mas não se engane — os organizadores incluíram os trechos mais longos de Lange Munte e Kerkgate, e a parte final do percurso continua tão impiedosa quanto sempre.
As 9 subidas do Tour de Flanders Feminino 2026
A primeira escalada só aparece no quilômetro 82 — o Wolvenberg, com seus 645 metros a 7,9% de inclinação média e picos de 17,3%. É a partir daqui que a corrida realmente começa a pegar fogo. Dali em diante, uma série de bergs e paralelepípedos transforma o Tour de Flanders naquilo que ele é: um monumento.
Do Molenberg ao Koppenberg, o percurso mantém a mesma configuração de 2024. O Koppenberg, aliás, é talvez o ponto mais temido de toda a prova: 600 metros a 11,6% de inclinação média e rampas que chegam a absurdos 22%. É naqueles metros de paralelepípedos irregulares, onde muitas vezes é preciso sair da bike e empurrar, que corridas são ganhas ou perdidas.
Depois do Koppenberg, o percurso pula o Steenbeekdries que existia em edições anteriores e segue por uma rota mais longa até o Taaienberg. A parte final é a que todo mundo conhece de cor: Oude Kwaremont (2.200 metros a 4%, com picos de 11,6%) seguido pelo Paterberg (360 metros a 12,9%, com máxima de 20,3%) — que as mulheres enfrentam apenas uma vez — faltando 13,3 km para a chegada.
Para quem gosta de números, aqui vai a lista completa das subidas:
| Subida | Extensão | Inclinação Média | Inclinação Máxima | Km para o fim |
|---|---|---|---|---|
| Wolvenberg | 645m | 7,9% | 17,3% | 82,1 |
| Molenberg | 463m | 7,0% | 14,2% | 69,6 |
| Marlboroughstraat | 900m | 4,8% | 7,0% | 65,6 |
| Eikenberg | 1.200m | 5,2% | 10,0% | 55,9 |
| Koppenberg | 600m | 11,6% | 22,0% | 49,5 |
| Taaienberg | 530m | 6,6% | 15,8% | 36,8 |
| Oude Kruisberg/Hotond | 2.700m | 4,1% | 9,4% | 26,5 |
| Oude Kwaremont | 2.200m | 4,0% | 11,6% | 16,7 |
| Paterberg | 360m | 12,9% | 20,3% | 13,3 |
Setores de paralelepípedos
Além das subidas, o Tour de Flanders Feminino 2026 conta com seis setores de paralelepípedos espalhados ao longo do percurso. Cada trecho de pavé é uma oportunidade para ataques, quedas e surpresas — os paralelepípedos belgas não perdoam ninguém.
| Setor de Pavé | Extensão | Km percorridos | Km para o fim |
|---|---|---|---|
| Lange Munte | 2.500m | 29,3 | 134,8 |
| Paddestraat | 2.260m | 61,2 | 102,9 |
| Lippenhovestraat | 1.130m | 69,8 | 99,1 |
| Kerkgate | 2.650m | 85,6 | 78,5 |
| Jagerij | 730m | 88,6 | 75,5 |
| Mariaborrestraat | 400m | 122,9 | 41,2 |
Equipes confirmadas para o Tour de Flanders Feminino 2026
A lista de participantes reúne o que há de melhor no ciclismo feminino mundial. São 20 equipes no total — 14 do Women’s WorldTour e 6 convidadas — formando um pelotão de altíssimo nível. Confira todas as equipes confirmadas:
Equipes WorldTour: AG Insurance-Soudal, Canyon-SRAM zondacrypto, EF Education-Oatly, FDJ United-SUEZ, Fenix-Premier Tech, Human Powered Health, Lidl-Trek Women, Liv-AlUla-Jayco, Movistar Women, Picnic PostNL Women, SD Worx-Protime, UAE Team ADQ, Uno-X Mobility Women e Visma-Lease a Bike.
Equipes convidadas: Cofidis, Laboral Kutxa-Fundación Euskadi, Lotto Intermarché Ladies, Mayenne Monbana My Pie, St. Michel-Preference Home-Auber93 e Volkerwessels.
Kopecky e a busca pelo tetracampeonato
Se tem alguém que todo mundo vai estar de olho no Tour de Flanders Feminino 2026, essa pessoa é Lotte Kopecky. A belga da SD Worx-Protime fez história em 2025 ao se tornar a primeira ciclista a conquistar três vitórias na prova feminina. Ela venceu em 2022, 2023 e 2025, e chega para 2026 com a camisa de campeã mundial nos ombros e uma fome competitiva que parece não ter fim.
Em 2025, Kopecky venceu num sprint a quatro, superando Pauline Ferrand-Prévot (Visma-Lease a Bike), Liane Lippert (Movistar) e Kasia Niewiadoma (Canyon-SRAM zondacrypto). Foi uma chegada emocionante, com as quatro corredoras dando absolutamente tudo nos metros finais em Oudenaarde.
Em entrevista recente, Kopecky deixou claro que está motivada: “Estou com fome de correr de novo e com fome de vencer”. A belga declarou que está trazendo uma “energia de wildcard” de volta às Clássicas de Primavera, depois de abrir mão da liderança no Tour de France Femmes. Se ela chegar ao Paterberg com pernas, vai ser muito difícil segurá-la.
Quem pode desafiar Kopecky?
Embora Kopecky seja a grande favorita, o pelotão feminino vem ficando cada vez mais competitivo e imprevisível. Algumas rivais que merecem atenção especial:
Demi Vollering (FDJ United-SUEZ) vem de uma temporada espetacular e já mostrou estar voando em 2026 com vitórias na Setmana Valenciana. É a ciclista mais completa do pelotão e pode ser decisiva nas rampas finais.
Pauline Ferrand-Prévot (Visma-Lease a Bike) ficou em segundo lugar em 2025 e está entre as ciclistas mais versáteis da história — com títulos mundiais no mountain bike, cyclocross e estrada. Ela tem força de sobra para os bergs flamengos.
Elisa Longo Borghini (UAE Team ADQ) é a vencedora de 2024 e duas vezes campeã da prova (2015 e 2024). A italiana veterana sabe como ninguém ler uma corrida e pode surpreender novamente.
Kasia Niewiadoma (Canyon-SRAM zondacrypto), que em 2025 já demonstrou foco total nas Clássicas, é outra que está sempre na briga. Terminou em quarto no ano passado e quer subir ao pódio.
Lorena Wiebes (SD Worx-Protime) é a sprinter mais rápida do pelotão, e caso a corrida termine em grupo, pode ser a carta na manga da equipe belga. Kopecky e Wiebes já declararam que fazem acordos entre si para dividir as vitórias nas Clássicas.
História do Tour de Flanders Feminino: de 2004 até hoje
A história do Tour de Flanders Feminino começou lá em 2004, com um percurso modesto de apenas 94 km. A russa Zoulfia Zabirova foi a primeira a inscrever seu nome na lista de vencedoras. De lá para cá, a prova cresceu enormemente — tanto em distância (agora passa dos 160 km) quanto em prestígio e qualidade do pelotão.
A holandesa Mirjam Melchers-van Poppel dominou as edições de 2005 e 2006. A britânica Nicole Cooke venceu em 2007, e a alemã Judith Arndt levou o troféu em 2008 e novamente em 2012. Ina-Yoko Teutenberg completou a dominância alemã com uma vitória no sprint em 2009.
A primeira belga a vencer a Ronde feminina foi Grace Verbeke, em 2010 — um marco importante para um país onde o ciclismo é praticamente religião. Depois vieram as holandesas: Annemiek van Vleuten (2011 e 2021), Marianne Vos (2013) e Ellen van Dijk (2014).
Elisa Longo Borghini conquistou sua primeira vitória solo em 2015, seguida por Lizzie Deignan (2016) e a americana Coryn Rivera em 2017 — ainda hoje a única norte-americana a vencer a prova. Anna van der Breggen venceu em fuga solitária em 2018, Marta Bastianelli levou em 2019 e Chantal van den Broek-Blaak em 2020.
E então veio a era Kopecky. A belga conquistou seu primeiro título em 2022, vestindo a camisa de campeã belga em casa, repetiu a dose em 2023 e fez o tricampeonato histórico em 2025. Longo Borghini intercalou com sua segunda vitória em 2024, numa edição sob chuva torrencial.
Todas as vencedoras do Tour de Flanders Feminino
| Ano | Vencedora | Equipe |
|---|---|---|
| 2025 | Lotte Kopecky (BEL) | SD Worx-Protime |
| 2024 | Elisa Longo Borghini (ITA) | Lidl-Trek |
| 2023 | Lotte Kopecky (BEL) | SD Worx |
| 2022 | Lotte Kopecky (BEL) | SD Worx |
| 2021 | Annemiek van Vleuten (NED) | Movistar |
| 2020 | Chantal van den Broek-Blaak (NED) | Boels Dolmans |
| 2019 | Marta Bastianelli (ITA) | Virtu Cycling |
| 2018 | Anna van der Breggen (NED) | Boels-Dolmans |
| 2017 | Coryn Rivera (USA) | Team Sunweb |
| 2016 | Lizzie Deignan (GBR) | Boels-Dolmans |
| 2015 | Elisa Longo Borghini (ITA) | Wiggle-Honda |
| 2014 | Ellen van Dijk (NED) | Boels-Dolmans |
| 2013 | Marianne Vos (NED) | Rabo-Liv Giant |
| 2012 | Judith Arndt (GER) | Greenedge-AIS |
| 2011 | Annemiek van Vleuten (NED) | Nederlands Bloeit |
| 2010 | Grace Verbeke (BEL) | Lotto Ladies Team |
| 2009 | Ina Teutenberg (GER) | Columbia-Highroad |
| 2008 | Judith Arndt (GER) | Team High Road Women |
| 2007 | Nicole Cooke (GBR) | Raleigh Lifeforce |
| 2006 | Mirjam Melchers-van Poppel (NED) | Buitenpoort-Flexpoint |
| 2005 | Mirjam Melchers-van Poppel (NED) | Buitenpoort-Flexpoint |
| 2004 | Zoulfia Zabirova (RUS) | Team Let’s Go Finland |
Por que o Tour de Flanders Feminino 2026 promete ser especial
Existem vários motivos para ficar de olho nesta edição. Primeiro, o percurso com menos subidas pode favorecer um grupo maior na chegada, o que abre espaço para táticas de equipe mais elaboradas e sprints emocionantes. Segundo, o nível do pelotão feminino nunca esteve tão alto — como a própria Anna Henderson comentou recentemente, “é um crédito para o ciclismo feminino que ninguém domine”.
E terceiro, tem a questão de Kopecky. Se ela vencer, serão quatro títulos no Tour de Flanders — algo absolutamente inédito, tanto no feminino quanto no masculino. Nenhum corredor na história, homem ou mulher, conquistou quatro Rondes. Seria um feito monumental.
O Tour de Flanders Feminino 2026 tem tudo para ser uma edição histórica. As estradas de Flandres estão esperando, os paralelepípedos estão prontos e as ciclistas estão afiadas. Falta pouco para o dia 5 de abril, e a contagem regressiva já começou.
FAQ — Perguntas frequentes sobre o Tour de Flanders Feminino 2026
Quando acontece o Tour de Flanders Feminino 2026?
A corrida está marcada para o dia 5 de abril de 2026, com largada às 13h15 e chegada prevista para as 17h40 (horário da Europa Central). A prova acontece em Oudenaarde, Bélgica.
Qual é a distância do percurso feminino em 2026?
O percurso do Tour de Flanders Feminino 2026 tem 164,1 quilômetros, com 9 subidas e 6 setores de paralelepípedos entre Oudenaarde e Oudenaarde.
Quem é a atual campeã do Tour de Flanders Feminino?
A belga Lotte Kopecky (SD Worx-Protime) é a atual campeã, tendo vencido a edição de 2025. Ela é também a recordista de vitórias na prova, com três títulos (2022, 2023 e 2025).
Quais são as subidas mais difíceis do Tour de Flanders Feminino?
As subidas mais temidas são o Koppenberg (600m a 11,6% de média, com picos de 22%), o Paterberg (360m a 12,9%, máxima de 20,3%) e o Oude Kwaremont (2.200m a 4%, com trechos de 11,6%). São nesses pontos que as corridas costumam ser decididas.
Onde assistir ao Tour de Flanders Feminino 2026?
A corrida geralmente tem transmissão ao vivo em diversas emissoras e plataformas de streaming pelo mundo. Consulte o guia de transmissão do Cyclingnews para saber os canais disponíveis na sua região. No Brasil, plataformas como o Globoplay e a ESPN costumam transmitir as principais provas do Women’s WorldTour.





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