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Quando Vencer Custa Caro: Ciccone Multado por Jogar Óculos para Torcedores no Tour dos Alpes

Giulio Ciccone quebrou jejum de dois anos sem vitórias no Tour dos Alpes, mas sua celebração característica de jogar os óculos para a torcida custou caro: 250 francos suíços de multa e 15 pontos UCI perdidos.

Ciccone Multado por Jogar Óculos para Torcedores no Tour dos Alpes

Sabe aquela sensação de finalmente quebrar um jejum de vitórias? Pois é exatamente isso que Giulio Ciccone estava vivendo na última segunda-feira, quando cruzou a linha de chegada da primeira etapa do Tour dos Alpes 2025. Dois anos sem levantar os braços em comemoração, cara. Dois anos inteiros! Então você imagina a explosão de alegria quando ele finalmente conseguiu.

Mas aqui está o problema: a comemoração característica do italiano – arrancar os óculos de sol e lançá-los para a galera – acabou saindo bem mais cara do que ele esperava. Muito mais cara, na verdade.

A Volta Triunfal e o Gesto que Vale Ouro

O ciclista da Lidl-Trek dominou a abertura da corrida de cinco dias pelas montanhas do norte da Itália e Áustria. E não foi moleza, não – foram 148,5 quilômetros com mais de 3.000 metros de desnível positivo, terminando com aquele sprint matador em subida até San Lorenzo Dorsino.

Felix Gall e o jovem francês Paul Seixas, ambos da Decathlon AG2R La Mondiale, ficaram logo atrás. Mas quem brilhou mesmo foi Ciccone. E aí veio aquele momento de pura emoção: ele arrancou os óculos e atirou para a multidão. Crianças pulando de alegria, pegando os óculos como se fossem um troféu. Tudo lindo, tudo perfeito.

Só que a UCI viu a cena com outros olhos.

A Conta Chegou: 250 Francos Suíços e 15 Pontos Perdidos

Não demorou muito para os comissários da prova aplicarem a punição. O relatório oficial foi direto ao ponto: “descarte descuidado de objetos (óculos de sol) na chegada”. Pronto. Multa de 250 francos suíços (cerca de R$ 1.500) e perda de 15 pontos UCI. Ah, e a 100%, patrocinadora de óculos da equipe, provavelmente não ficou muito feliz em ver o produto voando longe das câmeras no momento da foto de vitória.

Para se ter uma ideia da ironia: Ciccone ganhou 20 pontos UCI pela vitória. Com a multa, ficou com apenas 5. É tipo ganhar um prêmio e ter que devolver três quartos dele de volta.

E olha, essa não é a primeira vez que ele faz isso. É sua marca registrada desde 2019 – já jogou óculos nas vitórias do Giro d’Italia em 2019 e 2022, e também na Volta à Comunidade Valenciana em 2023. Só que dessa vez, diferente das outras, os comissários decidiram aplicar a regra ao pé da letra.

O Regulamento que Ninguém Lembra (Até Precisar)

A regra em questão é a UCI 2.12.007/8.3, implementada em 2021. Ela fala sobre “descartar resíduos ou outros objetos fora das zonas de lixo, ou de maneira descuidada ou perigosa”. A intenção original era evitar que garrafas e embalagens fossem jogadas no meio da corrida, criando perigo para outros ciclistas ou espectadores.

Mas usar isso para punir um ciclista que está fazendo crianças felizes na linha de chegada? Aí já complica, né?

E tem mais: se Ciccone repetir o gesto em outra vitória neste Tour dos Alpes, a multa dobra para 500 francos suíços, ele perde 30 pontos UCI e ainda corre o risco de ser desclassificado da prova. Ou seja, a próxima pode custar ainda mais caro.

A Defesa do Campeão

No dia seguinte, na largada da segunda etapa, Ciccone conversou com a imprensa e não escondeu sua frustração. “Cometi um erro e assumo a responsabilidade pelo gesto que fiz”, começou ele. Mas aí veio o recado: “Mas não venham me dizer que danifiquei a imagem do ciclismo, porque isso eu não aceito. Joguei os óculos que caíram longe das pessoas e fizeram duas crianças felizes, assim como eu era feliz quando criança ao voltar de corridas com um troféu que se tornava meu tesouro”.

E continuou: “Há muito a dizer sobre a questão da segurança. Não criei problemas para ninguém e acho que existem muitos outros aspectos nos quais deveríamos trabalhar para garantir a máxima segurança para nós, ciclistas”.

Ponto para o Ciccone. Ele tocou numa ferida real: enquanto a UCI se preocupa com óculos sendo dados de presente, questões realmente sérias de segurança no pelotão às vezes passam batido.

O Pelotão Saiu em Defesa

E não foi só Ciccone que achou a multa exagerada. Steven de Jongh, ex-ciclista holandês e agora diretor esportivo, foi direto ao ponto no Twitter: “Espero que a UCI tenha cometido um erro. Este é seu gesto de vitória há anos! Esporte é emoção. Não há necessidade de multa. Vejam aquela criança feliz no final do vídeo”.

Patrick Lefevere, lendário ex-diretor da Soudal Quick-Step, também entrou na conversa demonstrando insatisfação com a decisão dos comissários.

A Cycling Weekly noticiou que a própria 100% se ofereceu para pagar a multa do atleta, postando no Instagram: “Essa é por nossa conta, Lidl-Trek. Nunca pare de comemorar, Giulio Ciccone”. Marketing inteligente? Com certeza. Mas também um gesto bacana de apoio ao ciclista.

O Dilema: Onde Traçar a Linha?

Aqui está o X da questão: ninguém quer ver ciclistas jogando garrafas e embalagens que podem causar acidentes. Mas punir um gesto de celebração que claramente traz alegria para os torcedores – especialmente crianças – parece passar do ponto.

Será que a UCI está sendo rigorosa demais? Ou é preciso mesmo aplicar as regras sem exceção para que elas sejam respeitadas? É uma linha tênue entre manter a segurança e sufocar a espontaneidade que faz parte do esporte.

O próprio Ciccone disse ao site WielerFlits que não queria dizer que a situação era “ridícula”, mas que é difícil acompanhar as mudanças constantes nas regras. “Meu erro foi não estudar as regras, mas agora eu sei. Não vou continuar fazendo isso”, afirmou.

Será mesmo? Depois de quase dois anos sem vencer, tendo finalmente quebrado esse jejum, será que ele vai conseguir conter a emoção na próxima vitória? Pessoalmente, espero que não. Espero que ele continue comemorando com paixão, mesmo que isso custe alguns francos suíços.

Contexto da Vitória

Vale lembrar que essa foi a primeira vitória de Ciccone desde o Critério do Dauphiné 2023. Quase dois anos de seca. Para um ciclista profissional, isso é uma eternidade. A pressão, a autocrítica, a dúvida se ainda é capaz de vencer… tudo isso estava ali, sendo exorcizado naquele momento de êxtase na linha de chegada.

E que vitória! O italiano de 30 anos mostrou toda sua classe de escalador, controlando os ataques dos adversários na subida final e conseguindo um sprint perfeito nos últimos metros. Romain Bardet, outro veterano da estrada, ficou em quarto lugar, mostrando que a experiência ainda conta muito nessas corridas de montanha.

Com o triunfo, Ciccone vestiu também a camisa de líder da classificação geral, com 4 segundos de vantagem sobre Gall e 6 sobre Seixas. A corrida estava bem aberta para os dias seguintes – e quem sabe mais oportunidades de comemoração?

O Debate nas Redes Sociais

A polêmica tomou conta das redes sociais. Fãs de ciclismo do mundo todo se dividiram entre os que acham que regra é regra e deve ser cumprida, e os que veem a situação como mais uma demonstração de que a UCI às vezes perde o foco do que realmente importa.

Um comentário que viralizou dizia: “125 anos matando a vibe”, referência aos 125 anos de existência da UCI. Outro destacou: “Decisão absolutamente ridícula do júri, multa de 250 francos suíços por algo que um jovem vai se lembrar pelo resto da vida”.

E tem gente que já pede para que a UCI reveja suas prioridades. Afinal, se um gesto que traz alegria e conecta atletas com torcedores é punido com tanto rigor, que mensagem isso passa para o esporte?

Precedentes Questionáveis

E não é a primeira vez que a UCI toma decisões polêmicas envolvendo punições que parecem exageradas. Lembram do Isaac del Toro? O ciclista da UAE Team Emirates foi multado em 200 francos suíços na Milano-Torino porque seu zíper quebrou e ele não conseguiu fechar a camisa. A justificativa? “Dano à imagem do esporte”.

Sério mesmo? Um zíper quebrado danifica a imagem do ciclismo? E jogar óculos para crianças felizes também? Enquanto isso, questões realmente sérias – como a segurança nas descidas, o comportamento agressivo de alguns diretores esportivos nos carros, ou a pressão psicológica sobre ciclistas jovens – às vezes não recebem a mesma atenção.

FAQ – Perguntas Frequentes

Qual foi a multa aplicada a Giulio Ciccone?

Ciccone foi multado em 250 francos suíços (aproximadamente R$ 1.500) e perdeu 15 pontos no ranking UCI por jogar seus óculos de sol para a multidão após vencer a primeira etapa do Tour dos Alpes 2025.

Por que a UCI multou o ciclista?

A multa foi aplicada com base na regra UCI 2.12.007/8.3, que proíbe o descarte de objetos de maneira descuidada ou perigosa durante as corridas. Os comissários consideraram que jogar os óculos violava essa norma.

Essa é a primeira vez que Ciccone joga os óculos em uma vitória?

Não, esse gesto é a marca registrada de Ciccone desde 2019. Ele já fez isso em vitórias no Giro d’Italia (2019 e 2022) e na Volta à Comunidade Valenciana (2023), mas esta foi a primeira vez que foi punido por isso.

O que acontece se ele repetir o gesto?

Em caso de reincidência, a multa dobra para 500 francos suíços, ele perderia 30 pontos UCI e ainda poderia ser desclassificado da prova. Além disso, receberia um cartão amarelo da UCI.

A marca de óculos 100% se pronunciou sobre o caso?

Sim, a 100% demonstrou apoio ao ciclista e se ofereceu para pagar a multa, postando nas redes sociais: “Essa é por nossa conta, Lidl-Trek. Nunca pare de comemorar, Giulio Ciccone”.

Reflexão Final

No fim das contas, o que fica dessa história toda? Bom, por um lado temos regras que existem para garantir segurança. Por outro, temos a humanidade do esporte, aqueles momentos de pura emoção que conectam atletas e fãs de uma forma única.

Talvez a UCI precise encontrar um meio-termo. Talvez precise revisar suas prioridades e entender que nem todo “descarte de objeto” é igual. Há diferença entre jogar uma garrafa vazia que pode acertar um carro ou outro ciclista e presentear crianças com um par de óculos no momento de maior glória da sua vida profissional.

E você, o que acha? A UCI foi rigorosa demais ou apenas aplicou as regras corretamente? Ciccone deveria continuar com seu gesto característico ou aceitar que os tempos mudaram e precisa se adaptar?

Uma coisa é certa: essa polêmica vai continuar rendendo debate. E talvez seja exatamente esse tipo de discussão que o ciclismo precisa para evoluir – encontrar o equilíbrio entre segurança, regulamentação e a paixão que faz desse esporte algo tão especial.

Enquanto isso, Ciccone segue pedalando. E quem sabe, na próxima vitória, ele encontre uma forma criativa de celebrar que não envolva jogar nada. Ou talvez ele simplesmente pague a multa de novo e continue fazendo crianças felizes. Afinal, há coisas que não têm preço.

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