Se Tadej Pogačar vencer a Volta a Espanha em Granada, em 13 de setembro, será o nono ciclista a vencer as três Grandes Voltas na carreira. Será também o quarto a vencer Tour e Vuelta no mesmo ano. Ele largou 27 dias depois de Paris, venceu o contrarrelógio de Mônaco e saiu do primeiro dia na liderança (lavuelta.es, 22/08/2026).
Este texto separa os dois recordes, que as manchetes de agosto misturam. E faz duas contas: quantos anos cada um dos oito levou para fechar o conjunto, e quantos dias Pogačar teve entre o Tour e a Vuelta. Quem disputa a geral com ele está em favoritos e lista de largada da Vuelta 2026; o percurso, no guia da Vuelta 2026.
Em resumo
- Oito ciclistas venceram Giro, Tour e Vuelta na carreira: Anquetil, Gimondi, Merckx, Hinault, Contador, Nibali, Froome e Vingegaard, que fechou a lista com o Giro de 31/05/2026
- “Treble” e “clean sweep” sugerem varredura de temporada; ela está fechada em 2026, porque Vingegaard venceu o Giro. O que está em jogo é o conjunto de carreira
- O recorde escondido: Tour e Vuelta no mesmo ano, feito por Anquetil (1963), Hinault (1978) e Froome (2017); Pogačar seria o quarto
- Foram 27 dias entre a chegada em Paris (26/07) e a largada em Mônaco (22/08). Uma semana a menos que os 34 dias entre Giro e Tour em 2024
- Favorito não é inevitável: a única Vuelta dele é um 3º lugar de 2019, aos 20 anos. A prova de 2026 tem a subida de categoria especial no penúltimo dia
Índice do Conteúdo – Pogačar na Volta a Espanha 2026: o que falta para vencer as três Grandes Voltas
O que Pogačar precisa fazer na Vuelta 2026 e o que isso valeria?
Vencer a classificação geral em Granada. Só isso fecha o conjunto: ele tem o Giro de 2024 e cinco Tours, 2020, 2021, 2024, 2025 e 2026 (lavuelta.es, lido em 22/08/2026). Com a vitória, seria “only the ninth rider to win all three Grand Tours” (The National, 2026).
O estado da prova em 22/08: Pogačar venceu o contrarrelógio de 9,4 km em Mônaco em 10’57”, mesmo tempo de Ethan Hayter, e veste a camisa vermelha. João Almeida está a 18″ e Primož Roglič a 22″ (lavuelta.es, 22/08/2026, 14h45 de Brasília). A classificação atualizada depois de cada etapa fica na página de resultados da Vuelta 2026.
Quanto vale em dinheiro? A organização não publicou tabela de prêmios para 2026: a página oficial das classificações lista as camisas e os patrocinadores, sem valores (lavuelta.es, lido em 21/08/2026). Qualquer cifra que circule vem de edições anteriores.
Resposta direta: Para vencer as três Grandes Voltas, Pogačar precisa vencer a classificação geral da Volta a Espanha 2026, em Granada, em 13/09. Ele já tem o Giro de 2024 e cinco Tours (lavuelta.es, 2026) e seria o nono a completar o conjunto (The National, 2026).
Quem são os oito que já venceram as três Grandes Voltas?
Oito homens venceram Giro, Tour e Vuelta na carreira. O oitavo entrou em 31 de maio de 2026, quando Jonas Vingegaard venceu o Giro depois dos Tours de 2022 e 2023 e da Vuelta de 2025 (Cycling Weekly, 2026). A tabela cruza quatro fontes.
Os anos do Giro e do Tour são o palmarès completo, do albo d’oro oficial e do guia histórico oficial. A coluna da Vuelta traz só a primeira vitória de cada um, a que entrou no conjunto, pela lista da Cycling Weekly e pela Domestique. O Giro de Vingegaard está contado em Vingegaard fora da temporada.

| Ciclista | País | Giro | Tour | Primeira Vuelta | Fechou em |
|---|---|---|---|---|---|
| Jacques Anquetil | França | 1960, 1964 | 1957, 1961, 1962, 1963, 1964 | 1963 | 1963 |
| Felice Gimondi | Itália | 1967, 1969, 1976 | 1965 | 1968 | 1968 |
| Eddy Merckx | Bélgica | 1968, 1970, 1972, 1973, 1974 | 1969, 1970, 1971, 1972, 1974 | 1973 | 1973 |
| Bernard Hinault | França | 1980, 1982, 1985 | 1978, 1979, 1981, 1982, 1985 | 1978 | 1980 |
| Alberto Contador | Espanha | 2008, 2015 | 2007, 2009 | 2008 | 2008 |
| Vincenzo Nibali | Itália | 2013, 2016 | 2014 | 2010 (ver nota) | 2014 |
| Chris Froome | Grã-Bretanha | 2018 | 2013, 2015, 2016, 2017 | 2017 | 2018 |
| Jonas Vingegaard | Dinamarca | 2026 | 2022, 2023 | 2025 | 2026 |
Fontes: Giro, albo d’oro oficial, lido em 22/08/2026. Tour, guia histórico oficial 2025, página “records de victoires”, lido em 22/08/2026. Vuelta, Cycling Weekly, 27/05/2026, e, para a Vuelta de 1978 de Hinault, Domestique, 05/08/2026. A lista da Cycling Weekly foi publicada em 27/05/2026 e atualizada em 08/06/2026, depois do Giro de Vingegaard.
Critério da coluna da Vuelta: o ano da primeira vitória na estrada segundo a fonte. Vitórias posteriores, como as de Contador em 2012 e 2014, e atribuições tardias, como a de Froome em 2011, não entram. Nota: a Cycling Weekly lista Nibali entre os oito sem o ano da Vuelta. O site da organização não publica palmarès anterior a 2010, e a edição de 2010 não estava acessível em 22/08/2026. O ano vem do palmarès do ciclista e é a única célula sem fonte lida nesta tabela.
Quanto tempo leva para fechar as três? Contador precisou de um ano; Anquetil, de seis. Pogačar, que venceu o primeiro Tour em 2020, fecharia em seis anos se vencer em Granada.
Resposta direta: Oito ciclistas venceram as três Grandes Voltas. São Jacques Anquetil (fechou em 1963), Felice Gimondi (1968), Eddy Merckx (1973), Bernard Hinault (1980), Alberto Contador (2008), Vincenzo Nibali (2014), Chris Froome (2018) e Jonas Vingegaard (2026) (Cycling Weekly, 2026; albo d’oro do Giro e guia histórico do Tour, lidos em 22/08/2026).
Conjunto de carreira não é varredura de temporada
“Elusive treble”, na NBC Sports de 03/08/2026; “Grand Tour clean sweep”, na The National de 21/08/2026. Lidas em português, as manchetes sugerem que Pogačar pode vencer as três provas de 2026. Não pode. Vingegaard venceu o Giro em 31 de maio (Cycling Weekly, 2026), e a varredura do ano fechou ali. É também por isso que o clube tem oito membros, não sete.
O que está em jogo é o conjunto de carreira. Nenhum homem venceu as três na mesma temporada. A única pessoa a fazê-lo foi Annemiek van Vleuten, em 2022, e a Cycling Weekly registra o debate sobre o tamanho da Vuelta feminina daquele ano (Cycling Weekly, 2026). A comparação entre épocas também é torta. A Vuelta de Anquetil, em 1963, durava 15 dias; a de Gimondi, em 1968, tinha 18 etapas; a segunda de Hinault, em 1983, durava 19 dias (mesma fonte).
Resposta direta: Pogačar não pode vencer as três Grandes Voltas de 2026, porque Jonas Vingegaard venceu o Giro em 31/05/2026 (Cycling Weekly, 2026). O que a Vuelta pode completar é o conjunto de carreira: Giro 2024, cinco Tours e, se vencer, a Vuelta 2026.
Quem venceu Tour e Vuelta no mesmo ano? Três homens
Só três homens venceram o Tour de France e a Vuelta no mesmo ano: Jacques Anquetil, Bernard Hinault e Chris Froome (NBC Sports, 2026). Anquetil fez em 1963 e Hinault em 1978, quando a Vuelta era corrida na primavera. Froome fez em 2017, já com a prova no fim do verão, depois que a UCI “enacted a radical reform of the calendar ahead of the 1995 season” (Domestique, 2026).
A lista de quem tentou e não conseguiu é mais longa que a de quem conseguiu. Óscar Pereiro foi 49º na Vuelta de 2006; Carlos Sastre, 3º em 2008, atrás de Contador; Andy Schleck abandonou em 2010; Vingegaard foi 2º em 2023 (mesma fonte).
| Ciclista | Ano | Resultado na Vuelta (mesmo ano do Tour) |
|---|---|---|
| Jacques Anquetil | 1963 | Venceu |
| Bernard Hinault | 1978 | Venceu |
| Óscar Pereiro | 2006 | 49º |
| Carlos Sastre | 2008 | 3º |
| Andy Schleck | 2010 | Abandonou |
| Chris Froome | 2017 | Venceu |
| Jonas Vingegaard | 2023 | 2º |
| Tadej Pogačar | 2026 | Líder após a etapa 1 |
Fontes: NBC Sports, 03/08/2026, para os três que venceram; Domestique, 05/08/2026, para as tentativas; lavuelta.es, 22/08/2026, para 2026.
Por que este recorde é o mais difícil dos dois? Porque o conjunto de carreira depende de calendário e contabilidade, e o “mesmo ano” depende do corpo. São três semanas de Tour, quatro semanas de intervalo e três semanas de Vuelta. Desde 1995 só um homem aguentou a sequência vencendo as duas.
Resposta direta: Entre os homens, Tour e Vuelta no mesmo ano foram vencidos por Jacques Anquetil (1963), Bernard Hinault (1978) e Chris Froome (2017) (NBC Sports, 2026). Pereiro (2006), Sastre (2008), Schleck (2010) e Vingegaard (2023) tentaram a dobradinha Tour e Vuelta e não venceram (Domestique, 2026).
Quantos dias Pogačar teve entre o Tour e a Vuelta 2026?
O Tour terminou em Paris em 26 de julho de 2026, com Pogačar 6’26” à frente de Remco Evenepoel (RTE, 2026). A Vuelta largou em Mônaco em 22 de agosto. São 27 dias. Em 2024, quando ele venceu Giro e Tour, o intervalo foi de 34 dias; a The National resume: “Pogacar will have had a week less recovery time” (The National, 2026).

Ele mesmo falou disso na coletiva de 21/08, em inglês. “It was a pretty short turnaround after the Tour to get here, but I think there was enough time to recover” (IDL Procycling, 2026). E pôs o resto do ano na mesa: “I can’t come out of the Vuelta completely wiped out”, com Mundial, Europeu e Lombardia depois de Granada.
Quantos dias você daria a um corpo entre duas Grandes Voltas? Não há número publicado para Pogačar. O que existe é a comparação: 34 dias deram um Giro e um Tour. Com 27, é a primeira vez que ele testa um intervalo menor.
Resposta direta: Pogačar teve 27 dias entre a chegada do Tour de France, em Paris, em 26/07/2026 (RTE, 2026), e a largada da Vuelta, em Mônaco, em 22/08/2026. Em 2024, entre Giro e Tour, foram 34 dias (The National, 2026).
O que 2019 diz sobre 2026, e o que não diz
A única Vuelta de Pogačar foi a de 2019, na estreia em Grandes Voltas: 3º lugar aos 20 anos e três vitórias de etapa. Na penúltima etapa, atacou a 38 km da chegada na Sierra de Gredos e abriu 1’32” sobre Alejandro Valverde (lavuelta.es, lido em 22/08/2026). Em Mônaco ele largou para a décima Grande Volta, aos 27 (mesma nota).
O que 2019 diz: ele já venceu etapas de montanha na Vuelta e já terminou no pódio. O que 2019 não diz: naquele ano ele não chegava de um Tour, não era o favorito e não tinha uma subida de categoria especial no penúltimo dia. A de 2026 tem: o Collado del Alguacil, 8,3 km a 9,8%, em 12 de setembro (lavuelta.es, lido em 22/08/2026). A etapa está explicada em a enchente que refez a etapa rainha.
Resposta direta: Na única Vuelta que correu, em 2019, Pogačar foi 3º aos 20 anos, com três vitórias de etapa (lavuelta.es, 2026). A Vuelta 2026 é a décima Grande Volta dele e a primeira Vuelta que corre como favorito, 27 dias depois de um Tour.
O que pode dar errado na Vuelta 2026? Percurso, equipe e narrativa
Três coisas, e nenhuma depende de o pelotão ser “fraco”. A primeira é o percurso.
O desnível da Vuelta circula em três versões. A organização falou em mais de 58.000 m na apresentação de 13/08 (lavuelta.es, 2026) e em quase 57.500 m, em 3.299,2 km, na nota da véspera (lavuelta.es, 21/08/2026). O guia da Domestique publica 58.156 m (Domestique, 22/08/2026). Pela mesma Domestique, o Giro de 2026 teve 50.000 m em 3.459 km (Domestique, 28/05/2026). A Vuelta sobe mais em menos quilômetros. O Tour de 2026 fica fora da comparação: nenhuma fonte datada com o desnível dele foi lida até 22/08. Os números da prova estão em a Vuelta 2026 em números.
Os 32 km de contrarrelógio em Jerez, em 10/09 (lavuelta.es, lido em 22/08/2026), tendem a favorecer Pogačar. O Alguacil, dois dias depois, é onde três semanas de desgaste podem aparecer. As duas etapas estão no guia das 21 etapas. O contrarrelógio tem texto próprio em o CRI de Jerez, e a subida, em a subida do Collado del Alguacil.
A segunda é a própria equipe. João Almeida, 2º na Vuelta de 2025 (The National, 2026), largou sem que a UAE dissesse se é co-líder ou gregário; até 22/08, a equipe não publicou nada (favoritos e lista de largada). A equipe inteira está em a UAE Team Emirates XRG na Vuelta 2026. A resposta deve vir em Andorra, na etapa 4; o duelo interno tem texto próprio em Almeida e Pogačar na mesma UAE.
A terceira é a narrativa. Na coletiva de 21/08, perguntaram se o pelotão da Vuelta era mais fraco que o do Tour. Ele respondeu: “I don’t see why the field in the Tour would be much tougher” e, na sequência, “Actually, this question isn’t worth answering” (IDL Procycling, 2026). A armadilha é simétrica: se vencer, foi passeio; se perder, foi colapso. Quem está e quem não está na lista de largada é fato verificável, não julgamento.
Resposta direta: Os riscos para Pogačar na Volta a Espanha 2026 são três. O percurso, com o Collado del Alguacil (8,3 km a 9,8%, 12/09) no penúltimo dia. A equipe, com a liderança não definida entre ele e João Almeida. E a narrativa do “pelotão fraco”. A organização fala em quase 57.500 m de desnível (lavuelta.es, 2026); a Domestique conta 58.156 m (Domestique, 2026).
Como acompanhar no Brasil
ESPN 3 e Disney+ transmitem as 21 etapas; horários em Brasília e o que a TV não mostra estão em onde assistir a Volta a Espanha 2026. A classificação, etapa a etapa, fica na página de resultados.
Dois recordes, um contábil e um fisiológico
O conjunto de carreira é uma questão de calendário: Pogačar chega a Granada com Giro e Tour no bolso, e só a Vuelta falta. O Tour e a Vuelta no mesmo ano é uma questão de corpo: 27 dias entre Paris e Mônaco, e só Froome conseguiu desde 1995. É o segundo que a Vuelta pode responder, no Collado del Alguacil, em 12 de setembro, e em Granada, no dia seguinte. O resultado final entra em resultado final da Vuelta 2026.
Fontes lidas em 21 e 22/08/2026; este texto vira retrospectiva depois da etapa 20 (12/09) e da chegada em Granada (13/09).

