Três semanas atrás, Tadej Pogaçar cruzou o velódromo de Roubaix em segundo lugar. Wout van Aert havia sido mais rápido no sprint. Para a maioria dos ciclistas, um 2º lugar na Paris-Roubaix seria motivo de celebração. Para Pogaçar, foi lembrete de que a temporada ainda tem contas a acertar.
No domingo, dia 26 de abril, a Liège-Bastogne-Liège 2026 entra em cena como a última grande clássica da primavera. São 259,5 quilômetros, 4.400 metros de desnível e 11 côtes que filtram o pelotão até deixar apenas os mais fortes vivos. Pogaçar chega como favorito e como homem de um recorde histórico: uma 4ª vitória em La Doyenne o colocaria ao lado de Alejandro Valverde e Moreno Argentin no topo do palmarès da corrida. Ao mesmo tempo, um francês de 19 anos está destruindo convicções sobre o que é possível nessa idade. E Remco Evenepoel acaba de ganhar o Amstel Gold Race com a naturalidade de quem pede um café.
Pela primeira vez em anos, Pogaçar chega como favorito — mas não como certeza.
Em resumo
- Pogaçar busca a 4ª vitória em Liège, o que o iguala a Valverde e Argentin no histórico da prova
- Paul Seixas, 19 anos, chega com duas vitórias nas Ardenas na mesma temporada — ninguém sabe como pará-lo
- Evenepoel é bicampeão (2022 e 2023) e ganhou o Amstel Gold Race nesta primavera
- A Côte de la Roche-aux-Faucons (11% de inclinação, 13,3 km do final) deve fazer a seleção definitiva
O Que Está em Jogo neste Domingo em Liège?
A 112ª edição da Liège-Bastogne-Liège parte de Liège com largada às 10h15 de Bruxelas (5h15 no horário de Brasília). O percurso cobre 259,5 km com 4.400 metros de desnível e onze subidas categorizadas, segundo o site oficial da corrida (liege-bastogne-liege.be, 2026). A sequência final é a mais seletiva: La Redoute a 34 km do fim, La Roche-aux-Faucons a 13 km (1,3 km a 11% de inclinação média) e Saint-Nicolas a 5 km da chegada (1,2 km a 8,6%). Quem ainda tiver pernas nessa sequência, tem chances reais.
A corrida é apelidada de La Doyenne, a decana, por ser a mais antiga clássica do calendário masculino ainda realizada sem interrupção. A primeira edição foi em 1892. Em 130 anos de história, raros ciclistas venceram mais de duas edições. Isso torna a candidatura de Pogaçar ainda mais relevante e, ao mesmo tempo, ainda mais difícil de confirmar.
Sobre La Doyenne: A Liège-Bastogne-Liège 2026 tem 259,5 km com 4.400 m de desnível e 11 côtes categorizadas. Os últimos 34 km incluem três subidas consecutivas — La Redoute, La Roche-aux-Faucons (1,3 km a 11%) e Saint-Nicolas (1,2 km a 8,6%). Historicamente, o vencedor define a corrida atacando na Redoute. Em 2026, com Seixas e Evenepoel em forma, esse roteiro pode não se repetir.
Pogaçar Pode Igualar o Recorde de Valverde e Argentin?
Tadej Pogaçar venceu a Liège em 2021, 2024 e 2025. Uma 4ª vitória neste domingo o iguala a Alejandro Valverde (2006, 2008, 2014 e 2017) e Moreno Argentin (1985, 1986, 1987 e 1991) como os maiores vencedores da história da prova, segundo o palmarès do ProCyclingStats (2026). Somente Eddy Merckx, com 5 títulos, foi mais longe.
Há um detalhe que as prévias convencionais ignoram: Pogaçar entrou nesta primavera com cadência forte no pavê. Ganhou a Strade Bianche, a Milão-San Remo e o Tour das Flandres antes de ser batido por Van Aert no velódromo de Roubaix. O ponto crítico é que o esloveno ainda não correu em terreno de montanha nesta temporada. As Ardenas são o oposto dos paralelepípedos da Paris-Roubaix. Seixas e Evenepoel já passaram por corridas de alta intensidade no mesmo tipo de relevo — Pogaçar não.
Isso não elimina ninguém. Nos últimos dois anos, Pogaçar venceu La Doyenne atacando sozinho desde La Redoute, a 34 km do fim. O padrão é conhecido por todo o pelotão. O resultado provável é que em 2026 o ritmo será forçado ainda mais cedo, tornando a corrida mais aberta.
Resposta direta: Pogaçar chega à Liège-Bastogne-Liège 2026 sem corridas de montanha nas pernas nesta primavera, mas com o melhor histórico recente na prova: 2021, 2024 e 2025. Uma 4ª vitória o iguala ao recorde de Valverde e Argentin. Nos últimos dois anos, a seleção definitiva ocorreu na Côte de la Redoute, a 34 km do fim (Cyclingnews, 2026).
Paul Seixas: o Que Fazer com um Menino de 19 Anos que Não Para de Vencer?
Paul Seixas venceu a Itzulia Basque Country em 11 de abril. Quatro dias depois, ganhou a Flèche Wallonne — a corrida que termina no Mur de Huy, a rampa mais seletiva das Ardenas, onde apenas os melhores escaladores do mundo chegam com pernas. Ele tem 19 anos. Há poucos precedentes para o que está acontecendo.
Para colocar em números: segundo o Cyclingnews (2026), Seixas se tornou o vencedor mais jovem da Flèche Wallonne em 90 anos de história da prova. Antes dele, nenhum corredor havia vencido a Itzulia e a Flèche na mesma temporada sendo menor de 22 anos. Vários analistas do esporte já o descrevem como o provável sucessor de Pogaçar. Dizer isso de um corredor que ainda não pode votar em todos os países é dizer muito.
O desafio de Seixas no domingo é que Liège é uma corrida diferente da Flèche. São 259 km, quase o dobro do trajeto até o Mur de Huy. A gestão de esforço ao longo de seis horas exige experiência que um corredor de 19 anos pode simplesmente não ter ainda. Por outro lado, quem apostaria contra ele neste ponto da temporada?
Sobre Paul Seixas: Com 19 anos, Seixas venceu a Itzulia Basque Country e a Flèche Wallonne na mesma temporada, tornando-se o vencedor mais jovem da Flèche em 90 anos (Cyclingnews, 2026). Ele chega à Liège com mais vitórias em clássicas de montanha em 2026 do que qualquer outro corredor no pelotão, incluindo Pogaçar. A questão é se a distância de 259 km vai testar algo que o talento não cobre.
Evenepoel e os Outros Nomes que Podem Estragar o Roteiro
Remco Evenepoel é bicampeão da Liège-Bastogne-Liège, com vitórias em 2022 e 2023. Naquelas duas edições, o belga atacou sozinho desde La Redoute e rodou os 30 km finais sem ser alcançado. Este ano, ele venceu o Amstel Gold Race, mais uma prova de montanha das Ardenas, confirmando que está em um dos momentos mais fortes da carreira, segundo o Cycling Weekly (2026).
Há um dado que as prévias costumam ignorar sobre Evenepoel: a Liège é tecnicamente a corrida mais adequada ao perfil dele. Ele não é o melhor no pavê, nem no plano puro. Mas em terrenos ondulados com subidas médias e capacidade de fundo, poucos corredores do mundo são tão eficientes quanto o belga. Se Pogaçar e Seixas se anularem, Evenepoel é exatamente o tipo de corredor que aproveita o vácuo.
Tom Pidcock também está na lista de largada, retornando após uma queda severa em ravina que colocou sua participação em dúvida até a última semana (Cyclingnews, 2026). O inglês é um escalador com ataque explosivo, mas chega sem ritmo competitivo sólido. É o tipo de presença que pode tornar a corrida imprevisível ou desaparecer no último terço.
Matteo Jorgenson está fora. O americano fraturou a clavícula no Amstel Gold Race e não tem condições de largar.
Sobre Evenepoel: Remco Evenepoel é o bicampeão da prova (2022 e 2023) e venceu o Amstel Gold Race nesta temporada de 2026. Nos dois títulos anteriores em Liège, ele atacou na Côte de la Redoute e rodou sozinho os 30 km finais. Em 2026, chega com boas referências de forma, mas diante de uma concorrência mais forte do que nas suas edições vencedoras (Cycling Weekly, 2026).
O Percurso Que Vai Decidir Tudo
Nos dois últimos anos, Pogaçar ganhou a Liège na Côte de la Redoute. Esse padrão é amplamente conhecido. O resultado esperado em 2026 é que o ritmo seja forçado ainda mais cedo, tornando a corrida mais seletiva ao longo de todo o percurso. Isso pode favorecer corredores com maior capacidade aeróbica de longa duração, como Evenepoel, e prejudicar quem depende de um ataque pontual e explosivo.
A Côte de la Roche-aux-Faucons, com 1,3 km a 11% de inclinação média a apenas 13,3 km do final, é o trecho onde uma seleção definitiva pode acontecer caso La Redoute não resolva. É uma subida curta e brutal, do tipo que expõe reservas de glicogênio e separação de potência. Saint-Nicolas, a última subida a 5 km do fim, é uma rampa urbana onde a torcida empurra e a adrenalina do ambiente costuma fazer corredores atacarem antes da hora.
A previsão do tempo indica condições próximas do ideal: sol, vento leve e temperaturas entre 6°C de manhã e 15°C à tarde, segundo o Olympics.com (2026). Sem chuva, sem vento forte, sem desculpas. La Doyenne vai separar os fortes dos mais fortes às claras.
Sobre o percurso: Os últimos 65 km da Liège-Bastogne-Liège 2026 incluem três subidas consecutivas: La Redoute (34 km do final), La Roche-aux-Faucons (13,3 km, 11%) e Saint-Nicolas (5 km, 8,6%). A previsão aponta sol e 15°C à tarde (Olympics.com, 2026). Condições ideais para os escaladores puros — e para uma corrida decidida no esforço, não na sobrevivência.
Perguntas Frequentes sobre a Liège-Bastogne-Liège 2026
Quando assistir à Liège-Bastogne-Liège 2026 no Brasil?
A corrida larga às 10h15 de Bruxelas, o que equivale a 5h15 no horário de Brasília no domingo, 26 de abril de 2026. A chegada é esperada para o início da tarde na Bélgica. A transmissão ao vivo está disponível na Eurosport e plataformas de streaming como Discovery+ e Max, dependendo dos direitos regionais vigentes.
Paul Seixas pode ganhar a Liège-Bastogne-Liège aos 19 anos?
É improvável, mas está longe de ser impossível. Seixas chega com duas vitórias nas Ardenas na mesma temporada e com forma que ninguém conseguiu neutralizar nos últimos meses. O principal obstáculo não é talento: é a gestão de 259 km de corrida, uma distância que historicamente exige experiência acumulada. Se a prova for seletiva desde cedo, ele é perigoso.
Qual é o recorde de vitórias na Liège-Bastogne-Liège?
Eddy Merckx é o maior vencedor, com 5 títulos entre 1969 e 1975, segundo o palmarès do ProCyclingStats (2026). Em seguida estão Alejandro Valverde e Moreno Argentin com 4 vitórias cada. Tadej Pogaçar, com 3 títulos, está a uma vitória de igualar esse grupo de dois.
Por que Evenepoel é visto como ameaça real mesmo após dois anos sem vencer?
Porque ele é bicampeão da prova com um estilo de corrida altamente adaptado ao percurso de Liège. Suas vitórias em 2022 e 2023 foram conquistadas com ataques solitários a partir da Redoute. Em 2026, ele venceu o Amstel Gold Race, no mesmo tipo de terreno, confirmando que a forma está lá. A pergunta é se ele consegue suportar Pogaçar e Seixas simultaneamente.
O que é a Côte de la Roche-aux-Faucons e por que ela importa?
A Côte de la Roche-aux-Faucons é uma subida de 1,3 km com 11% de inclinação média, com o cume a 13,3 km do final de Liège. É a última grande seleção antes da Côte de Saint-Nicolas e da chegada. Em edições onde La Redoute não resolve, é nessa subida que os favoritos testam os concorrentes em busca de uma ruptura definitiva.
Pogaçar ganhou as duas últimas edições com relativa facilidade. Em 2024 e 2025, nenhum corredor teve condições de acompanhá-lo. A questão de 2026 é direta: Paul Seixas existia nesses anos? Não. Havia um Evenepoel recém-saído de vitória no Amstel com esse nível de ambição? Também não.
No domingo a partir das 5h15 de Brasília, 259 quilômetros de Ardenas vão responder se um recorde histórico está sendo construído — ou interrompido.




