Se tem uma corrida no calendário do ciclismo feminino que mexe com qualquer apaixonado pelo esporte, essa corrida é o Liège-Bastogne-Liège 2026 Feminino. A “Doyenne”, como carinhosamente é chamada a mais antiga das clássicas masculinas, ganhou sua versão feminina em 2017 — e, desde então, vem crescendo em prestígio, dificuldade e dramaticidade a cada nova edição.
Marcado para o dia 26 de abril de 2026, o Liège-Bastogne-Liège 2026 Feminino será a décima edição da prova dentro do Women’s WorldTour, o mais alto nível do ciclismo profissional feminino. E para quem acompanha esse esporte há tempo suficiente para saber o que uma corrida de primavera nas Ardenas belgas é capaz de fazer com as melhores do mundo, a expectativa não poderia ser maior.
Uma corrida que não perdoa as fracas
O Liège-Bastogne-Liège 2026 Feminino é a terceira e última das Clássicas das Ardenas, esse trio perverso que começa com a Amstel Gold Race Ladies Edition, passa pela impiedosa La Flèche Wallonne Femmes na quarta-feira e culmina justamente em Liège no domingo. Para as ciclistas, são dias de intensa exigência física num espaço de menos de uma semana.
Diferente do Ronde van Vlaanderen ou da Paris-Roubaix — onde o pavê e a força explosiva falam mais alto — o Liège é uma corrida que pertence às escaladoras puras. Os morros das Ardenas são longos, regulares e suficientemente exigentes para destruir qualquer esperança de quem não tenha as pernas construídas para subir. E é justamente essa característica que torna o Liège-Bastogne-Liège 2026 Feminino tão fascinante de acompanhar.
O percurso do Liège-Bastogne-Liège 2026 Feminino
A décima edição da corrida traz uma novidade importante: o percurso foi alongado em alguns quilômetros em relação às edições anteriores, partindo de Bastogne e chegando a Liège, agora com o mesmo traçado final da versão masculina. Isso significa que as mulheres enfrentarão exatamente as mesmas subidas finais que os homens — um reconhecimento simbólico e técnico muito importante para o ciclismo feminino.

Uma mudança marcante nesta edição é a ausência da tradicional Côte de Saint-Roch, substituída pela travessia do Col de Haussire logo após os primeiros 28,9 km. É um aperitivo. Uma forma de acordar as pernas antes que a corrida de fato comece — porque a partir dali, o roteiro só piora para quem não estiver bem.

Confira abaixo todas as subidas catalogadas nesta edição do Liège-Bastogne-Liège 2026 Feminino:
| Subida | Extensão (km) | Inclinação média | Km percorridos | Km restantes |
|---|---|---|---|---|
| Col de Haussire | 3,9 | 6,8% | 28,9 | 127,1 |
| Côte de Wanne | 3,6 | 5,1% | 67,6 | 88,4 |
| Côte de Stockeu | 1,0 | 12,5% | 74,2 | 81,8 |
| Côte de Haute-Levée | 2,2 | 7,5% | 78,5 | 77,5 |
| Col du Rosier | 4,4 | 5,9% | 92,7 | 63,3 |
| Col du Maquisard | 2,4 | 5,7% | 105,2 | 50,8 |
| Côte de Desnié | 1,6 | 8,1% | 109,3 | 46,7 |
| Côte de la Redoute | 1,6 | 9,4% | 122,0 | 34,0 |
| Côte des Forges | 1,3 | 7,8% | 132,7 | 23,3 |
| Côte de la Roche-aux-Faucons | 1,3 | 11,0% | 142,6 | 13,4 |
As subidas que decidem tudo
O primeiro conjunto decisivo começa na sequência da Côte de Wanne (3,6 km a 5,1% de média), com faltando 88,4 km para a chegada. Logo vêm a Côte de Stockeu — apenas 1 km, mas com uma média brutal de 12,5%, a subida mais íngreme da corrida — e a Côte de Haute-Levée (2,2 km a 7,5%). São três morros em menos de 12 km que costumam fazer a primeira triagem do pelotão.

Na sequência, o Col du Rosier é o mais longo com seus 4,4 km a 5,9%, seguido de perto pelo Col du Maquisard e pela Côte de Desnié, que com 8,1% de média vai preparar o terreno para o momento mais temido de toda a corrida.
A Côte de la Redoute é o símbolo desta prova. Apenas 1,6 km de comprimento, mas com uma média de 9,4% que já tirou candidatas a vitórias em várias edições. Faltam 34 km para Liège quando o pelotão a atinge — distância suficiente para explodir uma escapada ou simplesmente destruir qualquer ilusão de recuperação.

Depois ainda vêm a Côte des Forges e, finalmente, a decisiva Côte de la Roche-aux-Faucons — 1,3 km a 11% de média, com apenas 13,4 km para o fim. Quem não atacar aqui provavelmente não atacará mais. A partir daí é uma chegada rápida e plana até Liège, o que, dependendo de quantas ciclistas chegarem juntas, pode resultar num sprint seleto ou numa decisão solitária.
A história recente do Liège-Bastogne-Liège Feminino
Desde a primeira edição em 2017, o Liège-Bastogne-Liège Feminino acumula histórias que ficarão na memória do esporte. A holandesa Anna van der Breggen inaugurou a corrida vencendo as duas primeiras edições. Depois vieram os títulos da também holandesa Annemiek van Vleuten em 2019 e 2022, com Lizzie Deignan e Demi Vollering alternando vitórias nos anos de 2020 e 2021.
Em 2023, Demi Vollering fez algo que não tem precedentes: conquistou o triplete das Ardenas — vencendo Amstel, Flèche Wallonne e Liège na mesma temporada. Na chegada em Liège naquele ano, ela superou Elisa Longo Borghini no sprint, com sua colega de equipe Marlen Reusser completando o pódio em terceiro.
Em 2024 foi a vez da australiana Grace Brown (FDJ-SUEZ) surpreender. Vinda de uma fuga longa de seis ciclistas, ela chegou na fase decisiva e surpreendeu Longo Borghini e a própria Vollering no sprint para a vitória.
Mas a edição mais surpreendente e emocionante foi, talvez, a de 2025. Kim Le Court, da AG Insurance-Soudal, se impôs num sprint a quatro e tornou-se a primeira africana a vencer um Monument do ciclismo feminino. A mauriciana, campeã nacional, ficou na frente de Puck Pieterse (2ª), Demi Vollering (3ª) e Cédrine Kerbaol (4ª), com a campeã mundial Lotte Kopecky chegando na quinta posição.
Palmarès do Liège-Bastogne-Liège Feminino
| Ano | Vencedora | Equipe | País |
|---|---|---|---|
| 2017 | Anna van der Breggen | Boels-Dolmans | Holanda |
| 2018 | Anna van der Breggen | Boels-Dolmans | Holanda |
| 2019 | Annemiek van Vleuten | Mitchelton-Scott | Holanda |
| 2020 | Lizzie Deignan | Trek-Segafredo | Grã-Bretanha |
| 2021 | Demi Vollering | SD Worx | Holanda |
| 2022 | Annemiek van Vleuten | Movistar | Holanda |
| 2023 | Demi Vollering | SD Worx | Holanda |
| 2024 | Grace Brown | FDJ-SUEZ | Austrália |
| 2025 | Kim Le Court | AG Insurance-Soudal | Maurício |
Quem são as favoritas em 2026?
Com a temporada de primavera 2026 já em andamento, o campo do Liège-Bastogne-Liège 2026 Feminino promete ser extremamente competitivo. Algumas nomes se destacam como candidatas naturais à vitória:
Demi Vollering (FDJ-United-SUEZ) é sempre uma presença obrigatória nas Ardenas. Com dois títulos na corrida (2021 e 2023) e um terceiro lugar em 2025, a holandesa conhece cada metro do percurso e raramente sai de uma primavera sem marcar presença no alto do pódio. Aos 27 anos, vive o melhor momento da carreira.
Puck Pieterse (Fenix-Premier Tech) é talvez a grande revelação das Clássicas de 2025. Prata em Liège naquele ano e vencedora das Strade Bianche 2026, a jovem holandesa parece cada vez mais capaz de encarar as especialistas de escalada no seu próprio terreno. Tecnicamente completa, ela tem as pernas e a mentalidade para ir além da prata.
Kim Le Court (AG Insurance-Soudal) chega como campeã defensora. A mauriciana comprovou em 2025 que não chegou à vitória por acaso — e numa corrida que cada vez mais premia a combinação de escalada com inteligência tática, ela é uma ameaça real de repetir o feito.
Elisa Longo Borghini (UAE Team ADQ) é uma das ciclistas com mais pódios na história recente da corrida. Vice-campeã em 2023 e 2024, a italiana ainda não colocou o nome na lista das vencedoras — mas de tanto roçar o triunfo, parece ser apenas uma questão de tempo.
Lotte Kopecky (SD Worx-Protime) anunciou uma temporada intensa para 2026, com foco nas Clássicas de primavera. Campeã mundial, a belga tem buscado aprimorar suas capacidades nas subidas das Ardenas. Num terreno de chegada em sprint seleto, ela poderia ser determinante.
A importância crescente do ciclismo feminino nas Clássicas
Quando o Liège-Bastogne-Liège Feminino foi criado em 2017, havia quem duvidasse que a corrida atraísse público e atenção. Nada mais equivocado. Ao longo de nove edições, a prova tornou-se uma das mais seguidas do calendário feminino, com transmissões ao vivo, cobertura internacional crescente e histórias que rivalizam em drama e qualidade com qualquer corrida masculina.
O fato de as mulheres percorrerem agora o mesmo traçado final dos homens — com Côtes de Wanne, Stockeu, Haute-Levée e a sequência mortífera até Roche-aux-Faucons — é um reconhecimento importante de que o nível físico e tático do pelotão feminino exige e merece os desafios mais duros do calendário.
Para acompanhar a cobertura completa das Clássicas femininas de 2026, vale checar o calendário do Women’s WorldTour na UCI e também os conteúdos da Cyclingnews sobre ciclismo feminino.
Onde assistir ao Liège-Bastogne-Liège 2026 Feminino
A corrida será transmitida ao vivo por diversas plataformas. O canal GCN Racing no YouTube costuma transmitir as Clássicas do WorldTour de forma gratuita para diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil. A FlowSports e plataformas como a Eurosport também costumam cobrir a corrida com transmissão ao vivo.
Para o público brasileiro, vale ficar atento ao fuso horário: a corrida em geral acontece no período da tarde na Europa, o que equivale ao horário do almoço no Brasil — uma das poucas corridas europeias assistíveis sem sacrificar o sono.
Informações gerais da corrida
| Dado | Informação |
|---|---|
| Data | 26 de abril de 2026 |
| Partida | Bastogne (Bélgica) |
| Chegada | Liège (Bélgica) |
| Categoria | Women’s WorldTour (UCI) |
| Edição | 10ª |
| Vencedora 2025 | Kim Le Court (AG Insurance-Soudal) |
| Organização | ASO (Amaury Sport Organisation) |
FAQ — Perguntas frequentes sobre o Liège-Bastogne-Liège 2026 Feminino
Quando acontece o Liège-Bastogne-Liège 2026 Feminino?
A corrida está programada para o dia 26 de abril de 2026, domingo. Faz parte da série de Clássicas das Ardenas, que também inclui a Amstel Gold Race Ladies e a La Flèche Wallonne Femmes na mesma semana.
Qual é o percurso do Liège-Bastogne-Liège 2026 Feminino?
A corrida parte de Bastogne e termina em Liège. O traçado desta edição inclui 10 subidas catalogadas, com destaque para Côte de Stockeu (12,5%), Côte de la Redoute (9,4%) e Côte de la Roche-aux-Faucons (11%). Ao contrário dos anos anteriores, a Côte de Saint-Roch foi retirada do percurso e substituída pelo Col de Haussire no início da corrida.
Quem são as favoritas ao título em 2026?
As principais candidatas são Demi Vollering (bicampeã da corrida), Puck Pieterse (vice em 2025 e em grande fase), Kim Le Court (campeã defensora), Elisa Longo Borghini (múltiplos pódios) e Lotte Kopecky (campeã mundial em temporada muito ativa).
Quem venceu o Liège-Bastogne-Liège Feminino em 2025?
Kim Le Court, da AG Insurance-Soudal, venceu a edição de 2025 num sprint a quatro ciclistas. Ela se tornou a primeira africana a vencer um Monument do ciclismo feminino, uma vitória histórica para o esporte.
O que torna o Liège-Bastogne-Liège uma corrida tão especial?
A Liège é conhecida como a “Doyenne” — a mais velha das Clássicas. Sua versão feminina, apesar de mais recente, já carrega um enorme peso histórico e técnico. O percurso nas colinas das Ardenas belgas, com subidas longas e repetidas, torna a corrida a mais exigente do calendário feminino de primavera — e uma das mais emocionantes para assistir.





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