Quando falamos de corridas de preparação para o Tour de France, o Tour de Suisse sempre vem à mente como uma das mais tradicionais e desafiadoras do calendário. Nascida em 1933, a Volta à Suíça já completou mais de oito décadas testemunhando performances memoráveis e revelando futuros campeões das grandes voltas.
Não é por acaso que tantos ciclistas fazem questão de incluir essa prova no calendário. As montanhas suíças são um teste de fogo perfeito para quem sonha em brigar pela vitória em julho nas estradas francesas. E olha, a prova não perdoa – são etapas que alternam entre contrarrelógios técnicos e subidas alpinas que deixam qualquer um de pernas bambas.
A Edição de 2025: João Almeida Faz História
A 88ª edição do Tour de Suisse, realizada entre 15 e 22 de junho de 2025, entrou para os livros com uma virada espetacular. João Almeida, o português que hoje veste a camisa da UAE Team Emirates, mostrou por que é considerado um dos melhores escaladores da atualidade.
Logo na primeira etapa, Almeida perdeu mais de três minutos – o tipo de situação que faz muita gente desistir. Mas não ele. Etapa após etapa, o lusitano foi recuperando terreno, mostrando uma consistência absurda. No último dia, no contrarrelógio de montanha até Stockhütte, ele fez um espetáculo à parte, virando o jogo e conquistando o título com 1min07s de vantagem sobre o francês Kévin Vauquelin.
O pódio ficou completo com Oscar Onley em terceiro, a 1min58s, mostrando que a nova geração do ciclismo britânico está aí para incomodar. Felix Gall e Julian Alaphilippe fecharam o top 5, com o francês decepcionando um pouco no contrarrelógio final.
Os Últimos Campeões: Uma Década de Grandes Nomes
Se você acompanha ciclismo, vai reconhecer vários desses nomes que dominaram a Volta à Suíça nos últimos anos:
- 2025: João Almeida (Portugal) – UAE Team Emirates
- 2024: Adam Yates (Reino Unido) – UAE Team Emirates
- 2023: Mattias Skjelmose (Dinamarca) – Lidl-Trek
- 2022: Geraint Thomas (Reino Unido) – INEOS Grenadiers
- 2021: Richard Carapaz (Equador) – INEOS Grenadiers
- 2020: Cancelado devido à pandemia
- 2019: Egan Bernal (Colômbia) – Team INEOS
- 2018: Richie Porte (Austrália) – BMC Racing Team
- 2017: Simon Spilak (Eslovênia) – Katusha-Alpecin
- 2016: Miguel Ángel López (Colômbia) – Astana
- 2015: Simon Spilak (Eslovênia) – Katusha
- 2014: Rui Costa (Portugal) – Lampre-Merida
Repara como a UCI World Tour tem se tornado cada vez mais global? Colombianos, equatorianos, portugueses… O ciclismo não é mais apenas europeu, e o Tour de Suisse reflete perfeitamente essa mudança.
Recordes que Resistem ao Tempo
Agora vem a parte que todo aficionado por ciclismo adora: os recordes históricos. E olha, alguns deles são praticamente impossíveis de serem quebrados.
Pasquale Fornara é o nome que todo fã precisa conhecer. O italiano é o único ciclista na história a conquistar quatro títulos gerais no Tour de Suisse. Foram vitórias em 1952, 1954, 1957 e 1958 – uma dominação impressionante para qualquer época, mas especialmente considerando como era o ciclismo naquela era.
Já Rui Costa, que conhecemos bem por suas atuações recentes, detém outro recorde único: o português é o único corredor a conseguir um tricampeonato consecutivo, vencendo em 2012, 2013 e 2014. Foram três anos seguidos de domínio absoluto, algo extremamente difícil de repetir no ciclismo moderno, onde a concorrência é cada vez mais acirrada.
Quando olhamos para as estatísticas por nacionalidade, os números impressionam. Os ciclistas suíços subiram ao topo do pódio na classificação geral em 23 oportunidades – natural, já que a prova acontece em casa. Logo atrás vêm os italianos, com impressionantes 19 vitórias, mostrando a tradição transalpina no ciclismo de montanha.
E se você gosta de velocistas, presta atenção nesse número: Peter Sagan é o maior vencedor de etapas na história da competição, com nada menos que 18 triunfos parciais. O eslovaco transformou o Tour de Suisse praticamente em sua sala de estar durante os anos em que estava no auge.
Por Que o Tour de Suisse Importa Tanto?
Você deve estar se perguntando: ok, é uma corrida bonita e tradicional, mas por que ela é tão importante? Bom, o timing é perfeito. Acontecendo sempre em junho, três semanas antes do Tour de France, a prova serve como último grande teste antes da corrida mais importante do ano.
As etapas de montanha nos Alpes Suíços simulam perfeitamente o que os ciclistas vão encontrar nas etapas decisivas do Tour. Além disso, os contrarrelógios costumam ser tecnicamente exigentes, permitindo que os corredores ajustem os últimos detalhes antes de enfrentar Pogačar, Vingegaard e companhia.
Não é coincidência que vários vencedores do Tour de Suisse acabaram indo bem no Tour de France semanas depois. A correlação entre um bom desempenho na Suíça e o sucesso em julho é estatisticamente significativa, segundo análises da CyclingNews.
O Percurso: Beleza e Sofrimento em Doses Iguais
Se tem uma coisa que não falta no Tour de Suisse são paisagens de tirar o fôlego. Imagine pedalar por vales verdejantes, subir montanhas com picos nevados ao fundo e passar por vilarejos que parecem saídos de cartões postais. É cinema puro.
Mas não se engane pela beleza – o percurso é punitivo. As organizações costumam incluir subidas icônicas como o Gotthard Pass, San Gottardo e outras montanhas que fazem parte da história do ciclismo. São rampas que chegam facilmente aos 8-10% de inclinação média, com picos que ultrapassam os 15%.
E tem mais: o clima suíço é traiçoeiro. Pode fazer 25 graus no vale e estar nevando no topo da montanha. Os ciclistas precisam estar preparados para tudo, o que adiciona uma camada extra de estratégia à corrida.
A Evolução da Prova ao Longo das Décadas
Desde aquela primeira edição em 1933, muita coisa mudou. Nos primeiros anos, a corrida era bem mais curta e tinha características completamente diferentes. Com o tempo, foi ganhando prestígio e se tornando uma das provas mais importantes do calendário UCI World Tour.
Nos anos 50 e 60, era comum ver os grandes campeões do Tour de France usando a Suíça como preparação. Nomes como Fausto Coppi, Hugo Koblet e outros lendários deixaram sua marca nas estradas suíças.
A profissionalização do esporte trouxe mudanças significativas. Hoje, as equipes tratam o Tour de Suisse com extrema seriedade, levando seus principais corredores e usando a corrida não apenas como treino, mas como uma competição importante por si só. O Tour de France pode ser o objetivo final, mas ninguém vai à Suíça para passear.
Curiosidades que Poucos Conhecem
Sabia que o Tour de Suisse já teve edições com mais de 2.000 quilômetros? Pois é, antigamente as corridas eram verdadeiras épicas de resistência. Hoje, a prova gira em torno de 1.200-1.300 km, distribuídos em 8 etapas.
Outra curiosidade: a camisa de líder é amarela, assim como no Tour de France. Mas aqui ela tem um significado especial, representando as cores tradicionais suíças quando combinada com o brasão do país.
E tem uma estatística impressionante: desde 2010, praticamente todos os vencedores do Tour de Suisse terminaram no top 10 do Tour de France no mesmo ano. Isso mostra o quanto a prova é um indicador confiável de forma.
O Futuro da Corrida
Com o ciclismo evoluindo constantemente, o Tour de Suisse também se adapta. A organização tem investido em transmissões mais dinâmicas, usando drones e câmeras embarcadas para mostrar a beleza do percurso.
Além disso, há um esforço consciente para tornar a prova mais sustentável, reduzindo o impacto ambiental e promovendo práticas ecológicas – algo que combina perfeitamente com a imagem da Suíça.
Para 2026 e além, podemos esperar percursos ainda mais desafiadores, com a organização buscando sempre inovar sem perder a essência tradicional que faz do Tour de Suisse uma das corridas mais respeitadas do pelotão internacional.
Se você ainda não acompanha essa corrida de perto, fica a dica: vale muito a pena. É ciclismo de altíssimo nível, com paisagens espetaculares e um clima de competição único. E quem sabe, daqui a alguns anos, estaremos falando de novos recordes sendo quebrados e de uma nova geração de campeões fazendo história nas montanhas suíças.
Perguntas Frequentes sobre o Tour de Suisse
Quando acontece o Tour de Suisse anualmente?
A corrida acontece tradicionalmente em junho, geralmente nas duas últimas semanas do mês, servindo como preparação final para o Tour de France que começa no início de julho. A edição de 2025, por exemplo, aconteceu entre 15 e 22 de junho.
Qual é o recorde de vitórias no Tour de Suisse?
Pasquale Fornara, ciclista italiano, detém o recorde absoluto com quatro títulos gerais (1952, 1954, 1957 e 1958). Já Rui Costa é o único a conquistar três vitórias consecutivas, feito alcançado entre 2012 e 2014.
Por que o Tour de Suisse é importante para o Tour de France?
O timing perfeito da corrida, três semanas antes do Tour de France, e o perfil montanhoso similar aos Alpes franceses fazem do Tour de Suisse o teste ideal de preparação. Historicamente, a maioria dos vencedores na Suíça teve bom desempenho no Tour semanas depois.
Quantas etapas tem o Tour de Suisse?
Atualmente a prova tem oito etapas, distribuídas ao longo de oito dias de competição. O percurso total varia entre 1.200 e 1.300 quilômetros, alternando entre etapas de montanha, contrarrelógios e algumas oportunidades para velocistas.
Quem foi o vencedor mais recente do Tour de Suisse?
João Almeida, ciclista português da UAE Team Emirates, venceu a edição de 2025 após uma virada espetacular. Ele superou uma desvantagem de mais de três minutos conquistada na primeira etapa e selou o título com uma performance dominante no contrarrelógio final de montanha.

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