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Emirados Árabes Constroem Montanha Artificial para Mundial de Ciclismo 2028? Polêmica Agita Pelotão

Tim Merlier revela que Emirados podem incluir montanha artificial no Mundial 2028 de Abu Dhabi, favorecendo Pogačar e prejudicando velocistas. Entenda a polêmica que agita o pelotão mundial.

Emirados Árabes Constroem Montanha Artificial para Mundial de Ciclismo 2028

Uma revelação bombástica está causando furor no mundo do ciclismo profissional. Os Emirados Árabes Unidos podem estar planejando incluir uma montanha artificial no percurso do Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada de 2028, que será realizado em Abu Dhabi. A informação, divulgada pelo velocista belga Tim Merlier, reacende o debate sobre a falta de oportunidades para os sprinters puros no cenário mundial.

A Denúncia de Tim Merlier: “Eles Estão Trabalhando Nisso”

Durante entrevista ao jornal belga Het Laatste Nieuws, Tim Merlier, atual campeão europeu de estrada e considerado um dos melhores velocistas da atualidade, fez uma declaração que pegou muitos de surpresa. Quando questionado sobre suas chances no Mundial de Abu Dhabi 2028, que deveria favorecer os sprinters, o belga foi categórico:

“Se eles não construírem uma montanha artificial lá para o Pogačar, claro”, brincou o jornalista Jan Bakelants. E a resposta de Merlier chocou: “Eles estão trabalhando nisso”.

A referência é à colina artificial de Al Wathba, localizada nas proximidades de Abu Dhabi. Esta estrutura, que atualmente abriga uma das melhores pistas de ciclismo dos Emirados, poderia ser incorporada ao percurso do Mundial, transformando radicalmente o perfil da prova.

O Contexto: Velocistas em Extinção no Ciclismo Mundial

Para entender a gravidade desta situação, é preciso olhar para o histórico recente dos Campeonatos Mundiais. Desde Bergen 2017, quando Peter Sagan conquistou seu terceiro título mundial consecutivo, nenhum velocista puro conseguiu vestir a cobiçada camisa arco-íris.

Aquele Mundial norueguês, vencido pelo lendário Peter Sagan, já apresentava dificuldades altimétricas, mas ainda terminou em um sprint reduzido. Desde então, a União Ciclista Internacional (UCI) tem selecionado percursos cada vez mais favoráveis aos escaladores.

A tendência continua nos próximos anos:

  • Montreal 2026: Percurso montanhoso no Canadá
  • Alta Saboya 2027: Alpes franceses favorecendo escaladores
  • Abu Dhabi 2028: Deveria ser para velocistas, mas…

Tadej Pogačar: O “Ciclista de Casa” dos Emirados

A suspeita de Merlier ganha força quando analisamos a relação especial entre Tadej Pogačar e os Emirados Árabes Unidos. O esloveno, que compete pela equipe UAE Team Emirates-XRG, recentemente recebeu uma estátua dourada em tamanho real em Abu Dhabi, homenageando sua icônica comemoração de reverência.

A estátua, inaugurada em novembro de 2024, celebra as impressionantes conquistas do bicampeão mundial, incluindo:

  • Quatro títulos do Tour de France (2020, 2021, 2024 e 2025)
  • Dois campeonatos mundiais consecutivos (2024 e 2025)
  • Três Monumentos do ciclismo em 2025
  • Cinco vitórias consecutivas na Il Lombardia

Com tamanha conexão com o país-sede, a possibilidade de adaptar o percurso para favorecer o campeão mundial parece menos absurda do que inicialmente poderia parecer.

A Luta de Merlier: Uma Geração Sem Oportunidades

A frustração de Tim Merlier é compreensível. Aos 32 anos, o belga representa uma geração inteira de velocistas que pode nunca ter uma chance real de conquistar o título mundial. Em suas próprias palavras:

“Cada geração de velocistas deveria ter pelo menos uma oportunidade real de ganhar um título mundial. Me temo que essa oportunidade nunca chegará para mim”, lamentou Merlier, embora tenha ressaltado que não planeja se aposentar.

O velocista fez uma comparação interessante com outros esportes:

“No boxe, os pesos-leves nunca enfrentam os pesos-pesados. No ciclismo, em uma Grande Volta, sim. Isso dá beleza ao esporte, mas em certo modo também o faz ilógico. Estamos realmente nos direcionando para rotas onde apenas os ciclistas de até setenta quilos têm futuro e os velocistas puros desaparecem? Seria uma pena”.

Al Wathba: A Montanha Artificial dos Emirados

A Al Wathba Cycle Track não é uma fantasia futurista, ela já existe. Localizada a aproximadamente 40 minutos de carro do centro de Abu Dhabi, esta instalação ciclística de última geração oferece:

  • Circuitos de 8km, 16km, 20km, 22km e 30km
  • Iluminação solar alimentada 24 horas por dia
  • Superfície impecável e elevações artificiais
  • Acesso completamente gratuito
  • Paisagem desértica ao estilo Star Wars (usada no filme “O Despertar da Força”)

Se a UCI permitir a inclusão desta estrutura ou de uma similar no percurso de 2028, o perfil da corrida mudaria completamente, transformando o que deveria ser um Mundial para velocistas em mais uma batalha de escaladores.

UCI Sob Pressão: Entre o Compromisso e a Manipulação

Segundo relatos, a UCI teria explicitamente vetado um final em alto no Jebel Hafeet – a icônica subida que encerra o UAE Tour todos os anos. A entidade máxima do ciclismo mundial teria exigido aos Emirados que o Mundial de 2028 fosse de fato uma prova plana.

No entanto, como Merlier e outros críticos apontam, a UCI não tem exatamente um histórico imaculado quando se trata de resistir a pressões externas. A construção de uma “montanha artificial” poderia ser uma forma criativa de contornar essa exigência, mantendo tecnicamente o percurso como “artificial” e não naturalmente montanhoso.

O Dilema do Ciclismo Moderno: Especialização vs. Versatilidade

Esta controvérsia levanta questões fundamentais sobre a evolução do ciclismo profissional. As Grand Tours e os Monumentos sempre valorizaram a versatilidade – ciclistas capazes de performar em diferentes terrenos. Mas os Campeonatos Mundiais deveriam oferecer oportunidades equitativas para diferentes especialidades?

Tim Merlier, que esperou anos para ter sua chance no Tour de France devido ao foco da Soudal-QuickStep em Remco Evenepoel, exemplifica o dilema dos velocistas modernos. Mesmo sendo considerado o melhor sprinter da atualidade, suas oportunidades são cada vez mais escassas.

Perspectivas para 2028: O Que Esperar?

Se a montanha artificial de Al Wathba for realmente incorporada ao percurso de 2028, Tim Merlier terá então 36 anos – uma idade avançada para um velocista puro competir em alto nível. Esta seria sua última chance realista de disputar um Mundial favorável aos sprinters.

Para 2026, Merlier terá um reforço importante na Soudal-QuickStep com a saída de Evenepoel para a Red Bull-Bora-Hansgrohe. Alberto Dainese se juntará à equipe como alternativa de sprint, potencialmente oferecendo mais oportunidades ao belga.

“Na saída e no sprint, estão se incorporando vários reforços importantes. Alberto Dainese, por exemplo, não considero uma má alternativa para Paul (Magnier) e para mim. Espero que se abra completamente conosco e seja um valor agregado”, declarou Merlier sobre os planos para 2026.

A Infraestrutura Ciclística dos Emirados: Além de Al Wathba

Os Emirados Árabes não param de investir pesadamente em infraestrutura ciclística. Além da Al Wathba, o país oferece:

  • Yas Marina Circuit: Os ciclistas podem pedalar na pista de Fórmula 1
  • Hudayriyat Island: Cinco circuitos diferentes com vistas espetaculares
  • Over Water Bridge: Uma ponte sobre o Golfo Pérsico exclusiva para ciclistas
  • Abu Dhabi Corniche: Ciclovia cênica ao longo da costa

Todas estas instalações são 100% gratuitas, demonstrando o compromisso do país em promover o ciclismo. A questão é: este investimento busca democratizar o esporte ou criar vantagens específicas para seus atletas patrocinados?

O Legado de Peter Sagan: Último Velocista Campeão Mundial

Para entender a magnitude do problema, vale revisitar o último velocista puro a conquistar o Mundial. Peter Sagan, o carismático eslovaco, fez história ao conquistar três títulos mundiais consecutivos de 2015 a 2017:

  • Richmond 2015: Ataque decisivo na subida final
  • Doha 2016: Sprint em massa no deserto do Qatar
  • Bergen 2017: Sprint ajustadíssimo contra Alexander Kristoff

Desde Bergen 2017, já se passaram oito anos sem um campeão mundial velocista. Os títulos subsequentes foram conquistados por escaladores ou all-rounders como Alejandro Valverde, Julian Alaphilippe, Remco Evenepoel e Tadej Pogačar (duas vezes).

Impacto no Calendário Mundial: Reflexões Necessárias

A possível inclusão de uma montanha artificial em Abu Dhabi 2028 representa mais do que uma simples mudança de percurso. Ela simboliza uma tendência preocupante na gestão do ciclismo profissional:

  1. Falta de rotação nos perfis dos Mundiais
  2. Influência excessiva dos patrocinadores sobre o desenho das provas
  3. Desvalorização da especialização em favor da versatilidade total
  4. Redução das oportunidades para diferentes tipos de ciclistas

Como Merlier enfatizou, a UCI deveria garantir que cada geração de velocistas tenha ao menos uma oportunidade justa de disputar o título mundial em condições favoráveis.

Reações da Comunidade Ciclística Internacional

Embora ainda não haja confirmação oficial por parte da UCI ou dos organizadores emirados, a revelação de Merlier já gerou debates acalorados nas redes sociais e na mídia especializada. Alguns argumentos de ambos os lados:

Argumentos Favoráveis à Montanha Artificial:

  • O ciclismo moderno valoriza a versatilidade acima da especialização
  • Percursos mais seletivos produzem corridas mais emocionantes
  • Os Emirados têm direito de mostrar suas capacidades de engenharia
  • Escaladores também merecem oportunidades consecutivas

Argumentos Contrários:

  • Oito anos sem um Mundial para velocistas é tempo demais
  • Manipulação evidente para favorecer Pogačar
  • Desrespeito ao compromisso da UCI de ter um percurso plano
  • Uma geração inteira de sprinters será privada de oportunidades

O Futuro dos Velocistas no Ciclismo Mundial

A controvérsia da montanha artificial de Abu Dhabi transcende uma simples mudança de percurso. Ela representa um ponto de inflexão crucial para o futuro do ciclismo profissional e o papel dos velocistas puros neste esporte.

Tim Merlier, com sua denúncia corajosa, colocou em evidência um problema que muitos preferiam ignorar: a progressiva marginalização dos sprinters nas principais competições do calendário mundial. Se realmente os Emirados construírem uma montanha artificial para 2028, isso consolidará uma tendência alarmante de mais de uma década.

Resta aguardar o pronunciamento oficial da UCI e dos organizadores. Enquanto isso, ciclistas como Merlier continuam treinando, esperançosos de que a promessa de um Mundial plano em Abu Dhabi seja finalmente cumprida – sem artifícios artificiais que transformem mais uma oportunidade dos velocistas em uma batalha de escaladores.

O tempo dirá se 2028 marcará o retorno triunfal dos velocistas ao topo do pódio mundial, ou se será apenas mais um capítulo na longa espera de uma geração injustamente privada de suas chances de glória.

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