Tem corrida que a gente espera o ano todo, e a Dwars door Vlaanderen 2026 é uma delas. Marcada para o dia 1º de abril, a prova chega à sua 80ª edição carregando aquele peso histórico que só as clássicas belgas conseguem ter. É a penúltima parada da chamada Semana Santa Flamenga — aqueles dias mágicos que antecedem o Tour de Flanders e fazem qualquer amante de ciclismo perder o sono.
A largada acontece em Roeselare, cidade que vai sediar a partida da prova masculina pelo menos até 2031, e a chegada permanece em Waregem, na tradicional Verbindingsweg. Entre uma ponta e outra, aproximadamente 190 quilômetros de paralelepípedos, subidas traiçoeiras e aquele tipo de sofrimento que só Flandres proporciona.
O que muda no percurso da Dwars door Vlaanderen 2026
Quem acompanha as clássicas sabe que os organizadores da Flanders Classics gostam de mexer no traçado de tempos em tempos, e este ano não seria diferente. A grande novidade da Dwars door Vlaanderen 2026 é a inclusão de duas novas subidas no percurso: a Hellestraat e a Onderbossenaarstraat.
A Hellestraat será a primeira escalada que os ciclistas vão enfrentar logo após a largada. Já a Onderbossenaarstraat aparece a cerca de 77 quilômetros da chegada e funciona como um flanco estendido do temido Taaienberg — quem conhece a região sabe que esse tipo de rampa, aparentemente curta no mapa, pode mudar completamente a dinâmica de uma corrida.
Essas adições não são gratuitas. Em 2025, a organização já havia removido subidas como o Kanarieberg, a própria Hellestraat, Kortekeer e Ladeuze após um acidente grave que derrubou nomes como Wout van Aert, Jasper Stuyven e Biniam Girmay. A reintrodução da Hellestraat, agora em posição diferente no percurso, mostra que os organizadores encontraram uma forma mais segura de incorporá-la.
Os trechos decisivos e o que esperar do final
Como de costume, a Dwars door Vlaanderen 2026 promete explodir nas Ardenas Flamengas. Os ciclistas terão pela frente nomes familiares que causam arrepios: Berg Ten Houte, Côte de Trieu, Hotond e os paralelepípedos da Mariaborrestraat, todos escalados duas vezes. Na sequência, vem o Eikenberg, o Doorn e o Huisepontweg, conduzindo a um circuito duplo sobre o Nokereberg e a Herlegemstraat.

É nesse trecho final que as pernas gritam e as corridas se decidem. Nos últimos anos, a tendência tem sido de corridas cada vez mais agressivas e seletivas, bem distantes daquela época em que a Dwars door Vlaanderen era considerada uma prova de velocistas. Hoje, ganha quem tem força para atacar nos paralelepípedos e resistência para manter o esforço até a linha de chegada.
A vitória memorável de Neilson Powless em 2025
Falar da Dwars door Vlaanderen 2026 sem relembrar o que aconteceu no ano passado seria injusto. A edição de 2025 entregou uma das corridas mais inteligentes da temporada, protagonizada por Neilson Powless.

O americano da EF Education-EasyPost se viu numa fuga ao lado de três corredores da Visma-Lease a Bike, incluindo o favorito Wout van Aert. Em teoria, era uma desvantagem numérica brutal. Na prática, Powless e sua equipe transformaram isso numa armadilha tática.
A equipe sabia que Van Aert estava sob pressão da mídia belga e precisava vencer para silenciar as críticas. Usaram exatamente isso a seu favor: Powless economizou energia durante toda a fuga e, quando chegou a hora do sprint final, simplesmente foi mais rápido que o belga. Foi a maior vitória da carreira do americano — e uma lição de estratégia que vai ser estudada por muito tempo.
Histórico recente: corridas que mudaram o perfil da prova
A transformação da Dwars door Vlaanderen de corrida para sprinters em prova de resistência é um fenômeno relativamente recente. Parte do UCI WorldTour desde 2017, a corrida ganhou ainda mais relevância em 2018, quando foi antecipada em uma semana para ocupar a cobiçada posição de quarta-feira antes do Tour de Flanders, substituindo os Três Dias de De Panne.
Em 2023, Christophe Laporte, então na Jumbo-Visma, atacou de um grupo já reduzido e chegou sozinho à vitória. Em 2024, Matteo Jorgenson, da Visma-Lease a Bike, escapou solo nos últimos 10 quilômetros, com Jonas Abrahamsen chegando em segundo e Stefan Küng em terceiro. São vitórias que confirmam: na Dwars door Vlaanderen moderna, quem espera pelo sprint do pelotão raramente sai com a medalha de ouro.
Edição feminina promovida ao Women’s WorldTour
Uma das notícias mais significativas para a Dwars door Vlaanderen 2026 vai além da prova masculina. Pela primeira vez na história, a edição feminina fará parte do UCI Women’s WorldTour, após quatro anos no nível ProSeries.
Essa promoção é um marco dentro do projeto Closing The Gap da Flanders Classics, que busca equiparar as condições entre o ciclismo masculino e feminino. Com essa mudança, todas as corridas organizadas pela Flanders Classics que fazem parte do WorldTour masculino agora também integram o WorldTour feminino. São elas: Omloop Het Nieuwsblad, Gent-Wevelgem e agora a Dwars door Vlaanderen.
A prova feminina terá largada no hipódromo de Waregem às 14h10, com um percurso de 128,8 km que inclui 6 setores de paralelepípedos e 8 subidas. A Hellestraat também aparece como novidade para as mulheres. O final é idêntico ao da prova masculina, com duas subidas ao Nokereberg e duas passagens pela Herlegemstraat. A última vencedora foi Elisa Longo Borghini, que atacou sozinha nos paralelepípedos do Huisepontweg a 25 km da chegada e foi imbatível.
Os favoritos e o que esperar da Dwars door Vlaanderen 2026
Com Mathieu van der Poel confirmado para a campanha completa de primavera, incluindo sua estreia no Omloop Het Nieuwsblad, e com Wout van Aert recuperado de uma fratura no tornozelo, o palco está montado para duelos memoráveis. Neilson Powless volta como defensor do título, enquanto nomes como Jasper Philipsen, que tem ajustado seu programa de primavera para focar nas clássicas de paralelepípedos, prometem agitar ainda mais a disputa.
Na prova feminina, a expectativa é enorme para ver quem sucederá Longo Borghini. Lotte Kopecky, que ficou em segundo em 2025, chega motivada para sua campanha de Clássicas de Primavera.
Dados técnicos da Dwars door Vlaanderen 2026
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Data | 1º de abril de 2026 (quarta-feira) |
| Edição | 80ª |
| Classificação UCI | WorldTour (1.UWT) |
| Largada | Roeselare |
| Chegada | Waregem |
| Distância aprox. | ~190 km (masculino) / 128,8 km (feminino) |
| Organizador | Flanders Classics |
| Diretor de corrida | Guy Delesie |
| Defensor do título (masc.) | Neilson Powless (EF Education-EasyPost) |
| Defensora do título (fem.) | Elisa Longo Borghini |
Por que a Dwars door Vlaanderen importa tanto
Existe um ditado no pelotão que diz que a Dwars door Vlaanderen é o último teste antes da verdade. É aqui que os ciclistas medem suas pernas, estudam os rivais e fazem os últimos ajustes de forma para o Tour de Flanders, que acontece no domingo seguinte. Não é raro ver corredores que voam na quarta-feira desaparecerem no domingo — e vice-versa.
Com raízes que remontam a 1945, esta é uma corrida que respira tradição. Nasceu no pós-guerra, cresceu nas estradas enlameadas de Flandres e se transformou numa das provas mais táticas e imprevisíveis do calendário mundial. A 80ª edição promete honrar toda essa história com um percurso renovado, uma prova feminina finalmente no mais alto nível e um elenco de favoritos que faria qualquer fã de ciclismo parar tudo no dia 1º de abril.
FAQ – Perguntas frequentes sobre a Dwars door Vlaanderen 2026
Quando acontece a Dwars door Vlaanderen 2026?
A Dwars door Vlaanderen 2026 está marcada para o dia 1º de abril de 2026, uma quarta-feira. A prova acontece sempre no meio da chamada Semana Santa Flamenga, poucos dias antes do Tour de Flanders.
Qual é o percurso da Dwars door Vlaanderen 2026?
A corrida parte de Roeselare e termina em Waregem, com aproximadamente 190 km para os homens e 128,8 km para as mulheres. As novidades são as subidas da Hellestraat e Onderbossenaarstraat, adicionadas ao traçado de 2026.
Quem venceu a Dwars door Vlaanderen em 2025?
O americano Neilson Powless (EF Education-EasyPost) venceu a prova masculina em 2025, enquanto a italiana Elisa Longo Borghini conquistou a edição feminina com um ataque solo impressionante.
A Dwars door Vlaanderen feminina faz parte do WorldTour?
Sim, a partir de 2026 a Dwars door Vlaanderen feminina foi promovida ao UCI Women’s WorldTour, após quatro temporadas no nível ProSeries. Essa mudança faz parte do projeto Closing The Gap da Flanders Classics.
Quais são os principais favoritos para a Dwars door Vlaanderen 2026?
Entre os homens, os grandes nomes incluem Mathieu van der Poel, Wout van Aert, o defensor do título Neilson Powless e Jasper Philipsen. Na prova feminina, Lotte Kopecky e Elisa Longo Borghini devem protagonizar a disputa.





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