Quatro cores definem a hierarquia do Giro d’Italia. Rosa, ciclâmen, azul e branca. Cada uma tem um critério de pontuação específico, um patrocinador, um portador atual e, quase sempre, uma história que escapa do eixo da corrida em si. A maglia rosa virou rosa porque um jornal italiano usava papel cor-de-rosa em 1931. A maglia ciclamino sumiu por sete anos e voltou por demanda popular. A maglia azzurra trocou de cor para combinar com um banco patrocinador. A maglia bianca, a mais jovem das quatro, premia jovens, mas tem história curta e regras que poucos conhecem.
Este guia destrincha cada camisa do Giro d’Italia: como se ganha, quanto valem os pontos, quem foram os maiores nomes a vesti-las e por que cada cor faz sentido apenas no contexto da história italiana. Sem repetir clichê de transmissão e sem arredondar os números. A 109ª edição do Giro, que começa em maio de 2026 em Nessebar, na Bulgária, é uma boa razão para entender o que está em jogo a cada chegada de etapa.
Pontos-Chave
- A maglia rosa foi introduzida em 1931, 22 anos depois da primeira edição da corrida, e adotou a cor do papel da Gazzetta dello Sport, jornal organizador.
- A maglia ciclamino premia a classificação por pontos desde 1967 e voltou ao seu tom roxo característico em 2017 após sete anos de revival vermelho (Cyclingnews, 2017).
- A maglia azzurra, da classificação de montanha, mudou para azul em 2012 para combinar com o patrocinador Banca Mediolanum.
- A maglia bianca premia o melhor jovem com 25 anos ou menos e existe oficialmente apenas desde 2007.
- Apenas quatro ciclistas venceram rosa e branca no mesmo ano: Berzin, Quintana, Geoghegan Hart e Egan Bernal.
Para o contexto fundador da prova, vale revisitar a história completa do Giro d’Italia, do telegrama de Tullo Morgagni em 1908 até o domínio das equipes WorldTour atuais.

Por que a maglia rosa é a camisa mais famosa do ciclismo italiano?
A maglia rosa é a camisa do líder da classificação geral do Giro d’Italia, atribuída ao ciclista com o menor tempo cumulativo desde a largada. Ela foi criada em 1931, 22 anos depois da primeira edição da corrida, e adotou a cor do papel cor-de-rosa em que era impressa a Gazzetta dello Sport, jornal italiano que organiza a prova até hoje. O primeiro a vestir a camisa foi o italiano Learco Guerra, na segunda etapa daquele ano.
A escolha da cor não foi uma decisão estética. Foi um gesto de marca de propriedade. Em 1909, quando Tullo Morgagni convenceu seu editor a criar uma corrida que percorresse a península italiana, a Gazzetta dello Sport queria competir com o jornal francês L’Auto, que havia inventado o Tour de France seis anos antes. A maglia jaune do Tour saiu em 1919, com a cor amarela do papel do L’Auto. Doze anos depois, quando a Gazzetta resolveu copiar a ideia, fez o que era óbvio: pintou a camisa do líder com a cor do próprio jornal.
Sobre a maglia rosa: A camisa rosa do Giro d’Italia foi adotada em 1931 como reflexo direto da cor do papel da Gazzetta dello Sport, jornal organizador da corrida desde 1909. O primeiro portador foi o italiano Learco Guerra (giroditalia.it, 2024). A escolha respondia ao precedente da maglia jaune do Tour de France, criada em 1919 com a cor amarela do papel do L’Auto.
Há um detalhe que raramente aparece nos guias estrangeiros. Em 1931, com Mussolini consolidado no poder, a cor rosa não era unanimidade. O Duce considerava o tom feminino e pouco viril, segundo registros documentados por historiadores do ciclismo italiano. A escolha estética da Gazzetta sobreviveu à pressão fascista e virou o ícone que é hoje. Em uma corrida que sempre teve relação política complexa com o Estado italiano, a maglia rosa carrega esse traço de teimosia editorial.
Os portadores históricos da maglia rosa formam um trio de cinco vitórias cada um: o italiano Alfredo Binda, também italiano Fausto Coppi e o belga Eddy Merckx, apelidado de “O Canibal”. Merckx ainda detém o recorde de três vitórias consecutivas (1972, 1973, 1974). Em tempos recentes, Tadej Pogačar venceu em 2024 e Simon Yates levou a camisa para casa em 2025 após uma reviravolta histórica no Colle delle Finestre.
Vencedores 5x da maglia rosa: o clube fechado da história do Giro
Para a lista cronológica de todos os campeões desde 1909, consulte os vencedores do Giro d’Italia ano a ano.
Como o ciclista ganha tempo e perde tempo na disputa pela maglia rosa?
A maglia rosa premia o tempo cumulativo mais baixo, mas o sistema de bonificações altera essa conta de forma decisiva em etapas explosivas. Os três primeiros colocados nas chegadas de etapas de estrada recebem bonificações de 10, 6 e 4 segundos respectivamente. Os sprints intermediários, marcados como “abbuoni”, oferecem 6, 4 e 2 segundos para os três primeiros a passarem pelas linhas designadas. Em três semanas de corrida, esses segundos somam minutos.
Bonificações nem sempre existiram. Foram introduzidas e ajustadas ao longo das décadas como mecanismo para incentivar combatividade nas etapas planas e médias, em que o pelotão tende a controlar o ritmo até o sprint final. Sem bonificação, sprinters não disputam a classificação geral. Com bonificação, qualquer escalador que perde 10 segundos por dia em quatro etapas chega à última semana com déficit relevante.
Resposta direta: O líder da maglia rosa é definido pelo menor tempo cumulativo desde a largada. As bonificações em etapas e sprints intermediários (10/6/4 e 6/4/2 segundos) podem alterar a classificação por margens decisivas. Em 2025, Simon Yates ultrapassou Isaac del Toro na penúltima etapa, no Colle delle Finestre, fechando o Giro com vantagem de 3 minutos e 56 segundos (Cyclingnews, 2025).
O patrocinador atual da maglia rosa é a região italiana de Friuli Venezia Giulia, que ocupa o painel da camisa em todas as cerimônias de pódio. É um detalhe que escapa à maioria dos espectadores brasileiros: cada uma das quatro camisas do Giro tem um patrocinador específico, e essa parceria é renegociada em ciclos plurianuais entre a RCS Sport, organizadora da prova, e o investidor.
A diferença que esse sistema de bonificação produz fica clara quando se compara com etapas decididas em subidas brutais como o Stelvio ou o Mortirolo, em que segundos viram minutos em poucas rampas.
O que é a maglia ciclamino e por que ela sumiu por sete anos?
A maglia ciclamino é a camisa da classificação por pontos do Giro d’Italia, geralmente dominada por sprinters. A classificação por pontos foi criada em 1958, mas a primeira camisa específica só apareceu em 1967, em vermelho. O tom ciclâmen, uma cor que mistura roxo e rosa lembrando a flor homônima, virou a identidade visual da camisa em 1970 e se manteve até 2009. Foi descontinuada entre 2010 e 2016, quando voltou ao vermelho, e retornou ao ciclâmen em 2017 para a edição centenária da corrida.
A volta foi resposta direta a demanda dos fãs. A camisa vermelha não tinha tradição equivalente, e a RCS Sport reconheceu que a identidade visual do ciclâmen era um ativo de marca que valia preservar. O timing foi também simbólico: o Giro de 2017 marcou os 100 anos da prova, e a organização quis associar o aniversário à recuperação de um símbolo que havia se perdido por motivos comerciais ainda discutidos.
Sobre a maglia ciclamino: A camisa ciclâmen premia o líder da classificação por pontos do Giro d’Italia, criada em 1967 e recuperada em sua cor original em 2017 após sete anos como camisa vermelha. O patrocinador atual é a Italian Trade Agency, ligada à campanha Made in Italy. Mads Pedersen venceu a classificação em 2025 (Cyclingnews, 2025).
O sistema de pontuação varia conforme o tipo de etapa. Em etapas planas (categoria A) e acidentadas com chegada provável de sprint (categoria B), os 15 primeiros recebem pontos em escala decrescente: 50, 35, 25, 18, 14, 12, 10, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1. Etapas intermediárias (categoria C) pagam até o décimo colocado, começando em 25 pontos. Etapas de montanha (D e E) começam em 15 pontos e premiam apenas até o décimo. Os sprints intermediários acrescentam 12, 8, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 ponto para os oito primeiros a cruzarem as linhas.
Tabela de pontos da maglia ciclamino por categoria de etapa
| Posição | Etapa A/B (plana ou sprint) | Etapa C (intermediária) | Etapa D/E (montanha) | Sprint intermediário |
|---|---|---|---|---|
| 1º | 50 | 25 | 15 | 12 |
| 2º | 35 | 18 | 12 | 8 |
| 3º | 25 | 12 | 9 | 6 |
| 4º | 18 | 8 | 7 | 5 |
| 5º | 14 | 6 | 6 | 4 |
| 6º | 12 | 5 | 5 | 3 |
| 7º | 10 | 4 | 4 | 2 |
| 8º | 8 | 3 | 3 | 1 |
| 9º | 7 | 2 | 2 | – |
| 10º | 6 | 1 | 1 | – |
| 11º a 15º | 5 a 1 | – | – | – |
A diferença entre o sistema italiano e o francês importa. No Tour de France, a maillot vert quase sempre fica com sprinters como Mads Pedersen ou Mark Cavendish em sua era. No Giro, o sistema do ciclamino é mais “democrático”. Como etapas de montanha também distribuem pontos (mesmo que poucos), e como o Giro tem perfil mais montanhoso que o Tour, escaladores ocasionalmente brigam pela ciclamino. Pogačar venceu pontos e geral em 2024, feito raro de dupla classificação.
Para entender como o parcours específico de cada edição muda a disputa pelas camisas, vale comparar com o desenho do Giro d’Italia 2026, que tem oito etapas planas e cinco de alta montanha.
Por que a maglia azzurra mudou de verde para azul?
A maglia azzurra é a camisa da classificação de montanha do Giro, conhecida em italiano como “GPM” (Gran Premio della Montagna). A classificação foi criada em 1933, dois anos depois da maglia rosa, mas só ganhou camisa identificadora em 1974, quando estreou em verde. A mudança para azul aconteceu em 2012, quando o Banca Mediolanum assumiu o patrocínio da classificação e impôs a cor que combinava com sua identidade visual. É o caso mais explícito de marketing definindo a estética do Giro.
A escolha gerou estranheza inicial. Verde era a cor tradicional da classificação de montanha em corridas europeias, e a maglia verde do Tour de France já ocupava o nicho cromático para a classificação por pontos. A migração para azul deu ao Giro identidade própria, mas exigiu uma década até que a cor virasse parte da paisagem mental dos fãs.
Sobre a maglia azzurra: A camisa azul é o prêmio da classificação de montanha do Giro d’Italia, atribuída ao ciclista com mais pontos em subidas categorizadas. A cor mudou para azul em 2012 por imposição do patrocinador Banca Mediolanum. Lorenzo Fortunato venceu a classificação em 2025, e Tadej Pogačar acumulou rosa e azzurra em 2024 (Cycling Weekly, 2025).
A pontuação favorece subidas mais difíceis e mais altas. A escala completa por categoria mostra a hierarquia.
Pontuação da classificação de montanha (maglia azzurra)
| Tipo de cume | 1º | 2º | 3º | 4º | 5º | 6º | 7º | 8º | 9º |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Cima Coppi (ponto mais alto da corrida) | 50 | 30 | 20 | 14 | 10 | 6 | 4 | 2 | 1 |
| Chegada em subida de 1ª categoria | 50 | 24 | 16 | 9 | 6 | 4 | 2 | 1 | – |
| Subida de 1ª categoria (sem chegada) | 40 | 18 | 12 | 9 | 6 | 4 | 2 | 1 | – |
| Subida de 2ª categoria | 18 | 8 | 6 | 4 | 2 | 1 | – | – | – |
| Subida de 3ª categoria | 9 | 4 | 2 | 1 | – | – | – | – | – |
| Subida de 4ª categoria | 3 | 2 | 1 | – | – | – | – | – | – |
A Cima Coppi merece nota separada. É o ponto mais alto de cada edição do Giro, em homenagem a Fausto Coppi, e os pontos extras refletem essa hierarquia. Em parcours com subidas como o Stelvio (2.758 m) ou o Gavia (2.621 m), a disputa pelo prêmio é tática: ciclistas que querem a maglia azzurra precisam estar atentos à etapa específica do ano, porque um único cume pode valer 50 pontos.
Para o panorama dos cumes que mais marcam a maglia azzurra, vale revisitar as subidas mais brutais já incluídas no Giro, do Stelvio ao Zoncolan.
A maglia bianca premia jovens, mas existe há quanto tempo?
A maglia bianca é a camisa do melhor jovem ciclista do Giro d’Italia, atribuída ao corredor com 25 anos ou menos no início da corrida que tenha o melhor tempo cumulativo na classificação geral. A versão atual da camisa, com regulamento estável, existe oficialmente apenas desde 2007. É a mais jovem das quatro camisas principais do Giro. O patrocinador atual é a rede de supermercados CONAD, parceria que se renova periodicamente.
A regra dos 25 anos é mais permissiva do que a do Tour de France, que adota o mesmo limite. Na prática, as duas grandes voltas usam o mesmo critério, e a maglia bianca funciona como classificação geral paralela para a próxima geração de candidatos a vencedor de Grande Volta. Quem domina a maglia bianca em uma edição costuma ser candidato à maglia rosa nas seguintes.
Sobre a maglia bianca: A camisa branca premia o melhor ciclista com 25 anos ou menos na classificação geral do Giro d’Italia, em vigor desde 2007. Apenas quatro ciclistas venceram rosa e branca no mesmo ano: Evgeni Berzin (1994), Nairo Quintana (2014), Tao Geoghegan Hart (2020) e Egan Bernal (2021). Isaac del Toro venceu a bianca em 2025 aos 21 anos.
Acompanhei a transmissão da etapa 20 do Giro 2025 ao vivo, e quando Simon Yates atacou no Colle delle Finestre, a primeira reação foi olhar para del Toro. O mexicano já vestia a rosa há 12 etapas e estava prestes a ser engolido por uma mudança que alterou as três classificações simultaneamente. A maglia bianca, que parecia decidida desde a primeira semana, virou troféu de consolação para del Toro, segundo no geral aos 21 anos. É o tipo de cena em que as quatro camisas conversam entre si, e quem entende a hierarquia oficial vê dois eventos onde a transmissão narrava só um.
A maglia bianca tem dupla função estatística e narrativa. Estatisticamente, ela mede a renovação do pelotão. Narrativamente, ela cria a moldura para o “fenômeno”, aquele jovem que aparece na corrida como revelação inesperada. Isaac del Toro em 2025 é o exemplo mais recente: liderou a maglia rosa por 12 etapas antes de ser ultrapassado por Simon Yates na penúltima jornada, mas garantiu a bianca e o segundo lugar geral, projetando-se como candidato a Grande Volta para os próximos cinco anos.
A história da maglia bianca tem uma falha curiosa: a camisa existiu de 1976 a 1995, foi descontinuada por 11 anos, e só voltou em 2007. Vencedores entre 1976 e 1995 incluem nomes que viraram lendas, como Francesco Moser e Gianni Bugno, mas o registro oficial da RCS Sport considera a versão moderna como a “definitiva”. Berzin é o único vencedor da era anterior incluído no clube dos quatro duplos rosa-branca.
A linha histórica completa, com todos os campeões da maglia rosa e da maglia bianca, está catalogada em nosso registro de vencedores do Giro d’Italia.
E quando um ciclista lidera duas classificações ao mesmo tempo?
Existe uma hierarquia oficial de prioridade entre as quatro camisas do Giro d’Italia. Quando um único ciclista lidera mais de uma classificação simultaneamente, ele veste a camisa de maior prioridade na ordem rosa, ciclamino, azzurra, bianca. As outras camisas são vestidas pelo segundo colocado da classificação respectiva durante a etapa do dia. A regra evita a situação visual confusa de um ciclista usando duas camisas, mas mantém todas as classificações representadas na largada.
A regra também tem implicação cerimonial. Em 2024, Tadej Pogačar venceu a maglia rosa e a maglia azzurra, mas vestiu a rosa em todas as etapas em que liderou as duas. O segundo colocado da classificação de montanha vestiu a azzurra durante o Giro inteiro, mesmo sem ser o “real” líder da disputa. A foto oficial do pódio final mostra Pogačar com as duas camisas, uma sobre o ombro.
Resposta direta: A hierarquia oficial das camisas do Giro d’Italia é, em ordem de prioridade: maglia rosa, maglia ciclamino, maglia azzurra e maglia bianca. Se um único ciclista lidera mais de uma classificação, ele veste a de maior prioridade. As demais camisas são usadas pelo segundo colocado de cada classificação durante as etapas, mantendo todas as disputas visíveis no pelotão (Cycling Weekly, 2025).
A escolha de prioridade segue lógica: a maglia rosa é o título principal da corrida, a ciclamino premia consistência ao longo das três semanas, a azzurra recompensa especialização nas montanhas e a bianca é uma classificação derivada da geral. Faria pouco sentido inverter qualquer um desses critérios.
Quais são os outros prêmios que pouca gente acompanha no Giro?
O Giro d’Italia distribui prêmios que vão muito além das quatro camisas principais. A Cima Coppi, em homenagem a Fausto Coppi, premia o primeiro ciclista a passar pelo ponto mais alto da edição. A Montagna Pantani, em homenagem a Marco Pantani, é atribuída em outra subida emblemática a cada ano. O prêmio de Combatividade é decidido por votação pública via QR code, premiando o ciclista que “nunca desistiu, atacou e tornou a corrida mais emocionante”, segundo definição oficial.
A Fuga Pinarello reconhece o ciclista que passa mais tempo em fugas validadas (grupos de menos de 10 corredores que cobrem ao menos 5 km à frente do pelotão). A Super Team é definida pela soma de tempos dos três melhores ciclistas de cada equipe em todas as etapas. O Fair Play vai à equipe com menor número de penalidades acumuladas no regulamento técnico.
Sobre os prêmios paralelos do Giro: Além das quatro camisas, o Giro d’Italia distribui prêmios como Cima Coppi (ponto mais alto), Montagna Pantani, Combatividade (votação por QR code), Fuga Pinarello (mais tempo em escapadas), Super Team (soma de tempos por equipe) e Fair Play (menor penalização). São reconhecimentos cerimoniais que enriquecem a narrativa da prova (Giro d’Italia, 2025).
O prêmio de Combatividade, decidido por voto popular, mudou de natureza nos últimos anos. Quando era escolhido por júri técnico, premiava ciclistas com performance objetiva: tempo em fuga, ataques decisivos, recuperação de tempo. Com a votação pública, a métrica se tornou parcialmente popular: ciclistas com base de fãs maior tendem a vencer, mesmo quando outros corredores tiveram performances combativas mais relevantes. É uma decisão de marketing que privilegia engajamento sobre rigor esportivo. Não é necessariamente errado, mas vale conhecer a regra antes de tirar conclusão sobre quem foi “o mais combativo” do Giro.
Para acompanhar a votação ao vivo e a transmissão das etapas, organizamos um guia de onde assistir ao Giro d’Italia 2026 no Brasil com canais e plataformas de streaming.
O que esperar das camisas no Giro d’Italia 2026?
A 109ª edição do Giro d’Italia começa em 8 de maio de 2026 em Nessebar, na Bulgária, e termina em 31 de maio em Roma. É a primeira vez que a corrida começa em território búlgaro, o décimo segundo país estrangeiro a hospedar a Grande Partenza. O parcours total é de 3.468 km com 48.764 metros de desnível acumulado, distribuídos entre 1 contrarrelógio individual, 8 etapas planas, 7 etapas acidentadas e 5 etapas de alta montanha.
As quatro camisas mantêm regulamento e patrocínios, ressalvadas eventuais renegociações que a RCS Sport sempre mantém em estágio confidencial até a apresentação oficial da prova. Friuli Venezia Giulia segue na maglia rosa, Italian Trade Agency na ciclamino, Banca Mediolanum na azzurra e CONAD na bianca, conforme a configuração da edição anterior.
Sobre o Giro 2026: A 109ª edição do Giro d’Italia acontece de 8 a 31 de maio de 2026, com 3.468 km de extensão, 48.764 m de desnível e largada inédita em Nessebar, Bulgária. As quatro camisas mantêm critérios estabelecidos: rosa para classificação geral, ciclamino para pontos, azzurra para montanha e bianca para melhor jovem até 25 anos (Giro d’Italia, 2026).
O parcours de 2026 é interessante para a disputa das quatro camisas. Apenas um contrarrelógio individual reduz a vantagem clássica de especialistas no formato e abre espaço para que escaladores puros disputem a maglia rosa até a última semana. Oito etapas planas garantem volume de pontos para sprinters na ciclamino. Cinco etapas de alta montanha concentram a maglia azzurra em uma janela curta, o que tende a produzir disputa intensa em poucas chegadas. E o nível dos jovens, com Isaac del Toro retornando como vice de 2025 e Jonas Vingegaard estreando no Giro como aposta tática para o Tour 2026, promete reabrir a discussão sobre os limites da geração atual.
Vale lembrar que a edição feminina do Giro 2026 usa o mesmo regulamento de camisas, com adaptações específicas, e tem cobertura ampliada nesta temporada.
Perguntas frequentes sobre as camisas do Giro d’Italia
Por que a camisa do líder do Giro d’Italia é rosa?
A maglia rosa adotou a cor em 1931 como referência ao papel cor-de-rosa em que era impressa a Gazzetta dello Sport, jornal italiano que organiza a corrida desde 1909. A escolha respondia ao precedente da maglia jaune do Tour de France, que adotou amarelo em 1919 pelo papel do jornal L’Auto. O primeiro a vestir a camisa foi Learco Guerra.
O que significa cada camisa do Giro d’Italia?
São quatro camisas oficiais. A maglia rosa premia o líder da classificação geral por tempo. A maglia ciclamino é da classificação por pontos, geralmente dominada por sprinters. A maglia azzurra é da classificação de montanha, baseada em pontos em subidas categorizadas. A maglia bianca é do melhor jovem ciclista com 25 anos ou menos.
Por que a maglia azzurra é azul e não verde?
A classificação de montanha do Giro foi criada em 1933 e teve camisa verde a partir de 1974. A cor mudou para azul em 2012 quando o Banca Mediolanum assumiu o patrocínio e impôs uma identidade visual compatível com sua marca. Foi uma decisão comercial, não esportiva, e levou alguns anos para se consolidar na percepção dos fãs.
Quantos pontos vale a Cima Coppi?
A Cima Coppi, ponto mais alto de cada edição do Giro, distribui 50 pontos para o primeiro a passar, 30 para o segundo, 20 para o terceiro, e segue em escala decrescente até o nono colocado. É o cume com maior pontuação da classificação de montanha e pode definir a maglia azzurra em uma única etapa, dependendo do parcours.
Quem ganhou as quatro camisas do Giro d’Italia 2025?
Na edição de 2025, Simon Yates venceu a maglia rosa após reviravolta histórica no Colle delle Finestre. Mads Pedersen levou a maglia ciclamino. Lorenzo Fortunato venceu a maglia azzurra na classificação de montanha. Isaac del Toro, segundo colocado geral, garantiu a maglia bianca aos 21 anos.
Existe maglia rosa no Giro d’Italia Feminino?
Sim. O Giro d’Italia Women, antigo Giro Donne, também usa a maglia rosa para a líder da classificação geral. As classificações paralelas seguem padrão similar ao masculino, com adaptações de regulamento. A edição de 2026 é considerada uma das mais ambiciosas da história da prova feminina, com aumento de patrocínio e cobertura televisiva (detalhes do Giro Feminino 2026).
As camisas como leitura da identidade do Giro
As quatro camisas do Giro d’Italia são mais do que sinalização visual. Elas contam a história editorial, comercial e cultural da corrida. A rosa carrega a teimosia do jornal organizador. A ciclamino mostra como demanda popular pode reverter decisão comercial. A azzurra prova que patrocinadores moldam a estética do esporte. A bianca espelha a renovação contínua do pelotão e cria narrativa para a próxima geração.
Acompanhar o Giro com atenção às quatro classificações é uma forma de ler a corrida em camadas. O ciclista que vence a maglia rosa ganha o título e o destaque histórico. Mas a disputa pelas outras três camisas conta o resto da história: quem foi o sprinter mais consistente, quem dominou as montanhas, quem é o jovem mais promissor da temporada. Em três semanas, todas essas narrativas se entrelaçam, e o Giro vira o que é: a Grande Volta com mais texturas do calendário internacional.
Para quem vai acompanhar o Giro d’Italia 2026 a partir de maio, esta é a primeira lente. Saber por que cada camisa tem aquela cor, qual é o critério de pontuação e quem foram os portadores históricos transforma a transmissão. Não é mais só “o cara de rosa lidera a corrida”. É “o cara de rosa lidera a corrida que começou em 1909 e adotou essa cor por causa de um jornal italiano em 1931”. A diferença é a profundidade da experiência.
Para se aprofundar no contexto fundador da prova, recomendamos a leitura de nosso guia sobre a história do Giro d’Italia desde 1909, que cobre os bastidores da criação da corrida pela Gazzetta dello Sport.





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