Quanto ganha Pogačar em 2026? Cerca de €13 milhões, ou R$ 77,8 milhões pelo câmbio de 14 de agosto. É o maior valor já atribuído a um ciclista. Tadej Pogačar recebe €8 milhões de salário-base na UAE Team Emirates-XRG. O restante vem de patrocínio pessoal, merchandising e bônus já embolsados nesta temporada, segundo levantamento da La Gazzetta dello Sport reproduzido pelo IDL ProCycling. No mesmo ano, o piso salarial do WorldTour não subiu um euro.
O que você precisa saber
- Os €13 milhões são receita total de 2026, não salário. O contrato com a UAE paga €8 milhões por ano e vai até 2030.
- A mediana do pelotão masculino do WorldTour é de €350 mil anuais. Pogačar embolsa 37 vezes isso.
- O piso da categoria ficou congelado em €44.150 em 2026, depois de dois reajustes seguidos de 5%.
- O orçamento somado das equipes saltou de €570 milhões em 2025 para €663 milhões em 2026.
- Um teto de orçamento chegou a ser aprovado em princípio pela UCI e morreu na mesa, recusado pelas próprias equipes, a começar pelas menores.
- No Brasil, a mediana salarial de quem tem carteira assinada como ciclista é de R$ 2.207 por mês.
De onde vêm os €13 milhões de Pogačar
A conta da Gazzetta tem quatro linhas, e só uma delas é salário. O contrato assinado em novembro de 2024 paga €8 milhões por temporada até o fim de 2030 e traz uma cláusula de rescisão de €200 milhões. Perto de dez patrocinadores pessoais somam €2,5 milhões. A linha de produtos com as iniciais do esloveno rende outro €1 milhão.
O quarto item separa 2026 dos anos anteriores: €1,5 milhão em bônus já conquistados. São €1 milhão pelo Tour de France e €500 mil por fechar o ano anterior como número 1 do ranking UCI. Nenhum desses valores é promessa. Estão pagos.
| Fonte da receita | Valor em 2026 |
|---|---|
| Salário-base (UAE Team Emirates-XRG) | €8.000.000 |
| Patrocínios pessoais e direitos de imagem | €2.500.000 |
| Merchandising (linha própria) | €1.000.000 |
| Bônus já conquistados (Tour + nº 1 da UCI) | €1.500.000 |
| Total | ≈ €13.000.000 |
Falta uma temporada inteira pela frente. Vencer a Vuelta a España, que larga de Mônaco em 22 de agosto, vale mais €500 mil de bônus contratual. O Mundial de estrada vale outros €250 mil, segundo a CyclingUpToDate. O teto de 2026 fica em €13,75 milhões. Em 2025, o mesmo cálculo da Gazzetta havia chegado a €12 milhões.
Quanto ganha o resto do pelotão?
Aqui a história muda de assunto. A UCI reúne os orçamentos que as 20 equipes apresentam para obter licença. A Cyclingnews publicou os números de 2026. A mediana do ciclista autônomo do WorldTour é de €350 mil por ano, alta de 5,6% sobre 2025. A do ciclista contratado, com vínculo empregatício, cai para €216 mil.
A média, porém, é de €654 mil. Fica 87% acima da mediana, e essa distância não é detalhe estatístico. É a assinatura de uma cauda superior pesada: meia dúzia de contratos puxa o número para cima enquanto metade do pelotão fica embaixo da linha.
No topo, a fila é curta. O mesmo levantamento da Gazzetta, reproduzido pela revista alemã TOUR, coloca Remco Evenepoel em segundo, com €6,6 milhões de salário. Jonas Vingegaard vem em terceiro, com €5 milhões. Empatados em €4 milhões aparecem Mathieu van der Poel, Wout van Aert e Primož Roglič, que chega à Vuelta com o corpo remendado. Do décimo lugar para baixo já se fala em €2,5 milhões.
Por que a UCI congelou o piso salarial em 2026?
O piso do WorldTour masculino está em €44.150 brutos por ano para o ciclista contratado e €72.404 para o autônomo. Os valores saem do acordo paritário da CPA, o sindicato dos ciclistas profissionais. São os mesmos números de 2025. Depois de dois anos com reajuste de 5%, 2026 veio a zero.
Adam Hansen, presidente da CPA, explicou o congelamento sem rodeio. Disse que 2026 não era possível e que a entidade estava resolvendo outros pontos do acordo. A esperança de aumento ficou para 2027 (em tradução livre, declaração ao Velora Cycling). Nenhum acordo novo foi assinado. A tabela antiga seguiu valendo.
Coloque as duas coisas no mesmo calendário. O bolo das equipes engordou €93 milhões em doze meses, de €570 milhões para €663 milhões. O orçamento médio por equipe passou de €31,1 milhões para €33,1 milhões. O piso de quem carrega garrafinha ficou onde estava. O ciclismo não tem um problema de salário alto. Tem um problema de piso parado.
O teto que as equipes pequenas recusaram
Existe um remédio discutido há anos, e ele já foi aprovado em princípio. Em 2024, o Conselho do Ciclismo Profissional da UCI acatou a ideia de um teto de orçamento. O desenho previa um imposto sobre o excedente, redistribuído às demais equipes. A implementação miraria o ciclo de licenças a partir de 2026.
Não saiu do papel. David Lappartient, presidente da UCI, contou em novembro de 2025 que a proposta foi levada às equipes e que, paradoxalmente, elas não aceitaram. Disse ter se surpreendido com a origem da recusa. Partiu sobretudo das equipes menores, as que mais ganhariam com o teto (em tradução livre, entrevista ao Ouest-France reproduzida pela Cyclingnews).
Christian Prudhomme, diretor do Tour de France, entrou na conversa em julho de 2026 defendendo um teto salarial nos moldes do rúgbi francês. O argumento dele mira o efeito prático. Três ou quatro equipes ricas contratam todos os melhores jovens, e o equilíbrio precisa ser restaurado (em tradução livre, declaração à CyclingUpToDate). A UAE tem Isaac del Toro amarrado até 2031. Um ano além do próprio Pogačar. Quem vem de baixo assina com quem aparecer: Santiago Buitrago fechou até 2029 com uma equipe de nome recém-criado.
E o pelotão feminino?
O topo feminino de 2026 gira em torno de €1 milhão, valor que o levantamento da Gazzetta atribui a Demi Vollering. Lotte Kopecky e Elisa Longo Borghini aparecem na casa dos €900 mil. Pogačar sozinho ganha mais que as três somadas. O salário-base dele vale oito vezes o teto do pelotão feminino.
A base conta uma história mais dura. A pesquisa anual da The Cyclists’ Alliance, com 100 respondentes, registrou que 15% das ciclistas profissionais não recebem salário algum. Entre as que correm fora do Women’s WorldTour, 27% estão nessa situação e 55% ganham menos de €10 mil por ano. O piso da primeira divisão feminina é de €38 mil.
E no Brasil, quanto ganha um ciclista profissional?
O Brasil tem uma única equipe registrada como Continental na UCI em 2026, a Localiza Meoo / Swift Pro Cycling. Quem vive de pedalar aqui aparece no CAGED sob o código 377105, “Atleta de Ciclismo”. São 1.219 profissionais com carteira assinada. A mediana salarial deles é de R$ 2.207 por mês, com média de R$ 4.730,17. O piso da categoria fica em R$ 1.849,72, na janela de julho de 2025 a junho de 2026.
Compare com o número que você já viu duas vezes neste texto. O piso do WorldTour, €44.150 por ano, dá cerca de R$ 22 mil por mês pelo câmbio de 14 de agosto. Dez vezes a mediana brasileira. E esse piso europeu é o salário do ciclista que ninguém conhece, o que puxa vento nos primeiros 150 quilômetros e chega no grupo de trás.
O piso brasileiro, R$ 1.849,72, fica acima do salário mínimo de R$ 1.621 vigente em 2026 por uma margem de 14%. A Bolsa Atleta federal na categoria Nacional paga R$ 1.025 mensais, segundo o Decreto 12.108/2024. Abaixo do mínimo. É nesse cenário que sete brasileiros disputaram a Volta a Portugal neste mês.
O mais rico do ciclismo não entra na lista dos ricos
A Forbes publicou em 22 de maio de 2026 o ranking dos atletas mais bem pagos do mundo. Cristiano Ronaldo lidera com US$ 300 milhões. O décimo colocado, Lewis Hamilton, aparece com US$ 100 milhões. Nenhum ciclista está entre os dez.
O último a conseguir foi Lance Armstrong, nono na lista de 2005, com US$ 28 milhões — e o que veio depois dessa temporada dispensa comentário. Vinte e um anos se passaram sem que um ciclista voltasse ao top 10. O Tour de France, enquanto isso, alcança 150 milhões de telespectadores na Europa e mais de 1 bilhão de horas de transmissão assistidas no mundo.
O esporte que aparece na sua tela é global. O dinheiro que circula nele é de campeonato regional. Um patrocinador-título de equipe grande custa cerca de €20 milhões por ano — menos que o preço de um lateral-direito de meio de tabela europeu. E quando um patrocinador some, a conta chega rápido, como o grupo Accell mostrou em agosto.
O número que fica
Os €13 milhões vão render manchete até a Vuelta acabar. O número que decide a vida de quem nunca aparece na transmissão é outro, e ele não mudou: €44.150. Enquanto o teto sobe sozinho e o piso fica parado, quem contrata a próxima geração é sempre a mesma meia dúzia de equipes.
Pogačar largar de Mônaco em 22 de agosto valendo €13 milhões diz menos sobre ele do que sobre o esporte que o cerca.
Perguntas frequentes
Quanto ganha Pogačar por ano?
O salário-base de Tadej Pogačar na UAE Team Emirates-XRG é de €8 milhões por temporada, em contrato válido até o fim de 2030. Somando patrocínios pessoais, merchandising e bônus por resultado, a receita estimada para 2026 chega a €13 milhões, segundo a La Gazzetta dello Sport.
Qual é o salário mínimo de um ciclista do WorldTour?
Em 2026 o piso é de €44.150 brutos por ano para ciclistas contratados e €72.404 para autônomos, conforme o acordo paritário da CPA. Os valores foram congelados no patamar de 2025, sem o reajuste de 5% aplicado nos dois anos anteriores. Na segunda divisão masculina o piso cai para €35.392.
Quem é o ciclista mais bem pago depois de Pogačar?
Remco Evenepoel, da Red Bull-BORA-hansgrohe, com salário estimado em €6,6 milhões anuais. Jonas Vingegaard vem em terceiro, com €5 milhões. Mathieu van der Poel, Wout van Aert e Primož Roglič aparecem empatados na casa dos €4 milhões, pelo levantamento da Gazzetta reproduzido pela revista TOUR.
Quanto ganha um ciclista profissional no Brasil?
A mediana salarial de quem tem carteira assinada como atleta de ciclismo no Brasil é de R$ 2.207 por mês, com média de R$ 4.730,17. A base tem 1.219 profissionais registrados no CAGED entre julho de 2025 e junho de 2026. O teto registrado na categoria é de R$ 17.000,20.
Pogačar ganha bônus se vencer a Vuelta a España 2026?
Sim. O contrato dele com a UAE prevê €500 mil pela vitória na Vuelta e outros €250 mil pelo Mundial de estrada. Se levar as duas, a receita de 2026 sobe para €13,75 milhões. O prêmio oficial pago pela organização ao vencedor da Vuelta é bem menor: foram €150 mil em 2025.




