Havia 13,9 km para o fim quando Tadej Pogacar acelerou pela base da Côte de la Roche-aux-Faucons e ninguém mais respondeu. Paul Seixas, o menino de 19 anos que havia seguido cada ataque do esloveno por quase seis horas de corrida, cedeu no meio da subida. A vantagem abriu. O quarto título de La Doyenne estava garantido.
Mas o que ficou na retina não foi o Pogacar solitário cruzando a linha em Liège no domingo, 26 de abril, com 5h50min28s de corrida. Foi o Seixas resistindo por tanto tempo. Foi o Evenepoel sendo largado muito antes. Foi um adolescente francês fazendo o melhor do mundo penar de um jeito que pouquíssimos conseguiram em toda a temporada.
Em resumo
- Pogacar venceu a LBL 2026 com 45 segundos de vantagem sobre Paul Seixas (19 anos) e 1min42s sobre Evenepoel
- Com 4 vitórias na corrida (2021, 2024, 2025, 2026), o esloveno iguala Valverde e Argentin e está a apenas 1 vitória do recorde de Merckx (5 títulos)
- Seixas, do Decathlon CMA CGM, venceu a Flèche Wallonne 2026 dias antes, tornando-se o mais jovem vencedor da história da prova
- O próprio Pogacar reconheceu: “Quero ganhar o máximo que puder antes que o Seixas nos destrua”
O Que Aconteceu na Corrida Mais Rápida da História de La Doyenne
A edição de 2026 foi a mais rápida da história da Liège-Bastogne-Liège, segundo os dados históricos da prova (CyclingStage, 2026). Em 258 km de percurso entre Liège, a cidade belga no coração das Ardenas, e o retorno à mesma cidade, o pelotão foi destruído ao longo das subidas clássicas com um ritmo que não deixou espaço para estratégia conservadora.
Pogacar atacou pela primeira vez com força na Côte de la Redoute. Ali, todo o grupo de favoritos explodiu. Evenepoel, que havia tentado se antecipar mais cedo, pagou o preço do desgaste acumulado. Dos grandes nomes, apenas Seixas conseguiu acompanhar a roda do campeão esloveno.
Sobre a corrida: A Liège-Bastogne-Liège 2026, disputada em 26 de abril, teve Tadej Pogacar como vencedor com 5h50min28s — a edição mais rápida já registrada. Paul Seixas, 19 anos, do Decathlon CMA CGM, terminou em segundo a 45 segundos. Remco Evenepoel completou o pódio em terceiro, a 1min42s (Cyclingnews, 2026).
Faltando 13,9 km, a Côte de la Roche-aux-Faucons decidiu tudo. É uma das subidas mais traiçoeiras do roteiro: íngreme logo na base, exigindo potência explosiva antes da fadiga de uma jornada de quase seis horas. Pogacar largou sentado, em cadência alta. Seixas respondeu. Por uns metros, pareceu que a história seria outra. Depois, o espaço entre os dois simplesmente cresceu.
Por Que Este Resultado É Historicamente Relevante
Com quatro vitórias na Liège-Bastogne-Liège (2021, 2024, 2025 e 2026), Pogacar iguala Alejandro Valverde e Moreno Argentin na lista dos maiores vencedores de La Doyenne (Canadian Cycling Magazine, 2026). O único acima deles é Eddy Merckx, com cinco títulos.
| Ciclista | Vitórias na LBL | Anos |
|---|---|---|
| Eddy Merckx | 5 | 1969, 1971, 1972, 1973, 1975 |
| Tadej Pogacar | 4 | 2021, 2024, 2025, 2026 |
| Alejandro Valverde | 4 | 2006, 2008, 2014, 2017 |
| Moreno Argentin | 4 | 1985, 1986, 1987, 1991 |
O feito ganha mais peso no contexto da carreira total do esloveno. Este foi o 13º Monument conquistado por Pogacar, deixando-o a seis vitórias do recorde histórico de Eddy Merckx (19 Monumentos). Aos 26 anos, com o Giro d’Italia e o Tour de France ainda pela frente em 2026, a questão não é mais se Pogacar vai chegar perto de Merckx. É quando.
Há um detalhe revelador na declaração do próprio Pogacar após a corrida. Quando perguntado sobre suas ambições, ele disse: “Quero ganhar o máximo que puder antes que o Seixas nos destrua.” (Ground News, 2026). Não foi humildade protocolar. Foi a primeira vez que o atleta que dominou o ciclismo nos últimos quatro anos apontou nominalmente alguém como ameaça real ao seu reinado. E escolheu um menino que ainda não tem 20 anos.
Perspectiva editorial: Pogacar reconhecer Seixas como ameaça nomeada não é gesto protocolar. É o sinal mais honesto de que o ciclismo de montanha está prestes a entrar em uma nova fase. Para a LBL 2026, a história foi do campeão. Para as próximas temporadas, a narrativa pode pertencer ao jovem francês.
Quem É Paul Seixas, o Adolescente Que Quase Embaralhou o Reinado
Poucos adjetivos cabem num atleta de 19 anos que terminou segundo na corrida mais antiga do calendário profissional. Mas o currículo de Paul Seixas já justifica a atenção.
Nascido em 24 de setembro de 2006, em Lyon, Seixas tem 1,86 m, pesa 64 kg e corre pelo Decathlon CMA CGM Team (procyclingstats.com, 2026). Em 2025, venceu o Tour de l’Avenir, a maior prova para sub-23 do mundo e tradicional antessala do ciclismo de elite. No início de 2026, ganhou a Faun-Ardèche Classic com uma escapada solo de 40 km. Na Strade Bianche, foi o único a tentar seguir o ataque de Pogacar a 79 km do fim, terminando em segundo lugar.
Mas a cereja do bolo veio na semana anterior à LBL: Seixas venceu a Flèche Wallonne 2026, tornando-se o mais jovem vencedor na história da prova (FloBikes, 2026). Dois dias depois, estava de novo em segundo lugar no Monument mais difícil das Ardenas, atrás apenas do melhor ciclista do mundo.
Para os ciclistas brasileiros que acompanham o esporte, Seixas lembra aquela sensação de descobrir um talento antes de todo mundo. O Pogacar de 2019, talvez. O Vingegaard de 2022. O tipo de corredor que ainda não ganhou tudo, mas que já faz os veteranos correrem diferente quando ele está por perto. Quem assistiu a LBL 2026 ao vivo viu exatamente isso acontecer.
O Que Este Resultado Significa Para o Restante da Temporada
Pogacar encerra as clássicas da primavera de 2026 sem derrota nas Ardenas. Agora começa o Tour de Romandie (28 de abril a 3 de maio), onde fará sua estreia em corrida por etapas nesta temporada — o intervalo mais longo entre o início de uma temporada e a primeira corrida de etapas de toda a sua carreira, segundo o Cyclingnews (Cyclingnews, 2026).
A sequência Giro d’Italia e Tour de France se aproxima. E com ela, a pergunta que o ciclismo de alto nível vai repetir por meses: quando Seixas vai vencer um Grand Tour? Ele ainda não disputou nenhum. O Vuelta a España 2026 não é descartado como estreia. O Decathlon CMA CGM não confirmou planos, mas o desempenho nas Ardenas mudou a conversa.
Enquanto isso, Evenepoel terminou terceiro e ficou mais distante das respostas que busca. O belga, duplo campeão olímpico e ex-campeão mundial, ainda não conseguiu vencer um Monument. Nesta LBL, sua estratégia agressiva no início custou caro no final.
Perguntas Frequentes sobre a Liège-Bastogne-Liège 2026
Quantas vezes Pogacar já venceu a LBL?
Quatro vezes: 2021, 2024, 2025 e 2026. Com isso, iguala Alejandro Valverde e Moreno Argentin. Apenas Eddy Merckx tem mais vitórias na prova, com cinco títulos. Pogacar precisa de mais uma conquista para igualar o lendário belga (Canadian Cycling Magazine, 2026).
Quem é Paul Seixas e por que ele é tão falado?
Seixas tem 19 anos e corre pelo Decathlon CMA CGM Team. Em 2026, venceu a Flèche Wallonne (o mais jovem da história), o Tour do País Basco e terminou segundo na LBL a 45 segundos de Pogacar. Em 2025, ganhou o Tour de l’Avenir. É o maior talento jovem do ciclismo mundial no momento (FloBikes, 2026).
Por que a LBL 2026 foi considerada a edição mais rápida da história?
O tempo final de Pogacar (5h50min28s) para os 258 km do percurso resultou na velocidade média mais alta já registrada na corrida, reflexo de um pelotão que correu sob pressão constante desde cedo, sem longos períodos de gestão coletiva (CyclingStage, 2026).
Quem venceu a prova feminina?
Demi Vollering, da SD Worx-Protime, venceu a edição feminina da LBL 2026. Foi seu terceiro título na prova, tornando-se a maior vencedora da história da Liège-Bastogne-Liège feminina.
Quando é o próximo grande evento do ciclismo profissional?
O Tour de Romandie começa em 28 de abril, com Pogacar fazendo sua estreia em corrida por etapas em 2026. O Giro d’Italia começa em maio e o Tour de France em julho.
O Reinado Continua, Mas Ganhou um Desafiante de Verdade
Tadej Pogacar saiu de Liège com mais um título histórico. Mais um passo em direção ao recorde de Merckx. Mais uma primavera dominada sem concessões.
Mas a LBL 2026 vai ser lembrada também por outro motivo: foi a prova em que o ciclismo de montanha ganhou um antagonista credível para os próximos anos. Paul Seixas não é mais uma promessa. É um adversário. E Pogacar, o único que sabe exatamente o que isso significa, já avisou: “Quero ganhar o máximo que puder antes que ele nos destrua.”




