Sabe aquela sensação de assistir a algo que vai ficar marcado na história do ciclismo? Foi exatamente isso que rolou no último domingo de abril, quando as lendárias estradas da Bélgica receberam mais uma edição do Tour de Flandres. E cara, que corrida foi essa! A galera já esperava fireworks, mas o que aconteceu superou até as expectativas mais otimistas dos fãs de pedal.
Desde cedo a vibe já estava diferente. Você consegue imaginar 268,9 quilômetros de pura emoção, passando por aqueles paralelepípedos históricos que fazem qualquer ciclista tremer só de pensar? Pois é, a 109ª edição dessa clássica monumental prometia – e entregou – um espetáculo à altura do seu nome.
A Largada em Bruges e o Caminho Até a Glória
A corrida começou em Bruges, aquela cidade belga que parece ter saído de um conto de fadas, com suas construções medievais e canais encantadores. Mas não se engane pelo visual romântico – o que esperava os corredores pela frente era tudo, menos um passeio tranquilo no parque.
Logo nos primeiros quilômetros, a tensão já tomou conta do pelotão. E olha, quando você tem nomes como Tadej Pogačar, Mathieu van der Poel e Wout van Aert na mesma corrida, pode ter certeza de que ninguém vai entregar nada de bandeja. A cada subida, a cada setor de paralelepípedos, dava pra sentir aquela energia de “é agora ou nunca”.
O Drama que Marcou os Quilômetros Iniciais
A primeira pancada veio quando faltavam ainda uns 130 km pro final. Uma queda gigantesca tirou do jogo vários corredores de uma vez só – doze ciclistas no chão, incluindo ninguém menos que o atual campeão, Mathieu van der Poel. Aquele momento gelou o coração de todo mundo que torcia pro holandês.
Mas sabe o que é mais impressionante? Van der Poel se levantou como se nada tivesse acontecido e partiu numa perseguição insana. Em apenas 5 quilômetros, ele conseguiu grudar de volta no pelotão principal. Esse cara simplesmente não desiste, não tem jeito.
Só que a sorte não estava totalmente do lado dele naquele dia. Mais à frente, com 85 km pra chegada, ele precisou trocar de bike novamente. Esses pequenos contratempos acabaram fazendo toda diferença no final das contas.
Pogačar Assume o Comando e Mostra Porque é Campeão Mundial
E aí começou o show de Tadej Pogačar. O esloveno, vestindo aquela belíssima camisa do arco-íris de campeão mundial, começou a atacar de um jeito que só os grandes sabem fazer. No Paterberg, aquela subida cruel de 400 metros com 12,9% de inclinação média, ele deu o primeiro bote sério.
Van der Poel não deixou barato e colou na roda. Logo depois, Mads Pedersen, Matteo Jorgenson, Wout van Aert e Jasper Stuyven também conseguiram fazer a ponte. Naquele momento, você olhava pra frente e pensava: “caramba, que grupo absurdo formou ali na frente”.
Mas Pogačar estava naquele dia especial que todo ciclista sonha ter. A 46 km do final, ele atacou de novo. E de novo. E de novo. O cara parecia incansável, testando os limites dos adversários o tempo todo.
O Ataque Decisivo no Oude Kwaremont
Todo mundo que acompanha o Tour de Flandres sabe: o Oude Kwaremont é onde a mágica acontece. É naquela subida lendária que os sonhos se realizam ou se desfazem. E Pogačar escolheu exatamente esse palco icônico pra decretar sua vitória.
A 18 km da linha de chegada, na terceira e última passagem pelo Oude Kwaremont, o esloveno deu uma arrancada tão violenta que simplesmente voou sozinho. Van der Poel tentou reagir, Pedersen deu tudo que tinha, mas ninguém conseguiu acompanhar.
Daquele ponto em diante, virou passeio triunfal. Pogačar abriu mais de um minuto de vantagem e cruzou a linha de chegada em Oudenaarde com os braços pro alto, festejando sua segunda vitória no Tour de Flandres (a primeira tinha sido em 2023).
O Pódio e os Números que Impressionam
O tempo final de Pogačar? 5 horas, 58 minutos e 41 segundos. Uma eternidade de sofrimento e glória condensadas num único dia sobre a bike.
Na briga pelo segundo lugar, rolou um sprint eletrizante entre os quatro perseguidores. Mads Pedersen, o dinamarquês da Lidl-Trek, mostrou porque é um dos melhores velocistas em finais difíceis e levou a prata. Mathieu van der Poel pegou o bronze, com Wout van Aert e Jasper Stuyven completando o top 5.
Pra ter uma ideia da superioridade do esloveno naquele dia: ele abriu 1 minuto e 1 segundo pros caras que estavam brigando pelo pódio. No ciclismo de alto nível, isso é uma eternidade.
Pogačar Entra Pro Panteão dos Monumentos
Com essa vitória, Tadej Pogačar alcançou uma marca simplesmente absurda: oito Monumentos na carreira. Pra quem não acompanha tão de perto, os Monumentos são as cinco corridas de um dia mais importantes do calendário mundial. São elas: Milão-Sanremo, Tour de Flandres, Paris-Roubaix, Liège-Bastogne-Liège e Tour de Lombardia.
O currículo de Pogačar nesses clássicos é de dar inveja em qualquer lenda do esporte: duas vitórias em Liège (2021 e 2024), e pasmem, quatro títulos consecutivos no Lombardia (2021, 2022, 2023 e 2024). E agora, duas conquistas no Flandres (2023 e 2025).
O cara tá reescrevendo a história do ciclismo bem na nossa frente, e nós temos a sorte de estar vivos pra ver isso acontecendo.
A Tradição de um dos Mais Belos Espetáculos do Ciclismo
Olha, se você ainda não teve a oportunidade de assistir ao Tour de Flandres, tá perdendo um dos maiores espetáculos do ciclismo mundial. A corrida existe desde 1919 – sim, mais de um século de história – e cada edição traz aquela mistura perfeita entre tradição, drama e emoção pura.
O percurso é conhecido como Ronde van Vlaanderen em holandês (a língua local da Flandres), e não é à toa que eles chamam de “A Rainha das Clássicas”. São dezesseis subidas categorizadas e sete setores de paralelepípedos que testam absolutamente tudo: técnica, força, resistência mental e até um pouquinho de sorte.
Cada um desses muros de pedra tem sua própria história e personalidade. O Koppenberg, por exemplo, é tão íngreme que tem trechos com 22% de inclinação. O Paterberg é mais curto mas igualmente cruel. E o já mencionado Oude Kwaremont, com seus 2,2 km de extensão, é onde geralmente se define o vencedor.
Van der Poel e a Busca pelo Tetracampeonato Adiado
Pra Mathieu van der Poel, o terceiro lugar teve gosto amargo. O holandês chegava como atual campeão (tinha vencido de forma épica em 2024) e buscava seu quarto título no Flandres, o que seria um recorde histórico.
Com três vitórias na bagagem, Van der Poel já faz parte de um grupo super seleto de apenas seis ciclistas que conseguiram esse feito ao longo da história centenária da prova. Os outros cinco são verdadeiras lendas:
- Achiel Buysse (1940, 1941, 1943) – tricampeão durante a Segunda Guerra Mundial
- Fiorenzo Magni (1949, 1950, 1951) – três anos seguidos de domínio absoluto
- Eric Leman (1970, 1972, 1973) – o belga que marcou época nos anos 70
- Johan Museeuw (1993, 1995, 1998) – o “Leão de Flandres”
- Tom Boonen (2005, 2006, 2012) – outro ídolo belga das clássicas
- Fabian Cancellara (2010, 2013, 2014) – o suíço poderoso dos paralelepípedos
Estar nessa lista já é uma honra imensa. Mas Van der Poel quer mais – ele quer ser o único com quatro vitórias. E conhecendo a garra desse cara, não duvido nada que ele ainda consiga.
O Retorno de Bruges como Cidade de Partida
Uma curiosidade bacana sobre a edição de 2025: foi o retorno oficial de Bruges como cidade de largada depois de alguns anos alternando com Antuérpia. Bruges tem uma história linda com o Tour de Flandres – de 1998 até 2016, foi de lá que a corrida saiu ininterruptamente.
Entre 2017 e 2022, e também em 2024, Antuérpia assumiu esse papel. Em 2023 houve um retorno pontual à Bruges, mas agora parece que a cidade medieval está de volta pra valer como casa inicial dessa celebração do ciclismo belga.
As Equipes que Marcaram Presença
A lista de equipes que botaram seus melhores homens na largada era de impressionar. Olha só esse lineup de peso:
- Alpecin-Deceuninck – a casa de Van der Poel
- UAE Team Emirates XRG – comandada pelo campeão Pogačar
- Lidl-Trek – com Pedersen e Stuyven no pódio
- Visma-Lease a Bike – trazendo Van Aert
- INEOS Grenadiers – sempre forte nas clássicas
- Soudal Quick-Step – a tradicional equipe belga
- Red Bull-BORA-hansgrohe – em busca de fazer história
E tinha muito mais: EF Education-EasyPost, Groupama-FDJ, Bahrain Victorious, Movistar, Cofidis, Intermarché-Wanty… Enfim, praticamente todo o WorldTour estava lá. Quando a nata do ciclismo mundial se reúne num lugar só, pode esperar grandes coisas.
O Que Torna o Tour de Flandres Tão Especial?
Tem algo mágico nas clássicas belgas que é difícil de explicar pra quem nunca viu ao vivo. A paixão da torcida, o clima (que pode ser desde sol radiante até chuva torrencial), a dureza do percurso, a imprevisibilidade total…
Os paralelepípedos (ou pavés, como chamam) não são só pedras no chão. Eles fazem parte da alma dessas corridas. Cada pedrinha mal posicionada pode causar uma queda, um furo, uma quebra de material. É preciso técnica refinada pra passar por esses setores mantendo velocidade e controle.
E as subidas curtas e explosivas? Cara, elas são devastadoras. Você mal se recupera de uma e já tem outra logo ali na frente. Os músculos queimam, o coração dispara, mas não dá pra relaxar nem por um segundo porque qualquer vacilo e você perde a roda do grupo.
É por isso que ganhar o Tour de Flandres é tão respeitado no pelotão. Não importa quantos Tours da França você tenha no currículo – se você nunca venceu uma clássica monumental, tá faltando alguma coisa na sua coleção de troféus.
A Temporada de Pogačar em 2025
Essa vitória no Flandres veio apenas um mês depois de Pogačar ter levado as Strade Bianche, outra clássica italiana lindíssima que acontece nas estradas de terra branca da Toscana.
O cara começou 2025 simplesmente voando. E olha que ele já tinha terminado 2024 em altíssimo nível, dominando a segunda metade da temporada de uma forma que poucos ciclistas conseguem fazer.
Com esse ritmo, não é exagero pensar que Pogačar pode quebrar ainda mais recordes antes do ano acabar. Ele já falou em entrevistas que quer continuar colecionando Monumentos e quem sabe um dia completar a coleção toda (falta apenas Paris-Roubaix no currículo dele).
O Futuro das Clássicas da Primavera
Depois do Tour de Flandres, o calendário das clássicas da primavera continua fervendo. Logo vem a Paris-Roubaix (conhecida como “O Inferno do Norte”) e depois as clássicas das Ardenas belgas, com Amstel Gold Race, Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège.
Cada uma dessas corridas tem seu próprio caráter e exige qualidades diferentes dos corredores. Por isso é tão raro ver um ciclista dominar em todas elas. Mas se tem alguém que pode fazer isso acontecer nos próximos anos, esse alguém é Tadej Pogačar.
Perguntas Frequentes sobre o Tour de Flandres
Quantas vezes Tadej Pogačar já venceu o Tour de Flandres?
Pogačar conquistou o Tour de Flandres duas vezes: em 2023 e em 2025. Em ambas as ocasiões, ele venceu com ataques decisivos no icônico Oude Kwaremont nos quilômetros finais da corrida.
Qual é a distância total do Tour de Flandres 2025?
A edição de 2025 percorreu exatos 268,9 quilômetros, partindo de Bruges e chegando em Oudenaarde. O percurso incluiu 16 subidas categorizadas e 7 setores de paralelepípedos que testaram a resistência e habilidade técnica de todos os participantes.
Por que o Tour de Flandres é considerado um Monumento do ciclismo?
O Tour de Flandres é um dos cinco Monumentos do ciclismo por sua história centenária (desde 1919), prestígio incomparável e nível de dificuldade extremo. Ganhar esta corrida coloca o ciclista num panteão especial do esporte, ao lado das outras quatro clássicas monumentais: Milão-Sanremo, Paris-Roubaix, Liège-Bastogne-Liège e Tour de Lombardia.
Quais são as subidas mais difíceis do Tour de Flandres?
As subidas mais temidas incluem o Koppenberg (com trechos de até 22% de inclinação), o Paterberg (400 metros a 12,9% de média mas com picos brutais), o Oude Kwaremont (2,2 km de extensão com três passagens no percurso), e o Taaienberg. Estas subidas combinam paralelepípedos irregulares com inclinações severas, tornando-as verdadeiros testes de força e técnica.
Quantos Monumentos Tadej Pogačar já conquistou na carreira?
Com a vitória no Tour de Flandres 2025, Pogačar chegou a impressionantes oito títulos em Monumentos. Ele venceu duas vezes Liège-Bastogne-Liège (2021 e 2024), quatro vezes consecutivas o Tour de Lombardia (2021-2024) e duas vezes o Tour de Flandres (2023 e 2025). Aos 26 anos, ele já é um dos maiores vencedores de Monumentos em atividade e pode aumentar ainda mais este número nos próximos anos.





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