Tem corridas que simplesmente não precisam se justificar. A Liège-Bastogne-Liège 2026 é uma delas. Neste 26 de abril, quando o pelotão rolar pelas ruas de Liège em direção ao sul, rumo a Bastogne e de volta, estará acontecendo algo que existe desde 1892 — a clássica de estrada mais antiga do mundo, chamada com todo mérito de La Doyenne, “A Decana”.
São 134 anos de história gravados nas ladeiras úmidas da região das Ardenas, na Bélgica. Uma prova que sobreviveu a guerras, pandemias, mudanças de formato e de época. Que viu Eddy Merckx vencer cinco vezes, que forjou lendas e derrubou candidatos. Que, em 2026, chega à sua 112ª edição com um percurso que promete fazer sofrer tanto quanto sempre fez.
Informações Gerais da Liège-Bastogne-Liège 2026
| Data | 26 de abril de 2026 |
| Largada | Liège, Bélgica |
| Chegada | Liège, Bélgica |
| Distância | 259,5 km |
| Categoria | UCI WorldTour |
| Edição | 112ª |
| Vencedor 2025 | Tadej Pogačar (UAE Team Emirates) |
La Doyenne: A Corrida que Resiste ao Tempo
Há algo de especial em corridas que carregam séculos no nome. A Liège-Bastogne-Liège 2026 fecha a semana das Ardenas com autoridade absoluta — uma batalha de desgaste sobre 250 km ou mais, cruzando dez subidas classificadas nas colinas rolantes do leste belga. Não é uma prova para especialistas em sprint nem para climbers puros de alta montanha. É uma corrida para os resistentes, para quem consegue manter as pernas girando quando todo o resto já desistiu.
O formato atual, com largada e chegada em Liège, mantém o espírito histórico. Entre 1992 e 2019, a corrida terminava no subúrbio industrial de Ans, com a Côte de Saint-Nicolas a apenas 5,5 km do final. Em 2019, o fim de prova voltou ao centro de Liège, com a Côte de la Roche-aux-Faucons assumindo o papel de última grande dificuldade, a 13,3 km da linha. A mudança trouxe de volta um finale mais aberto — mas não necessariamente mais fácil. Jakob Fuglsang já provou isso em 2019, atacando solo exatamente na Roche-aux-Faucons.
O Percurso da Liège-Bastogne-Liège 2026: 259,5 km e 11 Subidas

Para 2026, os organizadores optaram por uma distância ligeiramente maior do que em 2025, totalizando 259,5 quilômetros. A rota mantém o traçado clássico de Liège ao sul em direção ao Luxemburgo e de volta por Bastogne, preservando todas as subidas que fazem desta prova uma referência de sofrimento no calendário UCI WorldTour.

A seção intermediária da corrida foi modificada, adicionando volume e dificuldade na parte central do percurso. A primeira subida classificada, a Côte de Saint-Roch, aparece nos quilômetros iniciais, depois de 83,7 km de corrida mais neutra. A partir daí, os 175 km restantes são uma sucessão quase ininterrupta de desafios.

Após Bastogne, a corrida retoma a rota familiar. No km 132,4, vem o Col de Haussire. A prova começa a ficar séria de verdade nas proximidades de Vielsalm, onde três subidas se sucedem em apenas 10 quilômetros a partir do km 171,2:
- Côte de Wanne — 3,6 km a 5,1% de inclinação média
- Côte de Stockeu — 1 km com brutal 12,5% de inclinação média
- Côte de Haute-Levée — 2,2 km a 7,5%
Depois de menos de 15 km de alívio relativo, vem o Col du Rosier, a subida mais longa da corrida com seus 4,4 km a 5,9% de inclinação média, quando ainda faltam 63,3 km para o fim. Logo em seguida, o Col du Maquisard e a Côte de Desnié (1,6 km a 9,4%) espremem ainda mais as pernas já cansadas.
O momento decisivo, na maioria dos anos, é a Côte de la Redoute — 1,6 km a 9,4% — com 34 km de corrida ainda pela frente. Em 2024, Tadej Pogačar atacou exatamente aqui para conquistar sua vitória solo. A Côte des Forges aparece a seguir, com 23,3 km para a chegada, e a última grande chance é a Côte de la Roche-aux-Faucons, 1,3 km a 11% de inclinação média, quando faltam apenas 13,3 km para Liège.

Tabela Completa das Subidas da Liège-Bastogne-Liège 2026
| Subida | Extensão (km) | Inclinação Média | Km de Corrida | Km para o Final |
|---|---|---|---|---|
| Côte de Saint-Roch | 1,0 | 11,2% | 83,7 | 175,8 |
| Col de Haussire | — | — | 132,4 | 127,1 |
| Côte de Wanne | 3,6 | 5,1% | 171,2 | 88,3 |
| Côte de Stockeu | 1,0 | 12,5% | 177,7 | 81,8 |
| Côte de Haute-Levée | 2,2 | 7,5% | 181,9 | 77,6 |
| Col du Rosier | 4,4 | 5,9% | 196,2 | 63,3 |
| Col du Maquisard | — | — | 202,1 | 57,4 |
| Côte de Desnié | 1,6 | 9,4% | 208,7 | 50,8 |
| Côte de la Redoute | 1,6 | 9,4% | 225,5 | 34,0 |
| Côte des Forges | 1,3 | 7,8% | 236,2 | 23,3 |
| Côte de la Roche-aux-Faucons | 1,3 | 11,0% | 246,2 | 13,3 |
Após a Roche-aux-Faucons, a corrida desce até Liège em um finale rápido e, dependendo de quem chegou junto, pode terminar em sprint reduzido ou em uma chegada solo. A rota oficial da Liège-Bastogne-Liège 2026 foi confirmada pelos organizadores da ASO com 11 subidas classificadas no total.
Tadej Pogačar: O Grande Favorito (Mais Uma Vez)
É difícil falar da Liège-Bastogne-Liège 2026 sem começar por Tadej Pogačar. O esloveno da UAE Team Emirates é, neste momento, o corredor mais dominante do ciclismo de estrada mundial — e La Doyenne é uma das suas corridas favoritas. Ele venceu em 2021, voltou em 2024 com uma vitória esmagadora na Redoute após ter sofrido uma fratura no pulso no ano anterior, e em 2025 garantiu seu terceiro título na prova com mais uma aceleração que ninguém no pelotão conseguiu acompanhar.
Para 2026, Pogačar confirmou um calendário focado nas Clássicas da primavera, antes de voltar sua atenção para o Tour de France. Isso coloca a Liège-Bastogne-Liège 2026 diretamente em seu radar — provavelmente como um dos alvos principais da sua temporada de Clássicas.
Só dois corredores ativos já venceram a prova mais de uma vez: o próprio Pogačar (2021, 2024, 2025) e Remco Evenepoel (2022, 2023). Os dois belgas que dominou a prova naqueles anos — com Evenepoel atacando muito antes de todos acharem necessário, em 2022 na Redoute com 29 km de antecedência, e em 2023 em uma nova escalada não classificada logo após a Redoute — mostraram que o percurso comporta formas diferentes de vencer.
Outros Contendores para Liège-Bastogne-Liège 2026
Mesmo com Pogačar como favorito claro, a Liège-Bastogne-Liège 2026 nunca é corrida de um só homem. O perfil da prova — longa, desgastante, com subidas que penalizam quem não cuida bem das energias nas primeiras horas — pode surpreender qualquer nome. Alguns dos candidatos a bater o esloveno:
Remco Evenepoel — O belga da Soudal Quick-Step venceu consecutivamente em 2022 e 2023 e conhece o percurso de cor. Em 2024 e 2025 ficou abaixo do esperado, mas a motivação de vencer em casa, nas Ardenas, nunca some. Evenepoel pode ser a maior ameaça real a Pogačar.
Jonas Vingegaard — O dinamarquês da Visma-Lease a Bike, bicampeão do Tour de France, ainda busca confirmar sua excelência nas Clássicas de um dia. O perfil de La Doyenne, com subidas longas e ritmo elevado, pode favorecer seu perfil de escalador resistente.
Primož Roglič — Vencedor da edição de 2020 (depois da polêmica rebaixamento de Alaphilippe), o esloveno da Red Bull-Bora-Hansgrohe nunca abandona completamente a ideia de uma nova vitória em Liège. Quando está no seu melhor, é difícil de bater em subidas dessa natureza.
Além deles, nomes como Ben Healy (EF Education-EasyPost), Giulio Ciccone (Lidl-Trek) — que foi segundo em 2025 — e jovens revelações do pelotão podem criar a surpresa que toda grande Clássica tem reservada em alguma curva do percurso.
A História de La Doyenne: Uma Linha do Tempo de Lendas
Falar de Liège-Bastogne-Liège sem olhar para o passado é impossível. Esta é a corrida mais antiga do calendário clássico, fundada em 1892, quando o ciclismo ainda engatinhava como esporte organizado. Ao longo de mais de um século, ela acumulou momentos que definem o que o ciclismo é.
Nenhum homem venceu mais vezes do que Eddy Merckx, que somou cinco vitórias entre 1969 e 1975. O belga era tão dominante que a corrida parecia feita para ele — e, de certa forma, era. Em segundo lugar no ranking histórico de vitórias, Alejandro Valverde (Movistar) soma quatro títulos (2006, 2008, 2015 e 2017), igualando Moreno Argentin (1985, 1986, 1987, 1991). Valverde ainda detém o recorde de aparições no pódio, com oito, e a distinção de ser o campeão mais velho da história — quando venceu em 2017, tinha 36 anos e 363 dias. Números que dizem muito sobre o perfil físico que La Doyenne exige.
Na era moderna, além de Pogačar e Evenepoel, vale lembrar a edição de 2020, realizada em outubro por causa da pandemia de Covid-19. Julian Alaphilippe — então recém-coroado campeão mundial — celebrou uma vitória que não era sua: Primož Roglič continuou enquanto ele comemorava e cruzou a linha primeiro. O júri acabou rebaixando o francês para a quinta posição por sprint irregular, e Roglič ficou com a vitória. Uma das cenas mais memoráveis — e dramáticas — do ciclismo recente.
Semana das Ardenas 2026: O Contexto da Corrida
A Liège-Bastogne-Liège 2026 é o encerramento natural da Semana das Ardenas, que começa com a La Flèche Wallonne na quarta-feira da mesma semana. As duas corridas compartilham algumas subidas, mas têm características distintas: enquanto a Flèche tem um final explosivo no Muro de Huy, La Doyenne é uma batalha de resistência e estratégia ao longo de horas de corrida intensa.
Quem vencer as duas na mesma semana entra imediatamente no panteão do esporte. Já aconteceu poucas vezes na história — e Pogačar tentou em 2025, ficando perto. Em 2026, essa será mais uma das histórias secundárias que tornarão o mês de abril imperdível para os amantes do ciclismo.
Para quem quiser acompanhar todas as corridas da temporada, o calendário oficial da UCI tem as datas e categorias de cada prova do circuito WorldTour.
Como Assistir à Liège-Bastogne-Liège 2026
A transmissão ao vivo da Liège-Bastogne-Liège 2026 estará disponível em diferentes plataformas dependendo do país. No Brasil, a corrida geralmente pode ser acompanhada pelo GloboPlay e pela plataforma FlowSports, além dos canais ESPN. Recomenda-se verificar a grade de programação nos dias próximos à corrida, pois detalhes de transmissão podem mudar.
Para quem prefere o online, plataformas internacionais como GCN+ e Eurosport Player transmitem praticamente todas as corridas WorldTour com cobertura completa e comentários especializados. Outra boa opção é acompanhar o live report oficial do CyclingNews, que cobre a corrida em tempo real com análises e atualizações ao minuto.
Curiosidades que Fazem a Liège-Bastogne-Liège Diferente de Tudo
Com mais de 130 anos de história, La Doyenne acumula um acervo de fatos e curiosidades que qualquer fã do ciclismo deveria conhecer. Algumas que merecem destaque:
A corrida mais antiga ainda em atividade. Nenhuma outra corrida de estrada no calendário profissional masculino tem história mais longa. A primeira edição, em 1892, foi vencida pelo belga Léon Houa, que também venceu as duas edições seguintes. Era uma época em que se andava em bicicletas de ferro, sem câmbio, sobre estradas de terra.
A subida mais temida não é a última. Apesar de La Roche-aux-Faucons ser a última dificuldade, é a Côte de la Redoute que historicamente decide a corrida. Com seus 9,4% de inclinação média e a chegada ainda distante, ela serve como filtro: quem não pode atacar aqui, não vence.
A corrida sobreviveu a duas guerras mundiais. Em 1915 e novamente em 1940-1945, La Doyenne foi suspensa por conta dos conflitos que devastaram a Europa. A Bélgica, palco das batalhas mais sangrentas de ambas as guerras, viu sua corrida mais querida parar — e depois retornar, mais forte do que antes.
O apelido carregado de história. La Doyenne não é apenas um apelido bonito. Em francês, significa literalmente “a mais velha” — e é exatamente o que a corrida representa no contexto do ciclismo de estrada internacional.
Vencedores Recentes da Liège-Bastogne-Liège
| Ano | Vencedor | Equipe |
|---|---|---|
| 2025 | Tadej Pogačar | UAE Team Emirates |
| 2024 | Tadej Pogačar | UAE Team Emirates |
| 2023 | Remco Evenepoel | Soudal Quick-Step |
| 2022 | Remco Evenepoel | Quick-Step Alpha Vinyl |
| 2021 | Tadej Pogačar | UAE Team Emirates |
| 2020 | Primož Roglič | Jumbo-Visma |
| 2019 | Jakob Fuglsang | Astana Pro Team |
A lista fala por si só: cinco das últimas sete edições foram vencidas por apenas dois corredores. Pogačar e Evenepoel dominaram La Doyenne de um modo que não se via desde os tempos de Merckx. Em 2026, a grande pergunta é se alguém consegue finalmente interromper essa sequência — ou se a hegemonia continua.
FAQ — Perguntas Frequentes sobre a Liège-Bastogne-Liège 2026
Quando é a Liège-Bastogne-Liège 2026?
A Liège-Bastogne-Liège 2026 está marcada para o dia 26 de abril de 2026, um domingo. A corrida faz parte da Semana das Ardenas, que também inclui a La Flèche Wallonne na quarta-feira da mesma semana. A largada e a chegada são ambas em Liège, na Bélgica.
Qual é a distância da Liège-Bastogne-Liège 2026?
A edição de 2026 terá 259,5 quilômetros, ligeiramente mais longa do que a edição de 2025. O percurso vai de Liège ao sul em direção a Bastogne e retorna, passando por 11 subidas classificadas nas colinas das Ardenas belgas.
Quem são os favoritos para vencer a Liège-Bastogne-Liège 2026?
O grande favorito é Tadej Pogačar, três vezes vencedor da prova (2021, 2024, 2025) e o mais dominante corredor do ciclismo atual. Logo atrás, Remco Evenepoel (vencedor em 2022 e 2023), Jonas Vingegaard e Primož Roglič (campeão em 2020) são os nomes mais citados como possíveis surpresas capazes de bater o esloveno.
Por que a Liège-Bastogne-Liège é chamada de La Doyenne?
La Doyenne significa “a mais velha” em francês, e o apelido se refere ao fato de ser a corrida de estrada mais antiga ainda em atividade no calendário profissional. A primeira edição foi realizada em 1892, tornando-a mais velha do que qualquer outro Monument do ciclismo, incluindo Milão-San Remo (1907) e o Tour de Flandres (1913).
Qual é a subida mais importante da Liège-Bastogne-Liège 2026?
Historicamente, a Côte de la Redoute é considerada a subida decisiva da corrida — 1,6 km com 9,4% de inclinação média, situada a 34 km da chegada. Foi ali que Pogačar atacou para vencer em 2024 e que Evenepoel lançou seu ataque vencedor em 2022. A Côte de la Roche-aux-Faucons (13,3 km do final, 11% de inclinação média) é a última grande dificuldade antes do sprint final em Liège.
Fontes: CyclingNews — Liège-Bastogne-Liège 2026 | CyclingNews — Percurso 2026 | UCI — Union Cycliste Internationale





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