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UCI Acende Alerta Vermelho: Magreza Extrema no Ciclismo Preocupa Lappartient e Entidade Mundial

UCI alerta sobre magreza extrema no ciclismo e prepara novos protocolos para proteger a saúde dos atletas profissionais.

UCI Acende Alerta Vermelho: Magreza Extrema no Ciclismo Preocupa Lappartient e Entidade Mundial

A União Ciclística Internacional (UCI) levantou uma bandeira vermelha que pode mudar os rumos da saúde no ciclismo profissional. Durante o seminário anual realizado em Genebra no início de dezembro, David Lappartient, presidente recém-reeleito da entidade, fez um alerta contundente sobre a busca obsessiva por perda de peso entre ciclistas profissionais, uma prática que tem colocado em risco a saúde de atletas do mais alto nível.

O Alerta que Não Pode Ser Ignorado

Em suas declarações durante o encontro que reuniu representantes de equipes, organizadores e ciclistas, Lappartient foi direto ao ponto: “Ciclistas, tanto homens quanto mulheres, às vezes tendem a perder muito peso para escalar melhor e serem mais eficientes. Isso levanta questões importantes”. A preocupação do presidente da UCI não é infundada – ela reflete uma tendência crescente no pelotão profissional que tem gerado debates acalorados nos bastidores do esporte.

O tema ganhou destaque especial após o Tour de France feminino, quando a magreza extrema exibida por Pauline Ferrand-Prévot chocou observadores e acendeu discussões sobre os limites que alguns atletas estão dispostos a ultrapassar em busca de vantagem competitiva nas montanhas.

A Obsessão pelos Watts por Quilo

No ciclismo moderno, a relação entre peso e potência se tornou uma obsessão. A métrica de watts por quilo – que mede a eficiência do ciclista – domina as conversas nos grupos de treinamento e nos bastidores das equipes World Tour. Quanto mais leve o ciclista, teoricamente melhor sua performance em subidas. Mas essa busca por números ideais tem levado alguns atletas a extremos perigosos.

A pressão para ser competitivo nas montanhas, combinada com calendários cada vez mais exigentes e o uso intensivo de dados e tecnologia de monitoramento, criou um ambiente onde a perda de peso pode se tornar uma obsessão destrutiva. Ciclistas relatam dietas restritivas durante grande parte da temporada, práticas de desidratação antes de competições importantes e uma relação problemática com a alimentação que vai muito além da nutrição esportiva adequada.

UCI Prepara Resposta com Novos Protocolos

A boa notícia é que a UCI não está apenas identificando o problema – está trabalhando ativamente em soluções. Segundo Lappartient, a entidade já está desenvolvendo novos protocolos médicos e medidas de proteção para os atletas. O foco especial está nos riscos associados ao estresse térmico, um perigo amplificado quando ciclistas com percentuais de gordura corporal extremamente baixos enfrentam condições climáticas adversas.

Embora os detalhes específicos dos novos protocolos ainda não tenham sido divulgados, espera-se que a UCI implemente medidas semelhantes às já adotadas em outros esportes, como pesagens regulares obrigatórias, índices mínimos de massa corporal para competição e acompanhamento médico mais rigoroso durante a temporada.

O Contexto Mais Amplo: Saúde no Ciclismo Profissional

O alerta sobre magreza extrema não foi o único tema de saúde abordado no seminário da UCI. Lappartient também destacou os esforços reddobrados na luta antidoping, com 300 amostras reanalisadas durante o ano – uma demonstração do compromisso contínuo da entidade em manter o esporte limpo.

O caso de Oier Lazkano, primeira suspensão de alto perfil em muito tempo, foi citado como exemplo da vigilância permanente da UCI. “Reafirmamos o compromisso inquebrantável da UCI com a luta contra o dopagem, mantendo-nos conectados permanentemente e reanalisando amostras até dez anos após a coleta”, enfatizou o presidente.

Segurança e Resistência às Mudanças

Além das questões de saúde, Lappartient abordou os avanços em segurança nas competições, mencionando a introdução de cartões amarelos, melhoria nas barreiras de proteção e comunicação aprimorada. No entanto, ele admitiu enfrentar resistência de equipes e organizadores ao tentar implementar certas medidas, como limites de marchas e o uso de rastreadores GPS.

Um episódio emblemático dessa resistência ocorreu no Tour de Romandie feminino de 2025, quando cinco equipes World Tour – incluindo Visma | Lease a Bike, Picnic PostNL, Lidl-Trek, Canyon//SRAM e EF-Oatly-Cannondale – foram desqualificadas após se oporem aos testes com rastreadores GPS.

Desafios Econômicos do Pelotão

Lappartient também não ignorou a realidade econômica do ciclismo profissional. Apesar de reconhecer que “o esporte nunca foi tão popular” e que “presupuestos e salários estão aumentando significativamente”, o presidente da UCI expressou preocupação com a sustentabilidade do modelo atual.

A temporada de 2025 terminou com o encerramento de duas equipes World Tour – Arkéa e Wagner Bazin – e a fusão entre Lotto e Intermarché. “A desaparição de duas equipes masculinas do WorldTour demonstra que a economia dos times continua sendo complexa”, reconheceu Lappartient, que tem defendido a implementação de um teto orçamentário para garantir maior equilíbrio e sustentabilidade ao esporte.

O Que Esperar para o Futuro

As declarações de Lappartient sinalizam que 2026 pode ser um ano de mudanças significativas na regulamentação do ciclismo profissional. A implementação de protocolos de peso mínimo e acompanhamento da saúde dos atletas deve ser apenas o começo de uma transformação mais ampla na forma como o esporte lida com o bem-estar de seus protagonistas.

A questão central é se a UCI conseguirá implementar medidas efetivas sem enfrentar a mesma resistência que encontrou em outras iniciativas de segurança. O desafio será criar protocolos que protejam os atletas sem serem percebidos como intrusivos ou limitadores do desempenho.

Um Chamado à Reflexão

O alerta da UCI sobre magreza extrema é mais do que uma simples declaração burocrática – é um reconhecimento de que o ciclismo profissional precisa olhar no espelho e questionar algumas de suas práticas mais arraigadas. Em um esporte onde milésimos de segundo e gramas de peso podem fazer a diferença entre a vitória e a derrota, encontrar o equilíbrio entre performance e saúde é um dos maiores desafios contemporâneos.

A pressão para ser competitivo é imensa, mas a longo prazo, ciclistas com corpos saudáveis e sustentáveis terão carreiras mais longas e bem-sucedidas do que aqueles que sacrificam sua saúde no altar da performance imediata. O desafio agora é traduzir essa consciência em ações concretas que protejam os atletas sem comprometer a essência competitiva do esporte.

O ciclismo está em uma encruzilhada. As palavras de Lappartient podem ser o início de uma mudança cultural necessária – ou apenas mais um aviso que será ignorado pela busca incessante por resultados. Só o tempo dirá qual caminho o esporte escolherá seguir.


Este tema levanta questões fundamentais sobre como equilibramos performance e saúde no esporte de alto rendimento. O que você pensa sobre as medidas que a UCI está preparando? Compartilhe sua opinião nos comentários!

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