Tem corridas que a gente sente na pele mesmo assistindo da tela. A Flèche Wallonne 2026 Feminino é uma delas. Marcada para o dia 22 de abril de 2026, a 29ª edição desta clássica das Ardenas belgas vai reunir as melhores ciclistas do mundo em um percurso de 148,2 km que termina, como sempre, no alto do infame Mur de Huy — uma subida curta, cruel e absolutamente implacável com quem hesita por um segundo sequer.
Quem acompanha o ciclismo feminino há algum tempo sabe que a Flèche Wallonne Femmes não é apenas uma corrida bonita de assistir. Ela é um teste de caráter. A rampas do Mur de Huy já derrubaram sonhos de favoritas que chegaram na subida final com tudo na mão e viram a vitória escapar nos últimos 200 metros. É esse tipo de corrida que faz a gente parar o que está fazendo e ficar colado na tela.
Uma clássica com história e tradição no ciclismo feminino
A La Flèche Wallonne Femmes existe desde 1998, tornando-a uma das corridas femininas de maior tradição no calendário do Women’s WorldTour da UCI. Ao longo de quase três décadas, a prova foi palco de algumas das histórias mais marcantes do esporte feminino sobre duas rodas.
A italiana Fabiana Luperini foi uma das primeiras grandes dominadoras, conquistando o troféu três vezes. Depois veio Marianne Vos, que venceu cinco edições e confirmou seu status de lenda viva do ciclismo feminino. Mas quem realmente reescreveu o livro de recordes da corrida foi a holandesa Anna van der Breggen, dona de sete títulos consecutivos entre 2015 e 2021 — um feito que parecia impossível e que dificilmente será igualado tão cedo.
A corrida é organizada pela Amaury Sport Organisation (ASO), a mesma entidade responsável pelo Tour de France, Paris-Roubaix e outras grandes provas do calendário mundial, o que garante um padrão elevado de produção e visibilidade para o evento.
As últimas vencedoras e o contexto que chega até 2026
Os anos recentes da Flèche Wallonne 2026 Feminino têm um contexto bastante empolgante. Em 2023, Demi Vollering fez algo que ninguém havia conseguido desde os tempos áureos de Anna van der Breggen: venceu a tríplice coroa das Ardenas, conquistando o Amstel Gold Race Ladies, a Flèche Wallonne Femmes e a Liège-Bastogne-Liège na mesma semana. Um feito histórico que mostrou ao mundo que Vollering era, de fato, a dominante das clássicas de montanha.
Em 2024, quem roubou o show foi Kasia Niewiadoma, da Canyon-SRAM, que atacou tarde na subida do Mur de Huy e segurou Vollering e Elisa Longo Borghini para cruzar em primeiro. Já em 2025 foi a vez de Puck Pieterse, da Fenix-Deceuninck, dar um show de força nos metros finais do Mur, acelerando nos últimos 150 metros para bater Vollering (FDJ-Suez) e Longo Borghini (UAE Team ADQ) — que finalizou em terceiro pelo segundo ano seguido.
Isso quer dizer que chegamos a 2026 com pelo menos quatro nomes que têm credenciais sérias para brigar pela vitória: Vollering, Pieterse, Niewiadoma e Longo Borghini. É justamente esse equilíbrio que torna a Flèche Wallonne 2026 Feminino tão apetitosa do ponto de vista esportivo.
O percurso da Flèche Wallonne 2026 Feminino
A edição de 2026 da Flèche Wallonne Femmes terá 148,2 km no total, com largada na Grand Place de Huy. Logo nos primeiros quilômetros, o pelotão já enfrenta a Côte de Bohissau, sinalizando desde cedo que não haverá espaço para passeio.

O traçado passa por duas ascensões no interior das Ardenas — as côtes de Courrière e Durnal — antes de adentrar o circuito final de 37,2 km, que será percorrido duas vezes. Cada volta do circuito inclui três subidas em sequência: Ereffe, Cherave e Mur de Huy. A lógica é simples e ao mesmo tempo perversa: o pelotão chega ao Mur pela primeira vez no quilômetro 111, e então precisa voltar para enfrentar mais duas subidas antes de encarar o Mur de Huy pela segunda e última vez, no km 148,2, onde a corrida é decidida.

Esse formato cria uma dinâmica tática muito interessante. As equipes que tentam atacar cedo precisam guardar energia para o Mur final. As que esperam demais podem se ver fora de posição numa subida onde cada segundo conta e não há espaço para recuperação.
Todas as subidas do percurso 2026
| Subida | Distância | Inclinação média | Quilômetro |
|---|---|---|---|
| Côte de Bohissau | 2,2 km | 5,6% | km 10,5 |
| Côte de Courrière | — | — | km 38,3 |
| Côte de Durnal | — | — | km 49,1 |
| Côte d’Ereffe | 2,1 km | 5% | km 92,6 |
| Côte de Cherave | 1,3 km | 8,1% | km 105,3 |
| Mur de Huy (1ª vez) | 1,3 km | 9,6% | km 111 |
| Côte d’Ereffe | 2,1 km | 5% | km 129,8 |
| Côte de Cherave | 1,3 km | 8,1% | km 142,5 |
| Mur de Huy (final) | 1,3 km | 9,6% | km 148,2 |
O Mur de Huy: o monstro que decide tudo

Se existe um personagem principal na Flèche Wallonne 2026 Feminino, esse personagem tem nome e sobrenome: Mur de Huy. Com apenas 1,3 km de extensão, uma inclinação média de 9,6% e rampas que chegam a quase 20% nos trechos mais duros, ele não parece grande coisa no papel. Mas quem já pediu — ou ao menos tentou — sabe que esse muro é uma das subidas mais exigentes de todo o calendário de clássicas.

A particularidade do Mur não é apenas a inclinação. É a forma como ele está posicionado no final da corrida, depois de horas de esforço acumulado. As ciclistas chegam ali com as pernas já comprometidas por subidas anteriores, e ainda assim precisam encontrar forças para uma explosão final que pode durar entre 3 e 5 minutos dependendo do ritmo imposto. Para as especialistas em clássicas das Ardenas, trata-se de um test de qualificação dos mais exigentes do ciclismo.

Historicamente, a corrida costuma ser decidida por uma atacante que parte cedo, nos primeiros 300 metros da subida, e consegue manter a diferença até o topo. Tentar responder a um ataque no Mur é difícil — quem vai na roda de uma adversária que acelera geralmente paga um preço muito alto nos metros finais.
A Flèche Wallonne dentro do calendário das Ardenas 2026
A Flèche Wallonne Femmes não existe em isolamento. Ela faz parte de uma trilogia que move o ciclismo feminino durante a primavera europeia. A corrida acontece na quarta-feira entre o Amstel Gold Race Ladies Edition (no domingo anterior) e a Liège-Bastogne-Liège Femmes (no domingo seguinte). As três corridas juntas formam o que os torcedores e especialistas chamam de triplice das Ardenas.
Isso significa que as equipes precisam gerir com cuidado a energia de suas líderes durante toda a semana. Sacrificar o resultado em uma prova para estar mais fresca na outra é uma decisão tática que acontece bastante. Em 2023, Vollering foi tão dominante que venceu as três — mas em condições normais, raramente uma ciclista consegue estar no nível máximo nas três corridas seguidas.
Para 2026, a questão que todo apaixonado pelo ciclismo feminino estará fazendo é: quem reina na semana das Ardenas? Com o crescimento de nomes como Lotte Kopecky, Demi Vollering — que assinou contrato renovado com suporte da Red Bull via FDJ United-SUEZ — e a jovem geração representada por Puck Pieterse, a resposta não está nada óbvia.
Onde assistir a Flèche Wallonne 2026 Feminino
A cobertura da Flèche Wallonne 2026 Feminino poderá ser acompanhada ao vivo através de plataformas internacionais de streaming de ciclismo. O canal GCN+ (Global Cycling Network) normalmente oferece transmissão ao vivo e sob demanda de corridas do Women’s WorldTour, incluindo as clássicas das Ardenas. No Brasil, dependendo da disponibilidade regional, pode ser necessário utilizar serviços de VPN para acessar algumas transmissões estrangeiras.
Vale também monitorar o perfil oficial da corrida nas redes sociais e o site da ASO, que costuma disponibilizar atualizações em tempo real durante a corrida. Sites especializados como o ProCyclingStats e o FirstCycling também oferecem acompanhamento em tempo real com dados estatísticos.
Por que a Flèche Wallonne Femmes importa para o ciclismo feminino
Às vezes, quando falamos de clássicas, nos esquecemos de olhar para além do resultado. A Flèche Wallonne Femmes importa porque é um espelho do momento do ciclismo feminino. Desde que a ASO passou a ampliar a cobertura midiática das corridas femininas, provas como esta deixaram de ser eventos secundários para se tornarem produtos de entretenimento esportivo de primeira linha.
O crescimento do pelotão feminino nos últimos anos é visível: contratos maiores, mais cobertura de imprensa, mais espectadores nas subidas e, principalmente, um nível técnico que rivaliza com o masculino em termos de espetáculo. Em 2026, a Flèche Wallonne 2026 Feminino chega em um momento em que o esporte está vivendo um de seus melhores períodos de competitividade.
E para quem gosta de ciclismo de verdade, assistir a esse tipo de corrida não é só ver quem ganha. É entender a tática por trás de cada movimento, saber quando uma equipe está protegendo sua líder, quando uma corredora está blefando e quando o ataque que parece cedo demais é justamente o que funciona. A Flèche Wallonne tem isso em abundância.
Perguntas Frequentes sobre a Flèche Wallonne 2026 Feminino
Quando é a Flèche Wallonne 2026 Feminino?
A Flèche Wallonne 2026 Feminino está agendada para o dia 22 de abril de 2026, uma quarta-feira, com largada e chegada na cidade de Huy, na Bélgica. A corrida faz parte do calendário Women’s WorldTour da UCI e integra a semana das clássicas das Ardenas.
Qual é o percurso da Flèche Wallonne 2026 Feminino?
O percurso tem 148,2 km no total, com largada na Grand Place de Huy. O traçado inclui subidas iniciais em Bohissau, Courrière e Durnal antes de entrar no circuito final de 37,2 km, que é percorrido duas vezes. Cada volta do circuito conta com as subidas de Ereffe, Cherave e o temido Mur de Huy. A corrida termina na segunda passagem pelo Mur de Huy, no quilômetro 148,2.
Quem foi a vencedora da Flèche Wallonne Femmes em 2025?
A vencedora da Flèche Wallonne Femmes 2025 foi a holandesa Puck Pieterse, da equipe Fenix-Deceuninck. Ela atacou nos últimos 150 metros do Mur de Huy e superou Demi Vollering (FDJ-Suez) e Elisa Longo Borghini (UAE Team ADQ), que completaram o pódio em segundo e terceiro lugar, respectivamente.
Quem é a maior vencedora da história da Flèche Wallonne Femmes?
A maior vencedora da história da Flèche Wallonne Femmes é a holandesa Anna van der Breggen, que conquistou o título por sete vezes consecutivas, de 2015 a 2021. O feito é considerado um dos recordes mais impressionantes do ciclismo feminino moderno. Antes dela, Marianne Vos havia vencido a corrida por cinco vezes ao longo de sua carreira.
A Flèche Wallonne Femmes faz parte de qual série de corridas?
A Flèche Wallonne Femmes integra a trilogia conhecida como clássicas das Ardenas, ao lado do Amstel Gold Race Ladies Edition (realizado no domingo anterior) e da Liège-Bastogne-Liège Femmes (no domingo seguinte). As três corridas juntas formam a semana mais importante para as especialistas em terreno acidentado do ciclismo feminino. A corrida é organizada pela ASO (Amaury Sport Organisation) e integra o calendário Women’s WorldTour da UCI.




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