Três corridas. Três vitórias. Doze Monumentos na carreira. E um único nome piscando no placar da história como se pedisse licença para reescrevê-la: Pogačar Monumentos 2026 virou o termo que ninguém consegue parar de digitar, repetir, discutir. O esloveno de 27 anos está a uma pedra — literalmente, nos paralelepípedos do norte da França — de fazer algo que Eddy Merckx não fez. Que Roger De Vlaeminck não fez. Que nenhum ser humano sobre duas rodas fez desde que o ciclismo existe.
Vencer os cinco Monumentos numa temporada.
Quem acompanha ciclismo há tempo suficiente sabe que esse tipo de frase costuma vir acompanhada de um asterisco, uma ressalva, um “mas”. Pois bem — o asterisco sumiu. Depois de Strade Bianche, Milan-San Remo e Tour de Flandres em sequência, Pogačar transformou a possibilidade remota em cenário plausível. E quando o mais completo ciclista do planeta pisa no acelerador desse jeito, a pergunta muda. Não é mais “ele consegue?” — é “alguém consegue impedir?”
Senta que a história é longa. E bonita. E ainda não acabou.
Cinco Corridas, Um Século de Impossível
Milan-San Remo. Tour de Flandres. Paris-Roubaix. Liège-Bastogne-Liège. Il Lombardia. Cinco nomes que, juntos, formam a espinha dorsal do ciclismo de um dia — as corridas mais antigas, mais brutais e mais prestigiadas do calendário. Cada uma com terreno próprio, clima próprio, cultura própria. Ganhar uma já garante que o sujeito conte a história pros netos. Ganhar as cinco ao longo de uma carreira coloca o cara num clube com três membros: Merckx, De Vlaeminck e Rik Van Looy.
Agora, ganhar as cinco na mesma temporada? Olha, nem Merckx tentou isso de verdade. O Canibal — o sujeito que devorava tudo o que via pela frente entre 1966 e 1978, acumulando 19 vitórias em Monumentos — nunca conseguiu alinhar forma, calendário e sorte num único ano. Sabe por quê? Porque o ciclismo moderno empurrou os atletas para a especialização. Sprinters dominam San Remo. Flandrianos controlam Flandres e Roubaix. Escaladores brilham nas Ardenas e na Lombardia. A ideia de um corredor universal, capaz de vencer em paralelepípedos e montanhas com igual competência, tinha sido declarada extinta.
Tadej Pogačar não leu o obituário.
O esloveno compete numa categoria que parece ter sido inventada para ele: a do ciclista que não aceita limites de terreno. Quatro Tours de France, um Giro d’Italia, dois títulos mundiais, e agora quatro dos cinco Monumentos do ciclismo no palmarés. Só falta Roubaix — justamente a corrida que mais castiga quem não nasceu nos paralelepípedos.
Quem reina nos Monumentos — a tabela que Pogačar está reescrevendo
| Ciclista | Vitórias em Monumentos | Monumentos diferentes vencidos | Período |
|---|---|---|---|
| Eddy Merckx | 19 | 5 de 5 | 1966–1976 |
| Tadej Pogačar | 12 | 4 de 5 | 2021–2026 |
| Roger De Vlaeminck | 11 | 5 de 5 | 1970–1979 |
| Rik Van Looy | 8 | 5 de 5 | 1958–1967 |
| Mathieu van der Poel | 8 | 3 de 5 | 2020–2025 |
Pogačar ultrapassou De Vlaeminck em abril de 2026. Aos 27 anos. Merckx, quando tinha essa idade, somava 10 Monumentos. A comparação arrepia — e ainda é cedo pra saber onde ela termina.
2026: Três Corridas, Três Obras-Primas
Strade Bianche — 78 km sozinho, como quem sai pra pedalar no domingo
7 de março. Toscana seca, poeira branca grudando na pele, sol de início de primavera. Pogačar chegou à Strade Bianche como quem chega na primeira aula do semestre — descansado, bronzeado, perigoso. Era sua estreia na temporada. Ninguém esperava um ataque a 78 km da chegada. Bom, ninguém exceto os companheiros de treino que tinham visto os números durante o inverno.

No setor de Monte Sante Marie — o mesmo trecho de terra onde ele havia decolado em 2024 —, a equipe UAE montou a rampa de lançamento. Florian Vermeersch puxou, depois Jan Christen explodiu o pelotão, e Pogačar simplesmente disparou. O francês Paul Seixas, de 19 anos, tentou segurar a roda por alguns segundos agonizantes antes de estourar. Velocidade média recorde: 42,7 km/h. Quarto título na prova — ninguém havia conseguido antes. A margem sobre o segundo colocado foi de um minuto.
Declaração de intenções. Tipo aquele jogador que faz hat-trick no primeiro jogo do campeonato.
Milan-San Remo — o quadro trincou, a lenda não
22 de março. Quase 300 km entre Milão e a Via Roma de San Remo. A corrida mais longa do calendário e, historicamente, a que mais escapa do controle de favoritos. Pogačar já tinha tentado quatro vezes. Terceiro em 2024. Terceiro em 2025. A Classicissima resistia.
Aí, faltando 6 km para a Cipressa, veio a queda. Pogačar no asfalto, skinsuit rasgado, sangue no cotovelo esquerdo. O pelotão seguiu. A câmera mostrou Vermeersch e Felix Großschartner puxando o líder de volta. E o que aconteceu depois entra direto no panteão das cenas que não se esquecem: Pogačar escalou a Cipressa em 8 minutos e 49 segundos — mais rápido do que no ano anterior, quando não havia caído. Passou pelo Poggio com Tom Pidcock na roda. E na Via Roma, num sprint a dois que durou uma eternidade comprimida em 200 metros, venceu por 4 centímetros.
Quatro centímetros. Meia roda. E detalhe: com quadro trincado e freio a disco roçando desde a queda. “Quando caí, por um segundo achei que tinha acabado”, disse Pogačar com os olhos molhados na zona mista. Não acabou. Estava apenas começando.
Tour de Flandres — a lei do mais forte, a 650 watts
5 de abril. Oudenaarde, Bélgica. 278 km de muros, paralelepípedos e meio milhão de flamengos encharcados de cerveja. O Tour de Flandres 2026 tinha tudo para ser a edição em que Mathieu van der Poel tomaria o recorde de quatro vitórias. Em vez disso, virou a edição em que Van der Poel pediu arrego — ou, nas palavras dele: “Eu estava pedalando a 650 watts e mesmo assim não consegui acompanhar.”
Topo do Oude Kwaremont, última passagem. A câmera da moto treme nos paralelepípedos. Pogačar levanta da sela, boca escancarada, e acelera na parte mais íngreme como se o muro não existisse. Van der Poel olha o potenciômetro: 650 watts. Olha pra frente: a camisa arco-íris de Pogačar encolhe. Seis segundos de vantagem no topo. Treze no Paterberg. Trinta e quatro na linha de chegada. O holandês deu absolutamente tudo. E tudo não bastou.
Pogačar despachou Remco Evenepoel — estreante em clássicas de paralelepípedos, impressionante terceiro colocado — no Paterberg. Depois isolou Van der Poel na última escalada do Kwaremont e chegou sozinho em Oudenaarde. Terceira vitória na corrida, recorde igualado. Décimo segundo Monumento. Van der Poel chamou o rival de “fenômeno” e ninguém discordou.
Três corridas em 2026. Três vitórias. Quatro Monumentos consecutivos contando o Il Lombardia do ano anterior. E uma única lacuna no currículo: Paris-Roubaix.
O Inferno do Norte: Paris-Roubaix Como Juiz Final
Quinze quilômetros de pavê 5 estrelas espalhados num percurso de 258 km. Trinta setores de paralelepípedos que chacoalham quadro, guidão, dentes e alma. Um velódromo centenário esperando no fim, sob poeira ou lama — depende do humor do norte da França naquele abril. Paris-Roubaix não se parece com nenhuma outra corrida no planeta. E é exatamente por isso que ela pode ser o muro que Pogačar não consegue escalar.
Rapaz, o problema começa no biotipo. Pogačar pesa cerca de 66 kg. Os campeões históricos de Roubaix — Tom Boonen, Fabian Cancellara, o próprio Van der Poel — pesam entre 75 e 85 kg. Massa corporal absorve impacto. Em paralelepípedos irregulares a 45 km/h, cada quilo a menos é uma vibração a mais nos braços, nos ombros, na coluna. A literatura em fisiologia do exercício demonstra que a vibração induzida por superfícies irregulares durante o pedal aumenta drasticamente a ativação muscular dos membros superiores — músculos que, num pedal normal, quase não trabalham. Depois de 55 km de pavê, o corpo cobra um custo energético desproporcional. Para um escalador leve como Pogačar, o preço é ainda mais alto.
E tem o fator experiência. Em 2025, na sua estreia em Roubaix, Pogačar chegou à reta final junto com Van der Poel — e errou uma curva a 40 km do velódromo. Não foi uma queda espetacular, mas abriu a brecha que o holandês aproveitou sem hesitar. Segundo lugar. Lição dolorosa. E o tipo de experiência que, em Roubaix, vale mais que qualquer dado de potência.
O percurso 2026 e os monstros que esperam
A edição 2026 da Paris-Roubaix traz 258,3 km e 30 setores de paralelepípedos totalizando 54,8 km de pedra. A novidade está nos primeiros setores: os organizadores concentraram quatro deles em rápida sucessão, quase sem asfalto entre um e outro, criando uma densidade de pavê que pode fragmentar o pelotão antes mesmo da Trouée d’Arenberg.
Os setores decisivos continuam os mesmos: Trouée d’Arenberg (5 estrelas, 2.400 m, a floresta onde sonhos morrem), Mons-en-Pévèle (5 estrelas, 3.000 m, o juiz dos 50 km finais) e Carrefour de l’Arbre (5 estrelas, 2.100 m, a última rampa de lançamento antes do velódromo). Quem sai do Carrefour na frente costuma entrar sozinho na pista de Roubaix. Quem sai atrás, corre atrás de fantasmas.
7h da manhã no Brasil. Café na mão, transmissão aberta no celular apoiado na mesa da cozinha. Na tela, Pogačar entra no setor de Carrefour de l’Arbre. A câmera da moto treme. Os paralelepípedos sacodem o quadro, o guidão, o corpo inteiro. Lama no rosto, boca aberta. Van der Poel na roda, dois metros atrás — ou na frente, depende do segundo. A casa está em silêncio. O café esfria. Ninguém percebe.
A equipe UAE Team Emirates-XRG investiu pesado nesse cenário. Florian Vermeersch — belga, flamengo, criado nos paralelepípedos — é o gregário de luxo que pode fazer a diferença nos últimos 80 km. Pogačar treinou especificamente para os pavês durante o inverno, reconheceu trechos do percurso e testou configurações de bike com pneus de 30-32mm a pressões baixíssimas. “Colocamos muito esforço neste inverno para Roubaix”, disse o esloveno antes de Flandres. “A motivação está alta e a pressão, baixa — como os pneus.”
Roubaix, porém, tem um detalhe que nenhum treino elimina: a sorte. Furos, quedas, mecânicas. Um paralelepípedo solto no setor errado pode acabar com meses de preparação em três segundos. É a corrida onde o mais forte nem sempre vence — e onde o mais preparado às vezes volta de mãos vazias.
Quem Pode Impedir a História? Os Rivais, os Azarões e os Cenários
Van der Poel: o dono da casa quer a quarta chave
Mathieu van der Poel venceu a Paris-Roubaix três vezes seguidas — 2023, 2024, 2025. Tricampeão. Se vencer a quarta, iguala o recorde histórico de De Vlaeminck e Boonen. Nos paralelepípedos, o holandês é soberano: pesa mais, absorve melhor o impacto, domina a técnica de posicionamento e tem a frieza de quem cresceu pedalando ciclocross na lama belga. É o antagonista perfeito para a narrativa de Pogačar — e talvez o único capaz de impedi-lo.
Mas Flandres deixou marcas. Van der Poel admitiu que deu o melhor de si e perdeu. A confiança que Pogačar ganha quando vence é a mesma que Van der Poel perde quando não vence. Roubaix é terreno diferente — sem muros, sem escaladas decisivas —, mas a sombra psicológica do Kwaremont vai estar lá, flutuando sobre cada setor de pavê.
Van Aert, Pedersen, Ganna — os coringas do pavê
Wout van Aert voltou forte em 2026 — quarto em Flandres, combativo no Dwars door Vlaanderen. Em Roubaix, o belga é sempre ameaça: potência bruta, experiência nos paralelepípedos e um faro tático que poucos igualam. Mads Pedersen mostrou que ainda tem pernas depois de uma temporada conturbada por lesão. E Filippo Ganna, o cronometrista italiano da Ineos, aparece como candidato sério — seu perfil de potência pura e alta velocidade sustentada encaixa como luva no DNA de Roubaix.
E depois de Roubaix? Liège e Lombardia
Se Pogačar vencer Roubaix no dia 12 de abril, a história não acaba — ela escala. A Liège-Bastogne-Liège vem duas semanas depois (26 de abril), e ali Pogačar é francamente favorito. Três vitórias na carreira, terreno de escalador-puncheur, percurso que favorece quem ataca na Redoute e não olha pra trás. Evenepoel é a principal ameaça nas Ardenas — mas o belga teria que superar não só as pernas de Pogačar como a aura de invencibilidade que ele carrega nesta temporada.
O Il Lombardia fecha a conta em 10 de outubro. A Corrida das Folhas Mortas. Pogačar ganhou as últimas cinco edições seguidas — igualando o recorde de Fausto Coppi. Perguntar se ele pode ganhar a sexta soa quase retórico. O terreno de Como a Bérgamo é esculpido para escaladores. Se Pogačar chegar a outubro com saúde, a Lombardia é quase certeza matemática.
Ou seja: a caçada pelos cinco Monumentos em 2026 passa por uma batalha (Roubaix), um confronto favorável (Liège) e uma formalidade histórica (Lombardia). Tudo depende do dia 12 de abril. Exagero? Pode ser. Mas os números de Pogačar em 2026 sugerem que o exagero é a única escala que ainda cabe.
Merckx, De Vlaeminck, Van Looy — E Agora Pogačar?
Rik Van Looy foi o primeiro. O Imperador de Herentals completou a coleção dos cinco Monumentos entre 1958 e 1967 — numa era em que as equipes tinham seis corredores e os mecânicos usavam chave inglesa. Van Looy era sprinter e clássicista numa época em que sprinters não venciam nas Ardenas. Levou oito Monumentos na carreira e abriu o caminho que os outros seguiriam.
Depois veio Merckx. O Canibal. Dezenove Monumentos. Cinco Tours. Tudo o que o ciclismo tinha, ele comeu. Merckx não se especializava porque não precisava — ganhava de sprinters no sprint, de escaladores na montanha, de clássicistas nos paralelepípedos. Quando lhe perguntavam por que corria tantas provas, ele respondia: “Porque elas existem.”
De Vlaeminck — Monsieur Paris-Roubaix, quatro vezes campeão no Inferno — fechou o trio dos completos. Corredor elegante, técnico nos pavês como poucos, dono de um instinto de posicionamento que parecia sobrenatural. Onze Monumentos. Pogačar o ultrapassou em Flandres. E tem 27 anos.
Nenhum deles, repito, fez os cinco na mesma temporada. A especialização crescente do ciclismo moderno — sprinters puros em San Remo, tanques de guerra em Roubaix, escaladores nas Ardenas — transformou o feito em miragem. Quem vencia em Flandres não tinha pernas para a Lombardia. Quem dominava Liège não aguentava os paralelepípedos. E aí apareceu um esloveno de Komenda que, pelo visto, não recebeu o memorando.
O Despertar de Madrugada: Guia do Fã Brasileiro
Olha, se você está lendo isso de Belo Horizonte, de Porto Alegre, de Belém — este conteúdo é pra você. Pra quem coloca o despertador num domingo de abril, prepara café antes do sol nascer e abre a transmissão no celular com o volume baixo pra não acordar ninguém. O ciclismo de clássicas acontece na madrugada brasileira, e quem acompanha sabe que esse ritual solitário é parte da experiência.
Horários e transmissão dos Monumentos restantes (horário de Brasília / GMT-3)
| Monumento | Data | Largada (BRT) | Chegada estimada (BRT) |
|---|---|---|---|
| Paris-Roubaix | Domingo, 12/04 | ~5h50 | ~11h30 |
| Liège-Bastogne-Liège | Domingo, 26/04 | ~5h15 | ~11h00 |
| Il Lombardia | Sábado, 10/10 | ~5h30 | ~11h30 |
Onde assistir? A cobertura mais acessível no Brasil passa pelo Max (antigo HBO Max), que distribui conteúdo esportivo via Eurosport/Discovery e tem transmissão confirmada de Paris-Roubaix. O GCN+ (Global Cycling Network) cobre as principais clássicas com comentários técnicos de ex-ciclistas. O ESPN aparece em listas internacionais de broadcasters. Para quem não consegue ver ao vivo, o CyclingNews e o FirstCycling oferecem cobertura texto em tempo real, setor por setor — dá pra acompanhar no ônibus, no intervalo do trabalho, no celular debaixo da mesa.
Domingo de Roubaix. Cinco e meia da manhã, o alarme toca em algum apartamento de Curitiba. Pé no chão frio, cafeteira ligada, gato olhando com cara de julgamento. A TV acende — ou o notebook, ou o celular com a tela rachada. Lá fora, o Paraná ainda dorme. Aqui dentro, 180 corredores saem de Compiègne sob um céu cinza. E por cinco horas, o mundo inteiro cabe naquela transmissão. Cada setor de pavê, cada queda, cada furo que pode mudar a história. Quando Pogačar entrar no velódromo — se entrar —, o café já vai ter esfriado há muito tempo. E ninguém vai ter percebido.
Quem acompanha ciclismo no Brasil pertence a uma tribo pequena e barulhenta. Não tem estádio, não tem bandeirão, não tem hino antes da corrida. Tem madrugada, café e uma tela pequena com imagens granuladas de estradas europeias. E tem algo que nenhum outro esporte oferece da mesma forma: a sensação de estar testemunhando algo histórico em tempo real, sozinho na cozinha, enquanto o resto do país dorme. Se Pogačar completar os cinco Monumentos, quem viu vai lembrar exatamente onde estava. Tipo gol do Ghiggia em 50 — só que ao contrário, e com bicicleta.
O Último Quilômetro
Existe algo perturbador na naturalidade com que Pogačar desmonta recordes. Não há sofrimento encenado, não há drama fabricado. Ele ataca a 78 km do fim e chega sorrindo. Cai a 6 km da Cipressa e vence por 4 centímetros. Escala o Kwaremont com a boca aberta e o mundo atrás. Depois diz que está “mais do que feliz” e que vai “tentar aproveitar os paralelepípedos”. É como assistir alguém resolver um cubo mágico: a dificuldade é real, mas o sujeito faz parecer que não existe.
O ciclismo é um esporte que venera o sofrimento. Paris-Roubaix, em particular, cultua a dor como nenhuma outra corrida — é o lugar onde heróis chegam sangrando e campeões choram abraçados à bicicleta no velódromo. Pogačar não encaixa nesse molde. Ele não sofre do jeito que o ciclismo espera. Não dramatiza. Não desmorona. Ele simplesmente pedala mais forte que todo mundo, com aquele sorriso estranho de quem sabe algo que os outros não sabem.
E talvez seja exatamente isso o que torna a caçada pelos cinco Monumentos tão fascinante. Não é a vitória provável que prende — é a possibilidade do fracasso improvável. Roubaix é a única corrida no calendário capaz de derrotar Pogačar sem que ele cometa um erro. Um furo no setor errado, uma queda na Arenberg, uma roda presa na lama de Mons-en-Pévèle. O Inferno não respeita currículo.
Domingo, 12 de abril. Compiègne a Roubaix. 258 km e trinta setores de paralelepípedos entre um homem e a história. Acorde cedo. Passe um café. E assista — porque, se acontecer, você vai querer contar que viu.
Perguntas Frequentes
Quais são os 5 Monumentos do ciclismo?
Os cinco Monumentos do ciclismo são as corridas de um dia mais prestigiadas e antigas do calendário: Milan-San Remo (Itália, março), Tour de Flandres (Bélgica, abril), Paris-Roubaix (França, abril), Liège-Bastogne-Liège (Bélgica, abril) e Il Lombardia (Itália, outubro). Cada uma testa habilidades diferentes — sprint, paralelepípedos, escalada, resistência — e vencer todas as cinco ao longo de uma carreira é feito restrito a apenas três ciclistas na história. Pogačar Monumentos 2026 pode ser o quarto.
Pogačar pode vencer os 5 Monumentos em 2026?
A possibilidade é real. Pogačar venceu Strade Bianche, Milan-San Remo e Tour de Flandres nas três primeiras corridas de 2026, e já possui vitórias em Liège-Bastogne-Liège e Il Lombardia em temporadas anteriores. Para completar os Monumentos 2026, falta apenas a Paris-Roubaix (12 de abril). Se vencer, será o primeiro a conquistar os cinco numa única temporada — feito que nem Merckx conseguiu. O principal obstáculo é o perfil da corrida, que favorece ciclistas mais pesados e onde a sorte tem peso decisivo.
Quando é Paris-Roubaix 2026?
A Paris-Roubaix 2026 acontece no domingo, 12 de abril de 2026. A largada está prevista para as 10h50 no horário da Europa Central (CEST), o que equivale a aproximadamente 5h50 no horário de Brasília. A chegada ao velódromo de Roubaix é esperada por volta das 11h30 BRT. São 258,3 km e 30 setores de paralelepípedos. Pogačar chega como candidato ao feito histórico de completar os cinco Monumentos na mesma temporada.
Onde assistir os Monumentos do ciclismo no Brasil?
No Brasil, os Monumentos do ciclismo podem ser acompanhados pelo Max (via Eurosport/Discovery), pelo GCN+ (Global Cycling Network) e pelo ESPN, dependendo da corrida. O GCN+ oferece cobertura completa com comentários técnicos, mas pode exigir VPN em algumas regiões. Para acompanhamento em tempo real sem vídeo, o CyclingNews e o FirstCycling fornecem live updates setor por setor. A edição 2026 da Paris-Roubaix, em especial, tem cobertura confirmada no Max. Confira nosso guia completo de transmissão.
Quem já venceu todos os 5 Monumentos do ciclismo?
Apenas três ciclistas na história completaram a coleção dos cinco Monumentos: Rik Van Looy (Bélgica, entre 1958 e 1967), Eddy Merckx (Bélgica, entre 1966 e 1976) e Roger De Vlaeminck (Bélgica, entre 1970 e 1979). Todos belgas. Pogačar, com 12 vitórias em Monumentos e quatro dos cinco já conquistados, pode se tornar o quarto — e o primeiro não-belga — se vencer a Paris-Roubaix 2026. Nenhum dos três anteriores conseguiu os cinco numa única temporada.





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