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X-Lab AD9: A Bike Chinesa que Chegou para Mexer com o WorldTour – Teste no Túnel de Vento

Testamos a X-Lab AD9, primeira bike chinesa no WorldTour, no túnel de vento. Descubra se ela realmente compete com Cervélo, Pinarello e outras gigantes europeias, e se o custo-benefício compensa.

X-Lab AD9 Chinesa

Olha, quando a gente fala de bicicletas no pelotão profissional, sempre vem aquele monte de nomes clássicos na cabeça, né? Pinarello, Cervélo, Specialized, Trek… Marcas que a gente conhece há anos. Mas e se eu te disser que tem uma bike chinesa dando as caras no WorldTour e competindo de igual pra igual com essas gigantes? Pois é, a X-Lab AD9 é exatamente isso.

A XDS Astana Team escolheu essa máquina como sua arma oficial para a temporada, e isso não é pouca coisa. É a primeira vez na história que uma marca chinesa de bicicletas patrocina uma equipe WorldTour. E você já deve imaginar a pergunta que todo mundo fez: será que essa bike realmente aguenta o tranco? Ela é rápida de verdade ou é só mais uma promessa de marketing?

Para descobrir isso, resolvemos fazer o que todo ciclista curioso faria: levar a X-Lab AD9 para o túnel de vento da Silverstone Sports Engineering Hub, na Inglaterra, e botar ela frente a frente com as melhores bikes aerodinâmicas do mercado. E olha, os resultados surpreenderam até quem é mais cético.

Por Que a X-Lab AD9 Merece Nossa Atenção?

Vamos combinar uma coisa: quando você vê “Made in China” em equipamento de ciclismo de alto nível, ainda rola aquele pé atrás, não é mesmo? A gente cresceu vendo a China fabricar componentes para as grandes marcas, mas raramente vendo marcas chinesas brigando pelo topo.

A XDS, empresa de carbono por trás da X-Lab, resolveu mudar esse jogo. Segundo eles, a AD9 foi desenvolvida “para rivalizar com as melhores bikes aero do mercado”. Promessa grande, né? Mas será que entrega?

O design, de cara, não traz nada muito revolucionário. Você olha e vê os elementos que já viraram padrão nas bikes aerodinâmicas modernas: guidão integrado de peça única, tubo de direção afilado no meio para reduzir a área frontal, tubos profundos em formato aerofoil, pequenas aletas na base dos garfos… Nada que faça você cair da cadeira de surpresa.

Diferente de bikes mais radicais como a Factor ONE ou a Colnago Y1Rs, a AD9 aposta em formas mais convencionais que já provaram funcionar em modelos como a Van Rysel RCR-F e a Factor Ostro VAM.

Design: Simplicidade que Funciona

Uma coisa que chamou atenção é que a X-Lab AD9 não tem aquelas garrafas integradas que viraram moda nas bikes mais recentes, como a Wilier Filante SLR ID2 ou a Trek Madone. Também não tem suporte integrado para garrafas como vemos na Y1Rs ou na Argon18 Nitrogen Pro.

O que ela tem? Um tubo diagonal bem largo que se expande justamente nos pontos de fixação das garrafas. A ideia é simples e esperta: criar uma espécie de “escudo” aerodinâmico ao redor das garrafas, reduzindo o impacto delas no arrasto total.

Os tubos também não são tão profundos quanto os da Ridley Noah Fast 3.0 ou da Cervélo S5 com seu design bayoneta no garfo e tubo de direção. Mas como a gente já aprendeu em outros testes, aparência nem sempre conta toda a história.

Tem bikes com visual super agressivo que decepcionam no túnel de vento, e outras mais discretas que voam. A única forma de saber de verdade é testando. E foi exatamente isso que fizemos.

O Protocolo de Teste: Como Medimos a Performance Real

Para garantir que os resultados fossem confiáveis e comparáveis com nossos testes anteriores, mantivemos o mesmo protocolo rigoroso que usamos desde 2024. Isso significa que podemos comparar a X-Lab AD9 não só com bikes testadas no mesmo dia, mas também com todas as outras que já passaram pelo túnel.

Nossa bike baseline – a referência para comparação – é uma Trek Emonda ALR de 2015. Sim, aquela clássica com freios a disco, cabos externos e guidão redondo. Ela representa o oposto de uma bike aero moderna, e é mantendo ela constante em todos os testes que conseguimos quantificar o ganho real de cada modelo novo.

Três Formas de Testar

Cada bike passou por três configurações diferentes de teste:

  • Bike sozinha: Oferece precisão máxima porque elimina qualquer variável humana. Mas perde um pouco da realidade, já que bike não pedala sozinha, né?
  • Com ciclista: Adiciona o realismo que faltava, mas com uma margem de erro maior (cerca de 2-3 watts) porque é impossível um ser humano manter a posição exatamente igual em todas as medições.
  • Bike com rodas padronizadas: Aqui a gente troca as rodas originais por um conjunto ENVE SES 4.5, que serve como referência. Isso ajuda a entender se o ganho aerodinâmico vem do quadro ou das rodas que acompanham a bike.

Testamos em sete ângulos de vento diferentes (de -15° a +15°, com incrementos de 5°), simulando desde vento totalmente de frente até ventos cruzados mais fortes. A velocidade? 40 km/h, que é o que você vê em corridas amadoras, contrarrelógios e fugas longas no pelotão profissional.

Para os testes sem ciclista, cada ângulo foi medido por 10 segundos. Com ciclista, aumentamos para 30 segundos para garantir que qualquer movimento involuntário não distorcesse os resultados. Tudo padronizado: mesmo tamanho de quadro (56cm), mesma posição, mesmos pneus Continental GP5000 S TR de 25mm na frente, mesmas garrafas, mesmo suporte de computador.

Até o selim foi padronizado – usamos Ergon SR Women Team que têm a mesma parte superior tanto na versão com trilhos redondos quanto de carbono, garantindo zero diferença de aerodinâmica.

Os Resultados: X-Lab AD9 no Meio do Pelotão

Hora da verdade. Como a X-Lab AD9 se saiu?

Nos testes apenas com a bike, ela ficou no limite entre o terço inferior e o meio da tabela. Nada espetacular, mas também longe de ser ruim. A margem de erro coloca ela na região da Cervélo S5 (versão 2022) no melhor cenário, e próxima da Pinarello Dogma F no pior.

Números concretos? A AD9 economizou 33,94 watts comparada com a Trek Emonda baseline. Ficou 6,34w atrás da líder Factor ONE, mas impressionantes 9,82w mais rápida que a Look Blade 795 RS.

Mas vamos ser honestos: teste só de bike não significa muito no mundo real. O que importa mesmo é como ela se comporta com um ciclista em cima.

Com Ciclista: Aí Sim a Coisa Fica Interessante

Quando colocamos um piloto real pedalando a 90 rpm na posição aero, a X-Lab AD9 se firmou bem no meio da tabela. Ela ficou espremida entre a Van Rysel RCR-F e a Pinarello Dogma F – companhia excelente, diga-se de passagem.

A economia foi de 20,81 watts sobre a Emonda baseline. Para você ter ideia, ficou apenas 6,76w atrás da vencedora Cervélo S5 2025. Essa diferença é perceptível em testes diretos, mas só de forma bem sutil. Em provas mais longas, esses watts vão se somando, claro, mas estamos falando de uma diferença pequena.

E olha que legal: a margem de erro de ±3,5w significa que, dependendo das condições, a AD9 poderia estar competindo com a Wilier Filante SLR ou caindo um pouquinho na tabela. Mas o ponto é: ela está competindo de verdade. A XDS não mentiu quando disse que a bike rivaliza com as tops do mercado.

E as Rodas? Fazem Diferença?

Aqui vem uma surpresa interessante. Quando trocamos as rodas Branta originais da XDS pelas ENVE SES 4.5 (que são referência em aerodinâmica), a diferença foi mínima: apenas 0,54w mais rápida com as ENVE.

Sabe o que isso significa? Que as rodas que vêm com a bike já são muito boas. Ou, no mínimo, trabalham em perfeita harmonia com o quadro. Isso é um achado importante porque em muitas bikes, trocar as rodas pode fazer uma diferença gigante – aqui não.

Considerando que as ENVE SES 4.5 estão entre os melhores conjuntos de rodas testados em túnel de vento, ter rodas de fábrica que chegam tão perto é impressionante. Quer dizer que você não precisa sair gastando uma fortuna em upgrade logo de cara.

Comportamento com Ventos Cruzados: Uma Análise Mais Profunda

Uma coisa fascinante de ver nos gráficos de CdA (coeficiente de arrasto) é como cada bike reage a diferentes ângulos de vento. Algumas ficam mais lentas conforme o vento vem mais de lado (o que é natural), mas outras conseguem até “velejar” e ganhar velocidade.

A Trek Emonda baseline, por exemplo, forma um gráfico em “V” bem pronunciado – quanto mais vento lateral, pior fica. A Factor ONE, por outro lado, na verdade acelera com vento a 10° e 15° quando testada sozinha. É o efeito vela trabalhando a favor.

A X-Lab AD9 não tem esse efeito vela tão forte quanto a Factor. Conforme o ângulo de vento aumenta, ela fica um pouco mais lenta, seguindo a lógica mais tradicional. Mas aqui vem o interessante: quando você coloca um ciclista em cima, a AD9 mantém uma consistência impressionante.

A Factor ONE, que voava sozinha, perde muito dessa vantagem com o ciclista pedalando. Já a AD9 mantém um desempenho mais estável. Isso sugere que o design mais conservador pode ser mais previsível e confiável em condições reais de corrida, onde você sempre tem um corpo humano gerando turbulência.

O Contexto WorldTour: Performance Real nas Estradas

Números de túnel de vento são ótimos, mas e na vida real? A XDS Astana Team usou a AD9 durante toda a temporada 2025, e os resultados foram… bom, modestos. Apenas duas vitórias no WorldTour.

Mas calma lá. Antes de culpar a bike, a equipe terminou em 4º lugar no ranking UCI de equipes. Nada mal, considerando que estavam competindo contra times com orçamentos muito maiores e estrelas consolidadas. Claramente, a bike não foi limitação.

Vale lembrar que ciclismo profissional é muito mais que aerodinâmica. Tem tática, forma física dos atletas, trabalho de equipe, sorte… A bike é uma peça importante do quebra-cabeça, mas não é tudo. E pelos resultados de túnel de vento, podemos afirmar que a AD9 não deixou ninguém em desvantagem técnica.

Comparação Direta: AD9 vs. As Gigantes

Para colocar em perspectiva, vamos comparar a X-Lab AD9 com algumas das bikes mais badaladas do pelotão:

  • Factor ONE: Lidera os testes, mas tem um design radical que pode não agradar todo mundo. A AD9 perde cerca de 6,76w para ela com ciclista.
  • Cervélo S5 (2025): Muito próxima da Factor ONE em desempenho. Ficou na frente da AD9 por margem apertada.
  • Pinarello Dogma F: Praticamente empatada com a AD9, dependendo da margem de erro.
  • Van Rysel RCR-F: Outra que fica na mesma faixa de performance da chinesa.
  • Colnago Y1Rs: Com seu design futurista, ficou ligeiramente à frente.

O que impressiona é que estamos falando de uma marca que está estreando no WorldTour competindo taco a taco com nomes que dominam o esporte há décadas. Isso não é pouca coisa.

O Fator Preço: Aqui a Coisa Fica Ainda Mais Interessante

Embora não tenhamos testado preço no túnel de vento (risos), vale mencionar que a X-Lab AD9 chega ao mercado por uma fração do custo das concorrentes europeias e americanas.

Enquanto uma Pinarello Dogma F ou uma Cervélo S5 podem facilmente ultrapassar R$ 40.000, a AD9 se posiciona em uma faixa bem mais acessível. Claro que “acessível” é relativo quando falamos de bikes de competição, mas a diferença é significativa.

Isso abre um caminho interessante: performance de WorldTour sem necessariamente pagar preço de WorldTour. Para equipes menores, amadores sérios ou ciclistas que querem o melhor desempenho possível sem vender um rim, a AD9 se torna uma opção muito atraente.

O Que Falta Descobrir: Impressões de Pilotagem

Uma coisa que precisamos deixar claro: ainda não tivemos a chance de pedalar a X-Lab AD9 nas estradas de verdade. Túnel de vento conta uma parte importante da história – a aerodinâmica – mas há muito mais para avaliar em uma bike.

Como ela se comporta em subidas longas? É reativa nas acelerações? O quadro é confortável em provas de longa distância? A rigidez torsional entrega a energia toda para a roda traseira? São perguntas que só um teste real pode responder.

Mas aqui está o ponto: pelos dados aerodinâmicos, a XDS provou que pode competir tecnicamente. Agora falta descobrir se a experiência geral de pilotagem está no mesmo nível. E isso, sinceramente, a gente está ansioso para testar.

O Futuro: Mais Marcas Chinesas no WorldTour?

A entrada da X-Lab no WorldTour pode estar abrindo um precedente importante. Se uma marca chinesa consegue desenvolver uma bike competitiva por um custo menor, isso pressiona as marcas tradicionais a justificarem seus preços altíssimos.

Será que daqui alguns anos vamos ver mais marcas asiáticas no pelotão? Será que a dominância europeia e americana no fornecimento de equipamentos profissionais vai começar a ser desafiada de verdade?

O ciclismo tem uma história longa de tradição e prestígio associado a certas marcas e regiões. Mas se tem uma coisa que o esporte ensina é que resultados falam mais alto que tradição. E pelos resultados da AD9, a conversa está longe de terminar.

Imagina se daqui uns anos, na mesa do café antes do pedal de domingo, a galera estiver debatendo se prefere uma X-Lab ou uma Pinarello? Cinco anos atrás isso seria impensável. Hoje? Bom, os dados mostram que a pergunta faz sentido.

XDS Entregou o Que Prometeu

No fim das contas, a X-Lab AD9 faz exatamente o que a XDS disse que ela faria: compete com as melhores bikes aero do WorldTour. Ela não é a mais rápida – esse título pertence à Factor ONE e Cervélo S5. Mas está ali, no meio do pelotão das melhores, brigando de igual para igual.

Para uma estreante no circuito profissional, isso é mais que suficiente para validar o projeto. A XDS provou que engenharia chinesa pode, sim, competir no mais alto nível do ciclismo de estrada.

O design conservador pode não ganhar prêmios de inovação, mas funciona. As rodas que acompanham a bike são boas o suficiente para você não precisar correr para trocar. E o comportamento consistente com vento cruzado sugere previsibilidade e confiança em condições variadas.

Seria a bike perfeita para todo mundo? Provavelmente não. Mas é uma opção muito sólida para quem quer performance de ponta sem pagar os preços absurdos das marcas tradicionais. E para o WorldTour, comprovou que não existe mais monopólio de região quando o assunto é tecnologia de ponta.

A grande pergunta que fica é: será que a X-Lab é só o começo? Será que estamos vendo a primeira onda de uma verdadeira revolução no mercado de bikes de alta performance? Só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: ignorar a AD9 seria um erro. Ela chegou, provou seu valor, e está aqui para ficar.


Perguntas Frequentes sobre a X-Lab AD9

A X-Lab AD9 é realmente competitiva com bikes do WorldTour?

Sim! Nos testes de túnel de vento, a AD9 ficou no meio da tabela, competindo diretamente com bikes estabelecidas como Pinarello Dogma F e Van Rysel RCR-F. Ela economizou 20,81 watts comparada à bike baseline, ficando apenas 6,76w atrás da vencedora Cervélo S5. Para uma estreante no WorldTour, isso é muito impressionante e valida completamente as afirmações da XDS sobre performance de ponta.

Vale a pena trocar as rodas Branta que vêm com a bike?

Provavelmente não precisa, pelo menos não imediatamente. Quando testamos a AD9 com rodas ENVE SES 4.5 (consideradas referência em aerodinâmica), a diferença foi de apenas 0,54w mais rápida. Isso indica que as rodas Branta originais já trabalham muito bem com o quadro e oferecem ótimo desempenho aerodinâmico. Você pode investir seu dinheiro em outros upgrades antes de pensar em trocar as rodas.

Como a X-Lab AD9 se comporta com ventos cruzados?

A AD9 mantém um comportamento bem consistente em diferentes ângulos de vento. Diferente de algumas bikes ultra-aerodinâmicas que podem ter comportamento imprevisível com vento lateral, a AD9 segue um padrão mais tradicional e estável. Quando testada com ciclista, ela até supera a Factor ONE em alguns ângulos de vento cruzado (15°), mostrando que o design mais conservador pode oferecer maior previsibilidade em condições reais de corrida.

Qual a principal vantagem da X-Lab AD9 sobre concorrentes europeias?

O preço é definitivamente o diferencial mais atraente. A AD9 oferece performance comparável a bikes que custam mais de R$ 40.000, mas por uma fração desse valor. Você consegue aerodinâmica de WorldTour sem pagar o premium das marcas tradicionais europeias e americanas. Para equipes amadoras, ciclistas sérios ou quem busca o melhor custo-benefício em performance, essa é uma vantagem gigantesca que não pode ser ignorada.

Quais são os pontos fracos da X-Lab AD9 identificados nos testes?

Nos testes de túnel de vento, a AD9 não apresentou pontos fracos críticos, mas também não se destacou como a mais rápida. Ela ficou no meio da tabela – sólida, mas não excepcional. O design conservador significa que ela não tem inovações radicais como garrafas integradas ou geometrias super agressivas. Porém, vale lembrar que ainda não testamos aspectos como rigidez, conforto em longas distâncias, manuseio em descidas técnicas e qualidade de acabamento – fatores que só um teste real nas estradas pode revelar.

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