Loenhout, Bélgica – A gente esperava a batalha do ano. O confronto que todo mundo queria ver. Mathieu van der Poel contra Wout van Aert, frente a frente, no circuito gelado de Loenhout. E por três voltas intensas, pareceu que finalmente ia rolar.
Mas o cyclocross às vezes é cruel demais. Dois furos de pneu – na mesma maldita pedra – acabaram com qualquer chance de Van Aert mostrar serviço. E olha que o belga estava indo bem, viu? Nada daquele papo de “não estava no dia”. O cara estava ali, colado no Van der Poel, fazendo a corrida acontecer.
No final das contas, Van der Poel cruzou a linha sozinho, somando sua sexta vitória em seis provas da temporada. Niels Vandeputte ficou em segundo, Joris Nieuwenhuis em terceiro. Van Aert? Décimo lugar, a 1:26 do vencedor. Uma tristeza.
Quando Até o Público Vira Obstáculo
Antes de falar dos furos, tem que contar do susto que Van der Poel tomou logo no começo. O holandês estava trabalhando para chegar à frente quando um torcedor – vai saber se foi de propósito ou não – acertou o guidão dele. Por pouco não causou uma queda feia.
Van der Poel conseguiu se equilibrar e seguiu em frente, mas o cara quase entregou a corrida ali mesmo. Depois da prova, o campeão mundial comentou com aquela diplomacia de quem já viu de tudo: “Tive sorte de manter o equilíbrio. Acho que o torcedor estava só animado demais e esqueceu que ainda tinha ciclista chegando.”
O espectador foi interrogado pela polícia e depois se desculpou publicamente, dizendo que nunca foi sua intenção e que adora cyclocross. A organização também se manifestou, lembrando que 15 mil pessoas se comportaram exemplarmente – foi só esse momento infeliz.
A Corrida Que Quase Foi Épica
Olha, por três voltas a galera em Loenhout teve o show que estava esperando. Van Aert estava ligado, tomou a frente na terceira volta e começou a apertar o ritmo. Van der Poel colou atrás dele. O resto do pelotão foi ficando para trás. Era aquilo – os dois melhores do mundo, mano a mano.
Na quarta volta, Van der Poel passou para a frente e começou a abrir. Mas Van Aert ainda estava conseguindo segurar. Até que veio o primeiro furo. O belga teve que pedalar quase uma volta inteira com o pneu traseiro furado até conseguir trocar de bicicleta nos boxes. Perdeu uns 30 segundos e caiu para o grupo de perseguidores.
Mas o cara não desistiu, né? Se destacou do grupo e começou a perseguição solo. Por duas voltas, ele foi reduzindo a diferença aos poucos. A torcida começou a se animar de novo. Será que ia dar?
Não deu. Na sexta volta, outro furo. No mesmo lugar. Provavelmente a mesma pedra que pegou ele antes.
Depois da prova, Van Aert estava visivelmente frustrado, mas tentou levar numa boa: “Acreditei que poderia transformar isso em uma batalha. Consegui sair do grupo e estava reduzindo a diferença, mas aí veio o segundo furo. Acho que foi a mesma pedra. Às vezes é assim que o cyclocross funciona.”
Cara, que azar. Sério mesmo.
Van der Poel em Piloto Automático
Uma vez que ficou sozinho na frente – e especialmente depois que Van Aert furou pela segunda vez – Van der Poel transformou aquilo numa exibição de técnica. O cara simplesmente administrou a corrida. Nas seções técnicas, impecável. Nas retas, poderoso. Foi abrindo até chegar a quase um minuto de vantagem.
Cruzou a linha com 46 segundos sobre Vandeputte, seu companheiro de equipe na Alpecin-Deceuninck. Nieuwenhuis garantiu o terceiro lugar no sprint do grupo perseguidor.
Com essa vitória, Van der Poel iguala a lenda Sven Nys com seis vitórias no Azencross de Loenhout. E mantém aquela estatística absurda: invicto há 18 corridas consecutivas de cyclocross entre esta temporada e a anterior. O cara simplesmente não perde quando resolve aparecer.
O Problema de Van Aert (E Não É Só Falta de Sorte)
Olha, dá para culpar o azar pelos dois furos? Claro que dá. Mas tem algo mais acontecendo com Van Aert nesta temporada. O belga montou um calendário enxuto – só oito corridas entre 20 de dezembro e 11 de janeiro – focando em usar o cyclocross como preparação para as clássicas de primavera na estrada.

Mas até agora, nenhuma vitória. Em Antuérpia, ficou em sétimo. Em Hofstade, conseguiu um segundo lugar digno depois de uma boa perseguição. Em Dendermonde, apenas sexto. E agora esse décimo lugar em Loenhout por conta dos furos.
Dá para perceber que o Van Aert de 2025-26 não é aquele Van Aert dominante de alguns anos atrás. Ele continua sendo um dos melhores do mundo, sem dúvida. Mas aquela capacidade de bater de frente com Van der Poel e levar a melhor? Essa tem faltado.
Pode ser o foco diferente. Pode ser que ele simplesmente não esteja priorizando o cyclocross como antes. Ou pode ser que Van der Poel tenha dado um salto de nível que deixou todo mundo para trás – incluindo seu maior rival.
Thibau Nys: O Nome Que Falta Nessa Conversa
Enquanto a galera fica hipnotizada pela rivalidade Van der Poel vs Van Aert, tem um jovem belga de 22 anos fazendo barulho: Thibau Nys. O filho da lenda Sven Nys já é campeão europeu, campeão nacional belga, e está liderando a classificação geral da Copa do Mundo.

Nys não correu em Loenhout – optou por descansar depois da vitória em Dendermonde no dia anterior. Mas o fato é: ele tem mostrado que consegue competir com os “Big Two” quando está no dia. E diferente de Van Aert, que parece estar em transição, Nys está só começando a carreira no cyclocross de elite.
A temporada que vem, ou a outra, pode ser que a gente esteja falando de um duelo Van der Poel vs Nys como o principal do cyclocross. As coisas mudam rápido nesse esporte.
O Que Vem Por Aí
Van der Poel e Van Aert ainda vão se encontrar mais duas vezes: em Mol (2 de janeiro) e Zonhoven (4 de janeiro). Depois disso, Van Aert encerra sua temporada de cyclocross no Campeonato Nacional Belga em 11 de janeiro.
Van der Poel, por sua vez, vai esticar até o Campeonato Mundial em Hulst no dia 1º de fevereiro, onde vai tentar seu oitavo título mundial – o que o colocaria sozinho no topo do ranking histórico, superando a marca de Erik De Vlaeminck.
A expectativa é que em Mol e Zonhoven a gente finalmente tenha aquele confronto limpo, sem incidentes bizarros com torcedores ou furos no pior momento possível. Mas sabendo como o cyclocross é imprevisível, melhor não contar com muita coisa.
O que dá para garantir é que Van der Poel vai chegar ao Mundial como amplo favorito. O cara está num nível acima de todo mundo neste momento. Van Aert? Bem, ele vai precisar de uma reviravolta e tanto nessas últimas corridas se quiser encerrar a temporada de cyclocross com pelo menos uma vitória no currículo.
Perguntas Que Você Pode Estar Se Fazendo
O que exatamente aconteceu com Van Aert em Loenhout?
Van Aert sofreu dois furos no pneu traseiro durante a corrida, aparentemente causados pela mesma pedra no circuito. O primeiro furo veio na quarta volta, bem quando ele estava fazendo uma boa corrida colado em Van der Poel. Teve que pedalar quase uma volta inteira até conseguir trocar de bike nos boxes. Depois se recuperou, saiu do grupo perseguidor e começou a reduzir a diferença para o líder. Mas na sexta volta, segundo furo, no mesmo lugar. Aí acabou qualquer chance de pódio. Terminou em 10º, visivelmente frustrado.
Van der Poel realmente está invicto há 18 corridas?
Sim. São seis vitórias na temporada 2025-26 (Namur, Antuérpia, Koksijde, Hofstade, Gavere e Loenhout) somadas às oito vitórias da temporada passada, quando ele venceu literalmente tudo que disputou, incluindo o Mundial em Liévin. A última derrota dele no cyclocross foi em Benidorm em janeiro de 2024, e olhe lá – ele estava voltando de um estágio de treinamento focado em estrada.
Por que Van Aert não vai disputar o Mundial?
Van Aert está usando o cyclocross como preparação para as clássicas de primavera na estrada, onde ele tem grandes ambições. Seu calendário de cyclocross é bem enxuto: só oito corridas entre 20 de dezembro e 11 de janeiro. Ele encerra no Campeonato Nacional Belga e já parte para a preparação específica para as corridas de estrada. Interessante que no ano passado ele também não tinha o Mundial no calendário, mas acabou indo e ficou em segundo lugar atrás de Van der Poel.
Qual é a chance real de Van der Poel conquistar o oitavo título mundial?
Honestamente? Altíssima. O cara está invicto, tecnicamente superior a todos, e ainda vai correr em casa, na Holanda. A menos que ele tenha um problema mecânico ou um dia muito abaixo (o que é raro), é difícil ver alguém batendo ele. Nys é o único que poderia teoricamente incomodar, mas mesmo assim seria uma surpresa. Dito isso, cyclocross é imprevisível – basta perguntar para Van Aert.
Van Aert ainda tem chances de vencer alguma corrida esta temporada?
Tem, sim. Ele ainda tem três corridas pela frente antes do Nacional Belga, e em duas delas (Mol e Zonhoven) vai enfrentar Van der Poel novamente. A forma dele não está ruim – o problema em Loenhout foi puramente azar mecânico. Se tiver um dia limpo e Van der Poel cometer algum erro ou tiver algum problema, dá para sonhar com uma vitória. Mas sendo realista? Está difícil. Van der Poel está num nível absurdamente alto neste momento.
Por que o circuito de Loenhout é tão importante?
Loenhout (também conhecido como Azencross) é uma das provas mais tradicionais e prestigiadas do calendário belga de cyclocross. É realizada há décadas, sempre no período de festas de fim de ano, e costuma atrair multidões enormes – neste ano foram cerca de 15 mil pessoas. A prova faz parte do X2O Trofee, uma das principais séries da temporada. E para os belgas, cyclocross no fim de ano é tipo futebol para brasileiro no domingo – faz parte da cultura.
Tem algum outro ciclista que consegue competir com Van der Poel e Van Aert?
O nome mais óbvio é Thibau Nys, que aos 22 anos já está mostrando que pode brigar com os grandes. Ele é campeão europeu, campeão nacional belga, lidera a Copa do Mundo e já conquistou medalha de bronze no Mundial do ano passado. Joris Nieuwenhuis e Niels Vandeputte também são consistentes e ficam no pódio quando os “Big Two” não estão presentes. Mas sejamos honestos: quando Van der Poel aparece, é difícil para qualquer um. Muito difícil mesmo.

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