Existe algo de mágico em ver o pelotão serpentear pelas colinas da Toscana, levantando nuvens de poeira branca enquanto disputa cada metro das famosas strade bianche — as estradas brancas que dão nome a uma das corridas mais bonitas do calendário mundial. A Strade Bianche 2026 será disputada no dia 7 de março, um sábado, e promete mais um capítulo inesquecível nesta história que já completou duas décadas.
A edição deste ano marca o 20º aniversário da prova masculina e a 13ª edição da Strade Bianche Donne, a prova feminina. Ambas serão disputadas no mesmo dia, com largada e chegada em Siena, no coração da região italiana da Toscana — um cenário que, por si só, já justifica parar tudo para acompanhar a corrida.
O que é a Strade Bianche e por que ela é tão especial?
Para quem ainda não conhece, a Strade Bianche é uma corrida de um dia que pertence ao calendário WorldTour da UCI. Organizada pela RCS Sport, a mesma empresa responsável pelo Giro d’Italia, a prova nasceu em 2007 inspirada pela L’Eroica, aquele passeio nostálgico onde ciclistas vestem roupas vintage e pedalam bicicletas antigas pelas estradas de cascalho ao redor de Siena.
O que diferencia a Strade Bianche de qualquer outra clássica no mundo são justamente os setores de estradas não pavimentadas — caminhos de terra e cascalho branco que cortam a paisagem toscana. Alguns desses trechos são planos, outros envolvem subidas íngremes ou descidas técnicas que testam não apenas as pernas, mas a habilidade sobre a bicicleta. É uma corrida onde escaladores, puncheurs, especialistas em paralelepípedos e até ex-ciclocrossistas podem brilhar. Não à toa, muitos a consideram o “Sexto Monumento” do ciclismo.
Desde que foi transferida de outubro para março em 2008, a prova ganhou importância estratégica no calendário. Ela funciona como uma espécie de termômetro para a temporada de clássicas de primavera, atraindo os melhores nomes do pelotão mundial logo no início da campanha europeia.
Strade Bianche 2026: detalhes da corrida
Confira abaixo os dados essenciais da Strade Bianche 2026:
| Informação | Detalhes |
|---|---|
| Data | 7 de março de 2026 (sábado) |
| Largada e chegada | Siena, Itália |
| Categoria | WorldTour |
| Edição | 20ª (masculina) / 13ª (feminina) |
| Distância masculina | 201 km |
| Distância feminina | 131 km |
| Vencedor 2025 (masculino) | Tadej Pogačar (UAE Team Emirates-XRG) |
| Vencedora 2025 (feminina) | Demi Vollering (FDJ-SUEZ) |
Percurso da Strade Bianche 2026: mais cascalho, mais desafio

A cada ano, a organização faz ajustes no percurso para manter a corrida imprevisível — e em 2026 não será diferente. A prova masculina contará com 14 setores de cascalho, um aumento significativo em relação aos 11 do ano passado. No total, serão 64 km de estradas não pavimentadas ao longo dos 201 km de percurso. Já pensou o que isso representa? Quase um terço da corrida acontece na terra, onde qualquer imprevisto — um furo, uma escorregada, um erro de posicionamento — pode custar a vitória.

Na prova feminina, a mudança foi no sentido contrário: o número de setores de cascalho caiu para 11, cobrindo 33 km dos 131 km totais. Ainda assim, é um percurso exigentíssimo.
E claro, o grande final permanece intocado: a Via Santa Caterina, aquela subida estreita e brutal que atinge 16% de inclinação pouco antes da chegada na belíssima Piazza del Campo, em pleno centro histórico de Siena. É ali que a corrida se decide — com os ciclistas já destruídos pela poeira e pelo esforço, precisando encontrar forças para um último ataque.

Para conferir detalhes completos sobre a rota e os setores de cascalho, visite a página oficial da Strade Bianche.
O domínio de Tadej Pogačar e a edição dramática de 2025
Impossível falar da Strade Bianche 2026 sem mencionar o nome que domina a prova nos últimos anos: Tadej Pogačar. O esloveno da UAE Team Emirates-XRG venceu as edições de 2022, 2024 e 2025, igualando o recorde de três vitórias de Fabian Cancellara. Se vencer em março, será o recordista absoluto da corrida.
A edição de 2025 foi particularmente memorável. Pogačar sofreu uma queda dramática durante a corrida, caindo em uma vala à beira da estrada quando liderava a prova. Contra todas as expectativas, ele remontou a bicicleta e, mesmo sentindo dores, conseguiu cruzar a linha de chegada em primeiro lugar. “Não é a melhor forma de vencer uma corrida”, admitiu o campeão mundial após a prova, visivelmente machucado mas com o sorriso de quem sabe que acabou de protagonizar mais um momento histórico.
Tom Pidcock, que terminou em segundo, também teve sentimentos mistos. “Cheguei bem perto”, disse o britânico, explicando que não quis tirar vantagem da queda do rival. Pidcock, que havia vencido a Strade Bianche em 2023 com um ataque solo espetacular, será novamente um dos grandes favoritos em 2026 — agora defendendo as cores da Pinarello-Q36.5.
O próprio Pogačar já declarou que tem uma conexão especial com as clássicas de primavera. Segundo o esloveno, a diversão que sente nessas corridas é única e incomparável.
Favoritos para a Strade Bianche 2026: quem pode surpreender?
A lista de potenciais vencedores é extensa, e esse é justamente um dos charmes da prova. Veja os nomes que devem protagonizar a Strade Bianche 2026:
Tadej Pogačar — Tricampeão da prova, atual campeão mundial e o ciclista mais dominante da atualidade. Como disse Alberto Bettiol antes da edição de 2025: “Não há nada que possamos fazer. Ele é quase impossível de bater.”
Tom Pidcock — O britânico já confirmou que a Strade Bianche faz parte do seu calendário de primavera 2026, junto com a Milan-San Remo e a Liège-Bastogne-Liège. Vencedor em 2023, Pidcock tem as habilidades de ciclocross que fazem toda a diferença nos setores de cascalho.
Mathieu van der Poel — Vencedor em 2021 com uma corrida ofensiva espetacular. O holandês da Alpecin-Deceuninck é sempre um candidato temível em qualquer clássica que dispute. Muitos o consideram o único ciclista capaz de desafiar seriamente a hegemonia de Pogačar nas provas de um dia.
Outros nomes a observar incluem Wout van Aert (vencedor em 2020), Julian Alaphilippe (vencedor em 2019) e jovens talentos que podem surpreender nas estradas de cascalho. A campeã mundial de ciclocross Lucinda Brand também confirmou que fará sua estreia na temporada de estrada justamente na Strade Bianche feminina.
Strade Bianche Feminina: Kopecky mira o tricampeonato
A prova feminina da Strade Bianche ganhou enorme relevância desde sua criação em 2015 e hoje é uma das corridas mais aguardadas do Women’s WorldTour. As holandesas dominam o histórico da corrida, com quatro das últimas oito edições indo para uma ciclista dos Países Baixos.
Demi Vollering venceu em 2025 após uma batalha inesquecível contra Anna van der Breggen, sua ex-treinadora. Lotte Kopecky, bicampeã em 2022 e 2024, certamente tentará o tricampeonato em 2026 — o que a colocaria em um patamar histórico na corrida.
Outras vencedoras notáveis incluem Annemiek van Vleuten (2019 e 2020), Elisa Longo Borghini (2017) e Lizzie Deignan (2016), a única britânica a conquistar a prova feminina — assim como Tom Pidcock é o único britânico vencedor no masculino.
Histórico completo de vencedores da Strade Bianche
Vencedores da Prova Masculina
| Ano | Vencedor | País | Equipe |
|---|---|---|---|
| 2025 | Tadej Pogačar | Eslovênia | UAE Team Emirates-XRG |
| 2024 | Tadej Pogačar | Eslovênia | UAE Team Emirates |
| 2023 | Tom Pidcock | Grã-Bretanha | Ineos Grenadiers |
| 2022 | Tadej Pogačar | Eslovênia | UAE Team Emirates |
| 2021 | Mathieu van der Poel | Holanda | Alpecin-Fenix |
| 2020 | Wout van Aert | Bélgica | Team Jumbo-Visma |
| 2019 | Julian Alaphilippe | França | Deceuninck-Quick-Step |
| 2018 | Tiesj Benoot | Bélgica | Lotto-Soudal |
| 2017 | Michał Kwiatkowski | Polônia | Team Sky |
| 2016 | Fabian Cancellara | Suíça | Trek-Segafredo |
| 2015 | Zdeněk Štybar | Rep. Tcheca | Etixx-Quick-Step |
| 2014 | Michał Kwiatkowski | Polônia | Omega Pharma-Quick-Step |
| 2013 | Moreno Moser | Itália | Cannondale |
| 2012 | Fabian Cancellara | Suíça | Radioshack-Nissan |
| 2011 | Philippe Gilbert | Bélgica | Omega Pharma-Lotto |
| 2010 | Maxim Iglinsky | Cazaquistão | Astana |
| 2009 | Thomas Löfkvist | Suécia | Team Columbia-HTC |
| 2008 | Fabian Cancellara | Suíça | CSC ProTeam |
Vencedoras da Strade Bianche Donne
| Ano | Vencedora | País | Equipe |
|---|---|---|---|
| 2025 | Demi Vollering | Holanda | FDJ-SUEZ |
| 2024 | Lotte Kopecky | Bélgica | SD Worx-Protime |
| 2023 | Demi Vollering | Holanda | SD Worx |
| 2022 | Lotte Kopecky | Bélgica | SD Worx |
| 2021 | Chantal van den Broek-Blaak | Holanda | Team SD Worx |
| 2020 | Annemiek van Vleuten | Holanda | Mitchelton-Scott |
| 2019 | Annemiek van Vleuten | Holanda | Mitchelton-Scott |
| 2018 | Anna van der Breggen | Holanda | Boels-Dolmans |
| 2017 | Elisa Longo Borghini | Itália | Wiggle-High5 |
| 2016 | Lizzie Deignan | Grã-Bretanha | Boels-Dolmans |
Onde assistir à Strade Bianche 2026
A cobertura televisiva da Strade Bianche 2026 ainda está sendo confirmada para o Brasil e América Latina. No Reino Unido, a transmissão fica por conta do TNT Sports/Discovery+. Nos Estados Unidos, a emissora ainda será confirmada.
Para quem busca acompanhar em tempo real, o Cyclingnews costuma oferecer cobertura ao vivo com atualizações minuto a minuto, assim como o Cycling Weekly. A plataforma GCN+ também costuma transmitir as principais provas do calendário WorldTour, sendo uma opção acessível para fãs brasileiros.
Por que a Strade Bianche é chamada de “Sexto Monumento”?
O ciclismo profissional possui cinco corridas de um dia consideradas “Monumentos” — as provas mais prestigiadas e históricas do esporte: Milan-San Remo, Tour de Flandres, Paris-Roubaix, Liège-Bastogne-Liège e Il Lombardia. Cada uma tem décadas de tradição e um caráter único.
A Strade Bianche, apesar de relativamente jovem (nasceu apenas em 2007), conquistou um lugar tão especial no coração dos fãs e dos ciclistas que muitos já a tratam como o sexto integrante desse grupo seleto. O cenário cinematográfico, a imprevisibilidade da corrida, a qualidade dos vencedores e aquele final épico na Piazza del Campo — tudo contribui para essa reputação. E convenhamos: poucas imagens no esporte são tão icônicas quanto ciclistas cobertos de poeira branca escalando as colinas toscanas.
O crescimento do gravel e a conexão com a Strade Bianche
Vale notar que o crescimento explosivo do ciclismo gravel ao redor do mundo tem uma conexão direta com a Strade Bianche. A corrida ajudou a popularizar a ideia de que pedalar em estradas não pavimentadas não é apenas viável — é emocionante. Hoje, o calendário de gravel da UCI inclui dezenas de eventos em todos os continentes, e muito dessa popularidade remonta à visibilidade que as “estradas brancas” de Siena trouxeram ao conceito.
É uma via de mão dupla: ciclistas que fizeram carreira no gravel, no mountain bike ou no ciclocross levam essas habilidades para a Strade Bianche e frequentemente se destacam. Tom Pidcock é o exemplo perfeito — campeão olímpico de mountain bike e vencedor de provas de ciclocross, ele se sente em casa nos setores de cascalho como poucos ciclistas de estrada conseguem.
FAQ — Perguntas frequentes sobre a Strade Bianche 2026
Quando acontece a Strade Bianche 2026?
A Strade Bianche 2026 está marcada para o dia 7 de março de 2026, um sábado. Tanto a prova masculina quanto a feminina acontecem no mesmo dia, com largada e chegada em Siena, na Toscana, Itália.
Quem é o maior vencedor da Strade Bianche?
Atualmente, Tadej Pogačar e Fabian Cancellara dividem o recorde com três vitórias cada. Pogačar venceu em 2022, 2024 e 2025, enquanto Cancellara triunfou em 2008, 2012 e 2016. Se Pogačar vencer em 2026, será o recordista isolado.
Quantos quilômetros tem a Strade Bianche 2026?
A prova masculina terá 201 km, dos quais 64 km são em setores de cascalho. A prova feminina terá 131 km, com 33 km de estradas não pavimentadas.
O que são as “strade bianche”?
Em italiano, “strade bianche” significa “estradas brancas”. São caminhos de terra e cascalho não pavimentados, típicos da região da Toscana, na Itália. Esses setores são a principal característica e o grande diferencial da corrida, exigindo habilidades técnicas além da força física.
Qual é a subida final da Strade Bianche?
A subida final é a Via Santa Caterina, uma rampa estreita e íngreme que atinge 16% de inclinação nos seus trechos mais duros. Ela leva diretamente à Piazza del Campo, a praça central de Siena, onde está localizada a linha de chegada — um dos cenários mais espetaculares de todo o ciclismo profissional.
Links úteis: Site oficial da Strade Bianche | Strade Bianche no X (Twitter) | Strade Bianche Donne — percurso oficial | Dados no FirstCycling





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