“Pedale a 90 RPM.” Você já ouviu isso, mas será que é verdade para todo mundo? A cadência, o número de pedaladas por minuto, é um dos parâmetros mais discutidos e mais mal compreendidos do ciclismo. Iniciantes costumam pedalar lento demais e pagam o preço nos joelhos e nas pernas.
Este guia responde de forma direta quantos RPM você deveria pedalar, por que os profissionais giram rápido e como a cadência muda em subidas e sprints. Com base em estudos de verdade, não em palpite de café da bike shop.
Em resumo
- Não existe um RPM único ideal: a cadência ótima sobe com a fadiga e o esforço (Brisswalter et al., 2000).
- Profissionais giram a ~89 a 92 RPM no plano e em contrarrelógio (Lucía et al., 2001).
- Pedalar a 90 RPM gerou 29% menos força no joelho que a 70 RPM (Bini & Hume, 2013).
- Iniciantes ganham ao sair dos 60 a 70 RPM arrastados para uma faixa de cruzeiro de 80 a 90 RPM.
O que é cadência no ciclismo?
Cadência é o número de voltas completas que o pedal dá por minuto, medido em RPM (rotações por minuto). Pedalar a 90 RPM significa completar 90 pedaladas de cada pé em um minuto. É um dos dados básicos que qualquer ciclocomputador moderno registra, ao lado de velocidade e potência.
A cadência importa porque define como você produz a mesma potência: com muita força e poucas pedaladas, ou com menos força e mais giro. Essas duas formas cobram preços diferentes do corpo. Uma cansa mais o músculo, a outra exige mais do coração e do pulmão.
Resposta direta: Cadência no ciclismo é o número de pedaladas por minuto, medido em RPM. Ela define como você gera potência: com mais força por pedalada (cadência baixa) ou mais giro com menos força (cadência alta). As duas estratégias cobram preços fisiológicos diferentes, na musculatura ou no sistema cardiovascular.
Qual a cadência ideal para pedalar?
A resposta honesta: não existe um número mágico. A cadência energeticamente mais econômica em laboratório fica em torno de 70 RPM no início do esforço, mas sobe para cerca de 86 RPM conforme a fadiga se acumula (Brisswalter et al., 2000). Para a maioria dos ciclistas, uma faixa de cruzeiro de 80 a 90 RPM é o melhor ponto de partida.
O conselho “pedale a 90” é uma simplificação útil, mas incompleta. Estudos mostram que a cadência ótima não é fixa: ela depende da duração, da intensidade e do nível de fadiga. Ciclistas treinados auto-selecionam, sem pensar, uma cadência muito próxima da ideal. Iniciantes, não. É aí que a orientação ajuda: corrigir o instinto de pedalar pesado demais.
A tabela abaixo resume a cadência recomendada por situação. Use-a como guia prático, não como regra rígida.
| Situação | Cadência (RPM) | Por quê |
|---|---|---|
| Iniciante “pesado” | 60–70 | Evite: fatiga o músculo e força o joelho |
| Cruzeiro recomendado | 80–90 | Poupa as pernas, bom equilíbrio |
| Subida | 70–80 | Mais torque por pedalada |
| Plano forte / contrarrelógio | 89–95 | Como os profissionais |
| Sprint (estrada) | 110–125 | Potência máxima de curta duração |
Resposta direta: Não existe uma cadência ideal única. A mais econômica em laboratório fica perto de 70 RPM e sobe com a fadiga (Brisswalter et al., 2000). Para a maioria dos ciclistas, a faixa de cruzeiro de 80 a 90 RPM é o melhor ponto de partida, ajustando para baixo em subidas e para cima em sprints.
Por que os profissionais pedalam mais rápido?
Porque cadência alta poupa o músculo. Em competição, profissionais giram a 89 RPM em etapas planas e 92 RPM em contrarrelógio, acima do que o laboratório aponta como mais econômico (Lucía et al., 2001). Eles trocam eficiência metabólica pura por preservação muscular ao longo de horas de prova.
A fisiologia explica. Para uma mesma potência, girar mais rápido reduz a força aplicada em cada pedalada, deslocando a demanda para as fibras lentas e o sistema cardiovascular (revisão sistemática, 2021). Resultado: menos fadiga neuromuscular ao longo do tempo. Por isso eles aguentam horas no pedal.
Resposta direta: Profissionais giram a ~90 RPM porque cadência alta reduz a força por pedalada e poupa a musculatura ao longo de horas de prova (Lucía et al., 2001). Eles trocam eficiência metabólica máxima por menor fadiga neuromuscular, deslocando o esforço para o sistema cardiovascular (revisão sistemática, 2021).
Cadência alta protege os joelhos?
Sim, e esse talvez seja o argumento mais forte para iniciantes. Pedalar a 90 RPM gerou 29% menos força compressiva no joelho que pedalar a 70 RPM na mesma intensidade, num estudo com ciclistas competitivos (Bini & Hume, 2013). Cadência baixa exige mais força por pedalada, e essa força sobrecarrega a articulação.
Isso derruba um hábito comum entre iniciantes brasileiros: o “mata-joelho”. Muita gente acha que pedalar numa marcha pesada, lenta e forte, é sinal de força e treino. Na verdade, é o caminho mais curto para dor no joelho. Trocar para uma marcha mais leve e girar mais rápido é gratuito e protege a articulação. Por que insistir no esforço que machuca?
Resposta direta: Sim, cadência alta protege os joelhos. Pedalar a 90 RPM gerou 29% menos força compressiva no joelho que a 70 RPM, na mesma intensidade (Bini & Hume, 2013). Cadência baixa exige mais força por pedalada, sobrecarregando a articulação. Girar mais leve é uma forma gratuita de reduzir o risco de dor.
Qual cadência usar em subidas e sprints?
Os extremos do esforço pedem cadências opostas. Em subidas, mesmo os profissionais caem para cerca de 71 RPM, porque o aclive exige mais torque por pedalada (Lucía et al., 2001). Já em sprints, a cadência dispara: sprinters de estrada operam entre 110 e 125 RPM, e na pista passam de 130.
Na prática, o corpo costuma achar sozinho o ritmo certo quando você tem as marchas adequadas. O erro mais comum que vejo é o ciclista sem marcha leve o suficiente, travado numa cadência baixíssima na subida, destruindo as pernas cedo.
A lição é simples: não force uma cadência única em todo terreno. Reduza um pouco na subida, mantenha o cruzeiro no plano e solte o giro nos lances de velocidade. Flexibilidade vence rigidez.
Resposta direta: Em subidas, reduza para cerca de 70 a 80 RPM, pois o aclive exige mais torque; até profissionais caem para ~71 RPM (Lucía et al., 2001). Em sprints, a cadência sobe para 110 a 125 RPM na estrada. Não force um RPM único: adapte ao terreno e à intensidade do momento.
Como treinar a cadência?
Com exercícios simples de giro. O mais conhecido é o spin-up: pedale numa marcha leve subindo a cadência aos poucos até o máximo que conseguir sustentar sem quicar no selim, segure por 30 segundos e recupere. Repetir isso melhora a coordenação neuromuscular ao longo de semanas (TrainerRoad, s.d.).
Outra opção é o pedal de cadência alta: 30 a 60 minutos mantendo 90 a 100 RPM em marcha leve, sem forçar potência. Parece bobo, mas treina o corpo a girar redondo. Quem só pedala pesado nunca desenvolve essa habilidade.
Resposta direta: Treine a cadência com spin-ups (subir o giro progressivamente em marcha leve até o máximo sustentável por 30 segundos) e pedais longos de cadência alta (90 a 100 RPM por 30 a 60 minutos em marcha leve) (TrainerRoad, s.d.). A repetição melhora a coordenação neuromuscular em algumas semanas.
Aplique a cadência num objetivo real: o plano de treino para a primeira prova de 100 km.
Pronto para girar melhor?
Cadência não é dogma. Esqueça o “pedale sempre a 90” e pense em faixas: cruzeiro de 80 a 90 no plano, mais baixo na subida, mais alto no sprint. Se você é iniciante e pedala pesado, subir o giro vai poupar suas pernas e proteger seus joelhos de graça.
Quer entender como a cadência se encaixa num plano de treino completo? O guia pilar reúne tudo, das zonas à periodização.
Perguntas Frequentes sobre Cadência
Qual é a cadência ideal no ciclismo?
Não há um número único. A mais econômica em laboratório fica perto de 70 RPM e sobe com a fadiga (Brisswalter et al., 2000). Para a maioria, a faixa de cruzeiro de 80 a 90 RPM funciona bem, ajustando para baixo em subidas e para cima em sprints.
Pedalar com cadência baixa faz mal ao joelho?
Pode aumentar o risco de dor. Pedalar a 70 RPM gerou 29% mais força no joelho que a 90 RPM, na mesma intensidade (Bini & Hume, 2013). Marchas pesadas exigem mais força por pedalada e sobrecarregam a articulação. Girar mais leve reduz esse risco.
Por que pedalo lento e canso rápido?
Porque cadência baixa recruta mais força muscular por pedalada e fatiga as pernas antes. Iniciantes costumam pedalar a 60 a 70 RPM e se cansam cedo. Subir para 80 a 90 RPM distribui o esforço para o sistema cardiovascular e preserva o músculo por mais tempo.
Qual cadência os profissionais usam?
Em competição, profissionais giram a 89 RPM no plano e 92 RPM em contrarrelógio, caindo para ~71 RPM em subidas (Lucía et al., 2001). Eles preferem cadências altas para reduzir a fadiga muscular ao longo de horas de prova.
Preciso de sensor de cadência para treinar?
Ajuda, mas não é obrigatório. A maioria dos ciclocomputadores e relógios esportivos mede cadência, e muitos smart trainers já trazem o dado. Sem sensor, dá para contar as pedaladas de uma perna em 30 segundos e multiplicar por dois para estimar seus RPM.
Conclusão
A cadência ideal é uma faixa, não um número. Para a maioria, pedalar entre 80 e 90 RPM no plano é o melhor equilíbrio entre eficiência e preservação muscular. Em subidas, baixe; em sprints, solte o giro. E se você ainda pedala pesado e devagar, essa é a correção mais barata e eficaz que pode fazer hoje.
Girar mais leve poupa as pernas, protege os joelhos e melhora a resistência. Comece a prestar atenção nos seus RPM no próximo pedal.




