Imagine ganhar nove corridas seguidas e ainda assim ter a humildade de dizer que você não está no seu auge. Pois é exatamente isso que Mathieu van der Poel fez depois de mais uma vitória dominante no ciclocross. O holandês da Alpecin-Premier Tech está literalmente invicto neste inverno, mas ao invés de comemorar como um conquistador absoluto, ele já está de malas prontas para a Espanha com um objetivo bem claro na cabeça.
E não é só treinar sob o sol espanhol não. Van der Poel tem dois alvos bem definidos: chegar impecável para o Mundial de Ciclocross em Hulst no dia 1º de fevereiro, onde pode conquistar seu oitavo título mundial e entrar sozinho para a história, e já começar a pensar nas Clássicas de primavera que são sua verdadeira paixão.
Depois daquela vitória em Zonhoven que fechou sua sequência espetacular de nove em nove, o campeão mundial conversou com a imprensa holandesa e deixou claro que ainda tem muito chão pela frente. “Estou feliz de poder me afastar um pouco da correria dos treinos. É bom voltar para o sol”, comentou ao site Wielerflits.
Nove vitórias não significam nada se você não chegar pronto para o que importa
Veja bem, não é todo dia que você vê um cara que ganhou absolutamente tudo que disputou dizendo que precisa melhorar. Mas é exatamente isso que separa os grandes dos verdadeiramente excepcionais. Van der Poel sabe que essas nove vitórias são apenas preparação para o que realmente conta.
“Você sempre precisa daquelas horas extras após um período tão agitado com tanto ciclocross. Por um lado, estou realmente trabalhando para o Mundial de Ciclocross em Hulst. Esse continua sendo um grande objetivo, então vou fazer alguns treinos intervalados de vez em quando para estar em forma de ponta no início e mirar na camisa arco-íris. Vou realmente trabalhar para isso”, explicou o holandês com aquela sinceridade direta que é marca registrada dele.
E tem mais. Ele não tá indo pra Espanha só brincar de ciclista não. Van der Poel vai acumular quilômetros preciosos pensando já na temporada de estrada, onde pretende defender seus títulos da Milão-San Remo e da Paris-Roubaix, além de tentar recuperar o troféu da Volta da Flandres que Tadej Pogačar arrancou dele.
A sombra de Wout van Aert e aquela queda brutal em Mol
Impossível falar dessa temporada de ciclocross sem mencionar o elefante na sala: Wout van Aert. O belga estava finalmente mostrando que tinha pernas pra brigar de igual pra igual com Van der Poel quando aconteceu aquela queda horrível em Mol que literalmente quebrou seu tornozelo e acabou com sua temporada de ciclocross antes da hora.
Van der Poel não escondeu o quanto isso mexeu com ele. “Eu estava inconscientemente pensando nisso durante o ciclocross. É realmente uma droga o que aconteceu com o Wout”, disse com genuína preocupação. “Ele já passou por tanta adversidade, e é claro que você não desejaria isso para ninguém. Vamos apenas torcer para que a preparação da temporada de estrada dele não seja comprometida.”
E olha que Van der Poel sabe bem do que tá falando. Ano passado ele mesmo quebrou uma costela durante o ciclocross, justamente num estágio de treino na Espanha depois de bater num poste em Loenhout. Então quando ele fala sobre lesões no inverno, ele tá falando com conhecimento de causa. “Isso só mostra que qualquer queda, não importa quão inocente pareça, pode ter consequências sérias. Eu não esqueci como acabei com uma costela quebrada no ano passado durante o campo de treinamento na Espanha depois de colidir com aquele poste em Loenhout. São coisas que é melhor evitar”, refletiu.
O plano de voo até Hulst
Agora vem a parte estratégica da história. Van der Poel não vai disputar mais ciclocross até pelo menos 24 de janeiro, quando provavelmente volta na etapa de Maasmechelen da Copa do Mundo. Existe uma chance dele aparecer em Benidorm uma semana antes, mas isso ainda tá no ar.
O que significa que ele vai passar quase três semanas treinando duro na Espanha, acumulando aqueles quilômetros de fundo que vão fazer diferença lá na primavera, ao mesmo tempo que mantém a intensidade necessária pra chegar afiado no Mundial.
E aqui tá a coisa mais impressionante: se ele ganhar em Hulst, vai conseguir seu oitavo título mundial de ciclocross, superando sozinho o recorde de Erik De Vlaeminck que durou décadas. É o tipo de marca que coloca você nos livros de história pra sempre.
Mas e as Clássicas? Elas já estão na cabeça dele
“É claro que também haverá muito treinamento de resistência no meu cronograma, pensando naquela temporada de primavera. Vou colocar muitas horas, com as pausas de descanso necessárias aqui e ali”, revelou Van der Poel sobre seus planos para as próximas semanas.
E quando ele fala em temporada de primavera, não tá brincando em serviço. Van der Poel já deixou bem claro que quer manter suas coroas da Milão-San Remo e da Paris-Roubaix, aquela corrida mítica que ele simplesmente dominou ano passado com uma performance que ficou na memória de todo mundo.
Mas tem uma conta pessoal que ele quer acertar: a Volta da Flandres. Depois que Pogačar pegou o troféu do monumento flamengo, tenho certeza que Van der Poel tá doido pra mostrar quem manda naquelas bergs belgas. Vai ser uma batalha épica entre esses dois monstros do pedal.
A humildade de quem tá no topo
O que mais me impressiona em toda essa história é a franqueza de Van der Poel ao admitir que não está no seu melhor. “Passei bem por este período de Natal, mas certamente não estou no meu melhor ainda. Acho que estava definitivamente melhor neste ponto no ano passado, mas não posso reclamar”, analisou com aquela honestidade brutal.
“Acho que posso ir para a Espanha com um bom sentimento agora; no ano passado foi um pouco decepcionante com a costela quebrada que sofri. Só tenho que estar feliz com como tudo correu nas corridas passadas.”
Pensa comigo: o cara ganhou NOVE corridas seguidas e ainda acha que pode melhorar. Isso é o tipo de mentalidade que separa os bons dos lendários. E mais, ele tá fazendo isso enquanto já pensa no que vem depois, sem se deixar levar pela onda do momento.
O contexto maior dessa temporada perfeita
Quando Van der Poel anunciou que ia voltar pro ciclocross depois de ficar um tempo focado só na estrada, todo mundo sabia que ele ia dominar. Mas ninguém esperava que fosse TÃO dominante assim. Nove de nove é uma estatística absurda em qualquer esporte, mas no ciclocross, onde qualquer escorregão na lama pode acabar com sua corrida, é simplesmente surreal.
Ele venceu em todos os tipos de condição. Na neve de Mol, no gelo, na lama, em circuitos secos e rápidos. Não importou. Van der Poel simplesmente apareceu, fez seu trabalho e foi embora com a vitória debaixo do braço.
Mas agora vem a parte difícil. Manter esse nível, chegar afiado no Mundial e ainda assim não se queimar demais pro que vem depois na estrada. É um equilíbrio delicado que poucos conseguem fazer direito.
A Espanha como campo de preparação
Não é à toa que Van der Poel escolheu a Espanha pra esse período crucial de preparação. O clima mediterrâneo permite treinar com volume alto sem se preocupar com neve, chuva ou aquelas temperaturas negativas da Bélgica que tornam qualquer treino um desafio.
Mas tem mais do que só o clima. A Espanha tem estradas perfeitas pra fazer aqueles longões de fundo que vão construir a base aeróbica necessária pras Clássicas. E ao mesmo tempo, tem subidas suficientes pra manter a intensidade quando necessário.
É o tipo de ambiente perfeito pra um atleta que precisa equilibrar duas disciplinas completamente diferentes. Durante o dia, quilômetros e mais quilômetros de estrada. À noite, planejamento tático pra quando voltar pro ciclocross em Maasmechelen.
O que esperar das próximas semanas
Quando Van der Poel voltar no final de janeiro, provavelmente em Maasmechelen, ele vai ter apenas uma semana antes do Mundial de Hulst. É um timing perfeito se você pensar bem. Tempo suficiente pra pegar o ritmo de corrida de volta, mas não tanto que vá se desgastar demais antes do objetivo principal.
E pode ter certeza que nessas semanas na Espanha, a Alpecin-Premier Tech vai estar monitorando cada watt, cada batimento cardíaco, cada quilômetro. Eles sabem que têm nas mãos não só o melhor ciclista de ciclocross do momento, mas provavelmente o ciclista mais versátil da história recente do esporte.
Afinal, quantos caras você conhece que podem ganhar Paris-Roubaix, medalha de ouro no mountain bike olímpico E títulos mundiais de ciclocross? Só tem um Mathieu van der Poel no mundo.
A filosofia por trás do sucesso
O que mais me fascina em Van der Poel não é só a capacidade física absurda que ele tem. É a cabeça do cara. Ele entende perfeitamente que cada corrida é um degrau na escada, não o topo dela. Essas nove vitórias? São treinos de luxo pra chegar onde ele realmente quer estar.
E tem aquela coisa de saber ouvir o corpo. Quando ele diz que não está no melhor, não é falsa modéstia. É alguém que conhece tão bem seu próprio corpo e suas capacidades que consegue fazer essa avaliação honesta mesmo quando tá ganhando tudo.
Isso é maturidade atlética no mais alto nível. É a diferença entre um talento bruto e um profissional completo que sabe exatamente como gerenciar sua forma ao longo de uma temporada inteira.
Os desafios que ainda vêm pela frente
Por mais impressionante que seja essa sequência de nove vitórias, Van der Poel sabe que o mais difícil ainda está por vir. Em Hulst, ele vai enfrentar uma pressão enorme. Não só a pressão de ganhar em casa, na Holanda, mas a pressão histórica de conquistar aquele oitavo título que ninguém nunca conseguiu.
E depois? Aí vem a verdadeira batalha. As Clássicas de primavera são onde todos os grandes aparecem. Pogačar vai estar lá. Van Aert (se recuperar a tempo) vai estar lá. Jonas Vingegaard, Remco Evenepoel, todos os melhores do mundo vão estar ali disputando cada metro.
Não vai ter moleza. Mas se tem alguém preparado pra esse desafio, com a experiência e o talento necessários, esse alguém é o Mathieu van der Poel que tá ali treinando no sol espanhol enquanto a gente fala.
O legado em construção
Quando a carreira de Van der Poel acabar (daqui a muitos anos, espero), vamos olhar pra trás e ver um atleta que redefiniu o que significa ser versátil no ciclismo. Ele provou que você não precisa escolher entre ser especialista ou generalista. Você pode ser excepcional em múltiplas disciplinas se tiver o talento, a dedicação e a inteligência pra gerenciar tudo isso.
Essas nove vitórias consecutivas no ciclocross? São só mais um capítulo numa história que já é lendária. Mas o livro tá longe de terminar. Os melhores capítulos provavelmente ainda vão ser escritos nas estradas geladas de Hulst em fevereiro e nos paralelepípedos brutais de Roubaix em abril.
Por enquanto, enquanto Van der Poel acumula quilômetros sob o sol espanhol, a gente só pode fazer uma coisa: aguardar ansiosamente pelos próximos episódios dessa temporada que promete ser absolutamente épica.
Perguntas Frequentes
Por que Van der Poel está indo treinar na Espanha agora?
Van der Poel está se preparando para dois objetivos principais: o Mundial de Ciclocross em Hulst (1º de fevereiro) onde pode conquistar seu oitavo título mundial, e as Clássicas de primavera como Paris-Roubaix e Volta da Flandres. A Espanha oferece o clima ideal para acumular quilômetros de treino de fundo sem as condições extremas do inverno belga, além de permitir que ele mantenha a intensidade necessária para chegar afiado no Mundial.
Quantas vitórias consecutivas Van der Poel tem nesta temporada de ciclocross?
Van der Poel está com nove vitórias consecutivas nesta temporada 2025-26 de ciclocross, mantendo um início de temporada perfeito. Ele venceu absolutamente todas as corridas que disputou até agora, incluindo etapas da Copa do Mundo UCI, X2O Trofee e outras competições importantes do calendário europeu.
O que aconteceu com Wout van Aert que fez Van der Poel ficar preocupado?
Wout van Aert sofreu uma queda brutal durante a corrida de Mol quando estava disputando a liderança com Van der Poel. O belga fraturou o tornozelo e teve que passar por cirurgia, encerrando prematuramente sua temporada de ciclocross. Van der Poel expressou genuína preocupação porque ele mesmo sofreu uma lesão parecida no ano passado (costela quebrada) e sabe como isso pode afetar a preparação para a temporada de estrada.
Quando Van der Poel voltará a competir no ciclocross?
Van der Poel provavelmente voltará a competir no ciclocross em 24 de janeiro na etapa de Maasmechelen da Copa do Mundo, aproximadamente uma semana antes do Mundial de Hulst. Existe a possibilidade dele aparecer em Benidorm uma semana antes (17 de janeiro), mas isso ainda não está confirmado no calendário oficial dele.
Se Van der Poel ganhar o Mundial em Hulst, que recorde ele quebrará?
Se conquistar o título mundial em Hulst, Van der Poel alcançará seu oitavo título mundial de ciclocross, superando sozinho o recorde histórico de Erik De Vlaeminck que tem sete títulos. Seria um marco histórico que colocaria o holandês como o maior campeão mundial de todos os tempos na modalidade, um recorde que provavelmente durará décadas.

O criador desta plataforma é a prova de que experiência e inovação pedalam juntas. Fundador do Ciclismo pelo Mundo, ele transformou décadas de vivência sobre duas rodas em um dos portais mais respeitados do ciclismo nacional.
Mais que um site, construiu um ecossistema onde veteranos e iniciantes convergem em busca de evolução. Cada artigo, vídeo e análise carrega o DNA de quem não apenas pratica, mas vive e respira ciclismo há mais de duas décadas.
Do asfalto às trilhas, dos treinos básicos às estratégias avançadas, o portal traduz a linguagem complexa do esporte em conteúdo acessível e transformador. Um legado digital construído pedalada por pedalada, quilômetro por quilômetro.
