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O Escândalo Festina de 1998: Onde Estão Hoje os Protagonistas do Caso que Quase Destruiu o Ciclismo Francês

Descubra o que aconteceu com Richard Virenque, Willy Voet e todos os envolvidos no maior escândalo de doping do ciclismo. Uma história que mudou o esporte para sempre e cujos protagonistas seguiram caminhos bem diferentes.

O Escândalo Festina de 1998

Julho de 1998. O Tour de France deveria estar celebrando seu centenário com festa e alegria, mas o que rolou foi bem diferente. Um escândalo gigantesco explodiu bem no meio da corrida e mudou o ciclismo para sempre. A história do caso Festina começou de um jeito quase bizarro: um massagista belga chamado Willy Voet foi parado na fronteira entre Bélgica e França com o carro lotado de frascos de EPO, hormônios de crescimento e outras substâncias proibidas.

Era o início de uma crise que fez o mundo inteiro ver o lado podre do esporte que a gente tanto ama. O tal do Festina Affair, como ficou conhecido internacionalmente, revelou algo que todo mundo desconfiava mas ninguém queria admitir: o uso de doping era generalizado no pelotão profissional dos anos 90.

Como Tudo Começou: A Detenção que Mudou o Ciclismo

O jornalista francês Francois Thomazeau, da agência Reuters, foi quem deu o furo da prisão de Voet. A notícia caiu como uma bomba. De repente, aquela equipe francesa que era motivo de orgulho nacional virou alvo de investigação policial. E olha que estamos falando da equipe Festina, uma das mais poderosas do ciclismo mundial naquela época.

O que veio depois foi um verdadeiro efeito dominó: negações desesperadas, ciclistas jogando remédios no vaso sanitário dos hotéis, batidas policiais em plena madrugada, protestos dos corredores, revelações bombásticas e gente fugindo do Tour como se estivesse escapando de um incêndio. A corrida quase não chegou até Paris – e muita gente achava mesmo que não ia chegar.

No fim das contas, Marco Pantani levou a camisa amarela para casa depois de quebrar Jan Ullrich nos Alpes. Mas a festa do italiano durou pouco: um ano depois, ele mesmo foi pego num teste de hematócrito no Giro d’Italia. Era o ciclo vicioso do doping se repetindo.

O Julgamento e as Consequências

Os dirigentes e médicos da equipe acabaram sendo julgados e pegaram penas de prisão suspensas. Já os ciclistas levaram suspensões que variavam: alguns ficaram nove meses fora, outros menos. Na época, essas eram as punições padrão para casos de doping no ciclismo.

Teve cara que confessou na hora, mas teve também quem insistiu na negação por anos. E a investigação parlamentar francesa não parou por aí: fizeram testes retroativos nas amostras guardadas do Tour de 1998. O resultado? Descobriram que Pantani, Ullrich e um monte de outros também tinham usado EPO. Dezoito ciclistas deram positivo e outros doze ficaram com resultados suspeitos.

Como diz o respeitado jornalista francês Pierre Carrey, que era adolescente em 1998: “O caso Festina abriu os olhos das pessoas para o doping de EPO no ciclismo. Durante o Tour de 1998, as notícias eram cada vez mais sobre doping e cada vez menos sobre ciclismo.”

Richard Virenque: O Herói que Virou Vilão

Richard Virenque
Richard Virenque

Se tem um nome que simboliza o escândalo Festina, esse nome é Richard Virenque. O francês era tipo o queridinho da nação, o cara que todo mundo torcia para ganhar o Tour. Terceiro em 1996, segundo em 1997 – em 1998, parecia que finalmente seria a vez dele.

Quando a bomba estourou, Virenque escolheu o caminho da negação. Lágrimas nos olhos, voz embargada, ele jurava que era inocente. Aquelas lágrimas de crocodilo ficaram famosas – e não no bom sentido. Virenque seguiu negando tudo até 2000, quando foi obrigado a confessar sob juramento num tribunal. Mesmo assim, tentou voltar atrás depois.

Ele não foi considerado culpado de nenhum crime, mas levou um ano de gancho. Voltou para o pelotão com a Domo-Farm Frites e depois foi para a QuickStep. Ganhou mais algumas etapas no Tour, incluindo aquela vitória épica no Mont Ventoux em 2002 e outra em Morzine em 2003. Mas nunca mais foi candidato real ao título.

Depois de pendurar a bike em 2004, Virenque trabalhou como comentarista na Eurosport. Em 2006, até participou da versão francesa do programa “Sou uma Celebridade, Tirem-me Daqui!”. Mas também virou piada num programa de humor francês tipo Casseta & Planeta, onde os bonecos zoavam ele por ter admitido que se dopava “mas sem saber e sem consentimento”.

Hoje com 55 anos e cabelos prateados, Virenque ainda reclama que virou o bode expiatório do caso Festina. Ele vive dando entrevistas para quem quiser ouvir, sempre martelando que foi vítima de uma conspiração política. Em 2025, apareceu na linha de chegada do Mont Ventoux no Tour e até conversou com Valentin Paret-Peintre, que tinha acabado de vencer a etapa.

Em entrevista ao jornal belga La Dernière Heure, Virenque disparou: “Nada poderia ter me impedido de vencer” o Tour de 1998. Ele insiste até hoje que sua queda foi resultado de uma briga política para desacreditar o então presidente francês Jacques Chirac, que era fã de ciclismo.

Laurent Brochard: O Campeão Mundial que Seguiu em Frente

Laurent Brochard
Laurent Brochard

Lembra do cara do cabelo mullet? Pois é, Laurent Brochard era tão famoso pelo penteado quanto pela vitória surpresa no Mundial de 1997, em San Sebastian. Ele correu pela Festina de 1995 a 1999, bem no auge do esquema de doping.

Em 2023, a UCI admitiu que tinha dado mole ao aceitar uma receita médica retroativa para lidocaína, cobrindo o teste positivo de Brochard. Mas em 1998, Laurent foi esperto: confessou rapidinho e pegou nove meses de suspensão, assim como vários colegas de equipe.

Voltou em 1999 para a Festina reformulada e supostamente limpa. Deu até para correr o Tour naquele ano e ganhar uma etapa na Vuelta. Depois passou pela Jean Delatour, AG2R Prévoyance e Bouygues Telecom, correndo até 2007.

Hoje Brochard mora na região de Auvergne, na França. O mullet já era, mas ele ainda pedala bastante e organiza uma prova anual chamada La Sancy Arc-en-Ciel By Laurent Brochard. Nos últimos anos, tem dirigido um carro VIP no Tour para o patrocinador Mondial Relay. Tentou sempre evitar falar sobre o passado do doping.

Laurent Dufaux: Do Escândalo ao Desenvolvimento de Novos Talentos

Laurent Dufaux
Laurent Dufaux

Um dos três suíços da equipe, Laurent Dufaux era da região de Aigle, onde fica a sede da UCI. Usou seu jeito tranquilo e positivo para seguir em frente depois do escândalo. Confessou tudo, levou sete meses de gancho e pronto.

Entre 1999 e 2001, correu pela Saeco, depois pela Alessio e QuickStep. Fez seu último Tour e ganhou mais uma etapa da sua prova local, o Tour de Romandie, em 2004. Desde então, trabalha para a marca Craft, cuidando de contas na França e na Suíça. Também é diretor esportivo da Swiss Elite Fondations, uma equipe Continental que quer virar profissional e está ajudando a desenvolver jovens ciclistas suíços.

Pascal Hervé: A Tragédia de um Gregário Leal

Pascal Hervé
Pascal Hervé

Pascal Hervé tinha aquela mesma atitude de negação e arrogância que Virenque mostrava. Os dois eram praticamente inseparáveis, dividindo quarto em mais de 300 dias de corrida. Hervé era o cara que acalmava e inspirava Virenque nas horas decisivas.

Foi o último a admitir o doping e pegou apenas dois meses de suspensão. Virenque o levou junto para a Polti em 2000, mas aí veio o segundo golpe: teste positivo no Giro d’Italia de 2001. Foi o fim da linha.

Em 2018, falando ao jornal La Parisien, Hervé refletiu: “Quando tudo veio à tona, eu banquei o durão. Foi minha fase de jovem idiota. Olhando para trás, deveria ter confessado logo e dito que o pelotão inteiro fazia a mesma coisa.”

Hervé se mudou para Quebec, no Canadá, onde foi diretor esportivo da equipe continental Garneau-Quebecor. Infelizmente, foi diagnosticado com um câncer agressivo no estômago e faleceu na véspera de Natal de 2024, aos 60 anos. Uma perda que tocou muita gente no mundo do ciclismo.

Os Suíços que Renasceram: Meier e Zülle

Armin Meier, assim como Dufaux, escolheu confessar rapidinho quando a polícia francesa o pegou durante o Tour. Cumpriu a suspensão, voltou para vencer o campeonato nacional suíço e até correu o Tour de 1999 pela Saeco.

Largou as bikes em 2001, com 31 anos, e entrou para o mundo corporativo. Virou diretor-geral da InfrontRingier Sports & Entertainment na Suíça, ajudado pelo seu ex-empresário Jean-Marc Biver, que depois se envolveu com as equipes BMC e Astana. Em 2025, sua empresa foi vendida para a gigante belga Golazo, que trabalha com a UCI na organização do Gravel World Series e outros eventos.

Alex Zülle tinha acabado de chegar na Festina em 1998, vindo da ONCE onde correu ao lado de Laurent Jalabert. O suíço era conhecido por ter ganhado a Vuelta a España em 1996 e 1997. A Festina o contratou como plano B para o caso de Virenque dar azar com quedas – o que era bem comum com ele.

Zülle foi direto ao ponto quando a polícia chegou: “Usei EPO por cerca de quatro anos. A primeira vez foi quando corria pela ONCE. Na Festina, o EPO era usado da mesma forma, e cerca de 20 corredores tomavam EPO sob supervisão do médico. Não posso provar, mas acho que EPO pode ser encontrado em todas as grandes equipes de ciclismo.”

Depois da suspensão, voltou com a Banesto e depois foi para a problemática Team Coast, montada em torno de Jan Ullrich. Encerrou a carreira em 2004 na Phonak, outra equipe que teria problemas de doping com Floyd Landis. Desde então, mantém perfil baixo, mas teve um papel na organização do Tour de Suisse através da empresa Infront, assim como os outros suíços gerenciados por Biver.

Christophe Moreau: O Cara que Deu a Volta por Cima

Christophe Moreau
Christophe Moreau

Christophe Moreau conseguiu algo raro: seguir correndo até 2010 e fazer a galera esquecer do passado. Resultados bons, um sorriso simpático e silêncio total sobre 1998 fizeram o truque.

“Paguei pelo que fiz. Só sei que saí disso mais forte. Transformou minha vida”, ele costumava dizer.

Moreau venceu o prólogo do Tour de 2001 e foi quarto na classificação geral em 2000. Ganhou duas vezes o Critérium du Dauphiné Libéré, mostrando que tinha talento de verdade para corridas por etapas.

Depois de pendurar a bike, trabalhou para a Eurosport França até 2015 e se mudou para a Suíça com sua companheira, que conheceu durante o Tour de 2000. Mas a história teve um capítulo triste: segundo o jornal suíço Le Matin, ele foi preso em 2023 sob suspeita de ameaças de violência contra a esposa e as filhas. Estava sob efeito de álcool na hora da prisão e ficou detido por um mês antes de começar tratamento para dependência. Depois admitiu as ameaças mas garantiu que nunca as teria executado.

“Hoje, quando você googla ‘Christophe Moreau’, sou visto como um assassino que quer matar a esposa perseguindo ela pelas ruas com uma arma, o que é completamente falso”, ele disse ao jornal Blick.

Didier Rous e Neil Stephens: Caminhos Opostos

A carreira de Didier Rous fechou um ciclo completo: sua última vitória foi na Paris-Corrèze de 2006, perto do bar onde ele, Virenque e os outros da Festina deram aquela entrevista coletiva depois de serem expulsos do Tour em 1998.

Rous continuou correndo depois da suspensão, aparentemente arrependido e pedalando limpo com a equipe de Jean-René Bernaudeau até 2007. Desde então, trabalha como diretor esportivo, passando 2025 com a Arkéa-B&B Hotels.

“O caso Festina foi importante porque começou a mudar mentalidades. Ficou cada vez mais difícil e isso é bom”, ele refletiu.

Já o australiano Neil Stephens seguiu o manual do Virenque. Negou tudo e disse que achava que as injeções que recebia dos médicos da equipe eram só vitaminas legais. Se aposentou em 1998 mesmo, continuou morando no País Basco espanhol e foi trabalhar com uma empresa de turismo de ciclismo.

Tinha corrido pela ONCE no início dos anos 90, junto com Zülle e Jalabert, e voltou para a equipe quando a Liberty Mutual virou patrocinadora em 2004. Desde então, é diretor esportivo – primeiro com a GreenEdge, depois UAE Team Emirates e Bahrain-Victorious. Para 2026, voltou para a equipe australiana.

“Sou grato às equipes com que trabalhei, tive ótimas experiências e isso ajudou a me moldar na carreira profissional”, disse Stephens, hoje com 62 anos.

Os Chefes: Bruno Roussel e Willy Voet

Bruno Roussel, o diretor da equipe, negou que havia um programa organizado de doping durante a primeira semana do Tour. Aí a polícia o prendeu e ele acabou confessando depois de três semanas atrás das grades. Disse que o programa era cuidadosamente gerenciado para limitar o risco de ser pego e os riscos à saúde dos ciclistas.

Assim como outros membros da equipe e médicos, Roussel recebeu pena de prisão suspensa e ficou cinco anos banido. Virou corretor de imóveis na Bretanha e chegou a trabalhar brevemente com a seleção mexicana.

Escreveu um livro confessando seu papel central no caso Festina, mas também sugerindo uma série de ações necessárias para limpar o ciclismo profissional. Algumas foram implementadas, outras não – e são importantes se quisermos evitar outro escândalo do tipo.

Willy Voet, o massagista cuja prisão deu início a tudo, também escreveu um livro depois de receber sua sentença suspensa. Chamado “Massacre à la Chaine”, o livro vendeu 300 mil cópias e foi traduzido para o inglês.

Voet revelou cada detalhe sórdido de como ajudava ciclistas a se doparem durante os anos 80 e 90, e como começaram a usar EPO em meados dos anos 90. Ele sugeriu que tentar convencer ciclistas a não tomar drogas era “como dizer para crianças não tocarem em chocolate”.

Voet foi banido por três anos mas, diferente de muitos dos ciclistas que ajudou a dopar, nunca voltou para o ciclismo e confessou tudo que fez de errado. Virou motorista de ônibus antes de se aposentar. Hoje tem 80 anos.

O Legado Amargo do Caso Festina

Pierre Carrey, que era adolescente em 1998, resume bem o impacto: “O caso Festina abriu os olhos das pessoas para o doping de EPO no ciclismo. Eu estava na escola e meus colegas me chamavam de ‘dopado’ por causa do doping descoberto no Tour de 1998. Criou uma década do que chamavam de ‘cyclisme à deux vitesses’ [ciclismo de duas velocidades], já que equipes francesas lutavam para competir com seus rivais dopados, mas talvez tenha salvado o ciclismo na França.”

Corredores como Thibaut Pinot cresceram com pôsteres de Virenque nas paredes, sonhando em ganhar etapas de montanha como ele. O caso Festina ajudou eles a entenderem a realidade sombria do ciclismo dos anos 90 e deu uma orientação moral para a nova geração. Como Carrey diz, o escândalo quase matou o ciclismo francês, mas acabou sendo uma bênção disfarçada.

Hoje, quando olhamos para aquele Tour de 1998, fica claro que foi um divisor de águas. O ciclismo nunca mais seria o mesmo – para o bem ou para o mal. Os testes antidoping evoluíram, o passaporte biológico foi criado, e a fiscalização ficou muito mais rigorosa. Mas até hoje, vez ou outra, aparece um caso que nos lembra: a batalha contra o doping no esporte é uma guerra sem fim.

O caso Festina não foi só sobre uns caras que tomaram EPO. Foi sobre como um esporte inteiro perdeu o rumo, sobre como a pressão por resultados pode levar pessoas a fazerem escolhas erradas, e sobre como é difícil – mas necessário – reconstruir a confiança depois que ela é quebrada.

E quem sabe, daqui a mais alguns anos, quando olharmos para trás, veremos que aquele verão caótico de 1998 foi o momento em que o ciclismo começou, de verdade, a se limpar. Ou pelo menos tentou.


Perguntas Frequentes sobre o Escândalo Festina

O que foi exatamente o escândalo Festina?

O escândalo Festina foi o maior caso de doping coletivo revelado no ciclismo profissional até então. Começou em julho de 1998, quando o massagista Willy Voet foi preso na fronteira franco-belga com uma quantidade enorme de substâncias proibidas, incluindo EPO, hormônios de crescimento e anabolizantes. Isso levou a investigações que revelaram um esquema organizado de doping na equipe Festina, uma das mais fortes da época, resultando na expulsão de toda a equipe do Tour de France daquele ano.

Por que Richard Virenque é considerado o símbolo do caso?

Richard Virenque era o astro da equipe e um herói nacional na França. Quando o escândalo estourou, ele negou veementemente o uso de doping, chegando a chorar em público proclamando sua inocência. Só confessou em 2000, quando foi obrigado a testemunhar sob juramento em tribunal, mas depois voltou atrás. Essa postura de negação prolongada, diferente de outros companheiros que confessaram rapidamente, fez dele o rosto mais emblemático – e mais criticado – do caso.

O que aconteceu com os ciclistas depois das suspensões?

As trajetórias foram bem variadas. Alguns, como Laurent Brochard, Laurent Dufaux e Christophe Moreau, conseguiram voltar ao pelotão profissional e tiveram carreiras longas e respeitadas. Outros, como Pascal Hervé, testaram positivo novamente e encerraram as carreiras precocemente. Virenque voltou a ganhar etapas no Tour mas nunca mais foi candidato ao título. Muitos viraram diretores esportivos, comentaristas ou empresários no mundo do ciclismo após se aposentarem.

Como o caso Festina mudou o ciclismo?

O escândalo foi um divisor de águas que forçou o esporte a encarar o problema do doping de frente. Levou ao desenvolvimento de testes antidoping mais sofisticados, à criação do passaporte biológico dos atletas e a uma fiscalização muito mais rigorosa. Para o ciclismo francês especificamente, criou uma geração de corredores mais conscientes e comprometidos com o esporte limpo. Embora casos de doping ainda aconteçam, a transparência e os mecanismos de controle são incomparavelmente superiores aos de 1998.

Outros ciclistas além da equipe Festina usavam EPO nos anos 90?

Sim, e isso foi comprovado depois. A investigação parlamentar francesa fez testes retroativos nas amostras guardadas do Tour de 1998 e descobriu que 18 corredores de diversas equipes testaram positivo para EPO, incluindo o vencedor Marco Pantani e o vice Jan Ullrich. Outros 12 tiveram resultados suspeitos. Alex Zülle, em seu depoimento à polícia, foi direto ao ponto: acreditava que EPO estava presente em todas as grandes equipes da época. Os anos 90 foram marcados pelo uso generalizado de doping sanguíneo no pelotão profissional.

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