Três da manhã. Milão dorme. Mas na Piazzale Loreto, 127 homens montados em bicicletas de aço esperam um tiro de partida. Estamos em 13 de maio de 1909 — e nenhum deles faz ideia de que está prestes a inaugurar uma das maiores corridas do planeta. A história do Giro d’Italia nasce ali, naquela escuridão, com cheiro de óleo de corrente e suor nervoso. Não havia câmeras de TV, não havia helicóptero. Só a estrada, a noite e uma aposta que podia dar errado.
O Giro nunca foi a corrida mais famosa do ciclismo mundial — esse título o Tour de France carrega com a soberba que lhe cabe. Mas é, disparado, a mais dramática. É a corrida onde nevascas mudam destinos, onde rivalidades partem países ao meio, onde um pedreiro vira lenda e um jornal impresso em papel rosa vira império esportivo. Quem acompanha ciclismo sabe: quando o Tour entrega espetáculo, o Giro entrega cinema.
E essa história, contada do jeito certo, faz qualquer fã de esporte parar o que está fazendo para ouvir.
Às 2h53 da Manhã, Milão Acordou — O Nascimento do Giro em 1909
Cento e vinte e sete ciclistas. Uma madrugada. Uma Itália inteira que ainda nem sabia o que estava começando.
A ideia de criar uma corrida de bicicleta pela península italiana partiu de Tullo Morgagni, editor do La Gazzetta dello Sport, num telegrama urgente enviado ao dono do jornal, Emilio Costamagna, e ao editor de ciclismo, Armando Cougnet. O motivo? O jornal rival, Corriere della Sera, planejava lançar sua própria prova ciclística após o sucesso com corridas de automóvel. Morgagni decidiu que precisava chegar antes. Olha, se isso não parece briga de audiência entre emissoras de TV brasileiras, nada mais parece.
O problema era dinheiro. O La Gazzetta não tinha os 25 mil liras necessários para bancar a corrida. Mas o jornal já havia organizado com sucesso o Giro di Lombardia e a Milano-Sanremo — e isso convenceu Costamagna a apostar. O anúncio oficial saiu na primeira página do La Gazzetta em 7 de agosto de 1908: a corrida aconteceria em maio de 1909. O modelo? Uma cópia assumida do sucesso que o Tour de France fazia desde 1903 para o jornal francês L’Auto.
E na madrugada de 13 de maio de 1909, às 2h53 — horário confirmado por documentos da época —, o primeiro pelotão do Giro d’Italia largou da frente da sede do La Gazzetta, na Piazzale Loreto, em Milão. Oito etapas. 2.448 quilômetros. Estradas de terra. Bicicletas que pesavam mais de 15 quilos. Apenas 49 dos 127 inscritos cruzaram a linha de chegada final.

Luigi Ganna, o vencedor, era pedreiro. Pedalava quase 100 quilômetros por dia só para ir e voltar do trabalho. Quando ganhou o Giro — com um sistema de pontos, não de tempo —, recebeu 5.325 liras de prêmio. O diretor da corrida ganhava 150 liras por mês. Rapaz, o último colocado do Giro recebia o dobro do chefe.
Maio de 1909. Piazzale Loreto, Milão. O relógio marca 2h53. O ar cheira a borracha e nervosismo. A multidão espremida nas calçadas mal consegue enxergar os rostos dos ciclistas — só silhuetas, lanternas e o barulho de correntes sobre engrenagens pesadas. Em menos de dois quilômetros, a primeira queda coletiva. Antes do amanhecer, o sonho de um jornal já sangrava nas estradas de terra da Lombardia.
O primeiro Giro foi um sucesso tão grande que fez a circulação do La Gazzetta dello Sport disparar — e salvou o jornal da falência. Ganna usou o dinheiro do prêmio para abrir sua própria fábrica de bicicletas em 1912. A corrida que nasceu como jogada comercial virou patrimônio esportivo. E a Itália de 1909 — um país jovem, com apenas 48 anos de unificação, dividido entre norte industrial e sul agrário — encontrou no Giro algo raro: uma coisa que fazia o país inteiro olhar na mesma direção.

As duas guerras mundiais interromperam a prova. Mas cada retorno foi carregado de simbolismo. Em 1919, a primeira etapa após a Primeira Guerra levou o pelotão até Trieste e Trento — cidades reconquistadas dos austríacos. O Giro não era apenas corrida. Era mensagem.
A Maglia Rosa — Uma Camiseta Que Nasceu da Tinta de Jornal
Durante 22 edições, o líder do Giro pedalava sem nenhum sinal visual que o diferenciasse do pelotão. Foi só em 1931 que Cougnet — o mesmo jornalista que ajudou a fundar a corrida — teve a ideia de criar uma camiseta especial para o líder da classificação geral. A cor? Rosa, naturalmente. A mesma cor do papel em que o La Gazzetta dello Sport era impresso desde 1899.

Pois é. A Maglia Rosa existe por causa da cor de um jornal. O primeiro a vestí-la foi Learco Guerra, apelidado de “Locomotiva Humana”, na primeira etapa do Giro de 1931. Mas a história ficou mais curiosa: Benito Mussolini, o ditador fascista, achou a cor “afeminada” e inicialmente resistiu à ideia. Só aceitou quando o símbolo do Partido Fascista — um feixe de varas amarrado a um machado — foi costurado no peito da camiseta. Depois da guerra, o símbolo foi removido. O rosa ficou.
Três ciclistas vestiram a Maglia Rosa como campeões cinco vezes cada: Alfredo Binda, Fausto Coppi e Eddy Merckx. Merckx detém o recorde de 78 etapas usando o rosa — mais que qualquer outro na história.
A Itália Que Pedalava Sozinha — Binda, Bartali, Coppi
Trinta anos. De 1909 a 1950, nenhum estrangeiro venceu o Giro d’Italia. Quatro décadas de domínio absoluto italiano — um monopólio que faria qualquer torcida organizada de futebol brasileiro ter inveja.

Alfredo Binda venceu cinco edições entre 1925 e 1933, e era tão dominante que os organizadores fizeram algo inacreditável em 1930: pagaram 22.500 liras para ele não correr. O cara era bom demais. Atrapalhava o espetáculo. Imagina o Neymar sendo pago para não jogar a Copa porque ia ganhar fácil demais — essa era a dimensão de Binda.
Mas a rivalidade que realmente incendiou a Itália veio depois. Gino Bartali contra Fausto Coppi. Não existe comparação fácil no esporte. Talvez Pelé e Garrincha — mas com mais rancor.
Bartali era o homem do campo. Católico devoto, conservador, venerado no sul rural. Coppi era o oposto: elegante, metódico, secular, ídolo do norte industrial. O escritor Curzio Malaparte resumiu: “Bartali pertence aos que acreditam na tradição”. O que ele quis dizer, todo mundo na Italia entendia sem precisar de explicação.

A coisa começou em 1940. Coppi era gregário — o ajudante — de Bartali na equipe Legnano. Na primeira grande etapa montanhosa, Bartali sofreu uma queda e ficou para trás. Coppi, seguindo ordens do diretor da equipe, atacou. E não parou mais. Com 20 anos, 8 meses e 18 dias, Coppi venceu aquele Giro e se tornou o mais jovem campeão da história — recorde que ninguém quebrou até hoje.
Bartali não engoliu. Na comemoração em Milão, olhou para Coppi e disse algo que ficou gravado: “Descanse, mas não tenha muitas ilusões. Me dê um ano e eu coloco as coisas de volta no lugar.” Só que a Segunda Guerra adiou o acerto de contas por seis anos.
Giro de 1949. Etapa de Cuneo a Pinerolo. Coppi ataca sozinho. São 192 quilômetros em fuga solitária. Ele cruza o Colle della Maddalena, o Vars, o Izoard, o Monginevro e o Sestriere — cinco montanhas, uma atrás da outra. Chega ao final com 11 minutos e 52 segundos de vantagem sobre Bartali. Naquele dia, Coppi deixou de ser ciclista. Virou lenda.
A rivalidade dividiu famílias italianas como um clássico Fla-Flu divide a Zona Norte do Rio. Coppi venceu cinco Giros no total. Bartali, três. Coppi foi o primeiro ciclista da história a vencer o Giro d’Italia e o Tour de France no mesmo ano — em 1949 e novamente em 1952. Uma proeza que pouquíssimos repetiram.

Coppi morreu em janeiro de 1960, aos 40 anos, de malária mal diagnosticada após uma viagem à África. Seus médicos na Itália trataram como pneumonia. Um companheiro de viagem, o francês Raphaël Geminiani, teve a mesma doença — mas foi diagnosticado corretamente e sobreviveu.
Silêncio.
O Dia em Que a Itália Perdeu o Giro — A Invasão Estrangeira
1950. Hugo Koblet, da Suíça, cruza a linha de chegada em Roma como campeão do Giro d’Italia. Primeiro estrangeiro a vencer em 41 edições. A hegemonia italiana, que parecia eterna, rachou como asfalto velho numa estrada dos Apeninos.
Nos anos seguintes, o domínio se fragmentou. Jacques Anquetil, francês, venceu em 1960 e 1964 — e se tornou o primeiro ciclista a conquistar os três Grand Tours (Giro, Tour e Vuelta). Felice Gimondi, italiano, triunfou em 1967 e repetiu o feito. Mas o verdadeiro terremoto atendeu pelo nome de Eddy Merckx.
O belga venceu o Giro cinco vezes entre 1968 e 1974. Cinco. No quintal dos italianos. Com uma voracidade que lhe rendeu o apelido de “O Canibal” — porque devorava tudo: etapas planas, contrarrelógios, montanhas. Merckx vestiu a Maglia Rosa por 78 etapas ao longo da carreira, recorde absoluto que resiste a mais de cinquenta anos de tentativas.
E então veio o dia que ninguém esquece.
Gavia, 1988 — O Dia em Que os Gigantes Choraram
5 de junho de 1988. Etapa 14. O pelotão acorda com chuva pesada e temperatura perto de zero no vale. No alto do Passo di Gavia, a 2.618 metros de altitude, a previsão era de neve. O diretor da corrida, Vincenzo Torriani, recebeu pedidos para cancelar a etapa. A resposta dele entrou para o folclore: “O espetáculo deve continuar. Os ciclistas devem sofrer.”

Andy Hampsten, americano da equipe 7-Eleven, estava em quinto lugar, a 1 minuto e 18 segundos do líder Franco Chioccioli. A equipe dele fez algo que nenhuma outra fez: foi a lojas de esqui locais na noite anterior e comprou luvas de neoprene, gorros de lã e roupas térmicas. Prepararam sacos com roupa seca no topo do Gavia. Os europeus? Muitos subiram sem luvas.
A neve cai em diagonal. Hampsten mal enxerga a estrada. Passa a mão no cabelo e sente uma bola de neve rolar pelas costas. Carros de apoio patinam e atravessam na frente dos ciclistas. O holandês Johan van der Velde, que atacou primeiro, chega ao topo em hipotermia — levará 47 minutos para completar a descida. Na chegada em Bormio, o francês Dominique Gaigne precisa ser carregado porque suas mãos congelaram no guidão. A Gazzetta dello Sport batiza a etapa: “Il Giorno Della Neve — O Dia em Que os Gigantes Choraram.”
Hampsten terminou a etapa em segundo, atrás de Erik Breukink. Mas tomou a Maglia Rosa e a defendeu até Milão. Primeiro americano — e até hoje, o único dos EUA — a vencer o Giro. Gianni Motta, ex-vencedor italiano, havia previsto antes da corrida: “Hampsten vai vencer no Gavia. Ninguém respeita o quanto essa subida é difícil.”
Exagero? O último italiano a vencer o Giro antes de Vincenzo Nibali em 2013 foi Marco Pantani, em 1998. Quinze anos de seca. E Pantani — Il Pirata, o último herói trágico do ciclismo italiano — morreu sozinho num quarto de hotel em 2004, aos 34 anos. O Giro sobreviveu. Sempre sobrevive.
As Montanhas Que Fazem o Giro Ser o Giro
2.758 metros. Essa é a altitude do Passo dello Stelvio, o ponto mais alto que o Giro d’Italia já alcançou. Pra ter uma referência: o Pico da Bandeira, ponto culminante acessível do Brasil, tem 2.892 metros. O Stelvio fica a 134 metros de diferença — só que os ciclistas chegam lá pedalando, depois de horas de esforço acumulado em etapas de mais de 200 quilômetros.
A literatura em fisiologia do exercício demonstra que acima de 2.000 metros de altitude, o corpo humano perde entre 8% e 12% da capacidade aeróbia máxima — o famoso VO₂max cai porque o ar tem menos oxigênio. O limiar anaeróbio desmorona. A recuperação entre esforços fica comprometida. Agora imagine enfrentar isso com as bicicletas de 1909: 15 quilos de aço, pneus de borracha dura, nenhuma marcha. Puro sofrimento.
O Giro tem uma filosofia de percurso diferente do Tour de France. A organização — hoje a RCS Sport, herdeira do La Gazzetta — sempre privilegiou subidas mais curtas, mais íngremes e mais imprevisíveis. O Tour sobe o Alpe d’Huez e o Mont Ventoux com a majestade de um espetáculo ensaiado. O Giro d’Italia joga os ciclistas no Mortirolo (rampas de até 18%), no Zoncolan (média de 11,9% nos últimos 10 km) e nas Tre Cime di Lavaredo — montanhas que parecem querer expulsar qualquer ser humano que ouse subí-las de bicicleta.
As Dolomitas — essa cordilheira de rocha calcária que parece cenário de outro planeta — são a identidade do Giro. Quando o pelotão atravessa aquelas torres de pedra alaranjada sob céu azul, ou quando a neblina engole a estrada e os ciclistas somem na bruma, o Giro se transforma em algo que nenhuma outra corrida consegue replicar. O Tour é grandioso. O Giro é selvagem.
A Cima Coppi — prêmio dado ao primeiro ciclista a cruzar o ponto mais alto de cada edição — existe desde a morte de Fausto, em homenagem ao Campionissimo. É o ponto onde o ar fica rarefeito, onde as pernas queimam, onde o corpo grita para parar. É o ponto onde o Giro decide seus campeões.
O Giro Que o Brasil Assiste — E Por Que Vale a Pena
Sabe aquele ciclista que acorda às 5 da manhã em Curitiba, em Recife ou em Belo Horizonte para treinar antes do trabalho? Esse cara assiste o Giro. Talvez pelo celular, talvez por um streaming com narração em espanhol, talvez acompanhando os resultados pelo ProCyclingStats durante o almoço. Mas assiste. Porque a história do Giro d’Italia tem algo que conecta diretamente com o fã brasileiro: a torcida pelo azarão, pelo escalador que sobe montanha como se não pesasse nada.
Quando Nairo Quintana, colombiano, venceu o Giro em 2014 — ganhando também a classificação de jovens e a de montanha, tudo de uma vez —, a América do Sul inteira vibrou. Quintana era o cara franzino que destruia os europeus na subida. A identificação era automática. Quando Richard Carapaz, equatoriano, repetiu o feito em 2019, o continente confirmou: sul-americanos sabem escalar. E o Giro — diferente do Tour — sempre deu espaço para escaladores puros brilharem.
Egan Bernal, colombiano, vestiu a Maglia Rosa em 2021. Três sul-americanos vencedores em oito edições. Qualquer fã de ciclismo no Brasil se reconhece nessa geração — ciclistas que vêm de países montanhosos, com infraestrutura limitada, que chegam na Europa e disputam de igual com as maiores potências do pedal. É a mesma narrativa do futebol brasileiro nos anos 50: talento bruto contra estrutura organizada.
Sábado de manhã em São Paulo. Café passado, celular na mão, transmissão ao vivo de uma etapa nos Alpes italianos. O narrador grita um sobrenome colombiano. A câmera do helicóptero mostra uma estrada fina recortada numa montanha verde, com um pelotão esticado como linha de costura. Lá embaixo, os tifosi gritam. Aqui, o ciclista brasileiro no sofá sente o mesmo arrepio — separado por um oceano, conectado pelo mesmo pedal.
O Giro ainda não tem a cobertura no Brasil que merece. Mas a cultura ciclística brasileira cresce — podcasts, canais no YouTube, grupos de pedal que discutem táticas de Grand Tour como se discutissem escalação de seleção. E pra quem quer entender de onde vem essa corrida, por que ela importa e o que faz dela diferente do Tour de France, a resposta está nos mais de 115 anos de história do Giro d’Italia — uma resiliência que nem duas guerras mundiais conseguiram apagar.
O Último Quilômetro
O Giro d’Italia não é a corrida mais assistida. Não é a mais rica. Não é a que paga os maiores prêmios. Mas é a corrida onde o ciclismo se parece mais consigo mesmo — cru, imprevisível, capaz de destruir um favorito numa tarde de neve e coroar um desconhecido que soube sofrer melhor que os outros.
De Luigi Ganna, o pedreiro que pedalava 100 km por dia só para ir trabalhar, a Tadej Pogačar e a era dos supercorredores modernos, a Corsa Rosa sobreviveu a ditadores, guerras, escândalos de doping e à própria evolução do esporte. Sempre voltou. Sempre em maio. Sempre cor-de-rosa.
Bom, talvez a melhor forma de definir o Giro seja esta: é a corrida que faz você sofrer junto — mesmo do sofá, mesmo a milhares de quilômetros, mesmo sem nunca ter pisado numa bicicleta de estrada. E quando a última etapa chega, quando o campeão veste a Maglia Rosa pela última vez no pódio final, dá uma saudade esquisita. A mesma saudade de quando acaba um bom filme e você fica olhando os créditos, sem querer levantar.
O Giro d’Italia é isso. Uma história que não termina porque, todo maio, recomeça.
FAQ — Perguntas Frequentes Sobre a História do Giro d’Italia
Qual é a história do Giro d’Italia?
O Giro d’Italia foi criado em 1909 pelo jornal italiano La Gazzetta dello Sport como estratégia para aumentar as vendas de exemplares — copiando o modelo que o L’Auto havia usado ao criar o Tour de France em 1903. A primeira edição largou em 13 de maio de 1909, às 2h53 da manhã, em Milão, com 127 ciclistas. Desde então, a corrida acontece anualmente — com pausas apenas durante as duas guerras mundiais — e se tornou um dos três Grand Tours do ciclismo profissional, ao lado do Tour e da Vuelta a España.
Quando foi o primeiro Giro d’Italia?
O primeiro Giro d’Italia aconteceu entre 13 e 30 de maio de 1909. Foram oito etapas, totalizando 2.448 quilômetros pelas estradas (na maioria de terra) da Itália. O vencedor foi Luigi Ganna, um pedreiro de Induno Olona que venceu três etapas e acumulou a menor pontuação — na época, a classificação era por pontos, não por tempo.
Quem tem mais vitórias no Giro d’Italia?
Três ciclistas dividem o recorde de cinco vitórias: Alfredo Binda (1925, 1927, 1928, 1929 e 1933), Fausto Coppi (1940, 1947, 1949, 1952 e 1953) e Eddy Merckx (1968, 1970, 1972, 1973 e 1974). Merckx detém também o recorde de mais etapas com a Maglia Rosa: 78 dias de rosa ao longo de toda a carreira.
Por que a camiseta do Giro d’Italia é rosa?
A Maglia Rosa tem essa cor porque o La Gazzetta dello Sport, jornal que fundou a corrida, é impresso em papel cor-de-rosa desde 1899. A lógica é a mesma do Tour de France: o L’Auto era impresso em papel amarelo, e por isso o líder do Tour veste amarelo. A camiseta rosa foi introduzida em 1931, e o primeiro a vestí-la foi Learco Guerra.
Qual a diferença entre o Giro d’Italia e o Tour de France?
Ambos são Grand Tours de três semanas, mas a filosofia é diferente. O Tour de France tende a ter montanhas mais longas e previsíveis, com forte ênfase no contrarrelógio. O Giro d’Italia privilegia subidas mais íngremes e explosivas — como o Zoncolan (média de quase 12%), o Mortirolo e o Stelvio a 2.758 metros. O clima também é mais instável: etapas de neve e chuva fria são comuns no Giro. Historicamente, o Giro é visto como a corrida mais dura e imprevisível, enquanto o Tour é a maior em audiência e prestígio comercial. Poucos ciclistas conseguiram vencer os dois na mesma temporada — Coppi foi o primeiro, em 1949.



Deixe um Comentário