O Brasil produziu 335.560 bicicletas no Polo Industrial de Manaus em 2025, número 4,9% acima da projeção, e as e-bikes saltaram 144% no mesmo período (Mundo Bici / ABRACICLO, 2026). O ciclismo cresce no país, mas cresce torto.
De um lado, mais gente pedalando, eventos lotados e um mercado que se recupera. Do outro, um vazio gritante: o Brasil quase não aparece no pelotão profissional internacional. Como esses dois retratos cabem no mesmo país?
Este guia reúne o cenário completo do ciclismo brasileiro em 2026. Mercado, atletas, eventos e onde pedalar, com dados e uma leitura honesta sobre o que vai bem e o que continua emperrado.
Em resumo
- O Brasil produziu 335.560 bikes em 2025, com e-bikes crescendo 144% (ABRACICLO, 2026).
- O número de praticantes segue em alta, puxado por eventos como o L’Étape Brasil, que reuniu cerca de 7 mil ciclistas em 2025.
- No alto rendimento, o MTB resiste com Henrique Avancini, mas a estrada brasileira está fora do WorldTour.
- Há rotas e eventos de sobra para pedalar, de Cunha a Campos do Jordão.

Índice do Conteúdo – Ciclismo no Brasil 2026: cenário, atletas e onde pedalar
Como está o mercado de bike no Brasil em 2026?
O mercado se recupera com cautela. A ABRACICLO fechou 2025 com 335.560 bicicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus, 4,9% acima da projeção inicial de 320 mil, e projeta 350 mil unidades para 2026, um crescimento de 4,3% (Mundo Bici, 2026).
O destaque absoluto foi a e-bike. As associadas produziram 46,9 mil unidades elétricas em 2025, contra 19,2 mil em 2024, um salto de 144%. Com isso, a e-bike passou a representar 14% de toda a produção do polo.
Vale o ceticismo aqui. Esses números cobrem a produção do polo de Manaus, não o mercado total, que inclui importação e o nicho premium de estrada e gravel. Ainda assim, a direção é clara: o brasileiro está comprando mais bike, e cada vez mais elétrica.
Resposta direta: O mercado de bike no Brasil cresce de forma gradual. Em 2025 foram 335.560 unidades produzidas no Polo Industrial de Manaus, com projeção de 350 mil em 2026 (ABRACICLO, 2026). O grande motor é a e-bike, que subiu 144% em um ano.
Antes de comprar a primeira bike, vale entender por que as marcas mais vendidas do Brasil nem sempre são as melhores.
O ciclismo está realmente crescendo no Brasil?
Está, e não só na venda de bikes. Pesquisas de perfil do atleta apontam aumento no número de praticantes, com participação feminina em alta (Bikemagazine, 2025). O termômetro mais visível são os eventos amadores lotados.
O melhor exemplo é o L’Étape Brasil by Tour de France. Em 2025, a prova reuniu mais de 7 mil ciclistas em suas etapas oficiais, e a expectativa para 2026 é de inscrições esgotando rápido (Bike Registrada, 2025).
Tem um detalhe cultural por trás disso. O Tour de France 2025 bateu recordes de audiência, com 1,5 bilhão de visualizações na hashtag oficial, quase o dobro de 2024 (Bikemagazine, 2025). Esse interesse transborda para o Brasil e ajuda a encher provas amadoras.
Resposta direta: O ciclismo cresce no Brasil em praticantes e em audiência. Eventos como o L’Étape Brasil reuniram cerca de 7 mil ciclistas em 2025, com participação feminina em alta (Bike Registrada, 2025). O boom da bike elétrica reforça a tendência.
Quem são os principais ciclistas brasileiros hoje?
A resposta depende da modalidade, e ela é desigual. No mountain bike, o Brasil tem nome de peso: Henrique Avancini, único atleta a conquistar o título de campeão brasileiro em todas as categorias, incluindo a elite (Bremstec, 2025). Já na estrada, o cenário é magro.
No circuito nacional de estrada de 2026, a AndBank Pro Cycling Team abriu a temporada vencendo as duas primeiras provas do calendário, a Volta de Porto Alegre e a Volta de São José dos Campos (Bikemagazine, 2026). É um sinal de vida, mas ainda longe do topo mundial.

E quando um brasileiro vence lá fora, vira notícia justamente por ser raro. Foi o caso da vitória de Henrique Bravo na Áustria, que rendeu muito mais do que um troféu para o ciclismo do país.
Resposta direta: No alto rendimento, o Brasil é forte no MTB, com Henrique Avancini como principal nome, e fraco na estrada. Em 2026, a equipe nacional AndBank venceu as duas primeiras provas do calendário (Bikemagazine, 2026), mas o país segue ausente do pelotão WorldTour de estrada.
Quais são os maiores eventos de ciclismo no Brasil em 2026?
O calendário amador brasileiro gira em torno do L’Étape Brasil by Tour de France, dividido em três etapas em 2026: Cunha, de 27 a 29 de março, Serra Negra em 28 de junho e Campos do Jordão em 27 de setembro (Bike aos Pedaços, 2026). A etapa de Cunha tem percurso longo de 111 km e 2.400 m de altimetria.
Cada etapa movimenta cerca de 5 mil pessoas, entre ciclistas e turistas, nas cidades-sede. No lado profissional, a Volta Ciclística de São Paulo segue como principal prova de estrada do país, com status UCI 2.2.
| Evento | Quando | Destaque |
|---|---|---|
| L’Étape Cunha | 27-29 mar 2026 | Longo de 111 km, 2.400 m de subida |
| L’Étape Serra Negra | 28 jun 2026 | Etapa de meio de ano |
| L’Étape Campos do Jordão | 27 set 2026 | Encerra a temporada amadora |
| Volta Ciclística de SP | calendário UCI | Principal prova de estrada (UCI 2.2) |
| Cem Voltas (Curitiba) | etapas no velódromo | Tradição do ciclismo de pista regional |
Por que tanta gente paga caro para sofrer numa subida de 2.400 metros? Porque o L’Étape vende o que o brasileiro ama: pedalar num percurso com a grife do Tour de France, perto de casa.
Resposta direta: O maior evento amador do Brasil é o L’Étape Brasil by Tour de France, com três etapas em 2026, em Cunha, Serra Negra e Campos do Jordão, movimentando cerca de 5 mil pessoas cada (Bike aos Pedaços, 2026). No profissional, a Volta Ciclística de SP (UCI 2.2) é a referência.
Veja a análise completa da Volta Ciclística de São Paulo e o status UCI 2.2.
Onde pedalar no Brasil? Cidades e rotas que valem a viagem
O Brasil tem terreno para todo gosto, do asfalto de montanha ao gravel de terra batida. As serras do Sudeste, como Cunha, Campos do Jordão e a Serra da Mantiqueira, concentram as rotas de estrada mais procuradas pela combinação de clima ameno e subidas longas.
Cada cidade grande tem sua cena própria. Em Brasília, a malha de ciclovias e os pelotões organizados fazem da capital um caso à parte, como detalhamos no guia de pelotões e rotas de ciclismo em Brasília. Para quem prefere trilha, o país tem destinos consagrados de mountain bike.
Resposta direta: Dá para pedalar bem em quase todo o Brasil, mas as serras do Sudeste lideram a estrada, e cidades como Brasília se destacam na infraestrutura urbana. O cicloturismo cresce em rotas de gravel e travessias regionais. A escolha depende da modalidade e do clima da época.
Para planejar uma viagem sobre duas rodas, comece pelo nosso guia do cicloturismo e pela lista de melhores cidades para mountain bike no Brasil.
Quanto custa começar a pedalar no Brasil?
Mais do que deveria, e o motivo tem nome: importação e câmbio. Os modelos de entrada já saem por mais de R$ 1.300 nas urbanas e de R$ 1.700 nas MTB recreacionais, segundo a própria ABRACICLO (Mundo Bici, 2026). No nicho esportivo, os valores disparam.
A boa notícia é que dá para começar bem sem gastar uma fortuna, desde que a escolha seja racional. O erro mais comum do iniciante brasileiro é mirar a bike de grife errada em vez do componente certo para o seu uso.
Aqui vai um ponto que pouca loja vai te contar: no Brasil, é comum uma bike intermediária com grupo confiável custar menos e durar mais que uma “top de linha” de marca popular com peças de qualidade duvidosa. Preço alto não é garantia de nada, ainda mais num mercado distorcido por imposto de importação.
Resposta direta: Começar a pedalar no Brasil custa a partir de cerca de R$ 1.300 a R$ 1.700 nos modelos de entrada, segundo a ABRACICLO (Mundo Bici, 2026). Os preços são inflados por importação, então a escolha racional vale mais que a etiqueta da marca.
Veja como escolher sem cair no marketing no guia das melhores bicicletas para iniciantes e na análise de se vale a pena comprar uma e-bike.
Por que o Brasil ainda não produz estrelas do WorldTour?
Essa é a pergunta incômoda. Apesar do crescimento de praticantes e mercado, o Brasil segue ausente do pelotão principal da estrada mundial, um contraste que vem sendo apontado como ponto crítico há temporadas (Giro do Ciclismo, 2026). O problema não é talento, é estrutura.
Faltam categorias de base fortes, calendário nacional robusto e, principalmente, uma ponte para a Europa. O ciclista brasileiro de estrada que sonha alto precisa, na prática, se mudar cedo para o exterior, algo que poucas famílias conseguem bancar.
Acompanhando o cenário de perto, vejo o mesmo padrão se repetir: surge um jovem promissor, brilha no nacional e some por falta de apoio para dar o salto. O MTB resiste melhor porque tem circuito mundial mais acessível e uma cultura de base mais consolidada no país.
Há iniciativas tentando mudar isso, como projetos de equipes WorldTour para garimpar talentos no Brasil. Mas transformar um país que ama assistir ao Tour num país que disputa o Tour é um trabalho de década, não de uma temporada.
Resposta direta: O Brasil não produz estrelas do WorldTour de estrada por falta de estrutura, não de talento. Sem base forte, calendário robusto e ponte para a Europa, o ciclista precisa emigrar cedo. O MTB resiste melhor por ter circuito mundial mais acessível e cultura de base consolidada.
Perguntas frequentes sobre o ciclismo no Brasil
O ciclismo está crescendo no Brasil?
Sim. A produção nacional de bicicletas chegou a 335.560 unidades em 2025, com e-bikes crescendo 144% (ABRACICLO, 2026). O número de praticantes também sobe, com participação feminina em alta e eventos amadores lotados.
Quem é o maior ciclista brasileiro da atualidade?
No mountain bike, Henrique Avancini é o principal nome, único a ser campeão brasileiro em todas as categorias, incluindo a elite (Bremstec, 2025). Na estrada, o país não tem representante no pelotão WorldTour em 2026.
Qual é o maior evento de ciclismo amador do Brasil?
O L’Étape Brasil by Tour de France, com três etapas em 2026 (Cunha, Serra Negra e Campos do Jordão). Cada etapa movimenta cerca de 5 mil pessoas (Bike aos Pedaços, 2026), e em 2025 a prova reuniu mais de 7 mil ciclistas.
Quanto custa uma bicicleta de entrada no Brasil?
A partir de cerca de R$ 1.300 para urbanas e R$ 1.700 para MTB recreacionais, segundo a ABRACICLO (Mundo Bici, 2026). Os preços são pressionados por importação e câmbio, o que torna a escolha racional mais importante que a marca.
Onde é melhor pedalar no Brasil?
Depende da modalidade. As serras do Sudeste, como Cunha e Campos do Jordão, lideram na estrada de montanha. Brasília se destaca na infraestrutura urbana, e o país tem destinos consagrados de mountain bike e cicloturismo em todas as regiões.
Conclusão: um país que ama a bike e ainda não se leva a sério
O ciclismo no Brasil em 2026 é um paradoxo. Tem mercado em alta, e-bike em disparada, eventos lotados e um público apaixonado que enche as ruas a cada transmissão do Tour. Os números de crescimento são reais e animadores.
Ao mesmo tempo, o país assiste ao alto rendimento de longe, sem estrutura para transformar paixão em pódio internacional na estrada. O talento existe, como o MTB prova. O que falta é levar a sério a base e a ponte para o mundo.
Os pontos que ficam:
- O mercado cresce, puxado pela e-bike, que subiu 144% em um ano.
- O praticante amador é o motor do esporte, com o L’Étape como vitrine.
- No alto rendimento, o MTB resiste e a estrada precisa de estrutura.
- Para pedalar, o Brasil tem rotas de sobra, das serras às cidades.
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