Quem acompanha o ciclismo feminino de perto sabe que a Paris-Roubaix 2026 Feminino já entrou para a conversa como a edição mais desafiadora desde que a prova estreou, em 2021. E não é exagero. A organização apresentou, em 12 de fevereiro, um percurso renovado que adiciona três setores inéditos de paralelepípedos, totaliza 33,7 km de pavé — um aumento de 4,5 km em relação ao ano passado — e, pela primeira vez na história, coloca as mulheres para correr no mesmo dia que os homens.
Para quem respira ciclismo há décadas, como é o meu caso, existe algo de eletrizante em ver a prova feminina ganhar esse protagonismo. A Paris-Roubaix Femmes nasceu depois de mais de um século de exclusividade masculina e, em apenas cinco edições, já se tornou uma das corridas mais aguardadas do calendário mundial. Agora, com o percurso de 2026, ela dá mais um passo largo em direção à sua consolidação como monumento do ciclismo.
O que muda no percurso da Paris-Roubaix 2026 Feminino
Vamos ao que interessa de verdade: o traçado. A Paris-Roubaix 2026 Feminino mantém a largada em Denain e a chegada no lendário Velódromo de Roubaix, cobrindo 148,5 km — cerca de cinco quilômetros a menos que em 2025. Mas não se engane com essa redução. A quilometragem menor esconde um percurso significativamente mais duro.

A mudança mais visível é o abandono das voltas iniciais ao redor de Denain, que existiam desde a primeira edição. Em vez disso, o pelotão parte em direção ao sul antes de contornar rumo ao norte, na direção de Roubaix. Esse novo desenho abriu espaço para a inclusão de três setores de paralelepípedos que nunca fizeram parte da prova feminina: os setores de Haussy e Saulzoir, ambos no início da corrida, e o grande destaque — o setor de Haveluy à Wallers.
Segundo o diretor técnico da ASO, Thierry Gouvenou, a ideia foi clara: aumentar a quilometragem sobre os paralelepípedos para tornar a corrida ainda mais seletiva desde cedo. Gouvenou explicou que a remoção das voltas em Denain permitiu levar o pelotão um pouco mais ao sul e adicionar mais pavé, e que o setor de Haveluy pode se mostrar decisivo.
Haveluy à Wallers: o novo terror do pavé feminino
Se existe um nome que as ciclistas vão querer decorar antes de 12 de abril, é Haveluy à Wallers. Esse setor, que recebeu classificação de quatro estrelas, mede 2,5 km e inclui uma curva de noventa graus bem no meio do trecho — o tipo de detalhe que, sobre paralelepípedos, pode ser devastador.

Na prova masculina, o setor de Haveluy funciona como a antessala da temida Floresta de Arenberg. As mulheres não passam pela floresta — a organização considera o trecho perigoso demais pela proximidade com a largada em Denain —, mas viram à esquerda e seguem por um caminho alternativo. Ainda assim, o setor 18 será um dos pontos mais observados da Paris-Roubaix 2026 Feminino.
Depois de Haveluy, as corredoras encontram os 17 setores restantes, idênticos aos do ano passado. Isso inclui quatro setores de quatro estrelas — Hornaing à Wandignies, Tilloy à Sars-et-Rosières, Auchy-lez-Orchies à Bersée e Camphin-en-Pévèle — além dos dois setores de cinco estrelas que costumam definir a corrida: Mons-en-Pévèle e Carrefour de l’Arbre.
Mesmo dia, mais pressão: a nova data da Paris-Roubaix 2026 Feminino
Essa talvez seja a mudança que mais mexe com a dinâmica da corrida fora do asfalto. A Paris-Roubaix 2026 Feminino acontecerá no domingo, 12 de abril, no mesmo dia da prova masculina. Até 2025, a corrida feminina era disputada no sábado, véspera da prova dos homens. Agora, a UCI decidiu unificar as datas.
E tem mais: as mulheres terão a honra de encerrar o dia no velódromo. A previsão é de que a prova masculina termine por volta das 16h30 (horário local) e a feminina chegue ao velódromo aproximadamente às 18h20. Isso significa que o público que estiver no velódromo vai assistir às duas chegadas, e a imagem final do dia será a da vencedora feminina erguendo o famoso paralelepípedo de granito.
Outra novidade relevante: a plataforma Zwift, que patrocinava a corrida desde a edição inaugural de 2021 como naming sponsor, não renovou o acordo para 2026. A corrida agora se chama oficialmente Paris-Roubaix Femmes Hauts-de-France, seguindo a tendência de incluir o nome da região patrocinadora — algo semelhante ao que acontece com a prova masculina.
Todas as vencedoras da Paris-Roubaix Femmes até hoje

Uma das belezas dessa prova é que, até agora, nenhuma ciclista conseguiu vencer duas vezes. Cada edição trouxe uma campeã diferente, cada uma com uma história marcante. Veja o histórico completo:
- 2021 — Lizzie Deignan (Trek-Segafredo): a britânica escapou solo e venceu a edição inaugural com impressionantes 1 minuto e 17 segundos de vantagem, a maior margem da história da prova.
- 2022 — Elisa Longo Borghini (Trek-Segafredo): a italiana repetiu a fórmula do ataque solo, partindo a cerca de 30 km da chegada para triunfar em Roubaix.
- 2023 — Alison Jackson (EF Education-TIBCO-SVB): a canadense surpreendeu o mundo do ciclismo ao vencer a partir de uma fuga improvável, erguendo o paralelepípedo acima da cabeça em uma cena inesquecível.
- 2024 — Lotte Kopecky (SD Worx-Protime): a belga, campeã mundial, venceu no sprint de um grupo reduzido, superando Elisa Balsamo e Pfeiffer Georgi.
- 2025 — Pauline Ferrand-Prévot (Visma-Lease a Bike): a francesa, de volta ao ciclismo de estrada, atacou a 25 km do final, alcançou e deixou para trás Emma Norsgaard, chegando sozinha ao velódromo. Foi a primeira vitória francesa na Paris-Roubaix desde 1997.
Quem são as favoritas para a Paris-Roubaix 2026 Feminino
A temporada 2026 do ciclismo feminino está cada vez mais competitiva, e a Paris-Roubaix 2026 Feminino promete um duelo de altíssimo nível. Três nomes se destacam na conversa sobre quem pode levantar o paralelepípedo em abril.
Lotte Kopecky (SD Worx-Protime) chega como a grande referência das clássicas. A belga, que já anunciou uma campanha de primavera repleta de objetivos, tem o perfil perfeito para a prova: potência bruta, habilidade técnica sobre os paralelepípedos e uma equipe construída para dominá-la. Com Lorena Wiebes cobrindo os sprints em grupo, a SD Worx pode canalizar todos os recursos para Kopecky nos momentos decisivos da corrida.
Pauline Ferrand-Prévot (Visma-Lease a Bike) é a campeã defensora e, convenhamos, a sua vitória em 2025 foi uma das mais bonitas da jovem história desta prova. A francesa, que veio do mountain bike, possui uma capacidade absurda de pilotagem e de manter esforços prolongados em terrenos acidentados. Se a Paris-Roubaix 2026 Feminino for dura desde cedo — e tudo indica que será —, Ferrand-Prévot pode se beneficiar enormemente.
Não dá para ignorar também o potencial de Lorena Wiebes (SD Worx-Protime), que terminou em terceiro lugar em 2025 e é, simplesmente, a sprinter mais rápida do pelotão feminino. Se a corrida chegar a um grupo reduzido no velódromo, pouquíssimas ciclistas podem bater Wiebes na linha.
Outros nomes para ficar de olho incluem Marianne Vos (Visma-Lease a Bike), que é sempre uma ameaça em qualquer clássica; Puck Pieterse (Fenix-Deceuninck), cuja experiência no ciclocross lhe dá uma vantagem natural sobre terrenos técnicos; e Elisa Longo Borghini (Lidl-Trek), que já venceu a prova em 2022 e sabe exatamente o que é preciso para triunfar em Roubaix.
Por que a Paris-Roubaix 2026 Feminino é um marco para o ciclismo
Além das mudanças no percurso, 2026 traz uma novidade institucional relevante. A UCI passou a atribuir mais pontos no ranking mundial para os monumentos do ciclismo e os Grand Tours, em comparação com outras provas do Women’s WorldTour. Na prática, isso oficializa o que o pelotão já sabia: a Paris-Roubaix Femmes é um monumento, com todo o peso e o prestígio que isso carrega.
São 21 equipes convidadas para a edição de 2026 — as 14 equipes do Women’s WorldTour mais sete equipes Women’s ProTeams. Ao todo, cinco provas estão programadas para o fim de semana dos paralelepípedos: a prova amadora no sábado (com três distâncias diferentes no Paris-Roubaix Challenge), as provas de juniores e sub-23 no domingo de manhã, seguidas pelas corridas elite masculina e feminina à tarde.
É um fim de semana inteiro dedicado ao pavé, e a Paris-Roubaix 2026 Feminino será a cereja do bolo — literalmente, a última corrida do dia.
O impacto dos novos setores na estratégia das equipes
Do ponto de vista tático, a inclusão dos setores de Haussy, Saulzoir e, principalmente, Haveluy à Wallers muda completamente a dinâmica dos primeiros quilômetros. Antes, as voltas em Denain serviam como um aquecimento — uma chance de as corredoras sentirem as pernas e se posicionarem no pelotão. Agora, a corrida começa de verdade quase imediatamente.
Christian Kos, diretor esportivo da SD Worx-Protime, demonstrou aprovação pelas mudanças no percurso, segundo a Escape Collective. A lógica é simples: quanto mais paralelepípedos, maior a vantagem para equipes fortes e bem preparadas, e menos espaço para que corredoras de menor nível consigam sobreviver até o final.
Para as equipes menores, a Paris-Roubaix 2026 Feminino será ainda mais cruel. Os 33,7 km de pavé vão funcionar como um filtro brutal, e a pré-seleção pode acontecer bem antes dos setores de cinco estrelas que tradicionalmente decidem a corrida. É possível que ciclistas sejam eliminadas da disputa antes mesmo de chegarem a Mons-en-Pévèle ou ao Carrefour de l’Arbre.
Um breve olhar sobre a história da prova
Vale lembrar que a Paris-Roubaix Femmes só existe desde 2021, mas a luta para que ela acontecesse é muito mais antiga. No início dos anos 2000, a ciclista francesa Marion Clignet já pedia à organização que criasse uma versão feminina. Foram necessários quase vinte anos até que a ASO, em parceria com a Zwift, finalmente realizasse a primeira edição.
Desde então, cada edição contribuiu para construir a identidade da prova. Lizzie Deignan gravou seu nome na história com a fuga solitária inaugural. Elisa Longo Borghini mostrou a força italiana. Alison Jackson provou que os outsiders também têm vez no Inferno do Norte. Kopecky coroou seu reinado nas clássicas. E Ferrand-Prévot, com aquele ataque a 25 km do final em 2025, ofereceu ao público francês um momento de pura emoção.
A prova é tão imprevisível que acidentes e problemas mecânicos fazem parte do roteiro. Em 2021, Annemiek van Vleuten fraturou o osso púbico numa queda. Em 2023, Sanne Cant precisou levar pontos no rosto. Em 2025, Sigrid Haugset pedalou cerca de 60 km com o quadril fraturado até a chegada. É o Inferno do Norte em sua essência mais pura.
Demi Vollering ficará de fora
Um nome que não estará na largada da Paris-Roubaix 2026 Feminino é Demi Vollering. A holandesa da FDJ United-SUEZ já confirmou seu calendário de 2026 com 11 grandes objetivos, e a Paris-Roubaix não está entre eles. A prioridade de Vollering é o Tour de France Femmes, cuja rota de 2026 — com um contra-relógio de 21 km e chegada no alto do Mont Ventoux — parece desenhada sob medida para suas características.
É uma escolha inteligente. Vollering brilha nas montanhas e nos contra-relógios, e sacrificar a preparação específica para os paralelepípedos poderia comprometer seus objetivos de verão. Mesmo assim, sua ausência abre espaço para que outras corredoras ocupem o centro do palco na Paris-Roubaix 2026 Feminino.
Como assistir à Paris-Roubaix 2026 Feminino
A corrida será transmitida globalmente. Na Europa, as principais plataformas são a Eurosport, Discovery+, TNT Sports e, na França, a TV aberta pela France Télévisions. Nos Estados Unidos, a transmissão fica por conta da Peacock. Para quem está no Brasil, vale ficar atento às plataformas de streaming que possuem direitos de ciclismo — a Max (HBO) e a Discovery+ costumam cobrir as provas do calendário europeu.
A data é domingo, 12 de abril de 2026, com chegada prevista no Velódromo de Roubaix por volta das 18h20 (horário de Paris).
FAQ — Perguntas frequentes sobre a Paris-Roubaix 2026 Feminino
Quando acontece a Paris-Roubaix 2026 Feminino?
A sexta edição da Paris-Roubaix Feminino será disputada no domingo, 12 de abril de 2026, no mesmo dia da prova masculina. É a primeira vez que ambas as corridas acontecem na mesma data. A previsão de chegada ao Velódromo de Roubaix é por volta das 18h20, horário local.
Qual é a distância e quantos setores de paralelepípedos tem a prova?
O percurso da Paris-Roubaix 2026 Feminino tem 148,5 km, partindo de Denain até o Velódromo de Roubaix. São 20 setores de paralelepípedos totalizando 33,7 km de pavé, incluindo dois setores de cinco estrelas (Mons-en-Pévèle e Carrefour de l’Arbre) e três setores novos em relação a 2025.
Quem venceu a Paris-Roubaix Femmes em 2025?
Pauline Ferrand-Prévot (Visma-Lease a Bike) venceu a edição de 2025 com um ataque solo a 25 km da chegada, tornando-se a primeira francesa a vencer a Paris-Roubaix desde 1997. Letizia Borghesi (EF Education-Oatly) ficou em segundo e Lorena Wiebes (SD Worx-Protime) em terceiro.
Quais são as principais favoritas para 2026?
As principais candidatas à vitória na Paris-Roubaix 2026 Feminino são Lotte Kopecky (SD Worx-Protime), vencedora em 2024 e dominante nas clássicas; Pauline Ferrand-Prévot (Visma-Lease a Bike), a atual campeã; e Lorena Wiebes (SD Worx-Protime), a sprinter mais veloz do pelotão. Marianne Vos, Puck Pieterse e Elisa Longo Borghini também são fortes candidatas.
Por que a edição de 2026 é considerada a mais difícil da história?
A Paris-Roubaix 2026 Feminino tem 33,7 km de paralelepípedos, contra 29,2 km em 2025 — um aumento de 4,5 km. Foram adicionados três novos setores (Haussy, Saulzoir e Haveluy à Wallers), e a eliminação das voltas iniciais em Denain faz com que as corredoras enfrentem o pavé mais cedo, tornando a seleção natural do pelotão muito mais agressiva desde os primeiros quilômetros.





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