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Jonas Vingegaard relembra celebração histórica da Vuelta: Foi uma desgraça para o ciclismo

Jonas Vingegaard conquistou sua primeira Vuelta a España em 2025, mas a celebração foi marcada por protestos e um pódio improvisado em estacionamento de hotel. O dinamarquês relembra os momentos únicos desta corrida histórica.

Jonas Vingegaard relembra celebração histórica da Vuelta

Ganhar uma Grand Tour é o sonho de qualquer ciclista profissional. Mas imagina trabalhar durante três semanas intensas, superar adversários de altíssimo nível, conquistar o título – e não poder celebrar como deveria? Foi exatamente isso que aconteceu com Jonas Vingegaard na Vuelta a España 2025, numa situação que ele mesmo classificou como “uma desgraça para o ciclismo”.

O dinamarquês da Visma | Lease a Bike conseguiu sua primeira vitória na volta espanhola, mas a festa acabou acontecendo de um jeito bem diferente do tradicional – num estacionamento de hotel, sem as multidões de Madrid e longe dos holofotes que uma conquista dessas merece.

Quando os protestos mudaram tudo

A Vuelta 2025 foi marcada por tensões desde o primeiro dia. A presença da equipe Israel-Premier Tech no pelotão provocou uma série de protestos pró-Palestina que acabaram interferindo diretamente no desenrolar das etapas. Não foi só uma questão política acontecendo fora das corridas – os manifestantes literalmente entraram nas estradas.

A etapa 11, que tinha Bilbao como destino, precisou ser neutralizada porque grupos de manifestantes tentaram romper as barreiras de segurança e invadir o percurso enquanto o pelotão passava. Imagina o caos: ciclistas pedalando em alta velocidade, disputando posições, e de repente tendo que parar porque tinha gente demais nas estradas querendo forçar a passagem.

Vingegaard queria muito vencer aquela etapa – era o aniversário da filha dele, e seria uma forma especial de comemorar. Mas não rolou. A segurança ficou comprometida, e os organizadores não tiveram escolha a não ser neutralizar a corrida.

A última etapa que nunca chegou a Madrid

Se os problemas nas etapas anteriores já eram sérios, o que aconteceu no último dia da Vuelta foi totalmente surreal. Tradicionalmente, a etapa final de uma Grand Tour é mais cerimonial que competitiva – o vencedor já está definido, e o pelotão faz uma espécie de desfile triunfal até a capital, onde acontece a grande celebração.

Só que em 2025, depois de apenas uma hora e meia de corrida, tudo foi interrompido. Milhares de manifestantes romperam as barreiras de segurança em Madrid, transformando o percurso planejado num cenário totalmente fora de controle. Não tinha como continuar com segurança.

Para Vingegaard, que tinha acabado de conquistar sua primeira camisa vermelha depois de ficar em segundo no Tour de France (mais uma vez atrás de Tadej Pogačar), foi um balde de água fria. Nada de volta da vitória pelas ruas de Madrid. Nada de pódio oficial cercado por milhares de torcedores. A vitória estava confirmada, mas a festa… bem, ia ter que ser improvisada.

A celebração mais inusitada da história das Grand Tours

Quando os ciclistas voltaram para o hotel, ninguém sabia muito bem o que fazer. Vingegaard conta que ficou sentado no fundo do ônibus da equipe por um tempo, meio sem entender direito como processar aquela situação toda. “Havia bastante interrogação no ar quando voltamos ao hotel, porque não estava muito claro o que ia acontecer”, relembrou o dinamarquês em entrevista ao TuttoBiciWeb.

E então, do nada, alguém teve a ideia: “Vamos fazer uma festa aqui mesmo, no estacionamento”. Segundo consta, a iniciativa partiu de uma fonte inesperada – a mãe de Tom Pidcock, que estava acompanhando a equipe. Ela ajudou a organizar o que acabou virando uma das cenas mais marcantes da temporada 2025.

Os outros ciclistas começaram a chegar, alguém arrumou umas cervejas, e de repente tinha um pódio improvisado montado ali mesmo, entre os carros estacionados. Vingegaard com a camisa vermelha, os outros líderes de classificação com suas respectivas camisas, e todo mundo junto celebrando de um jeito totalmente fora do script.

“Para mim pessoalmente, foi uma das cerimônias de pódio mais memoráveis que já experimentei”, admitiu Vingegaard. E não é difícil entender por quê. Foi genuíno, foi espontâneo, foi real. Nada de protocolo, nada de câmeras oficiais fazendo aquela produção toda. Só os caras que tinham pedalado juntos por três semanas, celebrando do jeito que dava.

A estratégia que levou ao título

A conquista de Vingegaard na Vuelta não foi só sobre superar os protestos e a situação caótica. O dinamarquês chegou na Espanha com uma estratégia bem definida: nada de queimar a equipe toda desde o começo. Afinal, ele tinha acabado de fazer o Tour de France apenas algumas semanas antes.

“Sabíamos que havia muitas chegadas em subida, e você pode se queimar facilmente. Então escolhemos trabalhar nossas táticas antes da corrida, decidindo focar mais em buscar vitórias de etapa no final”, explicou o corredor da Visma.

A jogada funcionou perfeitamente. Na etapa 9, com chegada na Estación de Valdezcaray, Vingegaard atacou com tudo numa subida que tinha média de pouco mais de 5% de inclinação. O elemento surpresa pegou João Almeida desprevenido, e o português não conseguiu responder ao ataque explosivo do dinamarquês.

Aquele gap aberto em Valdezcaray foi basicamente mantido até o final. Vingegaard ainda voltou a vencer na Bola del Mundo, cravando seu domínio na corrida e garantindo que a camisa vermelha ia mesmo para a Dinamarca.

Mas não foi fácil. Na segunda metade da Vuelta, Vingegaard ficou doente. Ele que tinha planejado atacar e buscar mais vitórias de etapa, teve que mudar completamente o roteiro e adotar uma postura defensiva. “Eu queria vencer e ainda acreditava que podia, mas tive que mudar a estratégia no meio da etapa 13 (no Alto de l’Angliru) para defender em vez de atacar”, revelou.

O lado humano de uma temporada difícil

O que torna essa história ainda mais especial é o contexto emocional de tudo. Vingegaard tinha acabado de perder mais uma vez para Pogačar no Tour, numa disputa em que o esloveno simplesmente dominou. Ver seu companheiro de equipe Wout van Aert conquistar a vitória de etapa na Champs-Élysées foi emocionante para o dinamarquês.

“Foi realmente incrível ver o Wout vencer novamente no Tour”, disse Vingegaard. “Nós dois sofremos acidentes pesados na mesma época, e acho que ambos tivemos um período difícil. Foi fantástico vê-lo vencer nos Champs-Élysées, e fiquei incrivelmente feliz por ele.”

Aquela vitória de Van Aert, depois de tanto tempo afastado por lesões graves, serviu de combustível emocional para Vingegaard na Vuelta. Ver o amigo superando adversidades deu ao dinamarquês a motivação extra que ele precisava para buscar o título espanhol.

“O sucesso dele me deu a motivação para continuar e vencer a Vuelta”, admitiu o campeão. É bonito ver como no ciclismo profissional, mesmo com toda a competitividade, essas conexões humanas fazem diferença real nos resultados.

Uma vitória para não esquecer

No final das contas, apesar de toda a confusão, dos protestos, da doença e da celebração improvisada no estacionamento, Vingegaard conquistou seu primeiro título na Vuelta a España. Foram três vitórias de etapa e a confirmação de que, mesmo quando Pogačar parece imbatível no Tour, ainda existem outras corridas importantes para disputar.

“Claro que eu teria preferido não ficar doente, mas ganhei três etapas e a Vuelta, que também é uma corrida muito importante, e estou super feliz em adicionar isso ao meu palmarés”, concluiu o dinamarquês.

A Vuelta 2025 vai ficar na história não só pela vitória de Vingegaard, mas por tudo que aconteceu ao redor dela. Os protestos políticos, as etapas neutralizadas, a chegada cancelada em Madrid e aquela celebração totalmente fora do comum no estacionamento de um hotel tornaram essa edição única no calendário do ciclismo profissional.

E talvez seja exatamente isso que faz essa vitória ser ainda mais especial. Não foi só sobre pedalar mais rápido que os outros – foi sobre se adaptar ao caos, manter o foco mesmo quando tudo ao redor estava desmoronando, e no final das contas celebrar do jeito que dava, com as pessoas certas ao lado.

Como o próprio Vingegaard disse, pode ter sido “uma desgraça para o ciclismo” do ponto de vista organizacional, mas também foi “histórico” e “memorável” de uma forma que ninguém vai esquecer tão cedo.


Perguntas Frequentes sobre Vingegaard e a Vuelta 2025

Por que a Vuelta a España 2025 foi marcada por protestos?

A presença da equipe Israel-Premier Tech na corrida gerou uma série de protestos pró-Palestina ao longo de toda a Vuelta. Manifestantes tentaram interromper várias etapas, resultando na neutralização de algumas delas e no cancelamento da etapa final em Madrid por questões de segurança.

Como foi a celebração da vitória de Vingegaard na Vuelta?

Como a etapa final foi cancelada antes de chegar a Madrid, a celebração oficial não aconteceu. No lugar do tradicional pódio na capital espanhola, foi organizada uma cerimônia improvisada no estacionamento do hotel da equipe, com os ciclistas, equipes e familiares presentes. Vingegaard descreveu como uma das cerimônias mais memoráveis de sua carreira.

Qual foi a estratégia de Vingegaard para vencer a Vuelta 2025?

O dinamarquês adotou uma abordagem conservadora no início da corrida, economizando forças depois do Tour de France. O ataque decisivo veio na etapa 9, na subida para Estación de Valdezcaray, onde abriu vantagem significativa sobre João Almeida. Ele manteve essa diferença até o final, mesmo tendo ficado doente na segunda metade da corrida.

Quantas etapas Vingegaard venceu na Vuelta a España 2025?

Jonas Vingegaard conquistou três vitórias de etapa durante a Vuelta 2025, incluindo triunfos importantes em chegadas de montanha que consolidaram sua liderança na classificação geral e garantiram sua primeira camisa vermelha da carreira.

O que Vingegaard quis dizer ao chamar os eventos de desgraça para o ciclismo?

Vingegaard se referia à forma como os protestos e a situação de segurança comprometeram a realização adequada da Vuelta, especialmente o cancelamento da etapa final e a impossibilidade de realizar a celebração tradicional em Madrid. Apesar disso, ele também reconheceu que a experiência acabou sendo memorável de uma forma única e inesperada.

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